quinta-feira, janeiro 14, 2010

Acordar depois do “Acordo”


O “acordo” assinado entre o Ministério da Educação e os sindicatos traduz uma derrota inequívoca das políticas de Sócrates. Só que o maior erro dos professores seria encará-lo como uma anestesia, inibindo a continuação de uma luta que tem mostrado valer a pena.

Na era da prioridade ao défice e às políticas de austeridade – designações pomposas que o neoliberalismo descobriu para disfarçar os cortes sociais e o desinvestimento nos serviços públicos – poucos apostariam que o governo fosse ceder no osso das suas políticas. Mas foi a isso que foi obrigado por uma força imensa que inundou de revolta as avenidas de Lisboa e de todo o país. Se dúvidas persistem do tamanho da derrota deste governo, o insuspeito Vital Moreira já se encarregou de as desfazer.

Em 2007, Maria de Lurdes Rodrigues foi a cara de um novo Estatuto da Carreira Docente que impedia dois terços dos professores de atingirem o topo da carreira. O Ministério das Finanças assim o impôs. Era preciso poupar, diz a cartilha. Curiosamente, esta divisão da carreira entre professores e professores titulares levou “apenas” 25 mil docentes à rua, um número muito expressivo mas bem longe do que se veio a registar depois.

Contudo, foi a insensatez do modelo de avaliação, ancorado na competição entre professores, que fez transbordar o copo. As gigantescas manifestações que se seguiram começaram por ser apenas um grito contra a burocracia. Só muito depois ganharam ambição e acertaram no osso: era preciso terminar com a divisão arbitrária da carreira em duas categorias.

A diferença entre o “memorando de entendimento” – de má memória para a maioria dos professores - e este “acordo” é que, no primeiro caso, o governo recuou apenas no acessório. Aliás, todos os famosos “simplex” que se seguiram foram areia para os olhos para esconder aquilo que Sócrates queria deixar intacto: “pronto, pronto, tomem lá uma avaliação da treta, desde que se mantenham as quotas e não tenhamos que mexer na divisão da carreira”. Ou, mais precisamente: “sejam bons ou maus professores à vontade, mas não nos abram o cofre”. Porque, desenganem-se os mais ingénuos, para o governo o problema nunca foi se os professores eram bem ou mal avaliados nem se os alunos aprendiam bem ou mal.

Desta vez, a história é diferente: o fim da maioria absoluta obrigou Sócrates a abrir o cofre, algo que só está habituado a fazer quando os pedintes são banqueiros. Agora, todos os professores voltam a poder chegar ao topo da carreira, mesmo que em condições bem piores (34 a 40 anos de serviço) do que aquelas que vigoravam antes de 2007 (27 anos de serviço).

É também verdade que não há outro sector da função pública que tenha conseguido manter este direito. Isso não significa que os professores não tenham razão, mas tão só que eles foram até agora os únicos capazes de uma resistência tão imponente contra o neoliberalismo e os seus precipitados dogmas.

Aguardará o governo oportunidade melhor para voltar à carga com a austeridade. Infelizmente, os professores contratados ou a recibo verde – muitos deles há vários anos fora da carreira mas necessários às escolas – continuam a ser o alvo preferido e silencioso. Se Sócrates não pode poupar tanto quanto desejava com os professores de carreira, resta-lhe continuar a adiar a entrada dos precários, os mais desprotegidos tanto pela tutela como pelos sindicatos.

Sublinhe-se no entanto que, se este “acordo” vale pela derrota do governo e pela vitória dos professores, está ainda muito longe de garantir uma escola pública melhor. O modelo de avaliação docente, para lá de estar sujeito à arbitrariedade das quotas nas notas mais elevadas, promove a cunha e a competição. Mais ainda, com ciclos avaliativos de dois anos, arrisca-se a fazer das escolas centros de avaliação de professores – todos se vigiam com aulas assistidas – em vez de espaços centrados nos alunos. Já para não falar no autocrático modelo de gestão, que quer fazer do director o capataz governamental em cada esquina.

O “acordo” traduz uma vitória dos professores, mas não não é um compromisso que proíbe ou inibe a continuação deste combate. Porque se a contrapartida deste “acordo” é o baixar de armas, ele vai valer muito pouco no futuro. Ao contrário do que as palavras de Mário Nogueira parecem sugerir, os professores não devem lavar as mãos da responsabilidade das próximas lutas, entregando-as aos partidos ou diluindo-as na função pública em geral. Isto aplica-se tanto aos aspectos negativos do "acordo" como às matérias sobre as quais o "acordo" não versa.

É preciso pois acordar do sono induzido pelo "acordo", e, naturalmente do cansaço de um combate que já tem mostrado que vale a pena. É preciso acordar, não apenas pela valorização da carreira docente, mas cada vez mais para lutar por uma escola diferente: uma escola que não desiste de nenhum aluno e com recursos para garantir um sucesso escolar real – e não estatístico – para todos. Essa nova escola implica grandes mudanças e, inevitavelmente, não se faz sem ir ao cofre outra vez, custe o que custar.

Miguel Reis, professor da Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira (Seixal)
MEP

ACORDO: NEM TODOS OS BONS PROFESSORES CHEGARÃO AO TOPO

Porque tenho acompanhado a Educação, decidi expor aqui um pequeno memorando sobre a situação.

ACORDO entre Sindicatos/ ME

Muito li e ouvi sobre o assunto, mas, na maior parte das vezes, o que é dito não é verdade. Por ignorância, má-fé ou simplesmente porque não entendem mesmo do que falam... Até mesmo a nossa Ministra parece só ter uma ideia dos assuntos e o Sr. Secretário de Estado já saiu da sua escola de origem há muito, não vivenciado os efeitos das medidas dos últimos anos.

Vamos ao que interessa:

1 - CARREIRA /Transição entre modelos: A carreira passou de 26 anos para 46 ou mais.

Contrariamente ao que se anunciou e continua a propagandear, muitos milhares dos professores com Bom não chegarão ao topo da carreira em consequência da transição para escalões entre as diferentes estruturas da carreira, a que acresce o congelamento de dois anos e quatro meses. Embora, em teoria, tal fosse possível com 40 anos de serviço, na prática só algum caso raro, que entre na carreira agora delineada, logo que comece a trabalhar, poderá ter essa expectativa. Ora acontece que os professores só entram na carreira depois de passarem 10 a 15 anos de contrato, sendo os primeiros com horários incompletos. Daqui resulta que a idade dos docentes fica desfasada do número de anos de serviço contados para efeitos de progressão. Escapam parcialmente a este imbróglio os docentes dos antigos 9º, 10 e alguns do 8º escalão.

A maioria dos professores ainda não percebeu ou não quer acreditar nas consequências do acordado, mas para provar o que disse repare na tabela elaborada pela ANP:

CASO 1

No exemplo dado, trata-se de um docente que já tinha cumprido 1 ano de serviço no 6º escalão da antiga carreira (DL 312/99) pré-MLR e congelamento. Estava, por isso, a 13 anos do topo da carreira. Com a transição do acordo está agora (passados 4 anos e 4 meses, dos quais 2 anos e 4 meses não contaram) a 23 anos do topo da carreira, no mínimo, se for sempre Excelente ...

Estrutura da Carreira Docente e Estatuto Remuneratório

Decreto-Lei n.° 312/99, de 10 de Agosto.

Para Bacharéis profissionalizados

1.º escalão – dois anos;

2.º escalão – três anos;

Para licenciados profissionalizados

3.º escalão – quatro anos;

4.º escalão – quatro anos;

5.º escalão – quatro anos;

6.º escalão – três anos;

7.º escalão – três anos;

8.º escalão – três anos;

9.º escalão – cinco anos.

Há, porém, aqui um pormenor que não tem sido levantado. Este docente do exemplo deve ter agora perto de 43 anos de idade, logo só atingiria o topo da carreira aos 66 anos. É bem provável que tal ocorra mais tarde, por muitas razões que vão desde a espera nos dois estrangulamentos, anos de contrato, serviço militar, idade com que se formou, se passou por outros serviços públicos anteriormente, ou até mesmo doenças, etc. etc... é, na verdade, um porMAIOR.

Para terminar esta questão, incluo a situação de uma colega, descrita ao correr da pena, agora num instante, que acabou a licenciatura aos 22 anos – (caso limite):

CASO 2

Chamo-me A. P. Ribeiro, tenho 43 anos e sou Professora de Língua Portuguesa numa Escola Básica. Talvez o meu caso sirva para esclarecer aqueles que têm algumas dúvidas relativamente à progressão, já que, para mim, se tratou de um valente retrocesso.

Nasci em 1966, entrei para o primeiro Ciclo aos seis anos e fui, sem nunca ficar retida ou esperar por ingressar na Universidade, fazendo a minha progressão. Assim, aos 22 anos já estava a fazer Estágio numa Escola Secundária. Deste modo, ingressei, a seguir, no 3º escalão, já que era este o escalão de ingresso para Licenciados profissionalizados, segundo o Estatuto da Carreira Docente então em vigor. Depois de ensinar muitos alunos, ter exercido funções no Conselho Executivo e noutros órgãos relevantes para o bom funcionamento da Escolas, promovido acções e projectos, enfim, uma carreira da qual me orgulho, sou confrontada com um “congelamento” de dois anos e quatro meses. Se tal não tivesse acontecido e o Estatuto da Carreira Docente não tivesse sido alterado, em Setembro de 2009, com 21 anos de serviço, teria sido posicionada no 9º escalão (Estrutura da Carreira Docente e Estatuto Remuneratório, Decreto-Lei n.° 312/99, de 10 de Agosto). Ora, actualmente e, tendo em consideração o Acordo com o Ministério da Educação, passei a integrar o 5º escalão (índice 235), ou seja, transitei para aquele onde estarão, no futuro, os docentes que tiverem 16 anos de serviço.

Por este acordo, conjugando o escalão onde vou ser colocada (5º) e o tempo necessário mínimo para lá chegar (sendo excelente e beneficiando dos incrementos), só atingirei o topo da carreira aos 61 anos de idade. Caso fique retida dois anos, em cada um dos estrangulamentos, só aos 65 anos de idade atingirei o topo... Isto prova que para a maioria dos docentes em exercício tal é impossível.

2 – AVALIACÃO

A avaliação acordada é idêntica ao modelo completo anterior, com umas mudanças de nomes, mas os mesmos actores. Aqui em Aveiro ainda há escolas que não deram a conhecer a avaliação do ciclo anterior, noutras o processo ainda decorre. Ainda ontem tive uma entrevista com o meu avaliador, que durou duas horas. Embora no meu caso a avaliação obtida no ciclo anterior não tenha influência na minha progressão ao próximo escalão e até tenha sido avaliado com 8=Muito Bom na grelha de parâmetros, mas apenas Bom final por força legal (não entrega dos OI), a verdade é que estou a reclamar para alteração de classificações (ou seja, há três dias que não preparo uma aula). A verdade é que vai grassando um grande mal-estar à medida que os colegas vão tendo conhecimento das avaliações, mesmo quando já estão no topo ou perto. O prejuízo causado à escola é superior a eventuais vantagens. A tudo isto acresce que as avaliações de Muito Bom e Excelente atribuídas a colegas que “furaram a luta” vão agora relevar para a sua progressão, quando enquadrados em escalões com estrangulamentos e quotas. Temos outra guerra à vista.

Os professores e as escolas necessitavam muito de um acordo, mesmo a perder, mas este é um abuso e ataque à nossa inteligência, com a agravante de os sindicatos, com mira em algo que não entendo, terem cedido e agora mascaraem a verdade ...

MUP

Na sequência do post que escrevi há uma semana atrás, vou tentar fazer um breve balanço do acordo assinado entre o ME e a maior parte dos sindicatos de docentes no passado dia 7 de Janeiro.

Em jeito de preâmbulo repito o que já escrevi, de forma dispersa, em alguns textos dos últimos dias: foi um acordo apressado, politicamente necessário ao Governo, instrumental para os sindicatos porque parece ter sido condição para aceder a outras negociações, mas algo desanimador para a generalidade da classe docente.

Mas particularizemos:

Estrutura da carreira: foi eliminada a divisão na carreira e a barreira estanque à progressão até aos últimos escalões para mais de um terço dos docentes. Em troca, passou a existir uma progressão mais lenta até ao índice 299, que frustra as expectativas de muitos docentes, em especial em início de carreira. É verdade que as possibilidades de chegar ao topo aumentaram, mas o caminho ficou mais longo para os que lá chegam. Neste aspecto, há uma vitória simbólica, um empate técnico em termos globais e uma derrota concreta para muitos docentes. Classificação: 6 (Regular)

Modelo de avaliação: na prática ficou o que estava, ou seja, o simplex para consumo regular e uma espécie de complex para quem quiser progredir na via rápida. O modelo é muito fraco se pretende efectivamente distinguir o mérito e pode implodir se todos optarem pelo complex. Como sempre achei, o modelo de ADD é uma questão lateral e derivada da estrutura de carreira. O problema reside no mecanismo das quotas para a progressão, falso mecanismo artificial para promover uma ideia peregrina de diferenciação que duas aulas assistidas por ano só numa anedota poderão passar por critério de aferição da excelência. Para mim seria um empate porque, ao contrário de muitos, o modelo de avaliação nunca foi o que mais me incomodou, excepção feita às consequências retroactivas perversas que parecem ter ficado espalhadas naquelas partes que… Classificação: 6 (Regular)

Ingresso na carreira: a prova fica para quem entra, desaparece para quem está. Não é uma boa solução porque assume que quem já tem bicicleta, anda bem, enquanto que quem quer comprar, precisa mostrar que anda bem, apesar de ter carta de condução de velocípedes. Esta é uma solução duplamente preguiçosa: prescinde de uma regulação e fiscalização efectiva dos cursos de formação de professores e toma como aptos todos os professores que já estão em exercício. Governo e sindicatos ganham, cada um protegendo os seus interesses. A Educação nem por isso. Classificação: 4 (Insuficiente).

Horários e etc: ficam para as rondas complementares de negociação, aquelas que só ficaram previstas depois de ficar garantido que haveria acordo. Pode ser uma das principais vantagens do acordo. Classificação: 8 (Muito Bom)

Classificação Final: 6,0 (Regular). Não progride na carreira por enquanto, precisa de melhorar o seu desempenho no futuro próximo. Talvez dia 20…

A Educação do Meu Umbigo

Haiti em estado de catástrofe

Devastação em Porto Príncipe. Foto de morel13, postada no Twitter
Terramoto de 7 graus na escala Richter causa cenário de apocalipse. Vítimas mortais podem ser milhares. Segundo a Cruz Vermelha Internacional, até 3 milhões de pessoas foram afectadas pelo abalo, o maior no Haiti em dois séculos.
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Esquerda.net

terça-feira, janeiro 12, 2010

Das perversidades inerentes ao novo acordo

Muito se tem falado sobre a necessidade de, nas nossas análises críticas, atendermos aos índices remuneratórios a fim de os articularmos com os novos escalões. E essa articulação deve mesmo ser feita, para que os professores meçam tudo o que vão perder, nos termos deste acordo, relativamente às suas expectativas de progressão na carreira.

Assim, se nos reportarmos à situação anterior aos governos de José Sócrates, um professor situado no antigo 8.º escalão, correspondente ao índice 245, tinha a expectativa de atingir o topo da carreira ao fim de relativamente poucos anos. Agora, à luz do acordo assinado pelos sindicatos, esse professor recua dois escalões, fica sujeito a passar por um índice intermédio, inventado à pressão, correspondente ao que será o 7.º escalão, com a agravante de que estará sujeito ao filtro das vagas, à obrigatoriedade das aulas assistidas, às arbitrariedades da avaliação “pelos pares”, etc. A perversidade aqui radica no facto de o ME ter feito as contas e ter percebido que vai apanhar nesta teia uma larga fatia de professores, aquela onde convém cortar as expectativas remuneratórias – juntamente com a outra fatia, igualmente grande, de professores sujeitos a candidatarem-se ao novo 5.º escalão.

A outra perversidade, a que já aludimos num “post” anterior, consiste numa jogada de mestre por parte da actual equipa ministerial, jogada que teve, infelizmente, o beneplácito dos sindicatos. Enquanto que no modelo recente de avaliação, aquele que combatemos, as vagas no acesso às classificações superiores a Bom eram discricionariamente estabelecidas pelo ME, agora passam a depender em exclusivo dos professores avaliadores: serão eles a decidir quem fica sujeito a vagas no acesso ao 5.º e ao 7.º escalões, ou seja, serão eles que decidirão quem vai ter apenas classificação de Bom. Se isto não é perverso, não sabemos o que é a perversidade…

Apede

José Ricardo (Fne) responde ao desafio: o Acordo foi bom para os professores?

Questões pertinentes para serem respondidas:

1.º Até 2005 estava no 6º escalão numa carreira com 10 escalões. Em 2010 estou no 3º escalão numa carreira com 10 escalões!...

2.º Até 2005, já estava a mais do meio da carreira. Em 2010 sou colocado no início da carreira.

3.º Até 2005, tinha expectativa de atingir o topo da carreira em 14 anos. Em 2010, tenho a hipótese de não atingir o topo da carreira, e se conseguir, demoro 22 anos.

4.º Até 2005, dependia do meu desempenho profissional para progredir na carreira. Em 2010, dependo de vagas para progredir na carreira.

José Ricardo responde ao desafio:

Resposta e comentário a algumas das questões colocadas num Blog e, cujo autor, "bem gostaria de ver respondidas pelos entusiastas desta vergonha do acordo".

Porque não tenho, nem nunca tive medo, nem sequer de me esconder dos actos que pratico em nome próprio, nem em nome do colectivo que represento, não posso deixar de responder ao desafio lançado por alguns descontentes com o acordo celebrado entre alguns sindicatos e o ME.

1.º Tem razão, que em 2005 estava no 6.º escalão numa carreira com 10 escalões, mas entrou na carreira no 3.º escalão (índice 151), chegando ao 6.º escalão (índice 205) ao fim de 12 anos de serviço. Em 2010 está no 3.º escalão com o mesmo índice (índice 205) do 6.º escalão de 2005. Mas repare que em 2010 para chegar ao índice 205 necessitava de 12 anos de serviço e a partir de 2010 o tempo necessário para chegar ao mesmo índice 205 é de 8 anos. Lá dizia Padre António Vieira “quando os meus olhos querem ver com amor o corvo é sempre branco, mas quando os meus olhos querem ver com ódio o cisne é sempre preto”.

2.º Tem razão, que em 2005 estava no 6.º escalão numa carreira com 10 escalões, estava ao meio da carreira, mas lembre-se estar no 6.º escalão cuja entrada se dava no 3.º escalão para os licenciados estava no 1.º terço da carreira e não a meio da carreira. Não se deve fazer uma análise a um cubo, por exemplo, olhando só para um lado como se ele fosse apenas um quadrado!

3.º Tem razão, que em 2005 e no seu caso, podia atingir o topo da carreira em 14 anos, mas lembre-se que o topo era o índice 340 e em 2010 o topo passou a ser o índice 370. São “só” mais 30 pontos, e que correspondem “só” a mais cerca 300€ por mês. Portanto não veja só o aspecto negativo de ter que fazer mais tempo para chegar ao topo, mas veja também que o topo significa mais vencimento.

4.º Tem razão, pois, esta é aquela questão que comparando com 2005 nada é igual, mas que comparando com o Decreto-lei n.º 270/2009 nos impôs é olhar para uma outra realidade bem diferente e para melhor.

No entanto, e apesar da progressão depender de vagas em dois momentos da carreira (no acesso ao 5.º e 7.º escalão), entre 75% e 85% dos professores que todos os anos estejam em condições de progredir, por exemplo ao 5.º escalão, progridem automaticamente. Tomando como exemplo o acesso ao 5.º escalão, os professores com Muito bom e Excelente que podem representar entre 25% e 35% dos professores de uma escola, progridem automaticamente. Por sua vez, progridem também, automaticamente, 50% dos professores com Bom que estejam nas mesmas condições, nesse mesmo momento. Os restantes valorizam 0,5 valores, por cada ano que tenham que esperar para progredirem dentro dos 50% das vagas anuais, facto que pode ocorrer logo no ano seguinte ou em casos extremos no 2.º ano, ou ainda, no pior cenário no 3.º ano e neste último caso, tomando como referência um professor que tendo 6,5 na sua última classificação (nota mínima do Bom). Porquê? Porque com o acréscimo de 1,5 valores, correspondente a três anos de espera, isto perfaz um total de 8 valores na sua classificação, facto que o coloca perante uma nota equivalente a Muito Bom, permitindo, deste modo, progredir ao 5.º escalão automaticamente. Este exemplo aplica-se com a necessária adaptação, na transição do 6.º para o 7.º escalão da carreira.

Em conclusão:

Se nos continuarmos a centrar, na comparação entre o que este acordo nos dá e aquilo que tínhamos em 2005 é uma coisa, mas se nos centrarmos na comparação entre o que foi conseguido com o acordo e o que hoje temos legislado em matéria de carreira, verificar-se-á que a mudança é inequivocamente para melhor. Repare-se que o que hoje temos é que cerca de 70% dos professores não progridem para além do índice 235, ou na melhor das hipóteses tendo que prestar provas públicas para se candidatar a professor titular e caso não tenham vaga poderiam aspirar progredir ao índice 272. De resto, só apenas um terço dos professores podiam aspirar a uma carreira melhor caso obtivessem vaga de professor titular. Acresce, ainda, que mesmo este terço dos professores titulares levaria, no mínimo, 36 anos de serviço para chegar ao topo da carreira.

Continuarmos a laborar em análises comparativas com a situação de há cinco anos atrás é um erro que servirá apenas alimentar lutas saudosistas que não nos levam a lado algum.

José Ricardo

http://olharsurrealista.blogspot.com/2010/01/jose-ricardo-responde-ao-desafio.html

ProfBlog

Quadro síntese do Acordo ME/Sindicatos de 8/1/2010.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Mário Nogueira em entrevista: "Foi dada a garantia de que todos os docentes com Bom podem chegar ao topo da carreira antes de se aposentarem"

JF - Depois de uma Legislatura em que a FENPROF acusou o Governo de negar princípios elementares da negociação, chegou a acordo com o ME sobre aspectos referentes à carreira docente. Confirma-se então que alguma coisa mudou, o que foi?

Mário Nogueira (MN) - Sobretudo o tipo de maioria em que o Governo do mesmo Primeiro-Ministro se suporta. Não foi a substituição da anterior equipa do ME que permitiu este acordo. A substituição foi natural, pois estávamos perante quem não era capaz de governar sem poder absoluto e de lidar com as regras da democracia. Foi, de facto, a perda de maioria absoluta, para que muito contribuiu a luta dos professores, que obrigou o Governo a mudar de atitude. Foi, por isso, a luta dos professores que permitiu que se dessem estes passos reconhecidamente importantes.

JF -
Quer então dizer que não foi a postura da actual equipa ministerial que permitiu a negociação e o acordo?

MN - Seria injusto afirmar que a actual equipa ministerial se comportou como a anterior, pois, na verdade, houve negociação. Todavia, como todos sabemos, a decisão política nestas coisas é sempre do Governo e o que permitiu que, em alguns aspectos, se tivesse avançado foi a força que os professores deram aos seus Sindicatos e o que isso significou de fragilização do poder político. Houve um certo reequilíbrio de forças, que resultou de uma correlação diferente que se reflecte no Parlamento e repercute nestes processos. As grandes manifestações de professores e as suas extraordinárias greves, estiveram presentes em cada momento da negociação.

JF- Trata-se de um acordo global de princípios que contém aspectos que continuam a merecer a crítica da FENPROF. Porque foi assinado, então, o acordo?

MN - Porque os aspectos positivos pesam bastante mais do que os negativos.

JF - E que foram...

MN - ... a efectiva eliminação da divisão da carreira e dos mecanismos que impediam que dois terços dos professores, cerca de cem mil, atingissem o topo da carreira ainda que fossem bons, ou até mais do que bons professores... em consequência, a garantia, decorrente dos mecanismos previstos, de que todos poderão chegar ao índice máximo em tempo útil, ou seja, antes de se poderem aposentar. A média cifrar-se-á em 34 anos de serviço. Mas, também: a dispensa de os docentes contratados se submeterem à prova de ingresso, a efectiva desvalorização dos efeitos da atribuição de classificações sujeitas a quotas, a fixação de um novo topo de carreira aberto a todos os docentes a partir de 2015 e, até lá, a garantia de que os que reúnam os requisitos para a aposentação a ele terão acesso, a garantia de uma regime transitório sem perdas e, em muitos casos, com ganhos... para além do que consta no texto que assinámos, foi ainda acordado, com registo em acta negocial, a realização de um novo concurso, já no próximo ano, com alteração de algumas das actuais regras.

JF- Esse concurso era desejado por muitos docentes...

MN - Sim, desde logo pelos colegas contratados que, face ao exíguo número de vagas do último concurso, não entraram nos quadros. Mas também para os colegas que eram titulares ou que eram apenas detentores de habilitação própria e não puderam concorrer, como para todos quantos pretendam mudar de escola, aproximando-se da sua área de residência.

JF - Mas vamos então ao acordo...Relativamente à estrutura da carreira quais os principais ganhos?
MN - O fim da divisão e de tudo quanto isso significava; o acesso ao topo por parte dos bons professores; a diluição dos efeitos das classificações sujeitas a quotas que, mantendo-se, porém, não significarão qualquer prejuízo para os professores classificados com Bom, pois nos dois momentos em que existem vagas, elas não serão ocupadas por quem foi avaliado acima de Bom.

JF - Vagas e quotas...

MN - Pois. Na verdade mantiveram-se as quotas na avaliação, mas também é verdade que nos deparámos com dois problemas. Por um lado, são mecanismos gerais da Administração Pública, por outro, foram estabelecidos através de leis da Assembleia da República, num primeiro momento, em 2004, pelo PSD, mais tarde, em 2006, confirmados pela maioria absoluta do PS. Assim, só novas leis da Assembleia poderão revogar estes mecanismos gerais. Pela nossa parte, penso termos feito o que podíamos, ao desvalorizarmos os efeitos das quotas. Já em relação às vagas, alterámos completamente a sua natureza. No estatuto ainda em vigor são de carácter eliminatório, no futuro serão reguladoras de fluxos de progressão, ou seja, apenas influirão nos ritmos de progressão sem impedir que ela aconteça.

JF - E quanto à avaliação de desempenho?

MN - Temos muitas preocupações com o modelo que transparece do texto e dissemo-lo à equipa ministerial e aos professores logo na conferência de imprensa que se seguiu. Não há uma ruptura com o modelo anterior, apesar de algumas alterações. Os ciclos de dois anos não contribuem para a tão falada e desejada tranquilidade das escolas; as cinco menções de avaliação com a agravante de algumas se sujeitarem a quotas serão motivo de conflito; depois, e esse não é uma aspecto menor, o facto de a gestão das escolas não se reger por regras democráticas é razão para que estejamos apreensivos: o director é quem preside ao conselho pedagógico, quem nomeia os coordenadores e indirectamente o relator, a organização da escola nem sempre respeita o desígnio pedagógico e tudo isso deve levar-nos a perceber que a alteração do actual modelo de gestão é, não só por este motivo, mas também por ele, fundamental.
Mas vamos ver como se fará a tradução legal destes princípios. Penso que ainda aí teremos espaço de manobra suficiente para melhorar o modelo...

JF - E o regime transitório?

MN - Estamos perante regras de elevada complexidade. Simples seria se os professores transitassem de acordo com o seu tempo de serviço integralmente contado. Mas não. Desde logo, temos o gravíssimo problema dos dois anos e meio que nos foram retirados. Trata-se, como no caso das quotas, de um problema geral da Administração Pública (AP), imposto por lei da Assembleia, pela maioria absoluta do PS. Portanto, estamos perante um problema que deverá ser combatido por todos os sectores da AP e que deverá merecer dos partidos políticos uma iniciativa parlamentar.
Como a FENPROF afirmou, estamos disponíveis para encontrar uma forma faseada de contar este tempo, mas não nos calaremos enquanto nos continuar a ser roubado.
Depois, há um conjunto de situações que terão de ser devidamente acauteladas na elaboração da legislação. O princípio da não ultrapassagem ficou acordado e agora é preciso sermos muito cautelosos no articulado legal.

JF- Segundo ouvimos na própria noite do acordo, não se encerrou qualquer processo negocial, apenas se inicia uma nova fase. Explica lá isso...

MN - É verdade. Este acordo de princípios terá agora de merecer tradução legal e, para além disso, há múltiplos aspectos que dele não fazem parte. Por isso, tal como estava previsto, iremos agora avançar para a negociação, por um lado, do texto legal, por outro de questões que são também muito importantes para os professores, de entre as quais destaco o problema dos horários de trabalho que são hoje verdadeiramente absurdos do ponto de vista pedagógico. A primeira reunião desta nova fase de negociações terá lugar no dia 20 de Janeiro.

JF -
A Assembleia da República teria sido uma alternativa ao Governo para este processo de revisão do ECD. Não teria sido melhor?

MN - A Assembleia da República poderia ter sido essa alternativa, mas apenas num quadro de ruptura negocial. Em primeiro lugar, estamos perante matéria que é competência do governo, depois as coisas, às vezes, não são como parecem. Decerto ainda não esquecemos o que se passou com a suspensão do modelo de avaliação, nem temos estado distraídos perante posições publicamente assumidas por deputados da oposição que, por exemplo, criticam o facto de todos os bons professores chegarem ao topo da carreira... A Assembleia é um espaço muito importante para trabalharmos, mas não nos podemos deixar iludir...

JF - Mas poderá a Assembleia ainda intervir em alguns aspectos?

MN - Claro que poderá e deverá. Por exemplo, em relação às quotas e aos 2,5 anos como antes referi. Resultando de leis da Assembleia, compete aos partidos expurgá-las destes elementos tão nefastos. E existem iniciativas parlamentares que poderão ser tomadas e das quais resultarão medidas positivas para a carreira, entre elas, algumas alterações ao modelo de avaliação (afinal tudo decorre do SIADAP que é uma lei da Assembleia) ou a aprovação de mecanismos que permitam vincular os professores contratados com mais anos de serviço.

JF - Face a este acordo, a luta dos professores vai continuar?

MN - É claro que sim. Os professores lutam por uma Escola Pública de qualidade que é incompatível com a existência de profissionais em situação de instabilidade, com profissionais que não sejam devidamente dignificados e valorizados, mas também com um regime de gestão que não seja democrático, com um regime de educação especial que não promova a inclusão, com a possibilidade de municipalização do ensino, com um estatuto do aluno que é permissivo e que não contribui para que se reforce a autoridade dos professores, com más condições de trabalho nas escolas...enfim, são ainda inúmeros os motivos que justificam a continuação da luta dos professores.

JF -
Podemos então contar com uma FENPROF que se manterá combativa?

MN - Claro que sim. Uma FENPROF que pretende continuar a marcar a agenda da Educação, uma FENPROF que pretende continuar a assumir as reivindicações dos professores, uma FENPROF que continuará a defender uma Escola Pública Democrática, Inclusiva, ao serviço de todos e onde se possa ensinar e aprender.
Fonte: Jornal da Fenprof

PROFESSORES INSATISFEITOS COM OS SINDICATOS

Movimentos independentes distanciam-se dos sindicatos e prometem continuar os protestos

Os movimentos dos professores uniram-se para protestar contra o acordo entre sindicatos e Ministério da Educação sobre o novo modelo de avaliação e estrutura da carreira. As três organizações independentes estão descontentes e prometem angariar aliados para mostrar que a luta dos professores não vai ficar por aqui. "Estamos disponíveis para articular algumas estratégias em conjunto, com o objectivo de mostrar que este entendimento tem debilidades e ficou muito aquém das nossas reivindicações", disse ao i Ilídio Trindade, do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP).

Quem se juntar à causa é bem--vindo, esclarece o coordenador do movimento - professores, bloggers e até os dois sindicatos que na passada quinta-feira rejeitaram o acordo de princípios assinado pelas federações sindicais mais representativas da classe. A missão é "desencadearem breve a construção de uma grande convergência de contestação às medidas que os professores continuam a recusar", explica Ilídio Trindade.

É a decisão que os dois movimentos assumiram em conjunto com o Movimento de Valorização dos Professores (PROmova) porque dizem ter sido empurrados para "um beco sem saída" que os vai obrigar a planear uma estratégia "diferenciada" dos sindicatos. "Queremos mostrar uma posição comum que passa por pressionar os dirigentes sindicais a manter as nossas exigências junto do governo", diz Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE). Não se trata de dividir ou enfraquecer a luta, disse o coordenador do movimento, mas de mostrar que "uma grande parte dos professores" não se revê neste acordo.

"A negociação esteve demasiado centrada em questões salariais", censura Ricardo Silva, denunciando que o modelo de avaliação se manteve "intocável" e que as questões ligadas à qualidade do ensino ficaram em segundo plano. Quanto à capacidade de mobilizar os professores, tanto Ilídio Trindade como Ricardo Silva lembram a proeza conseguida a 8 Novembro de 2008, dia em que 120 mil professores saíram à rua. "Ninguém poderá negar o peso que os movimentos independentes tiveram naquela manifestação", diz o líder do MUP.
In MUP

Jornadas Parlamentares do Bloco de Esquerda marcadas para Faro


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Bloco de Esquerda

As jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda vão realizar-se em Faro,de 17 a 19 de Janeiro, e terão como tema “Responsabilidade social contra a crise: emprego e orçamento”.

No âmbito das jornadas, no primeiro dia dos trabalhos realiza-se uma visita ao Hospital de Faro, com a presença de vários deputados do Bloco de Esquerda.

No segundo dia terá lugar um encontro com associações locais que desenvolvem actividade no sector das pescas, em Olhão, bem como um debate sobre os problemas da micro-produção, com a presença de organizações para o desenvolvimento e produtores, e uma visita ao Museu da Cortiça, em Silves.

Na tarde do segundo dia dos trabalhos, está agendado o debate “Responsabilidade social contra a crise: Emprego e Orçamento”, que contará com a presença de diversos convidados ligados às questões económicas e do trabalho.

A abertura das jornadas terá lugar com um jantar, no dia 17, em Portimão, e o encerramento será no dia 19, terça-feira, pelas 14h30, com uma conferência de imprensa para apresentação das conclusões dos trabalhos.

In Barlavento

O Jantar de dia 17 de Janeiro, em Portimão, pelas 19.30 h, terá lugar no "Restaurante Lugar do Rio" (recinto do Parque de Feiras e Exposições de Portimão - junto ao Pavilhão Arena). Inscrições pelo tel. 96 317 26 08 ou 91 817 83 29. Mail: bizancio 1453@gmail.com

domingo, janeiro 10, 2010

COMUNICADO CONJUNTO DO MUP, APEDE E PROMOVA


O “Acordo de Princípios para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente e do Modelo de Avaliação dos Professores dos Ensinos Básicos e Secundário e dos Educadores de Infância” agora assinado entre o ministério da Educação e algumas estruturas sindicais, entre as quais a Fenprof e a FNE, que, entre outros efeitos deletérios, também serviu para desfazer uma importante unidade sindical na luta contra as políticas educativas erradas dos governos de Sócrates, não passa de um novo “memorando de entendimento” que colide, quer com uma parte substantiva das reivindicações que os professores afirmaram, escola a escola e nas ruas, forçando a agenda sindical e resistindo à prepotência e às medidas absurdas da anterior equipa ministerial, quer com o essencial daquilo que os sindicatos afirmaram e defenderam nestes dois últimos anos.
Genericamente considerado, o acordo traduz a validação, por parte dos sindicatos, de quase todos os pilares que sustentavam as medidas que Maria de Lurdes Rodrigues procurou impor e que os professores rejeitam incondicionalmente e que os sindicatos reputavam de inaceitáveis. Referimo-nos, em concreto, ao seguinte:
- manutenção da prova de ingresso na carreira, apesar de os professores contratados e entretanto avaliados serem dispensados da mesma;
- manutenção de um sistema de quotas aplicado ao ensino, num momento em que a sua rejeição é transversal a todos os partidos da oposição, maioritários no Parlamento;
- manutenção, quase intacta, do modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, massivamente recusado pelos professores.
São de vária ordem as razões que nos levam a rejeitar um acordo que em nada beneficia os professores e que demonstram a imprudência com que alguns sindicatos tratam a representação dos docentes e a facilidade com que abdicam das suas reivindicações nucleares (das 31 exigências da Fenprof para assinar o acordo, a esmagadora maioria não foi acolhida):
1) a transição para a nova estrutura da carreira docente é penalizadora para os professores, uma vez que a sua grande maioria regride no seu posicionamento e demorará muito mais tempo a atingir o topo da carreira;
2) o tempo de serviço de dois anos e meio extorquido aos professores não foi reposto;
3) não foi abolida a prova de ingresso para quem quer leccionar pela primeira vez, depois de uma certificação universitária e do respectivo estágio com orientações pedagógicas e científicas;
4) prevalece o sistema de quotas e a contingentação administrativa de vagas, por meras razões economicistas (quando o Estado esbanja dinheiro em futilidades, em Bancos e em escritórios de advogados) que nada têm a ver com reconhecimento do mérito, condenando a maioria dos professores a uma permanência de sete anos em alguns escalões;
5) em termos de estrutura da carreira docente, substituiu-se um filtro no acesso a professor titular por dois estrangulamentos no acesso aos 5º e 7º escalões;
6) o modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues é viabilizado quase intocado, com uma porta escancarada para a sua versão “complex” e que, estamos certos, a maioria dos professores irá transpor, candidatando-se às menções de “muito bom” e de “excelente” (num ciclo avaliativo de dois anos estaremos a falar de cerca 120 mil professores que vão requerer meio milhão de aulas assistidas, o que é uma barbaridade que paralisará as escolas);
7) na sequência do número anterior, os princípios agora aprovados no quadro do modelo de avaliação, mantêm todos os dispositivos que fomentaram, nas escolas, a competitividade doentia, a barafunda e a burocracia, nomeadamente os ciclos de dois anos com avaliação em permanência de todos, a decisão individual de definir objectivos individuais e de requerer aulas assistidas, a proliferação e o entrecruzar de Comissões de Avaliação e Relatores ou, ainda, as dimensões de avaliação consideradas e o contributo em aberto de cada docente para as mesmas, abrindo caminho às disputas de tralha, papelada e projectos folclóricos. A confluência de tudo isto arruinará o ambiente e a cooperação nas escolas e dificultará o investimento dos professores na sua função de ensinar, passando cada um a estar mais focado na sua própria avaliação;
8) aceitam-se, e reforçam-se, as consequências decorrentes do 1º ciclo de avaliação em termos de progressão, validando-se uma avaliação que os sindicatos qualificaram de “farsa” e de “faz de conta”, além de que os docentes foram incentivados pelos sindicatos a não entregarem os objectivos individuais e a não viabilizarem o modelo integral através da candidatura ao “muito bom” ou ao “excelente”, sendo agora retaliados por essa ousadia, nomeadamente os professores dos 4º e 6º escalões que não estariam sujeitos ao sistema de vagas para os 5º e 7º escalões, assim como os do 10º escalão que se vêem, hoje, impedidos de aceder ao 11º escalão;
9) as implicações anti-democráticas que o novo modelo de gestão terá na constituição da Comissão de Coordenação de Avaliação, promovendo o aparecimento dos apaniguados do(a) director(a), retirará transparência, imparcialidade e seriedade ao processo de avaliação.
Permitimo-nos afirmar, sem qualquer ambiguidade e com toda a frontalidade, que não podemos deixar de lamentar a imagem enganadora que os sindicatos passaram para a opinião pública, ao fazerem da discussão do estatuto da carreira docente e do modelo de avaliação, uma mera questão de quotas e contingentes de vagas, que em nada condizem com a postura que a classe docente sempre manteve ao longo destes anos de luta, onde as suas reivindicações foram sempre além das questões salariais, preocupando-se, isso sim, com questões de exigência, seriedade, transparência, justiça e qualidade da escola pública, onde se integrava, sobretudo, a exigência de acabar com o modelo de avaliação em vigor, algo que os sindicatos desrespeitaram em absoluto.
Um capital de contestação e de concomitante força negocial foi completamente decapitado e desperdiçado por representantes que demonstraram não estar à altura do respeito que lhes deviam ter merecido a mobilização e os imensos sacrifícios de que os professores deram provas ao longo destes quatro anos.
Os Movimentos Independentes de Professores admitem desencadear, em breve, a construção de uma grande Convergência de Contestação às medidas que os professores continuam a rejeitar neste acordo (e pela defesa de outras que ficaram ausentes), procurando reunir na mesma os sindicatos que não assinaram o acordo, os professores que se destacaram na blogosfera e núcleos de professores, organizados escola a escola.
Contem connosco, porque isto não pode ficar assim!

APEDE,
MUP,
PROmova

sábado, janeiro 09, 2010

A luta não acabou


Sobre o acordo alcançado entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, que se cinge apenas à estrutura da carreira docente e ao modelo de avaliação de desempenho, o Movimento Escola Pública tece as seguintes considerações:

1) Este acordo é claramente positivo quando comparado com aquilo que Maria de Lurdes Rodrigues tentou impor. Desaparece a divisão da carreira entre professores titulares e professores, e todos os docentes avaliados com Bom podem atingir o topo da carreira. Estas mudanças são uma conquista inequívoca dos professores.

2) Este acordo constitui um retrocesso em relação à situação que vigorava antes de Maria de Lurdes Rodrigues. Isto porque impõe a limitação de vagas no acesso ao 5º e 7º escalões, excepto para os professores que tenham "Muito Bom" ou "Excelente" na avaliação. Os professores com “Bom” na avaliação são sujeitos a este filtro, embora caso não progridam no primeiro ano em que se candidatem tenham fortes possibilidades de o conseguir nos dois ou três anos seguintes. Na prática, o acesso ao topo da carreira passa de 27 anos (na versão anterior a Maria de Lurdes Rodrigues) para entre 34 a 40 anos (segundo o actual acordo), o que constitui uma perda de direitos claríssima em relação ao que vigorava antes de 2007.

3) Quanto ao modelo de avaliação, o acordo consagra uma versão menos burocrática do que aquela que Maria de Lurdes Rodrigues quis impor. Só que ao manter as quotas para as notas de "Muito Bom" e "Excelente" e ao permitir que o Director tenha a faca e o queijo na mão (dado que é ele que preside a todas as comissões de avaliação) o novo modelo vai favorecer o compadrio e promover a competição entre os professores, em vez da desejável cooperação a bem dos alunos. Do nosso ponto de vista, este é o aspecto mais negativo do acordo alcançado esta madrugada.

O Movimento Escola Pública considera ainda que os aspectos positivos alcançados com este acordo só foram possíveis graças à gigantesca luta dos professores, que uniu sindicatos e movimentos. Foi essa força enorme que permitiu derrotar as afrontas mais gravosas de Sócrates e companhia. Os professores estão por isso de parabéns.

No entanto, ao contrário do que noticia o jornal Público de hoje, o Movimento Escola Pública considera que o acordo alcançado não põe fim às tensões que subsistem na educação. Há muita escola para além da carreira docente e há muitos professores para quem a mera entrada na carreira é infelizmente ainda uma miragem.

Entre muitos outras questões que ficam por resolver, o Movimento Escola Pública destaca três:

1) Porque recusamos uma escola construída à custa de mão-de-obra barata e precária, exigimos a integração nos quadros das escolas de todos os professores contratados há vários anos. Estes professores descartáveis estão fora da carreira mas a escola e o país precisam deles.

2) Porque defendemos uma escola democrática, exigimos a revogação do actual modelo de gestão das escolas, que impõe um director todo-poderoso em cada escola - na sua grande maioria pressionados ou prontos para executar cegamente todas as ordens da 5 de Outubro - encurtando o espaço do debate e da participação na vida escolar.

3) Porque defendemos uma escola capaz de combater a reprodução das desigualdades sociais e de garantir o sucesso real de todos os alunos, exigimos a redução do número de alunos por turma e a introdução de equipas multidisciplinares (psicólogos, assistentes sociais, mediadores culturais) em todas as escolas.

A luta está, por isso, longe de terminar.

Movimento Escola Pública, 08/01/2010

"Acordo positivo, mas persistem injustiças"

Movimento Escola PúblicaAs primeiras reacções dos movimentos e blogues de professores ao acordo assinado por oito das 14 estruturas sindicais dos professores apontam para o reconhecimento de que houve cedências reais por parte do governo, mas que ainda persistem muitas injustiças.
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Esquerda.net

Professores: sindicatos assinam acordo com ME

A ministra da  Educação, Isabel Alçada , cumprimenta o dirigente   da Fenprof  Mário Nogueira, no final daassinatura do  acordo sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente e da avaliação dos professores, 10 de Janeiro de 2010 Ministério da Educação. ANTÓNIO COTRIM/LUSAIsabel Alçada fala em "nova página". Fenprof afirma que o acordo assegura "que os bons professores, identificados como tal em sede de avaliação de desempenho, chegam ao topo da carreira".
Ler mais e comentar.
Esquerda.net


FENPROF celebra acordo com o ME sobre avaliação de desempenho e estrutura da carreira
Intervenção de Mário Nogueira em conferência de imprensa após a assinatura do acordo, no final do dia 7 de Janeiro de 2010
FENPROF celebra acordo com o ME sobre avaliação de desempenho e estrutura da carreira

A FENPROF chegou a um acordo de princípios globais com o ME sobre alguns aspectos do ECD: Avaliação de Desempenho e Estrutura da Carreira

Numa intervenção em conferência de imprensa, após a assinatura do acordo, Mário Nogueira fez o balanço deste processo e garantiu que, sendo um acordo globalmente positivo para os docentes portugueses, a FENPROF não desiste de lutar por aspectos que considera essenciais no âmbito da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, nas matérias comuns aos restantes trabalhadores da Administração Pública e em processos negociais que se irão agora iniciar - as outras matérias do ECD e a vinculação dos professores contratados entre várias outras.

Acordo celebrado a 7 de Janeiro de 2009 entre a FENPROF e o Ministério da Educação

Acordo - Versão com melhor definição a partir do ficheiro enviado pelo ME


Reunião final de negociação antecedida de declarações pouco felizes da Ministra da Educação


[ler mais]
Fenprof

Posição da Organização de Professores do PCTP/MRPP sobre o "acordo de princípios"

UMA TRAIÇÃO ANUNCIADA
À LUTA DOS PROFESSORES PORTUGUESES

A celebração hoje, dia 8 de Janeiro, de um “acordo de princípios” entre o Governo e as direcções dos principais sindicatos de professores, merece da Organização de Professores do PCTP/MRPP, tendo em atenção o respectivo conteúdo, a seguinte apreciação e denúncia:
1. O “acordo de princípios” representa, por parte das organizações signatárias, o culminar de uma traição à luta que os professores portugueses travaram nos dois últimos anos, traição essa que começou logo a seguir às eleições legislativas de 27 de Setembro último quando, caçado o voto dos professores, as principais direcções sindicais e os partidos que as suportam se apressaram a legitimar a farsa e o ataque à profissão e à dignidade docente que foi o chamado “primeiro ciclo avaliativo” e os seus resultados, dando assim ao segundo Governo Sócrates as condições necessárias para desencadear uma nova ofensiva contra a escola pública e contra os professores portugueses.
2. Os pruridos que ainda se manifestaram há dois meses, por parte das direcções sindicais e dos partidos da oposição parlamentar, em dar por bom e validado o chamado “primeiro ciclo avaliativo” e as suas consequências para efeitos de progressão na carreira, deixaram agora totalmente de existir, na medida em que o “acordo de princípios” não coloca, sobre tais consequências, qualquer espécie de restrição.
3. Em termos de carreira docente e respectiva progressão, assim como em termos das bases fundamentais do modelo de avaliação do desempenho docente, o “acordo de princípios” hoje assinado representa um claro retrocesso e agravamento, relativamente às disposições legais existentes na anterior legislatura. Com efeito, tanto no que diz respeito às quotas e aos estrangulamentos na carreira, como no que diz respeito à não contagem do tempo de serviço no período em que houve congelamento nas carreiras, a situação ficou igual ou pior do que estava.
Do mesmo modo, todos os princípios em que assentava o anterior modelo de avaliação – os ciclos de dois anos, a instituição de uma competição sem freio entre os professores por um número escasso de lugares, a carga burocrática e a sobrecarga de trabalho, as notas dos alunos e a valoração dada pelos encarregados de educação como critérios de avaliação do desempenho docente –, tudo isso permanece intocado e até agravado no “acordo de princípios” (atente-se, por exemplo, na competição exacerbada que se pretende promover entre os professores classificados com “bom”, dado uma simples milésima poder determinar, nestes casos, a progressão ao escalão seguinte).
4. Representando o “acordo de princípios” hoje celebrado entre o Ministério da Educação e as organizações sindicais uma versão agravada do “memorando de entendimento” de má memória celebrado entre os mesmos protagonistas na Primavera de 2008, o mesmo deve merecer da generalidade dos professores e das organizações e movimentos que combateram este último, igual atitude de repúdio e de oposição. É preciso dar voz e suporte à revolta e à indignação que o “acordo de princípios” hoje assinado certamente irá suscitar entre a maioria dos professores portugueses.

Lisboa, 8 de Janeiro de 2010
A Organização de Professores
do PCTP/MRPP

O bom e o mau no texto do acordo

Um acordo é sempre fruto de um compromisso: ganha-se aqui e perde-se acolá. O que conta é o cômputo global. Lidas as 12 páginas do texto do acordo, sou forçado a concluir que os ganhos são maiores do que as perdas.

As perdas andam associadas à manutenção dos aspectos burocráticos e subjectivos do modelo de avaliação de desempenho. Ciclos de dois anos agravam a burocracia e colocam as escolas a trabalhar para dentro. Uma avaliação exclusivamente feita por pares agrava o mal-estar nas escolas e cria uma guerra civil infinita de baixa intensidade: directores contra professores, avaliados contra relatores, avaliados a lutarem entre si pelo controlo das menções de excelente e de muito bom. O ambiente da escola vai degradar-se.

Os ganhos são vários:
Os contratados que tiveram uma avaliação de Bom não têm de se sujeitar a uma prova de ingresso.
O ME deixou cair o contingente no acesso ao 3º escalão.
Os docentes com Bom chegam ao topo da carreira ao fim de 40 anos.
O ME comprometeu-se a dar início a novo processo negocial centrado na gestão escolar, estatuto do aluno, horários de professores, regime de faltas e regime de aposentação.
Mas há um nuvem escura no horizonte. Este acordo é válido até 2013. Se a situação económica e financeira do país se agravar não há garantias de que a estrutura da carreira não torne mais difícil a progressão dos professores. Mas esses cenário pode ocorrer com acordo ou sem ele.
Para saber mais

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Casamento de um orçamento do mesmo sexo político

orçamento gay

O acordo alcançado entre o PS e o PSD para viabilizarem o orçamento não passa afinal de um casamento entre políticos com as mesmas políticas. Há muito que ambos se confundem e a união de facto num bloco central não surpreende. Afinal há um sistema em crise que convêm tentar que não caia para já. Eles são os partidos de alterne do poder e esse poder vale muito.
Wehavekaosinthegarden

SERÁ BOM OPU MAU INDÍCIO?

Depois de 12 horas de negociações
Governo chega a acordo com alguns sindicatos


O Governo chegou a acordo com alguns sindicatos para a revisão do Estatuto da Carreira Docente e da avaliação dos professores, informou à Lusa fonte governamental. Foram mais de 12 horas de negociações no Ministério da Educação e o acordo só foi fechado pela noite dentro.

Um traste chamado Isabel Alçada






Imagem KAOS


Havia um traço genético que me fascinava em Lurdes Rodrigues, que era a sua estrutura física e psíquica de mulher a dias. Eu olhava para ela, e sabia que um dia, se, naquelas prateleiras de anúncios do "oferece se" e "procura se", aparecesse "ex casapiana, séria, honesta e limpa, oferece se para limpezas. Tenho referências", eu logo poderia telefonar para aquele número, e dizer lhe, "Dona Lurdes, as teias de aranha de minha casa são todas suas".
Havia ali uma solidez de percurso, desde o balde de água fria, ao despertar matinal, no colchão duro e frio, que só as as ratazanas da Casa Pia aqueciam, que lhe tinha dado aquele espaldar de obedecer, e, quando eu dissesse, "Lurdes, limpa ali", ou "Lurdes, esfrega me aquela janela", ou "Milú, o corredor está todo por encerar...", aqueles neurónios da servidão iluminar se iam, e a janela apareceria esfregada, a mesa limpa e o corredor encerado, como que por milagre.
Era uma analfabeta funcional, estúpida, primária, obediente e resistente, e isso é todo um estilo.
Com Isabel Alçada, como já fora preconizado aqui, temos o oposto do que a Educação necessitava: um perfil forte, apartidário, com carisma suficiente para alterar um paradigma, que viesse trazer dignidade a um campo de batalha, por onde passara um dos mais obscenos caráteres que a Pasta conheceu, e resolver, de facto, o naufrágio educativo em que a Nação -- e sublinho "Nação" -- se encontra. Acontece que, se Lurdes Rodrigues não existia, senão enquanto subproduto de coligações subterrâneas entre mentes medíocres, das quais relembro David Justino (espero que já recomposto da sua Gripe A. Acredita que tive medo de que morresse.?... Felizmente, não), o vereador de Isaltino de Morais e conselheiro do atual Isaltino de Morais de Boliqueime, que habita Belém, e outros tantos nomes sombra, cuja única função foi o desmantelamento de um Sistema de Ensino, como, noutras frentes, outras almas negras se encarregaram de estripar o Sistema de Saúde e a Dignidade do Trabalho, dizia eu, se Lurdes não existia, esta ainda existe menos: é uma fábula de medíocre escritura de epígonos enredos, e veio apenas para contar histórias de passarinhos a homens de bigode.
Sonsa, secundária, solidamente escudada pela Sociedade Secreta a que pertence, casada, por conveniência, com um dos que consta, consta, atenção, consta... estar na célebre lista do "Casa Pia" -- outra miragem dos nosso volátil cenário -- de um infindável pretenciosismo, Isabel Alçada sabe que está ali tão só para pagar um terrível favor, e cumprir uma miserável tarefa, a de entreter uma série de basbaques, cujos horizontes femininos raramente foram além das saias rodadas das padeiras da Festa do "Avante".
Comigo, tem azar, porque tiques de pescoço de avestruz, excesso de base e cultura de perfume com toque de madeiras como eu todos os dias, quer dizer, viro a cara, e sou lhe de tal modo insensível que vou imediatamente à radiografia: se o Carrilho subiu por escada de coisa nenhuma, esta foi alçada por coisas ainda mais frágeis, e faz o papel daquelas que vai fora, mal seja preciso soprar alguém para fora do Governo, se os ventos assim se adensarem. O grave da coisa é que, entretanto, ela irá desempenhar impecavelmente o seu papel, que é o de continuar a entreter os homens de bigode, e fingir que já não se rege pela "meritocracia" interna, que parecia orientar a sua sinistra antecessora. Esta, maligna, miserável e intelectualmente remediada, irá sorrindo, e dizendo que, talvez sim, talvez não, até que, mercê de um Orçamento de Estado draconiano, depois de Janeiro, se virará para os homens de bigode e lhes dirá, "pois acreditem que até desejei que tudo isto se desbloqueasse, mas, com as faltas de verbas, tenho de lhes dizer, com desgosto" -- uma lagriminha fica sempre bem numa pseudo tia -- "que o assunto já não está nas minhas mãos, mas nas do meu colega das Finanças. Não me vão levar a mal, pois não?..."
Não, querida, não te levo a mal: já te radiografei, muito antes de qualquer um, e não te levo a mal, levo te a péssimo, levo te a abaixo de cão, e até te asseguro que não vais terminar bem, mas isso é um exclusivo problema -- problema!?... Aventura, já que és uma personagem de "aventuras"!!!... -- teu.
A Sinistra Ministra

Acordo preso na majoração. Há 14 horas a negociar. Ufa! isto é de loucos! O país está maluco!

Filipe do Paulo, dirigente de um micro-sindicato de nome "Pro-Ordem" teve, há pouco, os 10 minutos de fama com uma longa entrevista à RTP. O homem parecia saído de um filme de terror: olhos esbugalhados, suor a escorrer pela fronte e fala arrastada. Não foi fácil perceber o que Filipe do Paulo disse. De súbito, tive pena dele. Se fosse eu, estaria no mesmo estado lastimoso. Coitados! O que estes sindicalistas sofrem. 14 horas a pão e água?

Deu para entender que a ministra está reunida com a Fenprof desde as 20:00 e que os restantes sindicatos esperam ansiosamente que dessa reunião saia fumo branco.

Ao que tudo indica, o acordo está preso por uma majoração que permite aos professores com Bom, encalhados à entrada do 5º e do 7º escalões, ganharem meio ponto por cada ano. Com a majoração será possível que os docentes encalhados acabem por desencalhar ao fim de 3 ou 4 anos.

Mas o problema é que a ministra só admite que tal se verifique até 2013 o que quer dizer que, daqui a 4 anos, volta tudo a ficar como dantes: os bons ficam encalhados sem garantia de serem salvos pela majoração.

Enquanto se discute o magno problema da majoração, as questões que estão a destruir a qualidade da escola pública ficam de fora da maratona de 14 horas:

Burocracia excessiva

Cargas horárias abusivas

Construção fraudulenta do sucesso escolar

Erosão da autoridade dos professores

Modelo de avaliação que sufoca as escolas com burocracia e premeia os descarados, os amigos e os que são exímios no show-off.

ProfAvaliação

Reunião Nacional do Movimento Escola Pública


II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública
30 de Janeiro, 14h30, Biblioteca do Liceu Camões, em Lisboa.


O Movimento Escola Pública leva já quase dois anos de existência. Surgiu em Fevereiro de 2008, através do lançamento do Manifesto Escola Pública, Igualdade e Democracia, na Associação 25 de Abril. Em Setembro desse ano teve lugar o I Encontro Nacional, que juntou meia centena de pessoas na Academia de Santo Amaro.

Foram 20 loucos meses a lutar pela escola pública, a promover diálogos e consensos deste lado da barricada contra a arrogância governamental, a realizar debates que juntaram muitas vontades em todo o país, e a contribuir para alargar a agenda de temas sobre os quais urge intervir para alcançarmos uma nova escola: verdadeiramente inclusiva e democrática, combatendo a reprodução das desigualdades sociais e capaz de garantir o sucesso escolar real de todos os alunos.

Convidamos todos os membros do movimento, todos os simpatizantes, amigos ou cidadãos interessados, a participarem no II Encontro Nacional, que se realiza na Biblioteca do Liceu Camões, no dia 30 de Janeiro, Sábado, com início às 14h30.

Atempadamente será divulgada a proposta de ordem de trabalhos bem como os documentos em debate.
MEP

terça-feira, janeiro 05, 2010

Madonna "apanhada" na cozinha pela D&G

É pouco provável alguém vê-la a esfregar pratos sujos, cortar cebola ou comer esparguete à mão. Eis Madonna, la mamma italiana, numa campanha para a Dolce & Gabbana com fotografias de Steven Klein. Clique para visitar o canal Life & Style.



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Já era de esperar


Crianças açorianas estão a vender computadores Magalhães por cinco euros ou em troca de brinquedos. Segundo a Antena 1, crianças da ilha de S. Miguel - muitas delas oriundas de bairros carenciados e que receberam o portátil nas suas escolas - fazem negócio trocando o computador por dinheiro ou por brinquedos.
Algumas delas declararam mesmo que a troca pode ser efectuada por uma bicicleta ou por um carro de esferas.
Outras pedem entre os 5 e os 30 euros "para a mãe fazer a sua vida, para comer ou só mesmo para brincar".
Questionada sobre a questão, a secretária regional da Educação, Maria Lina Mendes, disse à Antena 1/Açores "que, a partir do momento em que os pais pagam o computador, essa responsabilidade passa a ser deles e não da tutela".
O Governo pagou cerca de 200 euros por cada Magalhães.
Ou seja, o «Cagalhães» não vale mesmo nada. Já se sabia. As crianças que os vendem a 5€ lá sabem o valor da mercadoria.
E andou o viajante Sócrates a impingir o Cagalhães como de banha da cobra se tratasse!!
Só mesmo os bacocos foram na intrujice, como já se previa.
Um dia destes haverá Cagalhães na Feira da Ladra ou em qualquer feira do País.
«Olha o Cagalhães, é pró menino e prá menina!!! 5€ meia dúzia meu povo!!!»
In Cromos de Portugal