segunda-feira, maio 17, 2010

São testemunhos de muita gente, eis a quarta série:

Esta terça-feira o Movimento Escola Pública inicia uma ronda de reuniões com os diferentes grupos parlamentares, a começar pelo Bloco de Esquerda (aguardamos ainda repsostas dos restantes partidos). O objectivo é discutir a petição pela redução do número máximo de alunos por turma, que tantos apoios tem recolhido. Aqui fica mais uma série deles:


Só é possivel darmos um apoio individualizado e com qualidade se tivermos turmas pequenas, que pela minha experiência de 21 anos, o ideal seria 15 crianças por turma no pré escolar.
Fátima Dias

A exemplo de outros países, em que o nº de alunos é de 16, máximo 20 por turma. Não se deve "copiar apenas as medidas de carácter economicista, de redução de despesa na educação. O verdadeiro sucesso passa , sem dúvida, pela redução do nº de alunos por turma, existência de docentes suficientes para apoiar os alunos com D.A.( e não serem "polivalentes" ou seja: não terem de interromper o seu trabalho para fazerem substituições, redução de burocracia, de projectos e mais projectos, reuniões sem fim...! Olhe - se para o fundamental!Maria Isabel Coelho

[Sou] docente de Educação Musical a leccionar a 10 turmas - 5º e 6º anos - o que perfaz um total de quase 240 alunos. Os ultimos 4 anos têm sido caracterizados por este perfi 9 ou 10 turmas e Direcção de turma, inclusivé.
Regina Silva

Ensino com qualidade não deve ter turmas enormes, uma vez que quanto mais alunos existir por turma mais distante se fica dos alunos, dificuldade em tirar dúvidas de todos os alunos. Pense-se no assunto muito seriamente.Jorge Rosa

Sou mãe de dois alunos com necessidades especiais e todos os anos lectivos a queixa é sempre a mesma: a sua integração na turma como a lei prevê não é possível dada a quantidade de alunos , que não seja por isso, fica aqui o meu apoio à redução das turmas e ficando assim a esperança de que os meus filhos vão ser mais apoiados como é direito deles...
Ilda Costa

Tenho apenas 10 anos de serviço, mas sinto-me como se já tivessem passado uns 25. Amo aquilo que faço, e fico triste por sentir que a educação caminha para algo que não vai ao encontro do aluno, nem do seu futuro. Limita-se apenas a números, preenchimento de papéis e outras coisas inúteis que não servem para o ALUNO. Gosto de ensinar, de estar com os meus alunos, de passar e promover conhecimentos inerentes ao bom cidadão. Promover actividades que desenvolvam outras áreas do conhecimento e contribuam para a vivência de outras experiências. É neste âmbito que eu quero trabalhar na escola. Mas agora, para quem não dá aulas e não faz mínima ideia do que é estar com 6 turmas (do 7º ao 12º ano), cada turma com o mínimo de 25 alunos, direcção de turma, dança, apoio educativo... Funções que me dão um enorme prazer, muito embora, vos garante que por mais profissional, por mais dedicação, por mais horas que passo em casa a trabalhar, enfim por muitas mais coisas, não consigo encaixar nas minhas aulas a atenção individualizada que os meus alunos merecem. Para finalizar e em tom de graça, eu ofereço o meu ordenado de um mês ao primeiro ministro, se ele conseguir dar uma semana de aulas por mim.
Laurentina Guerreiro
Se é difícil trabalhar com uma turma de 27/28 alunos, quando um ou dois têm necessidades educativas especiais pior. Imagine-se então quando são vários os alunos com NEE e sobretudo quando alguns têm problemáticas muitos específicas que exigem sistematicamente que o professor estabeleça com eles o contacto ocular!Anabela Carreira
Eu ainda ia mais longe! No JI e 1ºciclo o limite devia ser de 15 alunos por sala! A partir do 5º então sim, 20/22 alunos por sala. É impossível trabalhar-se com qualidade e obter resultados satisfatórios com os limites actuais!Joana Reis

Tendo em conta a minha experiência profissional, posso garantir que se tem vindo a tornar cada vez mais difícil desenvolver a prática docente, tendo em conta as limitações didáctico-pedagógicas que uma turma de 28 alunos objectivamente imprimem. Para além disso, como o tempo lectivo para as disciplinas que lecciono tem vindo, também, a diminuir, verifico que temos cada vez menos tempo útil e de qualidade para os alunos e temos cada vez mais turmas para gerir. Asseguro, assim, que o processo ensino-aprendizagem está cada vez mais difícil e penoso, tanto para os professores como para os alunos. É urgente mudar, se queremos que a escola se torne verdadeiramente um lugar de aprendizagem e de crescimento harmonioso, onde as crianças e os jovens se preparam de forma saudável para continuar o desenvolvimento da sociedade, quando forem adultos e tiverem que pôr em prática as suas responsabilidades profissionais e sociais.
Isabel de Sousa
O sucesso escolar só se consegue com turmas pequenas, não com turmas enormes. Chega de massificação para resultados estatístico e trabalhe-se para a excelência.
Mário Rui Martins
In MEP

O nosso calvário


O Governo ameaça os trabalhadores e a população mais desfavorecida com aumentos de impostos, o que é de todo intolerável perante as gritantes desigualdades que grassam pelo país, a todos os níveis.

Actualidade do papel histórico da classe trabalhadora

Marcos Domich*
Marcos Domich… Inventou-se a livre contratação que significou a destruição dos seus instrumentos de luta, particularmente dos sindicatos e o submetimento a um sistema de exploração semelhante aos tempos de emergência do capitalismo. As leis de protecção do trabalho, o sistema de segurança social e muitas outras conquistas dos trabalhadores foram violentadas de forma clara. Até a mais histórica das conquistas dos trabalhadores: a jornada de oito horas, desapareceu. Na prática, anulou-se «legal» ou ilegalmente o que se conhece como conquistas sociais dos trabalhadores. Sob a consigna de que tudo isto se fazia em parlamentos democráticos de levanta-a-mão, sancionaram-se novas disposições que legalizaram estas realidades sociais cruéis para os trabalhadores.
Desde a expansão da onda liberal que se fala e se tem insistido muito na crise do movimento operário e sindical, na perda da sua centralidade social e sobretudo do que se denomina o papel de vanguarda da classe operária. Ao impor tudo isto como um facto definitivo e irrefutável – principalmente com a ajuda de um poderoso aparelho mediático – os monopólios, a burguesia mundial, em suma o imperialismo, utilizaram esta situação para impor o seu modelo económico e social sem oposição. O desaparecimento do campo socialista e sobretudo a dissolução contra-revolucionária da União Soviética reforçaram esta ideia. A publicação de obras como as de Francis Fukuyama (funcionário do aparelho estatal estadunidense), sobre «o fim da história» e a eternidade do sistema capitalista, criaram toda uma «base teórica» que, por outro lado, reforçou o que já tinha acontecido em círculos da «fina» intelectualidade da esquerda europeia que, a partir de posições revisionistas, reforçou esta base teórica. A intelectualidade latino-americana de esquerda – da «falsa esquerda» como acaba de a estigmatizar com precisão o Comandante Tomás Borge – menos criativa e mais imitadora, fez o seu próprio trabalho, incluindo na Bolívia, como é óbvio.
A produção teórica de qualquer das alas ou correntes da esquerda ou da direita das ciências sociais, que não é um mero jogo de especulação intelectual, serve para a prática social, para que as classes e as suas representações políticas imponham os seus modelos económicos e sociais. Isto caiu, naturalmente como sopa no mel às transnacionais e às classes possidentes. Estas, com a ideia imposta do fracasso do socialismo, do «estalinismo», etc., aplicaram o neoliberalismo e procederam ao desmantelamento e ao saque dos patrimónios nacionais. Sob a consigna da liberdade do mercado, destruíram os aparelhos produtivos nacionais e converteram tudo em mercadoria, até a água.
Tudo era «livre»; para a classe operária, para os trabalhadores em geral, inventou-se a livre contratação que significou a destruição dos seus instrumentos de luta, particularmente dos sindicatos e o submetimento a um sistema de exploração semelhante aos tempos de emergência do capitalismo. As leis de protecção do trabalho, o sistema de segurança social e muitas outras conquistas dos trabalhadores foram violentadas de forma clara. Até a mais histórica das conquistas dos trabalhadores: a jornada de oito horas, desapareceu. Na prática, anulou-se «legal» ou ilegalmente o que se conhece como conquistas sociais dos trabalhadores. Sob a consigna de que tudo isto se fazia em parlamentos democráticos de levanta-a-mão, sancionaram-se novas disposições que legalizaram estas realidades sociais cruéis para os trabalhadores.
Utilizámos muitas palavras para descrever estes arquiconhecidos factos, mas era necessário recordá-los para explicar o que se passa no nosso país e sobretudo o que ocorre no movimento operário e sindical em particular. O que é que se passa com a COB [Central Operária Boliviana], com os sindicatos, nesta conjuntura histórica por que passa a Bolívia? Começámos, de forma ex professa, com uma referência ao quadro internacional, porque o que se passou na Bolívia passou-se em todo o mundo. Isto sucedeu a mouros e a cristãos. Os trabalhadores, independentemente da cor da sua pele, idioma ou crença religiosa, sofreram todos por igual; todos os que vivem numa sociedade capitalista. Os matizes ou as peculiaridades das regiões, os povos ou intensidade da exploração, têm de ser levados em conta na hora da acção, mas não contradizem as regularidades do capitalismo, neste caso global. Enfatizamos isto porque não faltam obtusos que afirmam, por exemplo, que o sindicalismo é um mal-agradecido «invento europeu». E há também que fixar bem um facto: se o capitalismo internacional e o imperialismo campeiam no planeta, não se deve ignorar que há países que vivem uma situação distinta. A situação na Bolívia não é a mesma da Colômbia ou do Chile ou do Peru; particularmente não é a mesma a situação dos trabalhadores.
É um facto irrecusável que houve uma crise no movimento operário e sindical boliviano. Esta crise ainda continua a perturbar a acção dos trabalhadores e ainda não encontrou o caminho para a sua superação. Vejamos as duas faces desta crise. Uma é criada pelo próprio capitalismo. A destruição de postos de trabalho (a «deslocalização»), o virtual aniquilamento de destacamentos operários como o dos mineiros da COMIBOL [Corporação Mineira da Bolívia], na prática uma desproletarização do país. Tinha-se anulado o portador da ideologia de vanguarda, o que estava bastante seguro da sua missão histórica, formulada na Tese Socialista da COB em 1970. É certo que houve depois um processo de reproletarização como escreveu Garcia Linera [Vice-presidente da Bolívia]; alargaram-se as fileiras dos trabalhadores; não desapareceu o proletariado. Mas este tem agora as características de todo o proletariado recente, jovem: é mais classe em si do que classe para si.
A outra faceta é a da mentalidade, da consciência social dos trabalhadores e que de alguma forma é a dominante nas suas organizações naturais. Em toda a sociedade predomina a ideologia da classe dominante. Os trabalhadores bolivianos não escapam a esta regularidade que actua na sociedade capitalista. Isto leva ao desenvolvimento de uma luta incansável pela sua superação: recuperar a memória histórica dos trabalhadores, recordar as suas tradições e glórias, pois estas, sim, existiram.
Uma peculiaridade do movimento laboral e sindical boliviano é que também sofre algumas doenças que perturbam o adequado lançamento das lutas: o radicalismo que acredita que tudo se pode fazer de imediato e que, de facto, na conjuntura actual da Bolívia, é possível satisfazer plenamente todas as legítimas aspirações dos trabalhadores. Para isso recorrem a métodos, acções e a formulações e consignas que são francamente irracionais, carentes de sentido da realidade e de lógica elementar. Uma verdadeira «doença infantil», e infelizmente, por esta via coincidente com os propósitos e planos do imperialismo, da reacção nativa. São-lhes funcionais. Apagaram da sua memória histórica (se acaso a tiveram) o que se passou com os governos progressistas ou democráticos. Dizem que querem o socialismo, mas acreditam, por ventura, que se se desestabiliza ou se derruba o actual governo virá o socialismo?
A história tem, no entanto, a sua coerência e os trabalhadores não são alheios a ela. Esperamos que se imponha o pensamento avançado, que coincide com a sua verdadeira consciência de classe, com o seu real papel revolucionário.
* Marcos Domich, Professor da Universidade de La Paz, é amigo e colaborador de odiario.info.
Tradução de José Paulo Gascão

"Vivemos sob uma ditadura financeira" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
   
Denúncia de Marisa Matias num comício em Atenas de solidariedade com o povo grego
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Foto de Renato Soeiro
“Enfrentamos agora uma nova forma de ditadura: a financeira. É um tipo virulento de ditadura que se espalha por todo o lado”. As palavras foram proferidas pela eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias em Atenas num comício de solidariedade com o povo grego promovido pela coligação Syriza, que integra o grupo GUE/NGL no Parlamento Europeu. Muitas pessoas acorreram na sexta-feira à Praça Kotzia, mais um dos locais da capital grega onde nas últimas semanas se têm realizado actos de luta social e política contra a política de austeridade que, a pretexto do combate ao défice público, os mercados financeiros, o FMI e as instituições da União Europeia impõem ao povo grego.
Representantes de vários partidos europeus de esquerda estiveram presentes no comício de Atenas testemunhando a solidariedade internacional à resistência grega. Alexis Tsipras, presidente do partido Sinapismos e da coligação Syriza, e Manolis Glezos, resistente antifascista da Segunda Guerra Mundial, usaram da palavra salientando a importância da luta não apenas no contexto grego mas também europeu. Marisa Matias foi a oradora no comício em representação do Bloco de Esquerda. No sábado, Renato Soeiro representou o Bloco no colóquio “Marxism 2010”, que terminou igualmente com um comício em Atenas – cidade intensamente mobilizada para a luta contra as medidas económicas.
Reproduzimos na íntegra a intervenção de Marisa Matias proferida no comício de solidariedade.
Intervenção de Marisa Matias
A situação que estamos a viver em Portugal pode ser vista como um reflexo da situação grega num espelho. Tudo se faz em nome da estabilidade. Em Portugal estamos reféns tanto dos programas de estabilidade e crescimento como dos dois partidos que têm vindo a partilhar rotativamente o poder nos últimos anos. Recentemente, estes dois partidos (PS e PSD) puseram-se rapidamente de acordo para iniciar a “operação” de corte. É uma operação contra o bem-estar social e provoca condições precárias e desemprego.
Como resultado dos ataques especulativos contra as dívidas soberanas dos países do sul, os cidadãos portugueses estão agora ainda em pior situação.
Entre as propostas que têm surgido em nome da “estabilidade”, uma tem dimensões particularmente nocivas: a implementação de uma medida para reduzir o limite inferior dos subsídios de desemprego. Esta proposta foi sugerida pela Confederação da Indústria mas poderia perfeitamente ter sido feita pelo governo. De facto, num dia tivemos o presidente da Confederação da Indústria sugerindo esta medida e, no dia seguinte, tanto o primeiro ministro como o líder da oposição anunciando exactamente a chamada solução. Mas as implicações directas desta medida naqueles que ainda têm emprego é devastadora: tem como resultado que os seus salários também serão sujeitos a cortes.
Em Portugal, como na Grécia, o que era considerado um direito adquirido é tratado cada vez mais como um privilégio. O resultado é simples: enfraquecimento ainda maior dos que já era mais fracos, reduzindo os seus rendimentos. Os cortes nos subsídios de desemprego tem sido justificados com a necessidade de garantir – e as palavras que vou usar são as que actualmente têm sido usadas – que ninguém tire “vantagem” de estar desempregado precisamente porque estar desempregado pode ser “uma situação mais confortável do que ter emprego”. Estas palavras têm sido pronunciadas num contexto em que não existem esforços para criar empregos e em que metade das pessoas desempregadas não têm sequer direito a subsídio; em segundo lugar, eles são os primeiros a ser chamados para pagar a factura da crise. É importante mencionar que Portugal é o quinto país como mais elevada taxa de desemprego nos países da OCDE. Outras medidas como os cortes das pensões sociais estão igualmente a ser tomadas.
Em Portugal, como na Grécia, os Programas de Estabilidade e Crescimento nunca cortam onde estão os verdadeiros gastos (corrupção, obras públicas, parcerias público-privadas, nas quais as despesas são públicas e os lucros são privados, entre muitos outros problemas, sabem como é…), os privilégios são mantidos intactos enquanto se dão todas as garantias de impunidade aos incompetentes e aos responsáveis por gestão danosa. Este é o grupo dos intocáveis. Se os desempregados e os trabalhadores fossem bancos corruptos já teriam sido salvos!
Durante meses a fio o governo disse-nos que não era possível aplicar taxas sobre as transacções financeiras porque “os mercados ainda não estavam preparados”. Depois disso disseram que sim mas que as grandes empresas deveriam ficar fora desse controlo. O mais surpreendente é que estas coisas foram ditas de modo sério. Os que são atacados são sempre os mesmos, os que pagam a factura da crise são sempre os mesmos. As privatizações são outra resposta tradicional: seja dos recursos naturais seja dos serviços públicos.
Pode dizer-se que a capacidade produtiva do governo português se reduz quase à produção de pobreza, à produção de precariedade, à produção de injustiça social.
Em 2007, o primeiro ministro português anunciou como principal prioridade a redução das taxas de desemprego. Hoje afirma que a sua principal prioridade é a redução do défice público. De tempos a tempos surge a invocação do défice público. As únicas medidas sérias, dentro deste modelo, são as de austeridade, as quais, no final, representam sempre a mesma receita independentemente do local onde são aplicadas.
Não nos resignaremos, porém, a este status quo. Lutamos. E vós, povo grego, têm sido um exemplo de como lutar pela justiça social. Estamos a organizar várias iniciativas em Portugal e foi já marcado um dia nacional de protesto para 29 de Maio, apesar de o governo apelar ao consenso e à recusa de “tensões sociais”.
Tudo isto em nome dos Programas de Estabilidade e Crescimento, que caiem sempre sobre os ombros dos mesmos e que transformam em suspeitos todos os que, como resultado da crise, foram condenados a um insustentável modo de vida. Não podemos aceitar qualquer tentativa de lançar desempregados contra trabalhadores e trabalhadores contra desempregados ao mesmo tempo que continua a dar-se tudo aos que já têm tudo. Infelizmente, porém, é o que está a ser feito.
Este é um tempo de luta e de solidariedade.
Tanto o governo português como o governo grego mentiram aos seus cidadãos. E continuarão a fazê-lo. O vosso primeiro ministro, George Papandreu, foi recentemente ao Parlamento Europeu apresentar o seu Programa de Estabilidade e Crescimento. Disse que este programa tinha sido criado de modo a que fosse aceite pelo FMI sem quaisquer alterações. A razão era simples: já era o programa do FMI, mas garantindo a soberania grega. Vós sabeis, como os portugueses sabem, que este primeiro programa era apenas o primeiro e que o que agora está em foco não será o último. A razão é o facto de o capital especulativo nunca estar satisfeito e os governos serem incapazes de tomar posições fortes.
É nosso papel – da intervenção popular, dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda – promover a transformação social. O povo da Europa tem de estar unido e de lutar em conjunto.
Agora é tempo de apoiar a Grécia porque é tempo de nos apoiarmos a nós próprios. Lutamos hoje pela justiça social e económica, as mesma justiça social e económica que o povo grego tem vindo a defender nas ruas em representação de todos os europeus.

 
Governos e trabalhadores europeus pagam custo de orgia do setor financeiro
Espanha anunciou redução de 5% dos salários dos servidores públicos e o congelamento de salários. Na Grécia, sindicatos convocam quinta greve geral contra corte de pensões. Para analista do Financial Times, origem da crise da dívida dos governos está principalmente no setor financeiro. “Os mercados financeiros financiaram a orgia e, agora, em pânico, estão se recusando a financiar a faxina resultante”, diz Martin Wolf.

> LEIA MAIS | Economia | 13/05/2010
In Carta Maior

Francisco Louçã diz que aliança entre PS e PSD revela falta de 
decência

Ontem   O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou hoje que a aliança entre PS e PSD revela «falta de decência nas decisões económicas» e acusou os dois partidos de estarem a conduzir o país para o «abismo»Ler 
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domingo, maio 16, 2010

Louçã: PS e PSD "conduzem o país ao abismo"
Clique para ler o jornal gratuito do Bloco Francisco Louçã diz que a aliança Sócrates/Passos Coelho, que promove o PEC em Portugal, revela "falta de decência nas decisões económicas".
Ler mais e comentar... In Esquerda.net 

Turismo

Algarve precisa de investir na diversificação


Algarve precisa de investir na diversificação
A deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório defendeu ontem "um maior investimento" na diversificação do turismo no Algarve, e criticou o Governo pela falta de políticas para o sector na região.
"É preciso aproveitar as capacidades do Algarve e investir na diversificação do turismo, salvaguardando ao mesmo tempo os recursos ambientais da região", defendeu Cecília Honório, à margem do fórum "Preservar a biodiversidade em Lagos e Portimão", realizado na biblioteca de Lagos.
A iniciativa do Bloco, que decorreu ao longo de todo o dia, integrou no programa visitas à ria de Alvor e Sapal e Paúl de Lagos, culminando com um debate em que participaram cerca de 50 pessoas.
Para Cecília Honório, o modelo de turismo no Algarve "está esgotado e, prova disso, é a falta de procura, com acentuado decréscimo no número de dormidas na região".
A deputada eleita pelo círculo de Faro considera que a "culpa pela estagnação do sector" se deve "à inexistência de políticas do Governo ao longo dos últimos anos. "O Governo não tem qualquer modelo e tem olhado apenas para o turismo de construção desenfreada", afirmou a parlamentar do BE, manifestando-se "optimista, mas apreensiva" quanto ao futuro da população algarvia: "O que será desta população, quando os responsáveis governamentais não apresentam modelos diversificados para o turismo, esquecendo--se dos recursos do Algarve", questionou.
Cecília Honório apontou ainda a "falta de transparência" dos Projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN), que "apenas beneficiam os grandes grupos", acusando o Governo de "os negociar nos corredores e à mesa, durante os almoços".
Lamentou também que os grupos parlamentares do PS e do PSD não tenham aproveitado algumas propostas apresentadas pelo Bloco para dinamizar o sector. "Existem várias alternativas, desde investimentos na criação de indústria para equilibrar as produções tradicionais, ao turismo de natureza e cultural", concluiu Cecília Honório.

sexta-feira, maio 14, 2010

Comício do Bloco no Porto: As pessoas não estão neste PEC
Comício do Bloco no Porto - Foto de Simone Rocha O Bloco de Esquerda realizou um comício no Porto onde alertou para a recessão a que podem conduzir as novas medidas anunciadas, e denunciou a “santa aliança” entre PS e PSD. Reportagem de Simone Rocha
Ler mais e comentar... In Esquerda.net 

quinta-feira, maio 13, 2010

 
Francisco Louçã acusa José Sócrates de ser «biombo» do bloco 
centralHoje   O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou José Sócrates de ser o «biombo atrás do qual se esconde o bloco central», condenando o aumento do IVA, por significar «mais recessão»Ler 
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La rebelião da Grécia e a crise da UE
marcam a situação mundial
Um exemplo a seguir em Portugal
e em todos os países da Europa
CIDADÃOS! LEVANTEM-SE E LUTEM!
De acordo com o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa, "todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública".
É exactamente o que se está a passar. O povo português, os trabalhadores, os cidadãos, os mais pobres deste país estão a ser alvo do ataque mais desenfreado por parte da aliança do governo Sócrates PS com o PSD de Passos Coelho. Uma autêntica aliança do bloco central apoiada pela grande finança para tentar acabar com a crise que eles próprios provocaram. Trata-se de uma guerra sem limites contra os mais fracos e desprotegidos, por parte da grande burguesia.
Como não podem recorrer à autoridade pública, os cidadãos, os trabalhadores, desempregados e precários têm o direito de resistir e fazer valer os seus direitos, não aceitando os sacrifícios que lhes querem impor, como o congelamento de salários, o aumento de impostos, o aumento do flagelo do desemprego, o aumento da miséria e da exclusão. Sócrates e Passos Coelho dizem que a crise tem de ser paga por todos, mas é uma rotunda mentira, pois 5% para eles e para os gestores não é nada. Quem ganha muito 5% é apenas uma gota de água. Porque não põem os bancos e as grandes empresas a pagar o IRC que deviam, ou seja, 25% em vez dos 10%? Porque não afrontam os off-shores? Porque não retiram os milhões em salários e prémios aos gestores públicos e privados? Isto nem pensar!
Estas medidas do bloco central são uma inaceitável agressão ao povo português. Por isso, só resta ao povo, aos cidadãos, resistirem e defenderem os seus direitos. E pela força se for necessário como defende a Constituição. Temos de ir para a rua aos milhões e dia 29 de Maio será o Dia D. Depois em todas as praças, vilas e cidades é preciso mobilização, resistência e luta. Os mais pobres nada têm a perder - apenas as grilhetas da escravidão!
Povos de Portugal e resto da Europa! Levantem-se e lutem pelos vossos direitos! Contra as burguesias espoliadores que querem destruir o Estado social é chegada a hora da resposta proletária. É preciso responder com a guerra à guerra. E a nossa guerra será a expressão da nossa vontade e luta. Luta de resistência e de combate pela afirmação dos nossos direitos e reivindicações. Só assim o mundo avançará. A luta de classes está mais viva do que nunca. Apenas precisa de mais um impulso.

O Papa, a Pedofilia e a Luta de Classes (clicar no título)

Papa Bento 
XVIAo afirmar no avião que o transportou a Portugal que “Os ataques contra a Igreja e o Papa não vêm apenas do exterior, os sofrimentos vêm do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja”, Bento XVI procurou sacudir as imensas responsabilidades que têm na protecção dos sacerdotes que abusaram pessoalmente de milhares de crianças confiadas à responsabilidade da Igreja. Sara Flounders, no bem documentado texto que hoje publicamos, acusa Ratzinger de ser o principal responsável do encobrimento e protecção dos sacerdotes que abusaram de crianças um pouco por todo o mundo.

RESPOSTA A MÁRIO NOGUEIRA

Resposta de Santana Castilho, no Público, ao artigo de Mário Nogueira.

Resposta a Mário Nogueira

Mário Nogueira assinou um artigo no “Público”, a que deu o título “Esta Fenprof incomoda que se farta!” Dir-se-ia refém de uma qualquer peça de Ionesco, tantos são os absurdos em que se enleia, ou convertido à Patafísica, “ciência” de soluções imaginárias. Mário Nogueira espadeira contra indeterminados, que não tem coragem de citar. Aderente ao axioma “quem não está connosco está contra nós”, Mário Nogueira convive mal com esse espaço de liberdade que designa por “blogues da especialidade”. Mas destaca-me do naipe, que apoda de adversários da Fenprof e arautos de falsidades. A deferência merece resposta:

1. O meu último artigo, que Mário Nogueira refere como exemplo dos ataques à Fenprof e paradigma de falsidades, tem três vertentes claras para quem não seja analfabeto funcional: resenha diacrónica de escritos meus, cuja substância foi confirmada por desenvolvimentos posteriores; opinião, em que sou acompanhado por milhares de professores, divergente da linha oficial da Fenprof, mas que só a escola burlesca de TariK Aziz poderia ignorar; e perguntas. Perguntas difíceis de tragar por goelas apenas oleadas para dar passagem a elefantes e sapos vermelhos, partidariamente cozinhados.

2. Lê-se no meu artigo: “Conhecemos o texto do acordo. Mas não conhecemos as actas, que se presumem feitas, das discussões havidas na maratona de 14 horas de negociações que o antecederam. A consideração da classificação do desempenho para efeitos de graduação dos professores foi ou não objecto dessa discussão? Se foi, em que termos? Se não foi, por que não foi? Se não foi, que atenção mereceu nos 3 meses seguintes de reuniões sem fim?”

Isto não são falsidades. São perguntas legítimas a que Mário Nogueira não respondeu. E foi mais longe. Disse, com a naturalidade de um amador incompetente, que aguarda, 4 meses volvidos, que lhe enviem a acta de uma reunião de 14 horas, onde se tomaram deliberações graves sobre a vida de todos os professores. Esquecendo, para cúmulo, que a Fenprof divulgou, sob a epígrafe “Acordo de Princípios Sobre Aspectos do ECD”, logo em Janeiro de 2010, uma informação aos professores onde invoca o “compromisso assumido pelo M.E. em acta negocial” (sic., sublinhado meu, retirado de documento que detenho e poderei fornecer a quem o não conheça).

3. Mário Nogueira chama-me implicitamente desonesto porque afirmei no meu artigo que a Fenprof não se deu conta, inicialmente, que a classificação do desempenho contava para a graduação profissional, em sede de concurso. Não lhe admito a baixeza.

No dia 12 de Abril, no site da Fenprof, estava escrito: “Para o concurso que hoje se inicia, é de salientar o facto de, no respectivo Aviso de Abertura, já não constar qualquer referência à consideração da avaliação para efeitos de graduação profissional, factor que, como a Fenprof tem vindo a exigir e a esmagadora maioria dos professores a defender, não deverá ser considerado já neste concurso.”

Não é claro? É preciso fazer desenhos? Não aderi à moda da “acção directa” e por isso não meterei ao bolso o bigode do Mário Nogueira, quando o voltar a encontrar. Mas espero que ele tenha a hombridade de me telefonar a pedir desculpa.

4. Mário Nogueira, numa construção frásica sem coerência, compara a solução (acordo) a que chegou com Sócrates com a admitida pelo PSD. E num jeitinho conveniente, que conheço, atira lá para o meio o meu nome. Entendamo-nos uma vez mais: numa conferência que proferi na Assembleia da República, a convite do PSD, a abrir um debate público em que Mário Nogueira também participou, sintetizei bem o que pensava sobre o destino a dar à avaliação do desempenho em análise: suspensão e lixo. E Mário Nogueira ouviu-me dizer, cara a cara e nessa sessão, a Aguiar Branco e ao PSD, aquilo que ele não pode dizer a Jerónimo de Sousa ou ao PC. É a vantagem de se ser partidariamente independente. O PSD e Aguiar Branco, particularmente, ouviram-me repetidas vezes. Mas não seguiram um só dos meus conselhos e deram o dito por não dito, como o Mário Nogueira.

5. Mário Nogueira desenterrou o “memorando” de má memória, com que salvou Lurdes Rodrigues. Poderia contar a verdadeira história desse episódio, que ele sabe que eu conheço. Preferiu continuar a enganar todas as pessoas todas as vezes, o que é manifestamente impossível, como recordou Lincoln. Devo refrescar-lhe a memória que rejeita. Se numa escola com 100 professores 10 foram á reunião de consulta e 9 aprovaram o memorando, isso permitiu-lhe dizer que obteve 90 por cento de aprovações. Os bonzos da estatística do Ministério da Educação há 5 anos que usam os mesmos métodos. A escola é a mesma. Mas não é a minha.

6. A polémica, aqui, acaba agora. Diga Mário Nogueira o que disser. A minha luta não é contra os sindicatos, muito menos contra a Fenprof. Não alimentarei o gáudio dos detractores dos professores, nem malbaratarei a generosidade do “Público”, sacrificando o espaço onde há anos defendo a escola pública. Se Mário Nogueira quiser continuar, conte comigo. Desde que os espectadores sejam só professores. Diga o sítio e faça os convites. Lá estarei para, cara a cara, lhe dizer o que precisa de ouvir. Entre professores e a bem dos professores e dos seus sindicatos. Sem conclusões previamente redigidas. Com acta feita na hora.


Santana Castilho

quarta-feira, maio 12, 2010

Bloco rejeita aumento do IVA e imposto sobre o 13º mês, PSD apoia

PSD concorda com subida de impostos de "carácter extraordinário e transitório". Francisco Louçã diz que se do encontro entre Sócrates e P. P. Coelho "sair esta proposta extraordinária de aumento do IVA e de ficar para o Estado uma parte do subsídio de Natal estamos a ir por muito mau caminho".
Ler mais e comentar...  Comentário: ATÉ QUANDO VAMOS APANHAR PANCADA DA CORJA? CIDADÃOS E POVOS DA EUROPA - LEVANTEM-SE E LUTEM!

O ópio do povo?
O Papa Joseph Ratzinger (Bento XVI)Em dias de visita do Papa, recordamos um ensaio de Michael Löwy que questiona: será ainda a religião uma trincheira da reacção, obscurantismo e conservadorismo? Em larga medida, a resposta é afirmativa.
Ler mais e comentar...Esquerda.net

Papa Bento XVI vem a Fátima caucionar um crime

– porventura ainda pior que o da pedofilia, que o clero de Ourém cometeu, em 1917, contra três crianças daquela freguesia

por Padre Mário da Lixa [*]
O 
jovem Ratzinger quando envergava o uniforme nazi. Pelos vistos, nos próximos dias 12, 13 e 14 de Maio, o papa Bento XVI, vem mesmo a Portugal, concretamente, Lisboa, Fátima e Porto, sem querer saber para nada de tudo o que ultimamente está a ser revelado na comunicação social sobre os inúmeros e escabrosos casos de pedofilia, ocorridos no interior da Igreja, inclusive, com clérigos em cargos de grande visibilidade e cujos bispos, no passado, foram seus cúmplices (o próprio papa, na qualidade de Cardeal Ratzinger, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, terá feito de conta, quando, há anos, foi sabedor de um desses casos mais escabrosos).

No mínimo, é uma insensatez que o papa Bento XVI está a cometer. Perante tudo o que está a ser divulgado (e, em muitos casos, até já confirmado pelos Tribunais de cada país), o papa Bento XVI, se tivesse um mínimo de pudor (o Poder monárquico absoluto nunca será capaz de semelhante qualidade humana, habituado que está a excomungar quem não diz com ele, quem dissente dele, mesmo por fidelidade a Jesus, o Evangelho Vivo de Deus Criador, nosso Abbá, entre nós e connosco) já teria anunciado, nesta data, urbi et orbi, que essa e outras viagens "pastorais" de chefe de Estado do Vaticano ficariam canceladas sine die. Tanto mais, quanto, que, no caso presente de Fátima, das três crianças da freguesia, escolhidas e arregimentadas em 1917 pelo clero de Ourém (o clero não olhou a meios só para, com aquela montagem das "aparições" de Maio a Outubro, tentar pôr de novo as populações a rezarem o terço, todos os dias, a frequentarem a missa ritualizada ao domingo e a regressarem à tenebrosa prática das primeiras nove sextas-feiras de cada mês; já agora, porque não as primeiras doze sextas-feiras do ano?! O que faziam os clérigos confessores nos três meses restantes?!).

Sim. Em verdade, em verdade vos digo: o, teologicamente imbecil, fenómeno das "aparições" de Fátima foi, perversa e metodicamente, preparado pelo clero de Ourém, e, por isso, perfaz uma barbaridade de todo o tamanho, certamente, pior, muito pior, que os inúmeros casos de pedofilia, à excepção, porventura, daqueles casos mais escabrosos. Hoje, sabemos bem quais foram os resultados dessa barbaridade, com tudo de crime sem perdão (desculpem a força da expressão literária, mas é a única apropriada, neste caso): – duas das três crianças, Jacinta e Francisco, irmãos de sangue e primos direitos de Lúcia, a mais velha das três e vizinha, porta-com-porta das outras duas (como se vê, ficou tudo em família!), quando a Pneumónica, poucos meses depois das "aparições", atingiu o concelho de Ourém (como vêem, nem a senhora de Fátima lhe valeu! Pudera! E como havia de lhe valer, se aquilo é tudo mentira e invenção do clero de Ourém?!), não lhe resistiram, de tão fraquinhas que andavam com todos aqueles estúpidos "sacrifícios pela conversão dos pecadores". Morreram ambas, num total abandono, por parte do clero de Ourém que, meses antes, as havia utilizado para aqueles perversos fins moralistas. Morreram as duas devoradas por indescritíveis dores e mergulhadas em horrendas alucinações, sobretudo a Jacinta, sozinha no Hospital D. Estefânia, em Lisboa (é um facto histórico, senhoras, senhores, não é invenção minha, nem do Jornal Fraternizar). E quanto à outra menina sobrevivente, a mais velhinha, é absolutamente obsceno o que o clero de Ourém e o próprio Bispo auxiliar do Patriarcado, candidato a Bispo e, depois Bispo titular efectivo, da restaurada Diocese de Leiria, lhe fizeram (já, então, pelo andar da carruagem, era previsível que Fátima viria a ser a galinha de ovos de oiro da Igreja em Portugal e da Cúria Romana e, por isso, uma e outra se apressaram a restaurar a Diocese!...).

Obrigaram Lúcia, pela força – e com um chorrilho de mentiras clericais à mistura, de que ela era "vidente", etc e tal – a sair de Fátima e da família. Sequestraram-na até à morte, primeiro, no então Asilo de Vilar, Porto, depois, num convento de Doroteias em Tui, Galiza, onde lhe foi imposto pelo confessor que tinha de ser freira, e, finalmente, freira de total clausura no Convento das Carmelitas, em Coimbra. Horrendo! Só mesmo de clero celibatário à força, eunuco à força, não, obviamente, eunuco pelo Reino /Reinado de Deus!

A pobre rapariga tinha a terceira classe, quando a sequestraram, e assim ficou (ou pouco mais!), pelo resto da vida. E à mãe dela, que sempre disse que a conhecia bem e que aquela sua filha era compulsivamente mentirosa e vaidosa (por isso, nunca acreditou nem na filha nem nas "aparições"), nem mesmo na hora da sua agonia, deixaram que ela visse a filha; tão pouco, permitiram que, pelo menos, a mãe ouvisse a voz da filha pelo telefone! (Digam lá, se os sacerdotes e as freiras do Ídolo Religioso não são cruelmente vingativos e sádicos?!).

Ora, é este horrendo crime e esta mentira sem perdão, que o papa Bento XVI vem caucionar com a sua visita de chefe de estado do Vaticano a Portugal e a Fátima, numa altura em que sobem de tom e de número, os clamores de inúmeras vítimas de casos de pedofilia, cometidos por clero, inclusive, de grande visibilidade, todos funcionários exemplares do Institucional Religioso-Eclesiástico católico. Haja modos e pudor, meu irmão Ratzinger!

Mário, Presbítero da Igreja do Porto
P.S.

Meu irmão Ratzinger, Bispo de Roma: aceitas uma sugestão que aqui te adianto?! Cancela esta viagem e todas as outras já agendadas para outros países. E, em vez dessa montra de vaidade e de ostentação de Poder Eclesiástico, que estás sempre disposto a protagonizar, convida à conversão, a Igreja universal, da qual és o principal animador. Não, obviamente, a estafada conversão pregada ao longo dos séculos pelo Moralismo Eclesiástico, hoje mais do que rançoso, mas a conversão proclamada /exigida por Jesus, o do Deus do Reino /Reinado-de-Deus. Perdoa, mas se calhar, nem tu saberás, sobretudo, por força dos Privilégios de que desfrutas na Igreja e no Mundo, o que significa o verbo CONVERTER-SE, utilizado por Jesus, logo a abrir a sua Missão na Galileia, por meados do ano 28 desta nossa era comum. Humildemente, te digo: Significa renunciarmos, duma vez por todas e por toda a vida, ao Deus-Ídolo Religião, e abrirmo-nos alegremente ao Deus Criador, nosso Abbá, o de Jesus, que nos habita e é mais íntimo a nós do que nós próprios, os seres humanos todos, mulheres e homens, em radical igualdade. És capaz de semelhante decisão? Fico abraçado a ti, cheio de Esperança Teológica, a de Jesus!

[*] Autor de Fátima nunca mais (Campo das Letras, 1999), Que fazer com esta Igreja (Campo das Letras, 2001), E se com o Papa enterrarmos também esta Igreja Católica Romana? (Intervir/ArcaDasLetras Editora, 2005), Fatimamente e outros livros.

O original encontra-se em Jornal Fraternizar , edição n.º 177, de Abril-Junho 2010


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Petição: conclusões da audição na Comissão de Trabalho


Ministra Helena André será interpelada pelo parlamento sobre os problemas dos trabalhadores a recibos verdes

Os movimentos de trabalhadores precários foram ontem recebidos na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, na Assembleia da República. O motivo foi o cumprimento da audição enquanto organizadores da petição “Recibos Verdes: Antes da Dívida Temos Direitos!”, que, depois da mobilização de mais de 12 mil pessoas, continua o seu percurso de exigência dum verdadeiro combate aos falsos recibos verdes e pela justiça nas contribuições para o sistema de Segurança Social. Um dos resultados da audição foi a decisão de interpelar a sra. Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André, com as propostas da petição.

Recordamos que, na sequência da entrega da petição a Fevereiro último, após pedidos feitos a todos os grupos parlamentares, os promotores desta petição foram já recebidos pelo CDS/Partido Popular, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Socialista: todas estas forças políticas, sem excepção, confirmaram a pertinência da proposta da petição e se comprometeram com os contributos necessários para encontrar soluções para o problema levantado.

Aliás, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português apresentaram já propostas legislativas que respondem directamente às exigências expressas pela petição, através de dois projectos de resolução (disponíveis aqui e aqui, respectivamente).

Saudamos a existência das duas propostas já conhecidas, que constatando as referidas injustiças, dão o passo que consideramos mais importante: encarar com seriedade o problemas das dívidas à Segurança Social que pendem sobre os trabalhadores independentes, convocando a responsabilidade das entidades empregadoras incumpridoras, não só restabelecendo a capitalização do sistema, mas também reestabelecendo as carreiras contributivas de milhares de trabalhadores que, se nada for feito, estão a ser simplesmente afastados do sistema e dos direitos mínimos no trabalho e na vida.

A audição de ontem foi mais uma oportunidade para clarificar os objectivos dos peticionários e sublinhar a importância do parlamento, através dos contributos dos vários grupos parlamentares, garantir uma solução concreta que enfrente as injustiças que afectam tantos milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

Além da relatora da petição, que tem a responsabilidade pelo que relatório que encaminhará a petição para a discussão em plenário, a deputada Margarida Almeida (do Partido Social Democrata), estiveram presentes representantes do Partido Socialista (deputada Maria José Gamboa), do Bloco de Esquerda (deputado José Soeiro) e do Partido Comunista Português (deputado Jorge Machado).

Registamos o renovado clima consensual em torno das exigências da petição, nomeadamente a constatação das injustiças nas contribuições para o sistema de Segurança Social para os trabalhadores que têm que suportar os falsos recibos verdes. Em particular, saudamos a interpelação à Ministra Helena André, proposta pela deputada Maria José Gamboa, que mereceu concordância dos peticionários e de todos deputados presentes.

Esperamos agora pela resposta da sra. Ministra, de quem se espera um posicionamento claro, pela responsabilidade particular que tem na definição de soluções para combater o problema em causa. Não esquecemos a recente operação de recuperação de dívidas levada a cabo pela Segurança Social que, infelizmente, ao congelar as contas bancárias de cerca de 2.100 trabalhadores independentes, não observou a justa exigência da petição – quantas destas pessoas contraíram a dívida numa situação de falso trabalho independente? Porque continuam as entidades empregadoras incumpridoras, que já tanto prejudicaram estes trabalhadores em nome duma poupança ilegal à custa dos seus direitos, dispensadas de assumir as suas responsabilidades?

Os movimentos de trabalhadores precários, apesar da satisfação pela capacidade de mobilização e pelos resultados concretos que já está a ter a petição, sabem que é preciso manter a energia por este combate. Reafirmamos essa vontade e sabemos como ela é essencial para a luta pelos direitos dos trabalhadores a falsos recibos verdes, pelos contratos de trabalho devidos e por uma verdadeira integração no sistema de Segurança Social.

segunda-feira, maio 10, 2010

Povo Trabalhador grego mantém confronto com a Europa do Capital PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Grécia - Laboral/Economia
100510_grecia BRIGA - A Greve Geral Nacional convocada a passada quarta-feira foi avaliada polo PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores) como um êxito rotundo, com mais dum 80% de seguimento.
Diário Liberdade



Pátria Latina

Tirando Coelho da cartola, Sócrates garante que: “PEC a PEC enche o capital o papo…”
No seu Congresso, os Professores decidiram manifestar-se em Lisboa, num sábado, apontando para 29 de Maio. Em 29 de Maio, a Administração Pública já havia decidido manifestar-se, uma vez que têm sido estes trabalhadores que, em primeiro lugar e directamente, mais têm sofrido com as medidas ditas de contenção impostas pelo governo. Entretanto, no 1.º de Maio, Manuel Carvalho da Silva, convergindo com estas datas, anunciou que, para este dia, a CGTP-IN convocou todos os trabalhadores do sector privado, o que significa que se prevê, para 29 de Maio, uma das maiores, senão a maior manifestação de sempre dos trabalhadores portugueses. Foi neste contexto que a página electrónica da FENPROF decidiu entrevistar Mário Nogueira, Secretário Geral da Federação Nacional dos Professores.
Fenprof

Bloco propõe alternativas ao aumento de impostos
Clique para ampliar. Novo outdoor do Bloco.
Na apresentação do novo cartaz e jornal gratuito, Francisco Louçã respondeu à ameaça de aumento de impostos formulada por Teixeira dos Santos e à "embaixada de peso" que reuniu em Belém "os pais do défice".
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Esquerda.net

domingo, maio 09, 2010

A PASSIVIDADE DOS PORTUGUESES
Muitas vozes se vêm levantando relativamente à passividade com que o povo português está a encarar a presente crise em que o país está mergulhado. Dois textos abordam esta situação na edição do “Expresso” de 8 de Maio.
Com toda a razão, alguém escrevia, há pouco tempo que “a indiferença é um dos piores sintomas da nossa crise colectiva”. Não foi por acaso que aguentámos uma ditadura quase meio século sem que se lobrigasse durante todo esse tempo a mais leve esperança de um retorno à liberdade ou a melhoria das condições de vida da população portuguesa quando toda a Europa ocidental fervilhava de desenvolvimento.
Só uma reivindicação corporativa das Forças Armadas acabou por levar ao derrube do salazarismo porque, de outro modo, não se vislumbrava qualquer reacção colectiva que levasse o regime a promover mudanças significativas no sentido da democracia e do desenvolvimento.
O texto seguinte cita um especialista em movimentos de contestação social que culpa os sindicatos e os partidos pela falta de mobilização dos portugueses para a luta contra o desemprego, a precariedade laboral, os cortes nas prestações sociais, a corrupção entre muitas outras situações.
Não estou de acordo com esta interpretação dos factos já que, recentemente, um grupo profissional – os professores – sentindo-se vítima de tremendas injustiças, conseguiu arrastar os sindicatos para uma mobilização que não há memória em Portugal e não o contrário.
Por muito bons dirigentes que haja, se o povo não estiver mobilizado para a luta, é como estar a pregar no deserto. O impulso tem que vir de baixo.

In Amar Abril


Hindus, muçulmanos, judeus, protestantes, ateus e agnósticos têm de arrajar quem fique com os seus filhos para que os católicos, num assunto que apenas a eles diz respeito, receberem o líder da sua Igreja. Hindus, muçulmanos, judeus, protestantes, ateus e agnósticos vão contribuir para as despesas de um dia sem funcionamento dos serviços do Estado para que os católicos, num assunto que apenas a eles diz respeito, receberem o líder da sua Igreja. Agradecia que alguém me explicasse porque sou eu obrigado a participar nos preparativos de uma celebração religiosa de uma igreja com a qual não tenho qualquer relação. Sou um feroz defensor da liberdade religiosa. Agradecia que respeitassem a minha liberdade de não ser religioso. Começando por não me obrigar a contribuir financeiramente e com o meu tempo para a vossa vida de crentes. Se querem ver o vosso Papa, tirem um dia de férias. Suponho que a força da fé vos chega para fazer esse sacrifício. Eu é que não tenho de fazer nenhum. Parece-me.

PROFESSORES GREGOS OCUPAM TV PÚBLICA

Da forma que isto anda por cá, qualquer dia voltamos a ser nós notícia...