quarta-feira, novembro 14, 2012

CGTP: “Uma das maiores greves gerais realizadas em Portugal”

Arménio Carlos fala em cartão vermelho ao governo e à troika, no dia em que o INE confirma que a austeridade provoca a queda do PIB e o aumento do desemprego. Despacho do governo proíbe divulgar dados de adesão. Trinta e nove manifestações e concentrações em todo o país. Todas as notícias da Greve Geral aqui.
O melhor povo do mundo saiu à rua. Foto de Paulete Matos
Num primeiro balanço, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou que a greve geral desta quarta-feira está a ser “uma das maiores alguma vez realizadas em Portugal”. Para o sindicalista, a greve “foi claramente um cartão vermelho que os trabalhadores e as trabalhadoras mostraram à política de direita do governo PSD/CDS, e também à troika”.
Arménio Carlos dedicou uma saudação especial a todos os trabalhadores “que não sendo filiados em sindicatos da CGTP se disponibilizaram a convergir para aprofundar a unidade na ação e demonstrar mais uma vez que a unidade conquista-se, consolida-se e desenvolve-se a partir dos locais de trabalho, a partir de objetivos concretos e de propostas concretas”.
Dados do INE confirmam queda do PIB
Para o secretário-geral da CGTP, “a greve foi oportuna porque coincide com a divulgação de estudos, nomeadamente um do INE, que confirma mais uma vez a queda do PIB e simultaneamente o aumento do desemprego, dando mais uma confirmação de que se porventura não se verificar rapidamente uma alteração destas políticas, também rapidamente Portugal ficará numa situação insustentável”.
Arménio Carlos destacou os trabalhadores da administração pública e dos transportes como os principais protagonistas da greve, mas dedicou uma palavra especial aos trabalhadores do setor privado, onde destacou empresas como a EDP de Sines, “que parou pela primeira vez a cem por cento”, a Lisnave a 96%, a Bosch a 90%, os estaleiros de Viana do Castelo, que pararam na quase totalidade, a Securit, com uma paralisação de 95%.
Governo recusa-se a divulgar números de adesão à greve
O Jornalismo, jornal eletrónico do Sindicato dos Jornalistas que cobriu a greve geral, entrou em contacto com o governo para pedir a sua versão da adesão à greve. A resposta foi um despacho do Secretário de Estado da Administração Pública que dispõe, entre outras coisas, que “Não será divulgada qualquer informação sobre níveis de adesão à greve nos dias em que as mesmas ocorrem, bem como nos dias imediatamente subsequentes”.
Manifestações e concentrações em todo o país
Em Lisboa, concentrou-se uma manifestação que reuniu sindicalistas da CGTP e de sindicatos como o dos estivadores, e ativistas de movimentos sociais, como os Precários Inflexíveis e a plataforma “Que se lixe a troika”.
Foram milhares de pessoas que se dirigiram para a Assembleia da República, gritando palavras de ordem como “Esta divida não é nossa”, “Espanha, Grécia, Itália e Portugal, a nossa greve é internacional” e ainda "Fora, fora, fora daqui a fome, a miséria e o FMI”.
Em todo o país, realizaram-se 39 concentrações ou manifestações em 12 distritos.

“Será com esta greve e com tantas outras mobilizações que se irá derrubar este governo”

A coordenadora da Comissão Política do Bloco, Catarina Martins, que participou na manifestação da Greve Geral no Porto, à qual se juntaram mais de duas mil pessoas, salientou que esta é “a primeira greve ibérica, uma greve inédita, e um cartão vermelho bem forte contra a troika e o governo”.
Foto de João Pedro Freire.
“Lembrem-se: no dia 15 de setembro, um milhão de pessoas na rua acabou com a medida louca da TSU [Taxa Social Única], de tirar a quem trabalha para entregar ao patrão”, sublinhou a dirigente bloquista, adiantando que “foi a democracia a funcionar que derrotou a medida” e que “será com esta Greve e com tantas outras mobilizações que se irá derrubar este governo”.
A deputada do Bloco de Esquerda, que integrou a manifestação que percorreu as ruas do Porto, e que foi convocada pela União de Sindicatos do Porto, avançou ainda que esta é “uma Greve Geral que está a ter muita força, numa altura tão difícil para as pessoas”. “É a primeira greve ibérica, uma greve inédita, e um cartão vermelho bem forte contra a troika e o governo”, frisou.
A coordenadora da Comissão Política do Bloco destacou as “adesões muito significativas face, até, ao que aconteceu noutras greves gerais”, que se registaram nesta região, entre as quais a adesão à paralisação na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STC).
“Não saiu nenhum autocarro. Os comboios estiveram praticamente parados e, no metro, andam duas composições durante todo o dia e nada mais”, lembrou, sublinhando que, mesmo nos operadores privados de transporte, se registou “uma boa adesão” à paralisação.
Catarina Martins salientou também os efeitos da Greve nos estabelecimentos de ensino e até no centro de produção da televisão pública, que, conforme afirmou, só tinha 25 por cento dos jornalistas na redação durante o período da manhã.
Mais de duas mil pessoas desfilam no Porto
Durante a manifestação, na qual participaram mais de duas mil pessoas, ouviram-se protestos contra o “roubo dos salários” e a “agressão intolerável” de que está a ser alvo Portugal, e entoaram-se canções como “Grândola Vila Morena”.
“Portugal, vende-se. Bem dotado de campos de golfe, a abarrotar de políticos corruptos. Preço de ocasião”, lia-se num dos cartazes.
O coordenador da União de Sindicatos do Porto, João Torres, saudou, na Avenida dos Aliados, os que, “numa situação tão complicada, com tantos cortes, ultrapassaram os medos e aderiram à Greve Geral”.
Esquerda.net

segunda-feira, novembro 12, 2012

Que se lixe a Troika! convoca manifestação para o dia da greve geral

No dia da greve, os organizadores do protesto “Que se lixe a Troika!”, convocam uma manifestação em Lisboa, com ponto de encontro na Embaixada de Espanha (Av. da Liberdade), às 14h. Durante a manhã, um piquete móvel irá percorrer as ruas da capital. CGTP marca 39 concentrações em 12 distritos. No dia 14, os estudantes universitários também param.
Os organizadores do protesto “Que se lixe a Troika!” convocam para uma manifestação no dia da greve geral, em Lisboa. O ponto de encontro é na Embaixada de Espanha (Av. da Liberdade), às 14h, “para demonstrar a solidariedade internacional do protesto". “Daí partiremos em direção ao Rossio, onde nos iremos juntar ao movimento sindical e a todas e todos aqueles que estiverem na rua, para depois rumar à Assembleia da República”, anunciam em comunicado de imprensa. Ver evento no Facebook.
Antes da manifestação, durante a manhã da greve, um piquete móvel irá percorrer as ruas da capital.
Para o grupo “Que se lixe a Troika”, esta greve geral “é a resposta internacional de trabalhadores e trabalhadoras, de cidadãos e cidadãs de diversos países que sentem que algo de extraordinário deve ser feito, em nome já não apenas do presente, mas também do futuro das próximas gerações”.
Criticam as políticas de “violência austeritária ilimitada, de restrição dos direitos laborais e cívicos e de fragilização da democracia e da liberdade”. Trata-se de “um ataque à escala global que tem de ter uma resposta ampla e internacional”, defendem. “E nesta Greve Geral juntam-se, pela primeira vez, as vozes de cada um de nós, na Europa, no mundo, num coro de protesto e de busca de alternativas”, dizem ainda, sublinhando o caráter internacional do protesto da próxima quarta-feira.
“Fazer greve no dia 14 de Novembro, para além de um legítimo direito dos trabalhadores e trabalhadoras, é uma exigência de cidadania. Fazer greve nesse dia é muito mais do que não comparecer no local de trabalho. Fazer greve pode ser também um ato de reflexão, de discussão e de criação de alternativas”, afirmam.
No dia 14, param porque querem “parar este violentíssimo Orçamento de Estado, aprovado por deputados que fogem do Povo e proposto por governantes que se escondem do Povo que dizem representar”.
CGTP marca 39 concentrações em 12 distritos no dia da greve geral
Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Açores e Madeira são, de acordo com a informação facultada à Lusa pela CGTP, distritos onde trabalhadores, desempregados e pensionistas poderão mostrar nas ruas o protesto que levou à marcação da greve geral. Em Lisboa, está marcada uma concentração para as 14h30, na praça do Rossio. Ver informação sobre concentrações aqui.
Quando anunciou esta ação de luta, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, apelou à convergência do movimento sindical na greve geral, dia não só de protesto mas também de propostas alternativas para o país. Será uma greve geral com o lema: “Contra a Exploração e o Empobrecimento, Mudar de Política - Por um Portugal com Futuro”.
No dia 14, os estudantes universitários também param
“No dia 14, não vamos às aulas”, lê-se num dos cartazes do movimento “Estudantes pela Greve Geral”, uma mensagem que dificilmente podia ser mais clara: eles não são trabalhadores, mas têm (muitos) motivos para protestar. E dia de Greve Geral é dia de parar: “Se o Governo fecha para alguns, nós fechamos por todos”.
O movimento “Estudantes pela Greve Geral” tem trabalhado na divulgação da precariedade no Ensino Superior, falando com professores e funcionários e debatendo formas de combater as desistências. E não são só os estudantes portugueses a associarem-se à luta dos trabalhadores: pelo menos em Espanha, em França, na Grécia e em Itália, muitos jovens já prometeram não ir às aulas no dia 14 de Novembro.
“A greve dos estudantes universitários é também por aqueles que não podem fazer greve e em solidariedade com os trabalhadores que fazem”, explicou ao Público uma das estudantes do grupo, Ana Júlia Filipe, que no dia 14 não vai às aulas também pela mãe, trabalhadora numa empresa há mais de 30 anos e sem salário certo por causa das dificuldades do empregador.
Esquerda.net

João Vasconcelos, Historiador

"Para derrotar a troika e este Governo de salteadores"

João Vasconcelos
João Vasconcelos Fotografia © Paulo Spranger - Global Imagens
A adesão à greve é uma forma de "exigir o derrube imediato deste Governo que está a arrastar Portugal para uma catástrofe social e económica a mando da troika, contribuindo para o nosso empobrecimento".
Contudo, reconhece o professor e sindicalista, "ninguém faz greve apenas por fazer e em tempo de crise, com cortes no vencimento e sem subsídios, vou perder mais um dia de salário, acabando por ser eu o principal prejudicado ". De qualquer modo, "o que não posso é ficar sem nada fazer contra esta política que está a destruir o País". João Vasconcelos diz que "é preciso uma grande mobilização do povo, que se encontra revoltado, para lutar contra as medidas de austeridade, de forma a repor salários e subsídios de Natal e de férias". "Se nada for feito, a situação ainda se agravará mais."
Diário de Notícias

domingo, novembro 11, 2012

Líderes do Bloco: "Prioridade é derrubar o Governo"

Os primeiros discursos dos dois novos líderes do BE, Catarina Martins e João Semedo centraram-se no ataque à troika e ao Executivo de Passos Coelho. Veja as fotografias da Convenção do BE.

Rosa Pedroso Lima (texto) e Alberto Frias (fotos) (www.expresso.pt)
Expresso
Catarina Martins e João Semedo sucedem a Francisco Louçã na liderança do BE
Catarina Martins e João Semedo sucedem a Francisco Louçã na liderança do BE
Alberto Frias
Num longo discurso de meia hora e na sua primeira intervenção como líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins fez um duro ataque à troika, ao Governo e à direita. Traçando como meta principal da estratégia bloquista derrubar a troika e o Governo, prometeu ir à luta e "apoiar e participar em grandes iniciativas sociais de resposta ao Governo". "Onde o Governo quer atacar o povo, é onde o pove se deve juntar", disse.
O tom é duro, as palavras carregadas. Considera que "para a direita, o destino de quem nasce pobre é viver pobre". Classifica o Governo de ter "uma fúria fanática" e de "preencher o debate público" com "mentiras e disparates". A troika não tem direito a menos "mimos". Uma "gente que não negoceia, nem discute. Manda e ordena". Mais: "é o nosso inimigo. A troika é o inimigo que queremos vencere".
Soluções para derrubar "o Governo que não tem legitimidade, nem honra, nem soluções" são, segundo Catarina Martins, um Governo de esquerda e a constituição de várias frentes de convergência. Quer criar foruns de debate nas áreas da Saúde, Educação e outras. E quer "propor, apoiar e comprometer-se" com um Governo que cumpra quatro condições: "anular o memorando com a troika e reestrutura a dívida; controlar o crédito público para criar emprego; devolver os salários e pensões e uma reforma dos sistema fiscal".
A intervenção terminou com o pavilhão do Casal Vistoso a aplaudir de pé a nova coordenadora.  
Depois de Catarina Martins, seguiu-se João Semedo. Com um discurso mais curto e também de forte ataque ao Governo, a intervenção de Semedo começou no entanto com um improviso dedicado a reforçar a unidade do partido daqui para a frente.
Depois de uma convenção em que se debateu muito a linha política para o futuro, o novo co-líder do partido salientou que a "diferença é a riqueza do Bloco"."Discutimos o que tínhamos de discutir. E continuaremos a discutir. No Bloco de Esquerda há diferenças mas não há linhas que nos separam", salientou Semedo.
Depois, virando-se para o Governo, Semedo repetiu o discurso que já antes Catarina Martins tinha feito, de ataque ao programa da troika. "Temos uma grande urgência em afastar este Governo, em livrar o país deste Governo"."Demitir o Governo e correr com a troika é um desafio de toda a gente", acrescentou.
João Semedo enumerou ainda várias das lutas políticas em que o Bloco se envolveu desde que nasceu, em 1999, como sejam a paridade da política, o casamento dos homossexuais, a política da toxicodependência ou o ataque à corrupção. 


Veja a fotogaleria que recorda o percurso desde a última vitória:


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/lideres-do-bloco-prioridade-e-derrubar-o-governo=f766178#ixzz2Bx9JFG00

“Primeira prioridade do Bloco de Esquerda é demitir este governo”

No encerramento da VIII Convenção do Bloco, este domingo, Catarina Martins defendeu como “primeira prioridade” a demissão do Governo e que a troika “é o inimigo a vencer”. Marcando o tempo da renovação, João Semedo evocou os quatro fundadores do Bloco, afirmando que “é preciso continuar sempre”. 
João Semedo e Catarina Martins, os novos co-coordenadores da Comissão Política do Bloco de Esquerda. Foto de Paulete Matos.
João Semedo e Catarina Martins, os novos co-coordenadores da Comissão Política do Bloco de Esquerda. Foto de Paulete Matos.
Catarina Martins: “Primeira prioridade do Bloco de Esquerda: demitir este governo”
Na sua intervenção de encerramento da VIII Convenção, a nova co-coordenadora da Comissão Política do Bloco, Catarina Martins, evocou um filme do realizador grego Theo Angelopoulos, para afirmar que “quebrar fronteiras” é o caminho do Bloco. “Fizemo-lo na sexta-feira, num comício internacional com a esquerda que resiste aos ventos liberais e populistas e fizemo-lo nesta Convenção, vamos continuar a fazê-lo, sempre”.
Catarina Martins lembrou o “tempo difícil” que vivíamos há um ano, “quando já se sabia que que a austeridade era o caminho da destruição, quando Passos Coelho ia dizendo que não era ainda tempo de ir ao pote, quando os banqueiros foram à televisão exigir o resgate”. “E bem sabemos que os únicos ajudados foram os donos dos bancos”, lembrou ainda. O resultado, apontou, são “mais 200 mil pessoas sem emprego, jovens, sem lugar no seu país”. Mais ainda, “a economia parada, uma dívida que não para de crescer.
O Bloco defendeu desde o início que a renegociação da dívida é inevitável, “uma ideia que cresceu pelas evidências da vida”, disse. Catarina Martins reconheceu que o Bloco não soube “ler tudo o que se esperava” do partido: “não fomos reunir com a troika e falar-lhe do nosso país e os eleitores criticaram-nos por isso”. Mas “julgo que hoje está, no entanto, bem claro que essa gente não negoceia nem discute, manda e ordena”, sublinhou.
“Essa troika é o nosso inimigo. É esse inimigo que queremos vencer”, afirmou, indicando que o Bloco tem uma certeza: “a certeza de que nada renasce do empobrecimento do país”. E por isso a prioridade está bem definida: “demitir este governo para abrir o caminho a um governo de esquerda contra a troika”. Catarina Martins considera que este é um governo “sem honra”, pois não cumpre os compromissos em nome dos quais impõe sacrifícios, “falhou na dívida e no défice”.
O novo Orçamento do Estado é “um assalto brutal”, disse catarina Martins, avisando que “quem semeia austeridade só pode recolher recessão, quem semeia recessão só pode recolher desastre social”. Referindo o aumento em 40% do IRS para os “privilegiados” que ganham 800 euros por mês, a dirigente bloquista foi dura na crítica e nas palavras: ”o Governo diz que é ética na austeridade, nós dizemos que é falta de vergonha”.
“Governo quer re-afundar o Estado Social”
Catarina Martins acusou o Governo de querer “re-afundar o Estado, os serviços públicos e a vida das pessoas”, afirmando que “para a direita, o destino de quem nasce pobre é viver pobre”.
“Esta direita já não se limita a desconfiar dos serviços públicos. Faz campanha contras eles todos os dias da semana”, disse ainda, sublinhando que “esta direita só aprecia o Estado quando este paga rendas aos amigos”. Mas “é na escola pública e na saúde pública que está a proteção da vida das pessoas”, defendeu.
Catarina Martins deixou um recado a Pedro Passos Coelho e Paulo Portas: “Não se enganem, para o Bloco, a luta pela dignidade devida a quem trabalhou e trabalha por este país não é uma bandeirinha na lapela. É o nosso compromisso mais forte”.
Um fórum para discutir a escola e saúde públicas, e também a Segurança Social, é a proposta do Bloco, apostando na mobilização de todas as pessoas, na reconfiguração do espaço político, na recuperação da democracia, na construção da alternativa.
“Ou vencemos a troika ou ela derrota o país”
“E agora, que a recessão induzida pela austeridade custe o que custar colapsou, querem repetir o mesmo veneno em 2013, mas numa dose mais forte”, acusou Catarina Martins, defendendo o “compromisso renovado” com a formação de um governo de esquerda que rompa com a troika.
“Não há nenhuma honra em manter o memorando porque um acordo que condena o país ao empobrecimento não tem honra nenhuma. Ou vencemos a troika ou ela derrota o país”, vaticinou.
“Não nos perguntem por isso quem estará nesse governo”, disse a dirigente bloquista, respondendo: “nós estaremos”.
João Semedo: “No Bloco o pensamento é livre, as ideias circulam”
Na sua intervenção, o co-coordenador João Semedo, em jeito de balanço dos dois dias de convenção, partilhou com os delegados e delegadas do Bloco uma das muitas perguntas que lhe fizeram os meios de comunicação social: “Queriam saber o que vamos fazer à linha que separa as duas moções que se apresentaram.” A resposta que o deputado bloquista revelou ter dado foi “uma resposta à Bloco”: “No Bloco o pensamento é livre, as ideias circulam, não há linhas nem fronteiras que entravem o pensamento de cada um. Pensar pela cabeça de cada um é um privilégio, porque é o direito de todos nós. Gostamos de debater, mas vamos à luta todos juntos”.
Ao fim de 500 dias, governo quer contar carros
Passando a abordar a política nacional, João Semedo ironizou a notícia de que ao fim de 500 dias no poder, o governo agora quer saber quantos carros tem. “Na verdade não quer saber dos carros para nada”, explicou. “Só quer uma notícia, pretensamente simpática, que permita desviar as atenções do seu verdadeiro propósito: cortar 3500 milhões de euros na saúde, educação e reformas. Mais 3500 milhões, entendamo-nos, depois de já ter cortado 1 em cada 4 euros na educação e aumentado todos os impostos até à estratosfera”.
Nestes 500 dias, disse Semedo, o governo deixou de lado as mentiras iniciais para levar o país à destruição, ao abismo, “por um ajuste de contas da direita com o mundo do trabalho e o estado social”, com o argumento e o “insulto de que neste país de salários mínimos todos vivemos acima das nossas possibilidades”.
A resposta do Bloco a este insulto é clara: “Acima das nossas possibilidades são os juros que pagamos e que destroem o país”, afirmou Semedo, acrescentando uma longa lista, das privatizações ao financiamento público, da destruição dos serviços públicos.
Querem agora vender-nos a ideia de que temos que ser devedores honrados, afirmou o novo co-coordenador do Bloco. “Mas onde é que está a honra de colocar pessoas que vivem com 500 euros por mês a pagar a crise?”, questionou, acrescentando: “Honra é cortar o apoio aos acamados, é cortar nos apoios às crianças que têm que ir para a escola, é cortar nas reformas de quem pouco ou nada tem? Isso não é honra, é cobardia”.
João Semedo defendeu, por isso, a urgência de parar este programa suicidário. “Temos de defender o país deste Governo”, afirmou, defendendo o derrube do gabinete de Passos Coelho e a construção de uma alternativa de esquerda.
Continuar sempre
Para finalizar, Semedo referiu-se aos 13 anos do Bloco, lembrando tanta coisa que mudou no país neste período, em particular as coisas que mudaram porque o Bloco existiu, como a participação das mulheres na política devido à lei da paridade, o casamento de homossexuais, a criminalização do enriquecimento ilícito, o tratamento dos toxicodependentes como doentes e não como criminosos, a legalização da interrupção voluntária da gravidez.
“Não fizemos tudo sozinhos, mas estávamos lá e fomos à luta e ganhámos, como continuaremos a ganhar!”, declarou.
A terminar, João Semedo prestou uma homenagem a todos os bloquistas, mas em especial aos quatro primeiros fundadores e dirigentes, Miguel Portas, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã, sublinhando que não é uma despedida, porque, à exceção do Miguel, que já não está entre nós, todos os outros “estão aqui e é neste Bloco que passa a luta deles”. E rematou com o lema: “Continuar sempre! Continuar sempre!” 
Esquerda.net

quarta-feira, novembro 07, 2012

Manifestação dia 12: "A Merkel Não Manda Aqui"

A chanceler alemã vem a Lisboa reunir com Passos e Cavaco, visitar a Autoeuropa e abrir uma conferência de empresários no Centro Cultural de Belém. Nas redes sociais está convocado um dia de protesto com manifestação em Lisboa às 13h, do Largo do Calvário em direção a Belém.
A visita de Angela Merkel a Portugal, depois da atribulada passagem por Atenas, será uma oportunidade para as vítimas da austeridade e das políticas da troika poderem fazer ouvir o seu protesto. É o caso dos ativistas da iniciativa "Que se Lixe a Troika", que agendaram uma manifestação para a tarde de dia 12 e apelam a todo o país para protestar "nos locais de trabalho, nas escolas, nas ruas, nos estabelecimentos comerciais com braçadeiras negras ou com panos negros nas janelas das casas e carros".
"A presença em Portugal da Chanceler Angela Merkel deve merecer todo o repúdio da sociedade, em particular num momento social e economicamente crítico como o que atravessamos", diz o comunicado de imprensa que anuncia o evento criado no Facebook, procurando fazer "da sua estadia não um dia luto, mas um dia de luta!". No plano da estadia de algumas horas em Portugal, Angela Merkel participará numa conferência de empresários alemães e portugueses no CCB, que contará também com intervenções de Passos Coelho, Paulo Portas, Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira. Para além das reuniões com o primeiro-ministro e o Presidente da República, a chanceler alemã deverá ainda visitar as instalações da Autoeuropa em Palmela.

Carta Aberta afirma que Merkel não é bem-vinda

Um grupo de cidadãos dirigiu uma carta aberta a Angela Merkel em que acusa a chanceler alemã de vir a Portugal “interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive”, e de vir observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa. A carta está aberta a quem quiser subscrevê-la.
Carta afirma que a chanceler alemã deve ser considerada persona non grata em território português
Os primeiros subscritores representam várias áreas políticas e atividades profissionais, de sindicalistas a académicos, de artistas a ativistas. A carta deixa claro que os subscritores não interpelam o povo alemão, “que tem toda a legitimidade democrática para eleger quem quiser para os seus cargos representativos”, mas recordam que o Wirtschaftswunder, o “milagre económico” alemão, foi construído “com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores”. Afirmam também que a suposta pujança económica alemã atual “é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão”.
Quem quiser subscrever a carta pode enviar um mail de adesão para acordadosmerkel@gmail.com.
Leia a seguir o seu texto integral e conheça os primeiros subscritores.
CARTA ABERTA A ANGELA MERKEL
Cara chanceler Merkel,
Antes de mais, gostaríamos de referir que nos dirigimos a si apenas como chanceler da Alemanha. Não votámos em si e não reconhecemos que haja uma chanceler da Europa. Nesse sentido, nós, subscritores e subscritoras desta carta aberta, vimos por este meio escrever-lhe na qualidade de cidadãos e cidadãs. Cidadãos e cidadãs de um país que pretende visitar no próximo dia 12 de Novembro, assim como cidadãos e cidadãs solidários com a situação de todos os países atacados pela austeridade. Pelo carácter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda. A senhora chanceler deve ser considerada persona non grata em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive.
Mesmo assim, como o nosso governo há algum tempo deixou de obedecer às leis deste país e à Constituição da República, dirigimos esta carta diretamente a si. A presença de vários grandes empresários na sua comitiva é um ultraje. Sob o disfarce de "investimento estrangeiro", a senhora chanceler trará consigo uma série de pessoas que vêm observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa, além da grega, da irlandesa, da italiana e da espanhola. A sua comitiva junta não só quem coagiu o Estado Português, com a conivência do governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos, como potenciais beneficiários desse património e de bens públicos, comprando-os hoje a preço de saldo.
Esta interpelação não pode nem deve ser vista como uma qualquer reivindicação nacionalista ou chauvinista – é uma interpelação que se dirige especificamente a si, enquanto promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa. Tão pouco interpelamos o povo alemão, que tem toda a legitimidade democrática para eleger quem quiser para os seus cargos representativos. No entanto, neste país onde vivemos, o seu nome nunca esteve em nenhuma urna. Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome.
E não estamos sozinhos. No próximo dia 14 de Novembro, dois dias depois da sua anunciada visita, erguer-nos-emos com outros povos irmãos numa greve geral que inclui muitos países europeus. Será uma greve contra governos que traíram e traem a confiança depositada neles pelas cidadãs e cidadãos, uma greve contra a austeridade conduzida por eles. Mas não se iluda, senhora chanceler. Também será uma greve contra a austeridade imposta pela troika e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário. Será, portanto, uma greve também contra si. E se saudamos os nossos povos irmãos da Grécia, de Espanha, de Itália, do Chipre e de Malta, saudamos também o povo alemão que sofre connosco. Sabemos bem que o Wirtschaftswunder, o “milagre económico” alemão, foi construído com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores. Sabemos que a suposta pujança económica alemã atual é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão. Isto mostra também qual é a perspetiva que a senhora Merkel tem para a Alemanha.
É plausível que não nos responda. E é provável que o governo português, subserviente, fraco e débil, a receba entre flores e aplausos. Mas a verdade, senhora chanceler, é que a maioria da população portuguesa desaprova cabalmente a forma como este governo, sustentado pela troika e por si, está a destruir o país. Mesmo que escolha um percurso secreto e um aeroporto privado, para não enfrentar manifestações e protestos contra a sua visita, saiba que essas manifestações e protestos ocorrerão em todo o país. E serão protestos contra si e aquilo que representa. A sua comitiva poderá tentar ignorar-nos. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu podem tentar ignorar-nos. Mas somos cada vez mais, senhora Merkel. Aqui e em todos os países. As nossas manifestações e protestos terão cada vez mais força. Cada vez conhecemos melhor a realidade. As histórias que nos contavam nunca bateram certo e agora sabemos serem mentiras descaradas.
Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal.
Subscritores/as:
Alexandra Pereira, artista plástica, ativista PIIGS United In London Group
Alexandre Lopes de Castro, jornalista
Alfredo Barroso, escritor
Alice Brito, advogada
Alice Vieira, escritora e jornalista
Alípio de Freitas, jornalista, professor, Associação Abril, Associação Mares Navegados
Ana Campos, médica
Ana Carla Gonçalves, professora, ativista
Ana Feijão, arquitecta paisagista, ativista Precários Inflexíveis
Ana Luísa Amaral, poetisa, escritora, professora
Ana Maria Pinto, cantora lírica, ativista
Ana Nicolau, realizadora
Andy Storey, professor University College Dublin, Debtireland (Irlanda)
António Costa Santos, jornalista, escritor
António José Lourenço, dirigente associativo, ecologista
António Mariano, estivador, Sindicato dos Estivadores
António Melo, jornalista
António Monteiro Cardoso, jurista, professor universitário
António Pedro Dores, sociólogo, presidente da ACED
António Pedro Vasconcelos, realizador
António Serzedelo, Opus Gay
Belandina Vaz, professora, Protesto dos Professores Contratados e Desempregados
Bruno Cabral, realizador, dirigente CENA - Sindicato
Bruno G. M. Neto, coordenador de Advocacy, Medicos del Mundo
Carlos Antunes, resistente anti-fascista
Carlos Costu, ativista 15M London (Reino Unido)
Carlos Mendes, músico
Chris Nineham, secretário nacional Counterfire (Reino Unido)
Clare Solomon, vice-presidente Coalition of Resistance (Reino Unido)
Costas Lapavitsas, professor de Economia na SOAS - Universidade de Londres (Grécia)
Costas Todoulos, ativista Jubillee Debt Campaign London (Grécia)
Dan Poulton, escritor e comentador (Reino Unido)
Daniel Oliveira, jornalista
Eduarda Dionísio, reformada, Casa da Achada
Eduardo Costa Dias, sociólogo, Centro de Estudos Africanos, ISCTE
Eric Toussaint, presidente CADTM – Comité pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (Bélgica)
Esther Vivas, ativista social (Estado Espanhol)
Eugénio Rosa, economista
Fátima Rolo Duarte, designer gráfica
Fernando Rosas, historiador
Feyzi Ishmail, doutoranda SOAS, ativista Counterfire (Reino Unido)
Filipe Tourais,técnico de economia e finanças no Instituto Politécnico de Coimbra
Francisco Calafate Faria, investigador, ativista London Against Troika
Francisco Frazão, programador de teatro
Frederico Aleixo, ativista SOS Racismo
Guadalupe Portelinha, professora, Associação Abril, Associação Mares Navegados
Guadalupe Simões, enfermeira, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros de Portugal
Helena Neves, professora universitária, ativista feminista
Helena Pato, professora, Associação Não Apaguem a Memória
Inês Lourenço, investigadora CRIA
Irene Flunsel Pimentel, historiadora
Isabel do Carmo, médica
Joana Amaral Dias, psicóloga
Joana Campos, bolseira de investigação, ativista Precários Inflexíveis
Joana Manuel, actriz, ativista
Joana Saraiva, actriz, ativista
Joana Villaverde, artista plástica
João Alexandre Grazina, tesoureiro, Associação Abril
João Camargo, engº ambiente, ativista Precários Inflexíveis
João Leal, antropólogo, FCSH
João Reis, actor
Jorge Costa, jornalista
John Rees, escritor, autor do livro “Imperialism and Resistance” (Reino Unido)
José António Fernandes Dias, professor universitário, director do Africa.cont
José Gabriel Pereira Bastos, antropólogo, professor universitário aposentado
José Gema, fotógrafo
Lucía Gomes, advogada
Lucília José Justino, professora e ativista dos direitos humanos
Luís Bernardo, historiador, ATTAC
Luís Marques, antropólogo, ex-director da Director Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo
Luís Moutinho, Doutor em Química (UP), Professor Auxiliar no Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte
Luís Varatojo, músico
Luísa Ortigoso, actriz
Luísa Oliveira, socióloga, ISCTE, CIES
Magda Alves, socióloga, ativista feminista
Manuel Grilo, professor,vice-presidente do SPGL
Manuel Loff, historiador
Manuela Góis, ativista feminista
Manuela Tavares, ativista feminista
Marco Marques, engº florestal, ativista Precários Inflexíveis
Margarida Ferreira, ativista Occupy London
Margarida Paredes, antropóloga, escritora
Margarida Vale de Gato, professora, tradutora, poeta
Maria da Paz Lima, socióloga, docente universitária do ISCTE-IUL
Maria Isabel Barreno, escritora
Maria Teresa Horta, escritora
Michel Gustave Joseph Binet, Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa
Micol Brazzabeni, bolseira pos-doc, assembleia Popular da Graça
Miguel Cardina, Investigador CES
Miguel Tiago, geólogo
Myriam Zaluar, jornalista, ativista Precários Inflexíveis
Natalia Lopez, ativista 15M London (Reino Unido)
Nuno Ramos de Almeida, jornalista
Paula Marques, actriz, assessora autárquica
Paula Nunes, produtora
Paulo Granjo, antropólogo, ICS
Paulo Raposo, antropólogo, docente ISCTE-IUL, investigador do CRIA
Pedro Abrantes, investigador CIES-ISCTE/IUL
Raquel Freire, realizadora, ativista social
Ricardo Morte, empresário
Roberto Santandreu, fotógrafo
Ronan Mcnern, ativista Occupy London (Reino Unido)
Rui Bebiano, historiador, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais e Centro de Documentação 25 de Abril
Rui Dinis, músico, ativista
São José Lapa, actriz, encenadora
Sam Fairbairn, secretário nacional Coalition of Resistance (Reino Unido)
Sérgio Vitorino, ativista Panteras Rosa
Teresa Xavier, doutoranda, ativista socialista
Tiago Mota Saraiva, arquitecto
Victor Olmos, ativista 15M London (Reino Unido)
Virginia Lopez Calvo, ativista 15M London (Reino Unido)
Vítor Nogueira, economista e ativista dos direitos humanos
Organizações:
PIIGS United in London Group
Londres Contra a Troika
Occupy London
Greece Solidarity Campaign Coalition of Resistance (CoR)
15M London Assembly/ Real Democracy Now London
Coalition of Resistance (CoR)
Solidarity With The Greek Resistance - London
Wake Up (London)
ATTAC España
Grupo de Trabajo de Economía Sol del 15M de Madrid
Asamblea de Trabajadorxs de la UNIVERSIDAD AUTÓNOMA DE MADRID

segunda-feira, novembro 05, 2012

OS COVEIROS DA DEMOCRACIA



                                                                                                                    Por Pedro Manuel Pereira

Encontra-se em curso de modo acelerado, uma mudança – quase – radical nas estruturas, funções sociais, económicas e políticas do Estado, que vão conduzir o país a breve prazo para uma ditadura sem suporte ideológico, porém, muito para além de qualquer ideologia conhecida de extrema-direita até hoje posta em prática em qualquer parte do mundo.
Em parte devido aos mercados, a quem caninamente obedece este governo – como outros – na EU e não só, devido à selvajaria capitalista instalada e à globalização económica.
Para tal desiderato, encontram-se em marcha alterações à Constituição da República, «pormenor de somenos importância» para os partidos do centrão, quer os que compõem o atual governo, quer o do principal partido da oposição, que em dois governos de desgoverno, conseguiu a proeza de atirar o país para um buraco negro, culminando com o negócio ruinoso do ilusório resgate da dívida pública pela tripeça composta pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, a quem escancarou as portas da Nação.
Que não restem dúvidas a ninguém, que a revisão constitucional encontra-se a ser cozinhada de acordo com as diretrizes de sinistras corporações internacionais, cujo rosto visível negoceia neste momento com o governo português, acoitado no famigerado bando denominado de troika, importado pelo ex-1º ministro Sócrates – como acima referido - sem dar cavaco ao povo, salvo seja o Cavaco!
Paralelamente, esta gentalha, mancomunada com o governo(?) continua a apertar o garrote no pescoço dos portugueses. Faz parte do plano: conduzir o povo para patamares mínimos de miséria, para dessa forma melhor o poder controlar, aproveitando o facto do governo(?) – que se refundiu recentemente com a inclusão de novos secretários de Estado inodoros, assépticos e incolores – estar a gerir os negócios da governação(?) em regime de ditadura sui generis, apoiado pelo presidente Cavaco.
Recordemo-nos que ao longo deste ano Portugal tem estado em – quase – estado de sítio, com a Constituição suspensa, justificação dada no acórdão do tribunal que a tutela, que considerou ter de haver um regime de exceção à mesma por blá, blá, blá, blá, patati, patatá este ano, face à ilegalidade do governo em ter surripiado os subsídios dos funcionários públicos, pelo que, a Constituição só voltará a vigorar conforme o seu texto, a partir de janeiro do próximo ano. Tribunal dixit.
Ou seja, até 2013 o país vai vivendo sem Constituição (corpo legislativo fundamental da Nação) e o povo sem os seus direitos constitucionais salvaguardados, propiciando desta forma que o governo(?) refundido, cometa sobre o povo, sobre a Nação, os desmandos que melhor lhe aprouver, como vem acontecendo.
Saliente-se que Siza Vieira, o arquiteto português mais premiado e internacionalmente prestigiado, afirmou recentemente - na senda de outras personalidades - que em Portugal se «vive de novo em ditadura», numa expressão clara da prática governativa e do sentir da maioria dos portugueses, sobretudo os que viveram nas décadas salazarentas.
Entrementes, de acordo com os resultados de um inquérito realizado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais apresentados em Lisboa, a satisfação dos portugueses com a democracia, atingiu o mínimo histórico de sempre. A maioria dos cidadãos não acredita nesta dita democracia. Por outro lado, é referido, ainda, que se assiste à consolidação de um sentimento anti partidário.
Por outras palavras: a maioria dos portugueses não se revê nos partidos políticos e nas instituições do regime.
Temos aqui, portanto, a «grande obra» produzida pelos partidos políticos desde 1974 para cá: - as responsabilidades e culpas pelo fracasso da democracia, do sistema político/partidário em Portugal, devem-se, exclusivamente, a todos quantos têm feito da política o seu modo de vida, a sua «profissão», e às várias secções partidárias, autênticos feudos – com laços de vassalagem, inclusivamente - de clientelas dóceis e servis aos seus senhores, que produziram em pouco menos de quarenta anos, uma classe de novos-ricos neste país.
Assim, a desilusão e o descrédito para com a democracia que se apoderou da maioria dos portugueses, decorre, maioritariamente, de uma vontade – ou tendência – expressa pelos últimos governos, que tende a alinhar por baixo os valores democráticos conducentes à sua eliminação.
Aberta esta autêntica caixa de Pandora, vimos e ouvimos todos os dias nos últimos meses, nos meios de comunicação social, diversas figuras públicas de variados quadrantes socioprofissionais, nomeadamente alguns empresários e intelectuais, fazerem a apologia mais ou menos encoberta da ditadura, porque – dizem – a «democracia está podre» e por razões acumuladas é necessário «mudar o sistema político» nem que seja com «um novo género de ditadura», segundo Joe Berardo.
Quando em 18 de Novembro de 2008 a ex-ministra Manuela Ferreira Leite afirmou que «seria bom haver seis meses sem democracia», para o governo poder implementar as medidas que ela entendia que deviam de ser feitas, mais não expressava em público o que muitos políticos de vários quadrantes diziam – e dizem – em privado. Voltou de novo a fazer semelhante afirmação na semana transata em Coimbra.
Poderia ter acrescentado – dizemos nós – que os governantes que não têm competências nem saberes para governar em regime democrático, em liberdade, só conseguem implementar os seus programas merdosos com repressão, ou seja, em ditadura. 
Infelizmente a senhora Ferreira Leite esqueceu-se de acrescentar que a classe política portuguesa – salvo honrosas exceções – sofre de uma variante da doença das vacas loucas, que resulta da sua falta de senso comum para lidar com a liberdade de expressão, com ideias inovadoras e, sobretudo, com gente mais inteligente e sabedora que eles – que até neles votaram - porque a doença que os acomete após serem eleitos, manifesta-se – sobretudo – na sobranceria, na cagança e no desprezo com que lidam com os seus concidadãos, numa atitude comum aos néscios e imbecis. Eles e elas, é claro. Neste aspecto lembramo-nos de um velho ditado: «Se queres ver um vilão, mete-lhe um pau na mão».
Por tudo isto, quando o leitor chegar ao final da leitura deste texto – que é pequeno – mais umas dezenas de portugueses terão abandonado o país. Fluxo emigratório semelhante ao vivido nos anos sessenta em tempos da ditadura.
Nessa altura - tal como hoje - as causas fundamentais eram a falta de emprego, a miséria e as desigualdades sociais, entre outras.
Estamos em crer que a fuga dos cidadãos nos dias de hoje é, em média, superior à dessa década passada, tanto mais que o facto de Portugal se encontrar – por enquanto – na EU, com fronteiras abertas entre Estados comunitários e haver mais e melhores meios de transporte, facilitadores da saída, torna-se difícil controlar ou saber o verdadeiro número hemorrágico. Neste quadro não incluímos o índice da debandada para o Brasil, Angola, Moçambique e outros países além Atlântico, mais fácil de contabilizar, mas pecando por defeito e não por excesso, uma vez que o visto de «turista» nos passaportes, nem sempre significa que os seus portadores vão de férias.
Acrescidamente lamentável ao facto dos portugueses terem de emigrar para sobreviver, é a qualidade de mão-de-obra qualificada que sai pela porta fora todos os dias. Gente que levou anos a formar-se - e nalguns casos com sacrifícios - muitos deles em universidades públicas, sustentadas pelo erário. Porém, esses cidadãos estão no seu direito de procurarem a sua sobrevivência. O Estado não pode é ter direitos sobre eles.
Esvaído o país de gente jovem, exaurido pelo peso da canga dos impostos. Do desemprego, da fome e da miséria, o povo que fica ou se deixa espezinhar pelo poder, ou se revolta, como sempre aconteceu em situações limite de repressão dos governos sobre a Nação, ao longo da sua História.
Entretanto o governo, verdadeiro assassino social, continua a sua obra de extermínio da população: os jovens – e menos jovens – compelidos a fugirem do país para sobreviverem, e os idosos que ficam - grande parte deles - a morrerem mais cedo do que seria previsto, à míngua de alimentos suficientes ao seu sustento e/ou por falta de medicamentos receitados para as doenças de que padecem, porque as suas míseras pensões não chegam para aviar as receitas, nem para comerem.
O governo consegue, assim, a proeza de reduzir grande parte da despesa pública recorrendo ao assassinato social.
Mau grado as distâncias cronológicas e as diferenças de contexto, o panorama político, económico e social que se vive hoje em Portugal é semelhante ao dos tempos de estertor da 1ª República, que culminou no golpe militar do dia 28 de maio de 1926 que instaurou uma ditadura militar e, posteriormente, a ditadura salazarenta.
Talvez seja oportuno recordar que nessa altura quase toda a população apoiou a revolução militar, um movimento eivado de equívocos e é nesse sentido que se explica que a ele tenha aderido muita gente de boa-fé, que lenta e gradualmente nos tempos que se seguiram se afastou ou foi afastada desse assalto ao poder.
O golpe militar contou com o apoio das classes dominantes, as chamadas «forças vivas», as classes intermédias, funcionários públicos, empregados de comércio, classe operária: operários industriais e assalariados agrícolas.
No estado caótico em que o país de encontrava, quer económico, quer social – como hoje - era previsível um golpe militar no estilo do ocorrido. A sua amplitude e sucesso contaram com o decisivo contributo e apoio da classe operária e do movimento sindical, vítimas do regime republicano.
Todos estavam de acordo em fazer intervir o exército, onde o nível de vida dos seus oficiais havia atingido um estado degradante. Aludindo ao brilho dos galões, o povo havia-os rotulado de «miséria dourada».
O equipamento e o armamento eram obsoletos. Por outro lado, o exército durante anos havia sido preterido em favor da Guarda Nacional Republicana.
Desta forma, a República dissolvia-se por falta do apoio maioritário dos portugueses.
Ouvimos hoje, de novo, amigos e conhecidos a dizerem a medo que, «a minha política é o trabalho», «não quero falar de política», «a política é para os políticos» e conselhos como: «não escrevas nada sobre política em lado nenhum», além de outros mimos medrosos que tais.
Em locais públicos, em cafés, fala-se em surdina com os interlocutores ao mesmo tempo que se vai observando quem está nas mesas em redor, com desconfiança, evita-se falar ao telefone sobretudo no que reporta a política. Dizem-nos que os telefones e telemóveis estão sobre escuta e que há bufos à paisana a escutar o que as pessoas dizem. Temem-se represálias nos empregos, nas escolas, nas universidades. Fala-se em chantagens nos locais de trabalho… .
Como antes do 25 de Abril de 1974, vemos, ouvimos e sentimos o medo e a desconfiança a germinar entre as pessoas.
A DITADURA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS
In Tertúlia Plural

sábado, novembro 03, 2012

Espelho meu há alguém mais lambe botas que eu?

Comício Internacional: Esquerda europeia une-se contra a austeridade

Alexis Tsipras, Jean-Luc Mélenchon, Gabriele Zimmer e também Cayo Lara estarão no comício internacional “Europa contra a austeridade”, que terá lugar no dia 9 de novembro às 21.30h no Pavilhão do Casal Vistoso, Areeiro, Lisboa.
O comício internacional é uma iniciativa sem precedentes em Portugal, que junta dirigentes máximos de partidos de esquerda da Grécia (Syriza), França (Parti de Gauche), Alemanha (Die Linke) e Espanha (Izquierda Unida).
O comício realiza-se num momento importante da luta dos povos europeus contra a austeridade, poucos dias antes da Jornada de luta europeia de 14 de novembro, quando haverá a primeira greve geral ibérica, uma greve geral de 4 horas na Itália e também manifestações em diversos outros países como a França. O comício constitui um passo importante na unidade da esquerda europeia e na luta para conseguir refundar o projeto europeu em torno dos direitos dos cidadãos e colocar o emprego e o Estado social no centro de todas as prioridades.
O comício terá lugar na véspera da VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que decorrerá no mesmo local nos dias 10 (sábado) e 11 de outubro (domingo).
Consulta o mapa aqui da localização do Pavilhão do Casal Vistoso, Areeiro, Lisboa:
https://maps.google.pt/maps/ms?msid=214253244164246697275.0004ccdfe0ea52e2538a1&msa=0&ll=38.745013%2C-9.128759&spn=0.008284%2C0.01884&iwloc=0004ccdfe456fd3fbbb4b
Esquerda.net

Coordenador da Izquierda Unida no Comício Internacional

Cinco dias antes da primeira Greve Geral Ibéria, Cayo Lara, coordenador da Izquierda Unida e deputado do parlamento de Espanha, intervirá no Comício Internacional “Esquerda europeia une-se contra a austeridade”, que decorrerá no dia 9 de novembro às 21.30h no Pavilhão do Casal Vistoso, Areeiro, Lisboa.
Cayo Lara, coordenador da Izquierda Unida e deputado do parlamento de Espanha
Cayo Lara tem 60 anos, é membro do Partido Comunista de Espanha e coordenador federal da Izquierda Unida de Espanha, desde dezembro de 2008. Foi alcaide (presidente da câmara) de Argamasilla de Alba entre 1987 e 1999 e coordenador geral da Izquierda Unida de Castilla-La Mancha entre 2000 e 2008.
Nas eleições para o parlamento de Espanha de 20 de novembro de 2011 a Izquierda Unida passou de 2 para 11 deputados, tendo Cayo Lara sido eleito deputado, pela primeira vez.
O comício internacional é uma iniciativa sem precedentes, que junta representantes de diferentes partidos de vários países europeus no combate à política de austeridade poucos dias antes da jornada de luta europeia de 14 de novembro e da primeira Greve Geral Ibérica.
No comício intervirão também Alexis Tsipras da Syriza da Grécia, Jean-Luc Mélenchon do Parti de Gauche de França e Gabriele Zimmer, eurodeputada do Die Linke da Alemanha.
O comício terá lugar na véspera da VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que decorrerá no mesmo local nos dias 10 (sábado) e 11 de outubro (domingo).
Consulta o mapa aqui da localização do Pavilhão do Casal Vistoso, Areeiro, Lisboa:
https://maps.google.pt/maps/ms?msid=214253244164246697275.0004ccdfe0ea52e2538a1&msa=0&ll=38.745013%2C-9.128759&spn=0.008284%2C0.01884&iwloc=0004ccdfe456fd3fbbb4b

CUVI: COMUNICADO DE IMPRENSA


Assunto: CUVI vai solicitar reuniões a várias entidades do Algarve sobre a grave situação que envolve a EN 125
A Comissão de Utentes da Via do Infante, reunida este fim-de-semana em Loulé, considera que, passado quase um ano sobre a introdução das famigeradas portagens e face à atual conjuntura, ainda mais se justifica a continuação e o reforço da luta pela sua suspensão imediata.
As portagens agravaram sobremaneira uma situação de catástrofe social e económica que se abateu sobre a região algarvia – falências de empresas em catadupa, dezenas de milhares de desempregados e uma pobreza extrema que aumenta todos os dias. A somar a tudo isto temos a desgraça de muitas famílias destroçadas, como várias mortes e muitos feridos graves na EN 125, que se transformou de novo na “rua da morte” – o que pode ser comprovado ultimamente. O governo PSD/CDS de Passos Coelho e de Paulo Portas é o grande responsável por toda esta situação de descalabro, destruição e morte que se abateu sobre o Algarve e as suas populações. Mas também existem outros responsáveis, em particular os deputados da maioria governamental e igualmente do PS, eleitos pelo Algarve e que, perante o avolumar da catástrofe, ainda não levantaram um dedo a exigir o levantamento das portagens. Uma atitude inadmissível e vergonhosa!
A atitude ainda se torna mais incompreensível face à paragem das obras de requalificação e à anulação de importantíssimas variantes à EN e que já não vão ser construídas pela concessionária - as variantes de Odiáxere, Olhão, Luz de Tavira e da EN 2 entre Faro e S. Brás de Alportel. E que dizer – segundo o relatório das Estradas de Portugal – do prejuízo de 19,9 milhões de euros que teve a Via do Infante no 1º semestre deste ano? De acordo com o citado relatório, os encargos desta via ascenderam a 25,8 milhões, enquanto as receitas apenas chegaram aos 5,9 milhões. Em todas as nove concessões os prejuízos atingiram 284 milhões, o que dá um custo diário de 1,5 milhões. As receitas apenas cobriram 24% das despesas e a Estradas de Portugal teve de endividar-se em 284 milhões para cobrir a diferença. Um colossal escândalo! Este governo continua a promover e a enriquecer os amigalhaços das PPP’s, enquanto rebenta com o país, o Algarve incluído!
Para analisar a problemática dos lanços da EN 125 – que deverão ser construídos, assim como a paragem das obras de requalificação e as suas implicações com a Via do Infante que deverá ficar livre de portagens, a Comissão de Utentes vai solicitar, com caráter de urgência, reuniões com as Câmaras de Lagos, Olhão, Tavira, Faro e S. Brás de Alportel, assim como com a AMAL e a Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA).
Por outro lado, a Comissão de Utentes vai levar a efeito um conjunto de iniciativas que culminarão numa poderosa jornada de luta pela suspensão imediata das portagens na A22, a ter lugar no próximo dia 8 de dezembro e envolvendo a EN 125 e a Via do Infante – um ano depois da introdução fatídica das portagens na região. Uma destas iniciativas será a convocação de uma nova assembleia de utentes para meados de novembro. Mais pormenores sobre todas estas ações serão divulgados oportunamente.
A Comissão de Utentes apela à participação de todos os utentes, entidades e populações para participar na luta pela suspensão imediata das portagens no Algarve. A continuação da luta, cada vez mais forte, é o caminho a seguir.
CUVI – Comissão de Utentes da Via do Infante

quinta-feira, novembro 01, 2012

REUNIÃO DE NÚCLEO BE PORTIMÃO

O Bloco de Esquerda de Portimão tem uma nova sede concelhia, com melhores condições e bem maior do que a anterior. Foi um bocado problemático ter tudo em condições, o que levou 2 meses a concretizar – novo contrato de arrendamento, ligações de água e de luz, pintura, arrumações… O que falta acabar já não impede as reuniões da Concelhia – o que não tem sido possível nos últimos tempos. Como o tempo urge e a conjuntura que atravessamos não está para brincadeiras temos de “arregaçar as mangas e deitar mãos à obra”. Na era dos credores e de uma dívida colossal, também em Portimão, há muito para fazer no concelho – sempre em prol das populações e daqueles que mais precisam. Esta é a grande responsabilidade do Bloco de Esquerda. Assim, devemos realizar, quanto antes, uma reunião de Núcleo BE/Portimão, alargada a todos os companheiros que queiram participar para, principalmente, discutir e aprovar um Plano de Ação concelhio para os próximos tempos. Esta reunião terá lugar no próximo dia 2 de Novembro, sexta-feira, pelas 21.30 horas, na nova sede do Bloco, em Portimão, localizada na Rua 5 de Outubro, nº 30 (localiza-se na mesma rua da sede anterior, quem sobe a rua logo a seguir ao Hotel Globo). Aproveitam e ficam a conhecer a nova sede bloquista portimonense.

A proposta de Ordem de Trabalhos é a seguinte:

Ponto 1 – Informações

Ponto 2 – Plano de Ação concelhio

a) Inauguração da nova sede.

b) Propostas para o Conselho Municipal da Juventude.

c) Frente autárquica – delinear a estratégia com vista às próximas eleições autárquicas. Acompanhamento e divulgação do trabalho nos órgãos municipais.

d) Dinamização do blogue local “Portimão Blokista”.

e) Trabalho de rua – organização e distribuição de material; visita a determinados locais.

f) Campanha de adesões ao Bloco.

Ponto 3 – Outros assuntos.

Relembro que a presença de todos vós é deveras importante. Não faltem. Portimão espera por nós.

João Vasconcelos – Pelo Secretarido BE/Portimão

João Semedo considera provado que venda do BPN foi favor do Governo ao BIC

Duas avaliações, realizadas pela Caixa BI e pela Deloitte, indicam segundo João Semedo que o BPN valia na altura 110 milhões de euros, mas foi vendido ao BIC por 40 milhões. O deputado do Bloco, que entregou 40 propostas de alteração ao relatório final da comissão de inquérito, denuncia a ocultação das avaliações à comissão de inquérito e exige explicações a Passos Coelho.
"Governo vendeu o BPN ao BIC com um desconto de 60 por cento" - Foto de Paulete Matos
Em conferência de imprensa, João Semedo denunciou que as duas avaliações, de julho de 2011, apontavam para um valor médio de 110 milhões de euros.
"Ou seja, o Governo vendeu o BPN ao BIC com um desconto de 60 por cento. Desde sempre o Bloco de Esquerda considerou a venda do BPN, nessas condições, como um favor do Governo ao BIC e o que as mais recentes avaliações indicam é que se tratou de facto de um favor e de um benefício real para o BIC", afirmou o deputado do Bloco.
"A operação de venda do BPN ao BIC constitui um favor que o Governo português fez ao BIC", frisou João Semedo, segundo a agência Lusa.
Confrontado com a tese de que apenas um comprador ofereceu 40 milhões de euros pelo BPN, João Semedo considerou que "é muito diferente saber-se que o BPN valia mais de 100 milhões de euros à data em que foi vendido e saber-se que foi vendido por apenas 40 milhões de euros".
"Agora temos termos de comparação e o que se passou só sublinha o quanto foi errado vender-se o BPN por 40 milhões de euros. Não é indiferente para a avaliação política que se faz do negócio saber-se o valor real do BPN", sublinhou o deputado que salientou que "não terá sido por acaso que nenhum membro do Governo, nenhum responsável da Caixa ou do BPN se encarregou de divulgar essas avaliações e, pelo contrário, a opção foi esconder".
João Semedo denuncia que as duas avaliações foram ocultadas à comissão de inquérito. "Sabemos hoje que essas avaliações existiram e que foram ocultadas à comissão parlamentar de inquérito. Na terça-feira, dia da última reunião da comissão de inquérito exigiremos o apuramento das responsabilidades por essa ocultação tão importante", disse o deputado bloquista.
Semedo sublinhou ainda: "Pedro Passos Coelho confirmou ter contactado com um membro do Governo angolano para o restabelecimento das relações com as administrações do BIC Angola e do BIC Portugal. Neste contexto, na sequência do conhecimento das novas avaliações, fica por esclarecer se o primeiro-ministro conhecia [em novembro de 2011] se o BPN, que se vendeu por 40 milhões de euros, valia mais de 100 milhões de euros".
O deputado do Bloco disse ainda que entregará 40 propostas de alteração ao relatório final da comissão de inquérito. "Vamos fazer 40 propostas de alteração ao relatório que nos foi proposto pelo deputado Duarte Pacheco, e basicamente as nossas propostas para além destas duas visam que o relatório final tenha equilíbrio e que seja tão crítico e severo para o Governo de José Sócrates como igualmente severo e critico para o atual governo que vendeu por 40 milhões um banco que valia 100 milhões de euros", afirmou.
Esquerda.net

terça-feira, outubro 30, 2012

CES: Orçamento colocará Portugal no rumo da tragédia grega

O Conselho Económico e Social (CES) considera as metas da proposta de Orçamento do Estado para 2013 “demasiado ambiciosas e com reduzida adesão à realidade”, receando que levem Portugal ao “incumprimento reiterado” e a aproximar-se da situação grega.
“O CES não pode deixar de alertar para as possíveis consequências, no plano político, decorrentes de situações de desamparo, miséria, incerteza, insegurança e intranquilidade que poderão contribuir de forma muito grave para situações de rotura social”, lê-se no projeto de parecer.
“O CES não pode deixar de alertar para as possíveis consequências, no plano político, decorrentes de situações de desamparo, miséria, incerteza, insegurança e intranquilidade que poderão contribuir de forma muito grave para situações de rotura social”, lê-se no projeto de parecer. Foto de Paulete Matos.
O parecer muito negativo sobre o Orçamento para o próximo ano, ao qual a Lusa teve acesso, será analisado nesta segunda-feira por uma das comissões especializadas do CES. Será depois votado no plenário do CES a 5 de Novembro, no Parlamento.
De acordo com o documento, elaborado pelo conselheiro Rui Leão Martinho, bastonário da Ordem dos Economistas, “a fixação das metas demasiado ambiciosas e com reduzida adesão à realidade, longe de permitir um mais rápido regresso aos mercados, coloca o país perante uma situação de incumprimento reiterado”.
No parecer, o CES expressa o receia de que o país esteja a entrar “num círculo vicioso de recessão e aumento da dívida, aproximando-se da situação grega” e sublinha que a estratégia de consolidação orçamental se alterou “em seis meses no que respeita à contribuição relativa das medidas do lado da despesa e da receita", depois de o Tribunal Constitucional ter chumbado o corte de subsídios à Função Pública.
No conjunto de medidas do OE para 2013, cerca de 20 por cento incidem sobre a redução da despesa e 80 por cento sobre o aumento da receita, mesmo quando o Governo tinha reconhecido, aquando do OE para 2012, que “o esforço do lado da receita atingiu já os limites do sustentável”, frisa o documento. “Mesmo tendo em conta que parte do agravamento fiscal procura compensar a reposição de um subsídio aos trabalhadores do sector público e de 1,1 subsídios no caso dos aposentados e reformados, a proposta de Orçamento do Estado para 2013 está longe daquele princípio” e “sem este efeito, o contributo da redução da despesa seria de 50,6 por cento”, defendo o CES.
O organismo que congrega os parceiros sociais lamenta ainda um aumento da carga fiscal “tão nocivo para os cidadãos e para as empresas”, em vez de cortes mais profundos na despesa.
Orçamento não será cumprido e uma recessão de 1% “é irrealista”
No projeto de parecer, o CES considera o orçamento difícil de concretizar e classifica de “irrealista” a previsão de uma recessão de 1 por cento no próximo ano, por não existir “qualquer base objetiva” para esperar que haja crescimento no segundo trimestre de 2013.
O CES adverte que “o aumento da carga fiscal sobre as famílias irá acentuar a quebra do rendimento disponível, a qual terá efeitos recessivos, afetando não apenas o consumo, mas também o investimento”. Por isso, “vê com muita preocupação o aumento do IRS, que irá ter efeitos imediatos no rendimento disponível devido à alteração dos escalões e das tabelas de retenção na fonte e à sobretaxa de 4 por cento”.
Desde que a Troika chegou a Portugal, perdemos quase 500 mil postos de trabalho
O CES salienta ainda o facto de Portugal ser dos países que mais estão a reduzir o nível de emprego e em que a taxa de desemprego mais tem subido. Prevê, por isso, que “no final do terceiro ano do programa de ajustamento (PAEF), Portugal terá menos 428 mil empregos do que no início do PAEF (-4,3 por cento em 2012 e -1,7 por cento em 2013)”.
“Se atendermos a que o nível de emprego era de 5,2 milhões em 2008, prevemos que em 2013 terão sido suprimidos 647.700 empregos”, lê-se no documento.
O CES manifesta assim alguma preocupação perante o fato de a proposta do Orçamento “consagrar uma diminuição significativa do nível de proteção social e da despesa social em geral, sendo relevante salientar o elevado número de desempregados sem prestações de desemprego, a diminuição do valor das prestações de desemprego e de doença”. Neste âmbito, “o CES não pode deixar de alertar para as possíveis consequências, no plano político, decorrentes de situações de desamparo, miséria, incerteza, insegurança e intranquilidade que poderão contribuir de forma muito grave para situações de rotura social”.
O CES é um órgão constitucional de consulta do Governo e de concertação no domínio das políticas económica e social. É constituído por 66 membros, parceiros sociais representativos de diferentes áreas como o patronato, consumidores, trabalhadores, famílias e sectores económicos.
Esquerda.net