terça-feira, março 05, 2013

Portugueses recusam cortes no Estado Social

Embora acreditem que o Governo se prepara para cortar no Estado Social, os portugueses entendem que a Educação, Saúde e Segurança Social deveriam ser sempre as últimas áreas a sofrerem cortes na despesa. Em contrapartida, indica um estudo de opinião conduzido pela Universidade Católica, defendem a redução da fatura com os juros da dívida, Defesa e PPP.
 
Portugueses recusam cortes no Estado Social
Apenas 1 em cada 100 portugueses admite a necessidade de cortar a despesa na Saúde ou Educação e 5 em cada 100 na Segurança Social // Imagem Diário de Notícias
É a maior sondagem efetuada aos portugueses sobre os cortes na despesa previstos pelo Governo, e que devem ser anunciados no âmbito da sétima avaliação da troika que se encontra a decorrer, e os resultados não podiam ser mais esclarecedores. Os cidadãos rejeitam massivamente os cortes no estado social, que o Governo elegeu como prioridade máxima no corte da despesa, e preferem reduzir a fatura na Defesa, Parcerias Público Privadas e nos juros da dívida.
De acordo com o barómetro de fevereiro de 2013 do Centro de Estudos da Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP, os portugueses encontram-se em choque total com o Governo nesta matéria. Embora considerem que o Governo se prepara para cortar na Saúde, Educação e Segurança Social, estas áreas sociais são precisamente as últimas aonde os portugueses querem ver cortes na despesa.
Parcerias Público Privadas (PPP), juros da dívida e Defesa são, em contrapartida, as rubricas aonde os portugueses consideram que há margem de manobra para reduzir a despesa. Do universo de cidadãos inquiridos, apenas 1% admite a necessidade de cortar a despesa na Saúde ou Educação e 5% na Segurança Social. Apenas dois em cada 100 portugueses acredita que o Governo irá ceder nesta matéria, acabando por não efetuar os cortes de 4000 milhões de euros que vem anunciando.
DN/Esquerda.net

O inverno de Itália Versão para impressão
inverno itáliaAs eleições transalpinas repicam forte por estes dias, com consequências no euro e nos eurocratas, nas bolsas de capitais, nos arranjos políticos da ordem de Merkel – também conhecido por diretório europeu.
Não é caso para menos. Berlusconi, à frente do Partido das Liberdades, virtualmente "empata" nos votos e condiciona com o veto do senado o futuro governo. De nada valeram para travar o líder do PdL, admirador confesso de Mussolini, os escândalos em que esteve envolvido, de corrupção, de manipulação judiciária, de abuso de menores.
O populismo conservador que vai varrendo a Europa do Atlântico aos Urais faz apelo à nação, põe-se em guarda contra o estrangeiro, securitiza a exclusão social, criminaliza o movimento popular. E il cavalieri também pontua aí. Desafiou a troika contra a austeridade imposta ao povo, prometeu devolver o confisco fiscal e anular o imposto sobre os imóveis.
Isto em Berlim soa como uma declaração de motim. O continuísmo ficou por conta do PD e da plataforma de Monti, candidato da banca e de Merkel. Bersani, do Partido Democrático, cedo deu a perceber que era o candidato do câmbio do mesmo, sem sequer os arrobos eleitorais do seu equivalente francês Hollande.
Vendola, com a sua Sinistra, Ecologia, Libertà, logrou pouco mais de 3% e se não fosse a coligação com o PD não entrava no parlamento. À atenção de todos aqueles que em solo luso andam sempre à procura do partido interface, rigorosamente ao centro da esquerda. Pois Vendola eclipsa. Como eclipsa a coligação dos verdes e comunistas, entre os quais a Refundação, pouco acima de 2% pagando ainda o preço terrível de terem estado no governo com o PD, era Prodi, promovendo a guerra no Afeganistão ou o aumento de idade da reforma. Do governo a um longo exílio parlamentar, eis o resultado do governismo sem princípios
E quem tsunamiza? Beppe Grilo e o seu movimento 5 Estrelas, com 25% dos votos, torna-se o partido italiano com mais deputados eleitos. Não dará a mão a nenhum outro partido, não participa em nenhum governo, pronto, enquanto não se afastarem os falhados e corruptos do sistema político italiano. Este partido diz que não é de direita, nem de centro, nem de esquerda, usa linguagem obscena.
Dizem dele não ter programa, o que não é exato. Não dispõe de um programa clássico sobre a proposta de sociedade e de governo, sobre a Europa, sobre a paz e a guerra, sobre sistema fiscal e orçamental, leis de trabalho, segurança social, etc. Tem uma espécie de caderno reivindicativo de cidadãos ao poder qualquer que ele seja. Sugerem para a higiene do sistema político a abolição de fundos públicos para campanhas eleitorais, 2 mandatos para todos os cargos e em exclusivo, salários de políticos ao nível do salário médio nacional, fim das reformas desses privilegiados. Querem os referendos vinculativos mesmo sem quórum, e ter direito a leis de iniciativa popular. Querem privatizar 2 canais de tv do Estado, deixando um sem publicidade na esfera pública, impõem a regra de 10% para o máximo de ações dos privados nas tvs e jornais.
Curiosamente, na economia propõem o chamado capitalismo popular e querem que as empresas aceitem no seu seio comités de pequenos acionistas, tarifas de energia, net, telefone, transportes na média europeia (?), vagamente querem um subsídio de desemprego universal, são notoriamente ecologistas quando reivindicam a poupança e a eficiência energética, a limitação drástica do uso do automóvel, a utilização massiva das renováveis. O programa não contém nenhuma medida anticapitalista nem sequer restrições ao capital financeiro que não seja a limitação dos rendimentos dos gestores. O que verdadeiramente aterrorizou as chancelarias do velho continente foi a reclamação de um referendo italiano ao euro.
Entendamos que a democracia burguesa da Itália é seguramente das mais corruptas no âmbito da UE. O gume do ataque sobre essa casta, onde nem há deputados de esquerda dignos dessa condição, é claramente uma continuidade do movimento dos indignados: transparência democrática, a glasnost do capitalismo. A esquerda fora da alçada liberal perdeu a sua identidade e apagou-se por inútil, a coisa que o ex-comunista Fausto Berttinotti deixou por legado a um comediante é a defesa do acionariado popular. O democratismo do pequeno lucro. Já Marx ironizava com estas opções à Proudhon.
O que se apagou em Itália quando a burguesia se fratura? O Trabalho e a sua representação política. Por paradoxo, a instabilidade que afeta a moeda, o esquema político europeu do tempo do Tratado de Lisboa, as receitas financistas extremas do "fiscal compact", é a reação capitalista da Lombardia, e a saturação e insatisfação das classes intermédias que se colaram ao populismo ou ao higienismo.
Aumentam as contradições entre os de cima. Depois da crise do euro e das intervenções troikistas na Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha, Chipre, a instabilidade sobe com as pressões contraditórias dos mercados financeiros e dos choques nacionais. A União Europeia é claramente o elo fraco da insatisfação dos povos.
Luís Fazenda
A Comuna

Eurogrupo "alarmado" com situação em Itália e manifestações em Portugal

Entre os ministros das Finanças da Zona Euro, reunidos segunda-feira em Bruxelas, registaram-se sinais de "alarme" não apenas com a situação de indefinição política em Itália mas também com a expressão das manifestações populares registadas sábado em Portugal, de acordo com fontes de bastidores do Conselho Europeu. 
 
Foto Paulete Matos
Apesar de o principal ponto de agenda da reunião do Eurogrupo ser a eventual entrega de Chipre à tutela da troika, depois da recente vitória presidencial da direita, os ministros manifestaram ainda a preocupação com mais um relevante aumento do desemprego em Espanha, que ultrapassou em Fevereiro os cinco milhões de pessoas, sem contar com mais um milhão de desempregados que não estão registados.
Ministros presentes na reunião, segundo as mesmas fontes, consideram que a situação em Portugal é tão preocupante como a que se vive em Itália, uma vez que a austeridade aprofunda a recessão, degrada cada vez mais o ambiente social e fragiliza o governo. Alguns ministros citaram, entre si, excertos do artigo de Mário Soares em que o antigo presidente e primeiro ministro defende que o governo se demita antes que o povo "se enfureça e a democracia acabe de vez".
O resgate em debate ao Chipre deverá ter um valor de 17 mil milhões de euros e, à partida, conta com dificuldades levantadas pela Alemanha. Berlim receia que os capitais injetados no país sirvam para intensificar ainda mais o envolvimento bancário em operações de lavagem de dinheiro.
As preocupações com a situação italiana relacionam-se principalmente com o que os ministros do Eurogrupo interpretam como sendo uma vitória dos setores que combatem a austeridade. Os titulares das Finanças da Zona Euro avaliaram de uma maneira favorável a hipótese, em cima da mesa, de formação de um segundo "governo de tecnocratas", que prolongaria o estado de exceção no país pelo menos até ao Verão, altura em que se realizariam novas eleições gerais. O sector "tecnocrático", representado pelo primeiro ministro cessante Mário Monti, teve pouco mais que dez por cento nas eleições.
O desemprego e a recessão em Espanha continuam a suscitar inquietações no Eurogrupo. De Fevereiro de 2012 a Fevereiro de 2013 o número de desempregados cresceu sete por cento, ultrapassou os cinco milhões e faz com que os cortes sociais impostos sejam assimilados pelos aumentos das despesas com o desemprego. Por outro lado, reconhece-se entre os ministros, os chamados "incentivos" ao emprego a pessoas com menos de trinta anos foram um fracasso absoluto.

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

domingo, março 03, 2013

Milhares nas ruas do Algarve ao som da «Grândola»

Milhares pessoas saíram este sábado à rua em três cidades algarvias, para se juntar ao protesto «Que se lixe a Troika – O Povo é Quem Mais Ordena».
Em Faro. a manifestação mobilizou cerca de 6 mil pessoas e em Loulé mobilizaram-se cerca de 800 cidadãos, menos que em Portimão, onde houve entre 2000 e 2500 manifestantes nas ruas.
Em Faro, a manifestação de hoje mobilizou mais pessoas que a de setembro passado, convocada pelo mesmo movimento social. Em Portimão, houve, apesar de tudo, menos gente a aderir, apesar de até haver um incentivo extra, a presença dos «Homens da Luta».
Em todas as cidades algarvias, e um pouco por todo o país, o protesto foi acompanhado por música, e é claro que a mais cantada foi a «Grândola, Vila Morena».
Em Portimão, com a ajuda dos Homens da Luta, a música e a manifestação partiram do largo frente à Casa Inglesa, percorreram as ruas do centro da cidade e voltaram à zona ribeirinha.
Pelo meio, cantou-se muito, em especial a «Grândola, Vila Morena», como não podia deixar de ser.
À chegada ao coreto frente à Casa Inglesa, os Homens da Luta voltaram a cantar, de novo Zeca Afonso, mas agora o refrão foi «O que é preciso é animar a malta», logo mudado para «O que é preciso é agitar a malta».
Em Faro, a manifestação inclui um coelho vivo, mas numa gaiola, e um coelho morto, enforcado.Mas não foram estes os únicos animais presentes: também houve cães a desfilar e, em Portimão, até um papagaio!
Em Faro, à passagem pelo balcão do BPI, foi colado um cartaz que dizia «Quem deve aqui dinheiro é o banqueiro, mas quem paga sou eu». O cartaz deixava espaço para quem quisesse assinar e houve centenas de assinaturas.
Em todas as cidades, havia cartazes e faixas com palavras de ordem contra o Governo, a Troika, os impostos e os políticos. «Chega de chulos da pátria e de nós», «Recusa, resiste, basta, acorda», «Quem te meteu no buraco (PS, PSD, CDS) não te tira dele», «Os políticos são os coveiros da nação», «Abaixo o poder político. Democracia desta não!», «Quero Viver, não quero sobreviver», «Coelho só no prato» eram algumas das frases.
Tanto em Portimão como em Faro, a manifestação terminou com várias pessoas a subir aos coretos de ambas as cidades e a falar para quem se manteve até ao fim, muitas delas empunhando faixas e cartazes.

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As fotos são da autoria de Carlos Filipe de Sousa (Faro), Elisabete Rodrigues e José Brito (Portimão)
O texto é da autoria de Elisabete Rodrigues (Portimão) e Hugo Rodrigues (Faro)

Milhares cantaram Grândola a uma só voz contra a austeridade

2 de Março, 2013por Ricardo Rego com Andreia Félix Coelho
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Mais de 40 cidades, em Portugal e no estrangeiro, viram milhares de portugueses nas ruas contra a troika, o Governo e as políticas de austeridade. O SOL acompanhou minuto-a-minuto os protestos.18h50 - Lisboa: Recolhem-se os cartazes. As luzes do palco ao fim da Praça, bem próximo do Tejo, apagam-se. A luta agora é outra: regressar a casa com a certeza de que o Governo liderado por Passos Coelho viu o povo a sair à rua em mais de 40 cidades em Portugal e no estrangeiro.

18h43 - Lisboa: Começa a cair a noite. Cumpriu-se um dos objectivos da organização: canta Grândola, Vila Morena às 18h30 a uma só voz. Quem passou pela Praça do Comércio, onde termina mais esta acção de protesto convocada pelo movimento 'Que se Lixe a Troika' e a que se juntou a CGTP, BE, PCP, começa a desmobilizar.
18h41 - A organização estima que um milhão e meio de pessoas estiveram nas ruas.
18h30 - Lisboa: 'Grândola Vila Morena' cantada a uma só voz no Terreiro do Paço.
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18h27 - A organização estima 500 mil pessoas em Lisboa.

18h13 – Lisboa: Fátima e António Sardinha estão na Praça do Comércio. Trouxeram os netos ao protesto ‘porque é de pequenino que se torce o pepino. Têm que ser sensibilizados já’, dizem ao SOL. António, professor universitário de 59 anos, entende que ‘é tempo de pôr este Governo na rua e pedir a renegociação da divida’. Fátima, desempregada aos 57 anos, pede ‘uma alternativa porque este modelo, como já se viu, não agrada’. Por cá vão continuar até que se cante a Grândola a uma só voz.
18h01 – Lisboa: Na rua do Ouro, onde fica o Banco de Portugal, pergunta-se ‘Quem manda no dinheiro?’. ‘É o banqueiro’, respondem os manifestantes.
18h02: Porto: A organização fala da maior manifestação de sempre com 400 mil pessoas.
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17h52 – Madrid: Uma mão cheia de cravos vermelhos, que um casal de jovens portugueses trouxe consigo, foi a única cor da manifestação, que nunca chegou a sê-lo. O protesto, que fazia parte das convocatórias de manifestações sob o lema "Que se lixe a ‘troika'", acabou por não passar de uma conversa sobre a situação em Portugal e Espanha, entre seis “manifestantes”, dois agentes da Polícia Nacional espanhola e dois jornalistas.
17h50 –Açores: Entre 300 e 400 pessoas, segundo estimativas dos organizadores, estão concentradas em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel para participar na manifestação "Que se lixe a 'troika'". A manifestação é encabeçada por uma faixa, que seguram crianças e adolescentes, onde se lê: "'Troika' e Passos desapeguem-se daqui".
17h36 – Vila Real: Cerca de 300 pessoas num protesto que teve como principal alvo o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, candidato pelo distrito transmontano nas últimas legislativas.
17h35 - Lisboa: Uma jornalista de uma rádio polaca aproveita um dos bancos do Rossio e envia informação para a Polónia. A imprensa internacional está a acompanhar em tempo real a manifestação em Lisboa.
17h31 - Lisboa: As comparações com o 15 de Setembro são inevitáveis. Elsa Duarte, 70 anos, reformada, garante ao SOL que desta vez 'há mais gente na rua'. Está no Rossio pelos filhos desempregados e pelo futuro da neta. 'Abril está quase aí. Este Governo não deveria viver muito mais tempo', considera.
17h30 - Lisboa: O SOL pergunta a um grupo de manifestantes que segurava uma faixa com o rosto de Zeca Afonso a que movimento pertencem. 'Somos o povo', respondem. Pertencem ao movimento Múmia Jammal que segue atrás do Sindicato dos Professores do Sul e Ilhas. A CGTP avisou que ia marcar presença nesta manifestação e gritar palavras de ordem contra o que dizem ser o 'pacto de agressão'.
17h12 - Évora: Algumas centenas de pessoas concentradas na Praça do Giraldo. Durante a tarde, os manifestantes têm assistido à actuação de artistas que cantam temas de intervenção, entre os quais "Os Vampiros", de José Afonso.
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17h10 - Braga: Os cravos voltaram à rua pelas mãos dos manifestantes que aderiram ao protesto, exigem "mudanças", a "saída do Governo" e emocionam-se ao lembrar que "não foi para isto" que lutaram. Mais de quatro mil pessoas "trouxeram Abril à rua". De punho erguido entoaram-se cânticos "anti-troika", apelaram à "chacina política", partilharam histórias, choraram. Cantaram a Grândola.
17h09 - Lisboa: Ainda a descer a avenida, o grupo Farra Fanfarra toca Grândola, Vila Morena. Depois de ontem, Jorge Palma ter estreado uma versão ao piano, hoje é a vez de Farra Fanfarra apresentar a sua versão da senha de Abril.

17h08 – Madeira: A praça do Município, no Funchal, repleta de pessoas que aderiram à manifestação “Que se lixe a ‘troika’”, gritando que “já basta de austeridade”. “Passos e Jardim rua” foi uma das frases de ordem ouvidas no início da manifestação, tendo os participantes unido as vozes para entoar o “Grândola, Vila Morena” e declarando que “o povo unido jamais será vencido”.
17h06 - Setúbal: Cerca de duas a três mil pessoas concentraram-se no Largo José Afonso e desfilaram pela Avenida Luísa Todi. “Parem de nos roubar”, “Solta a Grândola que há em ti”, “Revolução dos escravos” foram algumas das palavras de ordem exibidas em centenas de cartazes que alguns manifestantes trouxeram para esta acção de protesto, que foi engrossando à medida que ia percorrendo a Avenida Luísa Todi.
16h56 - Beja: Centenas de pessoas estão concentradas no Largo do Museu. Alguns dos manifestantes estão a empunhar cartazes, em que apresentam as fotografias dos líderes do PSD, CDS-PP e PS com as frases: "Eles têm um pacto de agressão, nós temos o nosso de luta" e "Há tempo demais a levar com eles". Um dos manifestantes apresenta um número de identificação fiscal colado na testa e um cartaz ao peito, onde se pode ler: "Abaixo a escravatura fiscal".
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16hh55 - Lisboa: Manifestantes gritam 'Espanha, Grécia e Portugal, a nossa luta é internacional'.
16h55 - Faro: Cerca de mil pessoas concentradas na Praça do Carmo, em Faro, munidas de faixas e cartazes. No protesto podem ver-se cartazes como "o povo é quem nada", "Queremos trabalho", "Demissão do Governo, já", empunhados por pessoas de todas as idades, e ouvem-se igualmente palavras de ordem a pedir a demissão do Governo, o fim das medidas de austeridade e que "está na hora de o Governo ir embora".
16h50 - Covilhã: Várias centenas de pessoas aderiam ao movimento e estão reunidas em frente à Câmara Municipal, com alguns discursos contra a política do Governo.
16h45 - Lisboa: Não será arriscado dizer que pelo menos uma em cada cinco pessoas tem consigo uma máquina fotográfica. Mais ou menos amadores, todos querem registar como sabem e como podem um protesto que, de acordo com o manifesto do movimento organizador, saiu à rua para pedir a demissão da maioria PSD/CDS.
16h40 - Castelo Branco: Cerca de 700 pessoas estão concentradas em frente à Câmara. Empunhando cartazes com palavras de ordem contra o Governo, cravos e ao som de Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, uma das senhas de Abril de 1974, os manifestantes vão dando colorido ao protesto.
16h46 - Lisboa: 'Passos, escuta! O Povo está na rua!', gritam os manifestantes que acenam com lenços brancos pela demissão do Governo.
16h38 - Guarda: Cerca de 200 pessoas estão concentradas na Praça Velha para participarem na manifestação “Que se lixe a ‘troika’, o povo é que mais ordena”. Alguns dos manifestantes exibem cartazes, nos quais se podem ler: “Eles comem tudo”, “Ouçam-nos”, “O povo vencido jamais será unido”, “Adeus pátria, família”.
16h38 - Leiria: Centenas de pessoas protestam no centro da cidade e algumas delas exibem cartazes com palavras de ordem sobretudo dirigidas a Passos Coelho e a Miguel Relvas.
16H30 - Viseu: Cerca de 600 pessoas saíram do largo de Santa Cristina, em Viseu, para um desfile pela cidade, gritando “FMI fora daqui” ou “A rua é nossa”. Levando na frente uma faixa preta com a inscrição “O Povo é quem mais ordena”, os manifestantes subiram a rua Alexandre Lobo em direcção à rua Formosa, onde vão ficar concentrados.
16h23 - Lisboa: A eurodeputada socialista Ana Gomes está na manifestação em Lisboa contra “as políticas de ‘austeracidade’ que estão a matar o povo português” e porque quer ver este Governo “na rua”.
16h21: Lisboa: Os manifestantes da Associação Portuguesa de Reformados estão com chapéus-de-chuva brancos junto à estátua alusiva à Grande Guerra. 'Não somos descartáveis!' pode ler-se em letras a preto.
16H20: Lisboa: Muitos cães no protesto. Ao colo, de trela ou até em carrinhos de mão, os cães não faltaram à chamada.
16h16 - Lisboa: As principais lojas de luxo da avenida da Liberdade estão abertas. «A polícia garantiu-nos que seria pacífico», disse ao SOL uma das funcionárias de uma loja de alta costura.
16h15: Lisboa: Praça dos Restauradores está cheia. Na avenida, a manifestação segue sem atropelos na faixa principal.
16h14 - Lisboa: 'Governo, ladrão, não levas um tostão' e 'é urgente, éurgente correr com esta gente', cantam manifestantes.
16h13 - Porto: Milhares de pessoas, desde crianças a idosos, reunidas em protesto na Praça da Batalha, onde se pôde ouvir o grito “Que se lixe a ‘troika’, o povo é quem mais ordena”. Mais perto da hora certa, juntou-se ao protesto principal a ‘maré da Educação’, que marchou desde as instalações da antiga DREN, com um conjunto de gaitistas de foles que tocavam a “Grândola, Vila Morena”. Em frente ao cinema Batalha, há pouco espaço para que as pessoas se consigam movimentar tal é a concentração de manifestantes.
16h11 - Lisboa:O secretário-geral da intersindical CGTP-IN, Arménio Carlos, diz que o Governo “sabe que está por um fio” e “tornou-se um problema que impede a solução” para a saída da crise.
16h05 - Lisboa: Nos passeios da principal faixa de rodagem da avenida da Liberdade, milhares de pessoas esperam o momento certo para se juntar ao protesto.
16h00 - Lisboa: 'Grândola, Vila Morena' e hino recuperados da revolução de Abril para esta manifestação. A abrir o protesto está um veículo ligeiro com a música de Zeca Afonso.
15h59 - Lisboa: 'O povo unido jamais será vencido' gritam os manifestantes.
15h58 - Lisboa: A cabeça da manifestação já começou a descer a avenida. Mas ainda há muitas pessoas que só agoram começam a chegar ao Marquês.
15h53 - Lisboa: Em dia de ajuntamento popular, há quem aproveite para fazer negócio nas ruas: castanhas assadas, amendoim torrado e água fresca à venda.
15h50 - Lisboa: 'Temos de mandar a ASAE a Belém, porque o pastel está morto' diz um manifestante à TVI.
15h49 -  Lisboa: A Maré da Educação , que estava em protesto junto ao Ministério que tutela o sector, acaba de chegar ao Marquês.
15h48 - Lisboa: Os movimentos e plataformas presentes no Marquês de Pombal vão distribuindo panfletos onde apelam à participação cívica. É o caso dos Indignados de Lisboa que pedem luta para «o fim da política de empobrecimento»
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15h45 - Lisboa: Na rotunda e nos passeios da avenida da Liberdade há quem ultime a preparação dos cartazes. A criatividade não é poupada e o Governo e a troika são os principais alvos.
15h45 - Santarém: Cerca de 200 pessoas junto ao Centro de Emprego para participarem na manifestação.
15h30 - Braga : A manifestação arrancou com uma "performance" de teatro que "aponta o dedo" ao "suposto" empreendedorismo, seguindo-se uma marcha pela cidade a "exigir a uma só voz" a demissão do Governo.
15h30 - Lisboa: Milhares de pessoas já estão concentradas na praça Marquês de Pombal em Lisboa. Faltam 30 minutos para o início do desfile na Avenida da Liberdade rumo ao Terreiro do Paço. A música de Zeca Afonso vai recordando os manifestantes que o momento pede união popular.
15h25 - Lisboa: Médicos, enfermeiros e muitos estudantes ligados à saúde começaram a descer rumo ao Marquês de Pombal.
15h15 -Coimbra: Mais de três mil pessoas estão hoje concentradas na Praça da República. Uma centena de reformados, encabeçada por dirigentes da recém-criada associação APRe! (Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados), foi bastante aplaudida quando chegou ao local.
15h00 - Lisboa: Mais de 150 pessoas concentradas em frente à Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, pela defesa da instituição e por um Serviço Nacional de Saúde “universal, geral e tendencialmente gratuito”.
15h00 –Açores: Cerca de 160 pessoas numa das maiores manifestações ocorridas na Horta, na ilha do Faial, nos últimos anos.
15h00 -Viana do Castelo: Algumas centenas de manifestantes concentradas na principal praça da cidade em protesto contra as medidas de austeridade e reclamando a saída da ‘troika'.
   14h30 - Paris: Elementos do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas, que estavam reunidos em assembleia geral, juntou-se aos manifestantes. O protesto reuniu pessoas de todas as faixas etárias e terminou ao som de “Grândola, Vila Morena”.
13h30: Paris: Manifestantes começaram a concentrar-se a cerca de 80 metros do consulado-geral de Portugal.
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com agência Lusa

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Quatro cidades do Sul palco da manifestação «Que se lixe a Troika» a 2 de março

Faro, Portimão, Loulé e Beja são as quatro cidades do Sul do país, onde, no sábado, dia 2 de março, às 16h00, terá lugar a manifestação convocada pelo “Movimento que se lixe a troika”.
Os pontos de concentração para as manifestações serão o Largo do Carmo/Jardim Catarina Eufémia, em Faro, o Mercado Municipal, em Loulé, e ainda a Praça Manuel Teixeira Gomes (frente à Casa Inglesa), em Portimão.
Ao todo, pelo menos 28 cidades, das quais duas no estrangeiro (Boston e Londres) recebem a manifestação marcada para dia 2 de março. Em Portugal, além das quatro já referidas, a manifestação terá lugar em Aveiro, Braga, Castelo Branco, Caldas da ainha, Coimbra, Chaves, Covilhã, Entroncamento, Funchal, Guarda, Horta, Leiria, Lisboa, Marinha Grande, Ponta Delgada, Porto, Santarém, Tomar, Torres Novas, Viana do castelo, Vila Real e Viseu.
Segundo o Núcleo de Portimão, «a 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos».
«Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa», acrescenta o Núcleo de Portimão.
«A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida. Unidos como nunca, diremos basta!».

João Semedo em Portimão para sessão sobre o Estado Social

João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, desloca-se a Portimão no dia 1 de Março para participar numa sessão pública sobre o Estado Social.
Com início previsto para as 21h30, a sessão terá lugar na Junta de Freguesia de Portimão.
Durante a tarde, o coordenador do Bloco estará reunido com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA) para discutir com os profissionais de saúde a eventual fusão daquela unidade de saúde com a de Faro.

Passos recebido com protestos na Faculdade de Direito de Lisboa

O primeiro-ministro continua a ser alvo de protestos por onde passa e a deslocação a uma conferência da JSD na Universidade de Lisboa não foi exceção. No dia anterior tinha sido o secretário de Estado Marco António Costa a ser "grandolado" na Universidade do Minho.
Imagens televisivas da passagem atribulada de Passos Coelho pela Faculdade de Direito de Lisboa.
O protesto recebeu Passos Coelho com um elemento original. Os estudantes presentes no acesso à sala estavam munidos de faixas negras e de repente empunharam um coelho morto enforcado numa forca de madeira. Ao depararem-se com o insólito protesto, os seguranças de Passos Coelho tentaram fazer os estudantes baixar a forca, mas desistiram quando se aperceberam que estavam a ser filmados. Ao contrário do que aconteceu no ISCSP em 2012, a segurança do primeiro-ministro desta vez não agrediu nenhum jornalista.
A Grândola Vila Morena também foi ouvida nos corredores da Faculdade de Direito de Lisboa à passagem de Passos Coelho, que discursou na conferência entretanto fechada pelos seguranças. Cá fora, os estudantes continuaram a entoar slogans contra as propinas e pela demissão do Governo.
À saída da conferência, a viagem de Passos até ao exterior da Faculdade foi semelhante à do ministro Miguel Relvas no ISCTE há poucos dias. Rodeado por vários seguranças e elementos da organização, o primeiro-ministro percorreu os escassos metros desde a porta do auditório até à rua sob um coro de vaias e protestos afirmando que "está na hora do Governo se ir embora".
Marco António ainda não é ministro, mas já foi "grandolado"
O secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Marco António Costa, também viu a sua passagem por uma universidade a ser marcada pelos protestos que antecedem a manifestação de 2 de março pela demissão do Governo. Na terça-feira, o governante deslocou-se à Universidade do Minho para intervir numa sessão a assinalar os 125 anos do Jornal de Notícias.
Quando o governante iniciava a sua intervenção, um grupo de manifestantes entoou a "Grândola, Vila Morena", concluindo com a palavra de ordem "a luta continua, Governo para a rua".

domingo, fevereiro 17, 2013

Manifestação a passar frente à Câmara de Portimão - onde se destacava a faixa: Passos/Troika Rua! O povo é quem mais ordena! Governo de Esquerda!
 

Manif. em Portimão dia 16 de Fevereiro: 3 gerações presentes na luta!
Manif. em Portimão hoje: 3 gerações presentes na luta!

Manif. em Portimão dia 16 de Fevereiro: 3 gerações presentes na luta!
Manif. em Portimão hoje: 3 gerações presentes na luta!

Manif. em Portimão dia 16 de Fevereiro: 3 gerações presentes na luta!
Manif. em Portimão hoje: 3 gerações presentes na luta!

Protestos da CGTP no Algarve juntam mais de mil pessoas

Mais de mil pessoas saíram à rua este sábado para se juntar ao protesto convocado pela CGTP em três cidades algarvias. Em Faro, o desfile, que começou na rotunda do Liceu e percorreu a Baixa da cidade, juntou largas centenas de pessoas, situação que teve paralelo em Portimão, outro dos locais que acolheu a «Jornada Nacional de Ação e Luta» da intersindical.
Na capital algarvia, o desfile foi engrossando à medida que ia avançando e atingiu o seu auge quando passou junto à Doca de Faro e regressou ao Largo da Pontinha.
Uma longa fila de gente, que estaria nessa altura perto do milhar de pessoas, gritou palavras de ordem, a exigir o aumento de salários, nomeadamente o valor do salário mínimo.
Em Portimão, a manifestação juntou cerca de 500 pessoas, que percorreram as ruas da cidade, desde a Alameda, passando frente à Câmara e à Casa Inglesa, e terminando na zona ribeirinha, junto ao coreto, onde teve lugar o comício, com dirigentes da União dos Sindicatos do Algarve e dos vários Sindicatos presentes.
Em Faro, no final do desfile, também houve comício no Largo da Pontinha, já não tão participado, mas que ainda juntou algumas centenas de pessoas.
Uma ocasião que o dirigente da União de Sindicatos do Algarve (Usal) António Goulart aproveitou para relembrar os números oficiais do desemprego no último trimestre de 2012 divulgados esta semana.
Para o dirigente sindical, «não são tão preocupantes estes números do passado, como o presente», uma vez que acredita que o desemprego está agora num ponto nunca antes atingido. «Já serão seguramente mais de 60 mil os desempregados no Algarve», afirmou.
Lembrando que a época onde, tradicionalmente, o desemprego é maior é o primeiro trimestre do ano, dada a sazonalidade do Turismo, António Goulart disse temer que neste momento «o desemprego oficial esteja já nos 23 ou 24 por cento».
«Já poderemos ter ultrapassado os 30 por cento de desemprego real», avisou.
Acusando as políticas do Governo de coligação de ser responsáveis por esta situação, o dirigente da Usal insistiu na necessidade de queda do Governo e mudança de rumo, exigência que foi por diversas vezes gritada pelos que se juntaram ao protesto.
Portimão, Vila Real de Santo António e Beja também foram escolhidas para acolher este protesto que decorreu a nível nacional.

Atualizada às 21h10, com informação sobre a manifestação em Portimão.

Veja aqui mais fotos da manifestação em Faro e Portimão

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Sábado: Jornada Nacional de Luta pela demissão do Governo

A CGTP convocou para este sábado, 16 de fevereiro de 2013, uma Jornada Nacional de Ação e Luta pela mudança de política e Governo, com concentrações e manifestações em todos os distritos e nas regiões Autónomas de Açores e Madeira.
Na conferência de imprensa em que a CGTP divulgou a jornada de luta, o seu secretário-geral, Arménio Carlos, referiu que esta jornada pretende “dar a oportunidade” a todas as pessoas para “manifestar a sua indignação contra o que se está a passar no país” e salientou ainda que é uma oportunidade para exigir "o fim do memorando", "o fim da política de direita", "o fim deste Governo" e "políticas alternativas que respondam aos anseios e necessidades dos portugueses".
No manifesto que convoca a jornada a CGTP destaca como exigências das ações: “o aumento imediato dos salários e a atualização do salário mínimo nacional para 515 euros a partir de 1 de janeiro”; “o aumento das pensões de todos os reformados e pensionistas”; “um programa de emergência de combate ao desemprego e a garantia do alargamento do subsídio social de desemprego a todos os desempregados que não tenham proteção social”.
Divulgamos abaixo os locais, as horas e o tipo de ação que se realiza em cada distrito e Região Autónoma, de acordo com o site da CGTP (pode ver também no facebook):

DISTRITO
LOCAL
HORA
ACÇÃO /INICIATIVA
ALGARVE

 

Vila Real de Stº Antº
Praça Marques de Pombal
15:30
Manifestação
Portimão
Alameda Praça da República
15:30
Manifestação
Faro
Rotunda junto à Escola João de Deus (antigo liceu)
15:30
Manifestação
AVEIRO
Largo da Estação de Comboios de Aveiro
Desfile até ao Parque do Rossio;
15:30
Concentração
BEJA
Junto à casa da Cultura
10:30
Concentração
BRAGA
Parque da Ponte com desfile até à Avenida Central
15:00
Concentração/desfile
BRAGANÇA
Praça Cavaleiro Ferreira
15:00
Concentração
CASTELO BRANCO

 

Covilhã
Campo de Festas da Covilhã (trajeto: Campo de Festas – Av. Frei Heitor Pinto – Rua Comendador Melo – Praça do Município)
15:30
Manifestação
COIMBRA
Praça da República
14:30
Concentração
ÉVORA
Praça 1º Maio
10:30
Concentração
GUARDA
Largo João de Almeida - Praça de Táxis
14:30
Manifestação
LEIRIA
Concentração em frente ao Tribunal
15:00
Manifestação pelas ruas da cidade a terminar junto ao ex-edifício do Banco de Portugal
LISBOA
Largo do Príncipe Real com desfile para Praça do Município
15:00
Manifestação
PORTALEGRE
Largo do Café Alentejano com deslocação até ao Plátano do Rossio (sujeito a confirmação)
10:00
Concentração
PORTO
Da Praça da Batalha para a Praça da Liberdade
15:00
Manifestação
SANTARÉM
Avenida dos Forcados Amadores (junto à Segurança Social) e com deslocação até ao largo Cândido dos Reis (junto ao shopping).
15:00
Manifestação
SETÚBAL
- Praça do Brasil /
- Praça do Quebedo
(com desfile para Av. Luísa Todi - Coreto)
15:00
Pré-concentrações/
Manifestação
VIANA DO CASTELO
Praça da República
10:30
Concentração
VILA REAL
Av. Carvalho de Araújo (junto à Sé)
10:30
Concentração/manifestação
VISEU
No Rossio em Viseu
14:30
Concentração/manifestação
AÇORES
 
 

Angra do Heroísmo
Alto das Covas
10:30
Concentração/manifestação
Ponta Delgada
Portas da Cidade
15:00
Concentração
Horta/Faial
Largo Duque D´Ávila e Bolama
14:45
Concentração (dia 15)
MADEIRA

 

Funchal
Placa central da Avenida Arriaga, saindo depois a manifestação rumo à Quinta Vigia, mas passando antes pela Assembleia Legislativa da Madeira
15:30
Concentração

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Desemprego oficial quase atinge 20% no Algarve

  O Algarve e a Madeira registaram, no 4º trimestre de 2012, as taxas de desemprego mais elevadas, com 19,7%, quase 3 pontos percentuais acima da média nacional (16,9%), indicam os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Entre as regiões com taxas de desemprego mais elevadas, seguem-se Lisboa (18,7%), Norte (17,8%) e Alentejo (17,2%).
Pelo contrário, os valores mais baixos foram observados no Centro (12,7%) e na Região Autónoma dos Açores (16,2%).
Em relação ao trimestre homólogo de 2011, à semelhança do sucedido globalmente para Portugal, a taxa de desemprego aumentou em todas as regiões. Os maiores aumentos ocorreram na Região Autónoma da Madeira (6,2 p.p.), no Alentejo (4,1 p.p.), em Lisboa (4,0 p.p.) e no Norte (3,7 p.p.).
Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desemprego também aumentou em todas as regiões. Os maiores acréscimos deram-se no Algarve (5,0 p.p.), na Região Autónoma da Madeira (2,2 p.p.) e no Norte (1,4 p.p.).
No ano de 2012, as maiores taxas de desemprego foram registadas no Algarve (17,9%), em Lisboa (17,6%), na Região Autónoma da Madeira (17,5%), no Norte (16,1%) e no Alentejo (15,9%).
Os valores mais baixos foram observados no Centro (12,0%) e na Região Autónoma dos Açores (15,3%).
Em relação ao ano anterior, a taxa de desemprego aumentou em todas as regiões. Os maiores aumentos ocorreram na Região Autónoma dos Açores (3,8 p.p.), na Região Autónoma da Madeira (3,7 p.p.), no Alentejo (3,5 p.p.), em Lisboa (3,5 p.p.) e no Norte (3,1 p.p.).
Os dados do INE indicam ainda que a taxa de desemprego estimada para o 4º trimestre de 2012, a nível nacional, foi de 16,9%. Este valor é superior em 2,9 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2011 e em 1,1 pontos percentuais ao do trimestre anterior.
A população desempregada foi de quase um milhão de pessoas (923,2 mil), o que representa um aumento homólogo de 19,7% e trimestral de 6,0% (mais 152,2 mil e 52,3 mil pessoas, respetivamente).
A população empregada foi de 4 531,8 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 4,3% e trimestral de 2,7% (menos 203,6 mil e 124,5 mil pessoas, respetivamente).
A taxa de desemprego média anual de 2012 foi de 15,7%, o que representa um acréscimo de 2,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
A população desempregada foi de 860,1 mil pessoas, tendo aumentado 21,8% em relação ao ano anterior (mais 154,0 mil pessoas). A população empregada registou um decréscimo anual de 4,2% (menos 202,3 mil pessoas).

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Sai fumo laranja da chaminé do Vaticano

Habemus papa. Após a resignação do Ratozinguer do cargo do Papa muitos já sonham ficar-lhe com a cadeira mas bem podem desistir. Pelo que se sabe o nosso Miguel Relvas já foi ao Seminário "Moderna" para tirar um curso acelerado de Papa e segundo parece a sua experiência de vida permite-lhe aspirar aos cargo desde já. Consta que conseguiu umas equivalências por ter assistido a uma missa na televisão e ajudado a colocar a vaca e o burro no presépio governamental. Para o acompanhar em mais esta difícil tarefa fala-se que possa contratar o Oliveira e Costa para Presidente e o Dias Loureiro e o Duarte Lima para a administração do Banco do Vaticano. Assim se cumprirá a profecia do Nostradamus de que este será o último Papa. Depois prevê-se a privatização da Basílica de São Pedro, a venda da Capela Sistina e a chegada do FMI.

Itália: onde pára a esquerda?

Os partidos à esquerda do Partido Democrático lutam pela sobrevivência nas próximas eleições. Em 2008 não conseguiram eleger nenhum deputado, se a situação se mantiver a coligação comunista arrisca-se a mergulhar num mar de irrelevância política. Fantasma da participação no governo de Prodi ainda pesa.
A coligação La Sinistra l'Arcobaleno (Arco-íris) não conseguiu mobilizar sequer o seu eleitorado fidelizado. Acima de tudo, a Coligação Arco-íris está a pagar pelo facto de ter apoiado durante dois anos o governo de centro-esquerda de Romano Prodi
É uma questão de sobrevivência, aquela que assola os partidos à esquerda do Partido Democrático (PD) nas próximas eleições, que se realizam em Itália no final deste mês. Nas últimas eleições, em 2008, não conseguiram eleger nenhum deputado no Parlamento.
Se isto se repetir nas próximas eleições, o futuro da Esquerda na Itália está em risco. O Partido della Rifondazione Comunista (PRC), o Partido dei Comunisti Italiani (PdCI), entre outros, foram excluídos devido à regra dos 4%.
A coligação La Sinistra l'Arcobaleno (Arco-íris) não conseguiu mobilizar sequer o seu eleitorado fidelizado. Acima de tudo – e a análise é unânime -, a Coligação Arco-íris está a pagar pelo facto de ter apoiado durante dois anos o governo de centro-esquerda do Primeiro Ministro Romano Prodi: Rifondazione, Comunisti Italiani, os Verdes e a Esquerda Democrática tiveram ministros em funções mas, em dois anos de mandato, nenhum deles realizou nenhum trabalho passível de ser mostrado. Os resultados falaram por si.
A vontade de sobreviver
Mesmo após cinco anos a fazer oposição fora do Parlamento, não se pode falar numa regeneração da esquerda em Itália. Em 2008, a Rifondazione Comunista, após uma cisão, separou-se, transformando-se em dois partidos. O porta-voz da minoria, Nichi Vendola, fundou a Esquerda Ecológica – Sinistra Ecologica Libertà (SEL) – que, nas eleições de 24 e 25 de fevereiro, aparecerá coligado com o Partito Democratico. A figura mais importante do Partido Democrático é Pier Luigi Bersani, que em Dezembro ganhou as eleições internas e assim se afirmou como principal candidato. Vendola, pelo contrário, perdeu as eleições na primeira volta com dececionantes 15%. Com esta derrota, decidiu apoiar Bersani.

Vendola está sem dúvida a aceitar um risco visto que, o PD como candidato favorito à vitória nas próximas eleições, não é uma força de rutura política. Significa isto que assumir um cargo no governo implica dar continuidade ao legado deixado por Mário Monti. A não renegociação do pacote de medidas Fiscais da União Europeia e das condições impostas a Itália na zona Euro e a impossibilidade de alteração das recentes reformas quanto ao despedimento de trabalhadores não deixam grande margem de manobra. Pequenas alterações nas taxas impostas pela austeridade de Monti podem ainda ser feitas, mas isto só acontecerá caso Bersani e o Partido Democrático o considerem aceitável.

É preciso ter em conta que, em breve, a Esquerda Ecologista de Vendola irá reunir novamente com Bersani e Monti ou, outra opção, é reunir com seguidores das políticas de Monti. A maioria absoluta está garantida na Câmara dos Deputados, no entanto, isto não é verdade para o Senado. Caso essa maioria não seja atingida no Senado, Bersani tenciona fazer uma coligação com a corrente ideológica de Monti. Para Vendola e o Partido Ecologista este seria um sapo difícil de engolir. Neste momento já existe uma acesa discussão entre Bersani e Vendola no que toca à participação das tropas italianas no Mali.

No entanto, enquanto Vendola se aliar ao Governo, a coligação de esquerda Rivoluzione Civile está totalmente na oposição. Esta coligação, formada pela Esquerda Comunista, os Verdes e o partido Italia dei Valori – partido do ex-activista anti-corrupção Antonio Di Pietro -, tem algo de muito concreto em comum: a vontade de sobrevivência. Se falamos em vontade de sobrevivência, temos também de referir o Movimento Arancione – coligação vinda de Milão, Nápoles e Palermo - que ganhou as eleições regionais.
Deste contexto surge Antonio Ingroia, o candidato favorito da Rivoluzione Civile. Nascido em Palermo, em 1959, colaborou como jurista na Antimafia-Pool, da qual faziam parte os juízes
Falcone e Borsellino que foram assassinados em 1992. Ingroia é conhecido pela sua investigação no caso “Cosa Nostra”. Ele descreve-se como “partidário da Constituição” e no Outono lançou um apelo cujo slogan era Cambiare si può (É possível mudarmos). Ingroia declara-se laico, apoia o ensino público e as políticas anti-máfia. A polémica em torno do seu programa prende-se no facto de ser uma rejeição clara do programa de austeridade de Mário Monti e da versão light de Bersani.
É assim que Ingroia se distingue positivamente da Agitação do Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, que faz uma campanha cerrada contra o que designa de “classe política”. Recentemente, Grillo comparou os políticos com Mussolini, Hitler e Ceausescu pouco antes do colapso dos seus regimes.
O mal menor
No entanto, o movimento de Grillo representa uma forte concorrência para os restantes partidos à esquerda. É impossível prever se a Rivoluzione Civile vai conseguir ultrapassar a barreira dos 4% e, assim, assegurar um lugar na Câmara dos Deputados; na segunda câmara, o Senado, a votação mínima a assegurar é de 8%. Para o conseguir, Ingroia apresenta o argumento do “mal menor”. Dado que as sondagens mostram um aumento da intenção de voto na Direita de Berlusconi, Bersani e Vendola apelam ao voto útil no centro-esquerda. Em 2008, a coligação de centro-esquerda, liderada por Walter Veltroni, fez o mesmo e conseguiu, desse modo, desviar votos da coligação arco-íris.
As últimas sondagens preveem uma votação de exatamente 4% para a Rivoluzione Civile.
Nesta coligação, os comunistas estão numa forte campanha para que os eleitores votem melhor do que em 2008, o que não será fácil porque, como admitiu o secretário geral da Rifondazione Comunista, Paolo Ferrero, o “líder” Antonio Ingroia não personifica a tradição cultural e política. O camarada de Ferrero, Alberto Burgio, concorda. Num provocativo editorial de um jornal diário – Il Manifesto -, publicado a 15 de Janeiro, Burgio escreve “apenas o sucesso da Rivoluzione Civile pode trazer mudança, sem a qual a Esquerda em Itália poderá desaparecer por bastante tempo”. E acrescenta, “seria imperdoável não aproveitar esta última oportunidade”.

1. O sistema eleitoral italiano exige um mínimo de 4% dos votos para os partidos não coligados, e 10% para partidos coligados sendo que, no segunda situação, quando não se verifica a obtenção de 10% dos votos, aplica-se os 4% para partidos individuais.
2. Antimafia-Pool: Grupo de magistrados do Ministério Público de Palermo que, compartilhando informações, trabalharam para desenvolver novas estratégias de investigação para desmantelar a máfia siciliana.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

A MEMÓRIA DOS POVOS É CURTA…

A ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada quase sempre pela falta de memória. Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país. Tal qual como a Grécia actualmente.
«A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.
Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós--guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.
O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia. As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas.
Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.
Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava.
Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.
Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas
do exército alemão de ocupação. As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.
Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.
Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel. Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores", disseram ao jornal "Bild".
Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas. O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante.
"No século XX, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial,
que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch. O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas. A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade
económica a outros países. Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.

Tertúlia Plural

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Lições dos Erros Económicos da Islândia – Parte II

O panorama delineado do milagre económico da Islândia também tem falhas importantes. Apesar de a economia ter voltado, em parte, ao seu nível anterior à crise, os fundamento subjacentes estão infetados de térmitas, de maneira que a mais pequena brisa poderia derrubar as bases de toda a economia. Segunda parte do artigo de Olafur Margeirsson. Ver aqui a primeira parte.
O cartaz diz:"O povo da Islândia conseguiu! Nova Constituição, novo governo, acabou a escravatura da dívida dos bancos – deixem-nos escolher a liberdade agora!". Foto de cactusbones
Ah, sim... o alívio da dívida...
Bem, vamos deixar uma coisa clara desde o princípio: os lares islandeses não receberam um perdão massivo da dívida por parte do governo!
O que os lares receberam do governo foi “ A Medida do 110%” (se a sua hipoteca é maior do que 110% do valor de mercado da sua propriedade, baixa-se o valor nominal da dívida até 110%) e “O Alívio Abstrato da Dívida”, aplicável apenas aos que estivessem em dificuldades “sérias” de endividamento.
A dívida privada total que foi cancelada devido a medidas desencadeadas pelo governo ascendeu a 49,8 milhões de coroas islandesas. Para dar sentido a este valor: a dívida das famílias islandesas precisamente antes do colapso económico em outubro de 2008 ascendia a mais de 1.450 milhões de coroas islandesas. Assim, o governo conseguiu dar aos islandeses um perdão de 3-4% do total das suas dívidas. Hurra!
Logo depois veio a surpreendente entrada do sistema de justiça
Tudo começou com algumas pessoas a tentar averiguar o que tinha corrido mal. Alguém apercebeu-se do facto de que os empréstimos vinculados a uma moeda estrangeira pareciam ser ilegais desde 2001. Esta ilegalidade não deteve os bancos de criar milhares de milhões de hipotecas e empréstimos a particulares para automóveis, assim como contratos gerais de crédito a empresas em coroas islandesas mas vinculados à taxa de câmbio de uma moeda estrangeira. Isto era, no mínimo, de uma moralidade duvidosa! Finalmente, os empréstimos cotados à moeda estrangeira foram considerados ilegais depois de uma luta judicial que ainda não terminou (continua a discutir-se que tipo de empréstimos cotados a uma moeda estrangeira são ilegais.)
Contudo, há aqui uma reviravolta para todos os que pensavam que o governo estava a aliviar um pouco as famílias da sua dívida. Depois de os empréstimos cotados em moeda estrangeira terem sido declarados ilegais pelo Supremo Tribunal, o governo interveio e pôs em vigor uma lei retroactiva cujo efeito era a banca receber maiores juros desses empréstimos. Ou seja, a dívida passava a ser maior do que antes da aprovação dessas leis.
A porta da sala do tribunal abriu-se outra vez e agora as leis que o mesmo governo havia posto em marcha estavam na mira. Consideraram-se definitivamente ilegais precisamente pela sua retroactividade e os empréstimos às famílias foram corrigidos. Resultado final: uma correção de 146.800 milhões de coroas islandesas – quase o triplo do que o governo lhes deu, apesar do facto de que o governo “de esquerda” tentar intervir com um lei retroactiva.
Assim, no total, os lares islandeses tiveram um perdão da dívida de 196.300 milhões de coroas islandesas. Isto representa cerca de 13% do stock da dívida que tinham, na sua maioria procedente da luta contra os empréstimos ilegais cotados à moeda estrangeira.
Contudo, apesar do cancelamento de 13% do total da dívida, o saldo negativo privado cresceu novamente. E porquê? Não por as famílias terem regressado à festa de gastos, que sem dúvida existia antes da crise. Foi devido à indexação do capital das hipotecas na Islândia: se a inflação é de 5%, o capital em dívida ao banco aumenta 5%! Além do ajuste do capital à taxa de inflação, as taxas de juro rondam os 4-5%. E tendo em conta que taxa de inflação na Islândia desde Outubro de 2008 é de 25%, pode entender-se por que é que a dívida privada não está a cair de acordo com o que se poderia esperar após o perdão de 13%. Em comparação como Produto Interno Bruto (PIB), a dívida privada é de 117% (final do ano de 2011) em comparação com os 127% do PIB antes da crise.
Tenho pena, mas o (não) tão famoso perdão da dívida não foi mais do que um remédio para curar a tosse a um doente grave.
“Se eu me for não haverá problemas, e se fico duplicarão!”
Comentámos brevemente a existência de controlo de capitais e como o FMI se apercebeu de que eram uma arma que, pelo menos, deveria ser tida em conta dentro do arsenal anticrise. Pena que, para os países do Sudeste Asiático, não se aperceberam antes.
Genericamente, o controlo de capitais é considerado como um entrave na economia, ainda que a prática demonstre terem sido uma escolha bastante atrativa quando se trata, não apenas de responder à crise em curso, mas também de evitar que esta se repita. Contudo, o tema é complicado porque o controlo de capitais abre a porta a investimentos maus, ao favoritismo (exceções a esses controlos) e a um mercado negro de divisas. Nada disto é desejável, por isso muitas vezes é preferível que se livrem do controlo de capitais. Pelo menos a sua implementação tem de ser escrupulosamente planeada!
Tudo isto correu mal porque os controlos de capital foram estabelecidos em 2008, num momento de pânico, e agora o FMI finalmente compreendeu que a sua natureza de “curto prazo” pode não ser assim tão curta (“enquanto a posição externa [da economia] é saudável, a Islândia é vulnerável à eliminação de controlos de capitais antes de as condições internas serem adequadas”).
Por outras palavras, se retirarmos os controlos e permitirmos que uma taxa de câmbio flutue talvez uns 20-25% (algo que facilmente podia acontecer já que a taxa de câmbio – offshore – da coroa islandesa está aproximadamente 40% mais fraca do que a taxa que marca o controlo interno) corremos o risco de que a economia vá para o inferno! É isto o prodígio económico!
Lamento, mas se alguns ungunentos verdadeiramente heterodoxos não se aplicam ao problema da taxa de câmbio, os controlos de capital chegaram para ficar! E isto é problemático devido ao mencionado impacto geral negativo que tem sobre a economia.
O problema é que os ditos unguentos já tinham sido propostos. E são tão heterodoxos que nem o governo, nem o FMI, nem mesmo os Senhores das Finanças, querem sequer pensar neles. Isto é assim apesar do facto de que, historicamente, estes remédios já se aplicaram noutros países onde produziram melhorias imediatas e duradouras que surpreenderam todo o mundo – exceto as pessoas que os aplicaram. O milagre económico alemão é um exemplo excelente das pomadas heterodoxas de que estamos a falar.
Mas porquê a recuperação?
A pergunta sobre o porquê de a economia ter recuperado não foi ainda respondida. Mas Richard C. Koo deu um resposta há dois anos no seu artigo “O mundo numa recessão de equilíbrio”. A sua resposta foi a seguinte: a economia da Islândia encontra-se num “choque de Lehman Brothers”, em concreto, podemos dizer que foi um “choque pós-banca falida”.
O argumento é o seguinte. Em primeiro lugar, a economia experimenta uma grande bolha da dívida. Quando as finanças Ponzi herdadas da bolha da dívida finalmente explodem, os preços dos ativos caem e a economia desacelera, surgindo a ameaça de que uma instituição financeira importante se afunde. Assim ocorreu com Lehman Brothers nos EUA, porém, no caso da Islândia, a quebra foi do sistema financeiro no seu conjunto.
Obviamente, essa quebra representou um duro golpe na economia e foi como tirar um pedra da base da Torre de Pisa. No entanto, quando o pânico económica se alivia, o comércio volta – as pessoas têm de comer – a economia recupera lentamente a partir do seu nível mais baixo. O desabar da taxa de câmbio também ajuda a impulsionar o turismo.
Esta “recuperação natural” é a recuperação económica da Islândia! Não há nada de surpreendente no crescimento económico deste país, é uma resposta totalmente normal a um “choque pós-banca falida”: a mera recuperação do pânico absoluto traz a nova recuperação da produção e, com ela, o crescimento económico. O problema é que as dívidas continuam aí e os fundamentos subjacentes podem quebrar a qualquer momento.
O artigo de Koo é extraordinariamente claro neste ponto: a recuperação depois do “choque pós-banca falida” não é uma recuperação dos problemas subjacentes à dívida que, de facto, no início provocaram aquele choque. Tendo em conta a debilidade dos fundamentos económicos reais da Islândia, a resposta de Koo é bastante correta.
Por outro lado, um crescimento económico de 3,2% emociona alguém? Perante o contexto histórico: na verdade, não. Porém, em comparação com o Sul da Europa: a maioria diz sim, sem dúvida! Essa é talvez a razão pela qual o exíguo crescimento da Islândia está a causar tanta perturbação.
“O longo prazo é um guia enganador para os temas da atualidade. A longo prazo, todos estaremos mortos.” (O futuro)
Pronto, aqui o têm. O panorama delineado do milagre económico da Islândia também tem falhas importantes. Apesar de a economia ter voltado, em parte, ao seu nível anterior à crise, os fundamento subjacentes estão infetados de térmitas, de maneira que a mais pequena brisa poderia derrubar as bases de toda a economia. Isto aplica-se especialmente ao problema da supressão dos controlos de fluxo de capitais.
Não obstante, a Islândia tem energia limpa, um povo feliz, está a crescer de novo (pelo menos por agora) e tem muitas possibilidades de ser um paraíso na Terra a longo prazo, mas não é isso que importa agora. Devemos recordar o que Keynes nos ensinou: “O longo prazo é um guia enganador para os temas da atualidade.” E porquê? Devido ao facto de que “A longo prazo, todos estaremos mortos.” Dizer que tudo vai ficar bem num futuro longínquo é inútil se morrermos antes que ele finalmente chegue.
Mas fizemos alguma bem? Sim, fizemos!
. Demos a cara contra o FMI e, ainda que fora de forma pouco entusiasta, é provável que tenha servido para preservar o sistema de bem-estar e os estabilizadores económicos gerais dos gastos públicos.
. Introduzimos um perdão da dívida pelo qual devemos felicitar-nos, apesar de ser como pôr um penso numa ferida aberta por uma arma de fogo, pelo menos fez-se. Demonstramos que os perdões da dívida são possíveis!
. Por último, mas não menos importante: salvámos o sistema eletrónico de pagamentos! Manter o bom funcionamento de um sistema eletrónico de pagamentos num país cujo sistema financeiro está a desmoronar é um feito em si mesmo incrível!
Na verdade, a maior lição da Islândia a outros países é sobre como manter o sistema eletrónico de pagamentos com vida durante a tempestade financeira. Essa lição passou completamente despercebida e não acredito que uma única entidade estrangeira ou banco central tenha reparado nela até agora. Em grande medida, isto anula o problema do “too big to fail” sobre a banca tradicional. Portanto, a lição é enorme e o seu valor incrível!
Sobre o autor: Olafur Margeirsson é islandês e está a fazer um doutoramento em Exeter (UK). Atualmente está a escrever um livro chamado “Economia má: Como as Políticas Económicas Estúpidas da Islândia levaram o País à Bancarrota” (extrato disponível aqui). O livro explica em detalhe o que se menciona no artigo, desde como a indexação das hipotecas foi à loucura, ou como o funcionamento do sistema de pensões é uma doença financeira para o país, e justifica por que é que a segunda crise económica da Islândia está ao virar da esquina, já que, na realidade, o menino prodígio da economia está doente.
Publicado em Sintetia
Tradução de Sofia Gomes para o Esquerda.net
Leia aqui a primeira parte deste artigo
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