terça-feira, abril 16, 2013

Utentes da Via do Infante preparam buzinão contra portagens para pedir demissão do Governo

A Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) anunciou hoje que vai pedir a demissão do Governo num buzinão de protesto contra as portagens agendada para 27 de abril, na Estrada Nacional 125 (EN125), entre Faro e Olhão.


LUIS FORRA/LUSA
LUIS FORRA/LUSA
O dirigente da Comissão de Utentes João Vasconcelos disse à agência Lusa que “urge mais que nunca” exigir a demissão do Governo, para que possa ser empossado outro executivo que “tenha coragem para acabar com as portagens”.
“Este governo não tem coragem, e à partida não irá ter, para suspender e acabar com as portagens, tendo em conta o desastre e a catástrofe económica que está instalada na região”, afirmou João Vasconcelos.
O dirigente da estrutura que representa os utentes da antiga autoestrada Scut (Sem custos para o utilizador), que o Governo decidiu portajar a 08 de dezembro de 2011, disse acreditar que um novo Governo terá como “uma das primeiras medidas a implementar a abolição das portagens”.
“Por isso, exigimos a demissão do Governo e que dê lugar a outro para serem criadas as condições para acabar com as portagens na Via do Infante”, defendeu.
João Vasconcelos explicou que a decisão de realizar a marcha lenta e buzinão entre Faro e Olhão a 27 de abril “já tinha sido tomada anteriormente” pela Comissão de Utentes, mas faltava anunciar a data.
“A Comissão de Utentes não se vai render, vai continuar a lutar, porque está provado que as portagens representam uma catástrofe social e económica para o Algarve, como nós dissemos há 15 meses. E aí estão as evidências todas, com 80 mil desempregados, muitas falências de empresas e muitas mortes na EN125 e nas estradas conexas”, considerou.
Vasconcelos justificou a escolha do local do protesto com o muito trânsito que se faz sentir na EN125 entre Faro e Olhão depois da introdução de portagens, por muitos automobilistas utilizarem esta estrada para evitar pagar portagens na Via do Infante, e também com a paragem das obras de requalificação na estrada nacional há mais de um ano devido a problemas económicos do consórcio construtor.
“Entre Faro e Olhão porque é uma via ‘sui generis’, muito condicionada, com as obras de requalificação da EN125 paradas logo à saída de Faro. E também não vai ser construída a variante a Olhão, onde as viaturas passam por dentro da cidade, com prejuízos para cidadãos”, disse.
João Vasconcelos referia-se à decisão do Governo de suspender um conjunto de variantes que estavam previstas no projeto inicial de requalificação da EN125, de forma a conter custos e evitar gastos para o Estado em tempos de austeridade e contenção económica motivada pela crise.

sábado, abril 13, 2013

Palingenesis – Populismos de Extrema-Direita na Europa Versão para impressão
Deputados do Partido Aurora Dourada no Parlamento gregoSabemos que o populismo se alimenta do cansaço, do medo, da desconfiança e, até certo ponto, da ignorância. Porém, quando analisamos o rápido crescimento de popularidade dos partidos de extrema­-direita na Europa nos últimos seis anos, devemos questionar-­nos se estes fatores justificam por si só tamanha erosão de uma memória coletiva ainda tão recentemente cimentada.
Artigo de Lídia Pereira

(Os imigrantes ilegais) são parasitas que bebem a nossa água, comem a nossa comida e respiram o nosso ar grego. (...) são primitivos, um miasma: sub-humanos. Não queremos saber da sua existência. (...) estamos prontos para abrir os fornos. Vamos transformá-los em sabão mas podemos apanhar alguma alergia, portanto só o usaremos para lavar carros e calçadas. Faremos candeeiros da sua pele. (...) E quanto aos esquerdistas? Faremos contas dos seus dentes.
Alexander Plomari, Aurora Dourada

Sabemos que o populismo se alimenta do cansaço, do medo, da desconfiança e, até certo ponto, da ignorância. Porém, quando analisamos o rápido crescimento de popularidade dos partidos de extrema-direita na Europa nos últimos seis anos, devemos questionar-­nos se estes fatores justificam por si só tamanha erosão de uma memória coletiva ainda tão recentemente cimentada.

Embora em alguns países a extrema-direita ocupasse ou tivesse ocupado já uma posição relevante na esfera política nacional anteriormente a este período, poderemos apontar a Grécia,a Hungria, a Finlândia, a França, a Inglaterra, a Bélgica, a Dinamarca, a Áustria, a Itália, a Noruega, a Suécia, a Holanda e a Suíça como os países onde partidos de extrema­-direita têm feito sentir a sua influência, chegando mesmo, em alguns casos, a obter presença parlamentar. Em comum têm o discurso nacionalista, conservador e anti-europeu, muito embora os separem as nuances no que à obtenção de apoio eleitoral diz respeito. O conservador ataque xenófobo deste tipo de partidos faz-se sentir, também ele, de maneira diferente entre os países do Oeste da Europa e os países do Leste da Europa: no Oeste, é a Islamofobia o paradigma dominante; no Leste, as comunidades romena e judaica são as mais atacadas. É de sublinhar, ainda, um esforço na suavização do discurso racista, recorrendo à crítica das políticas de integração, e não é incomum a negação do seu carácter antissemita, procurando dissociar­-se do fantasma do Holocausto.

O teórico político britânico Roger Griffin cunhou, em 1991, o termo "ultranacionalismo palingenético", segundo ele um dos mitos estruturantes do fascismo (muito embora outras ideologias possam também apresentar ideias palingenéticas). Do grego "palin" (renovação) e "genesis"(início), a pedra basilar do fascismo, enquanto ideologia, seria a de renascimento do estado ­ "renascimento nacional". Esta noção assume a decadência e a incapacidade do anterior regime, pelo que é imperativa a renovação nacional através da revolução.

Argumenta Griffin que é no descontentamento da população com as políticas vigentes que o fascismo faz o seu maior esforço de alargamento de bases. Assim, creio que poderemos apontar o papel catalisador da crise na satisfação deste esforço nos países mais ou menos afetados pelas destrutivas medidas de austeridade, como o sejam, por exemplo, a Grécia e a França.

A Europa dividida, autoritária e predadora, cujo papel na crise tem sido o de empobrecer a periferia, ignorando os seus quadros sociais, poderá ser um fator de compreensão do fenómeno de disseminação de ideais anti-Europa. Também o repúdio nacionalista pelos imigrantes e minorias encontra agora um eco mais alargado junto da população a braços com os elevados níveis de desemprego ­ a imigração desequilibra a economia, argumentam.

Na Grécia, tal relação entre a crise e a popularidade da extrema-direita é vincada pela assumpção da Aurora Dourada enquanto partido anti-austeridade. Em ambos os casos é, também, advogada a importância de um Estado Social forte. No entanto, são de assinalar notáveis diferenças na representação parlamentar de cada um dos partidos. Enquanto que na Grécia a Aurora Dourada conseguiu eleger 18 deputados, em França, muito embora na primeira ronda Marine Le Pen tivesse atingido os 18% (um pico histórico para o partido), o Front National acabou por eleger apenas 2 deputados.

Entretanto, o Perussuomalaiset ("Verdadeiros Finlandeses") na Finlândia, do outro lado do espetro da crise financeira, poderá também dever parte da sua popularidade ao contexto europeu: a sua campanha eleitoral, cujas invetivas lançadas a Bruxelas ("o coração da escuridão") e aos países resgatados lhes conseguiu 19% dos votos nas eleições parlamentares em 2011, e o 4o lugar nas presidenciais em 2012, culmina na recusa de assumir o pagamento dos erros dos outros.

Apesar de o seu papel na crescente desconfiança face ao poder estabelecido fazer deste um momento propício para a disseminação de ideais palingenéticos, a crise europeia, segundo um estudo realizado pela Political Capital, não deverá ser apontada como única responsável pela subida de popularidade dos partidos de extrema-direita ­ mesmo nos países onde foi
determinante para tal taxa de sucesso, outros fatores poderão ser apontados.

Vejamos o caso da Hungria: como estratégia de alargamento de bases, o Jobbik argumentou, com base num estudo de cariz erróneo, que graças à expansão da comunidade romena, os húngaros se teriam tornado uma "minoria no seu próprio país". Sendo o primeiro partido a abrir debate sobre este assunto, a estratégia obteve os resultados desejados e o partido conseguiu 16% dos votos nas eleições de 2010, assegurando-lhes 44 lugares em 368 do parlamento húngaro. A Hungria encontra­-se, atualmente, no 4o lugar de uma lista efetuada pela Political Capital que determina os países mais preconceituosos; confirmada como um dos mais antissemitas países da Europa, a sua história e cultura, onde estes ideais nunca chegaram a ser verdadeiramente ultrapassados e onde um forte sentimento anti-comunista se encontra disseminado, têm mais que ver com esta popularidade da extrema-direita do que com o contexto de crise europeia.

Apesar de não se inserir no período em análise, talvez seja interessante referir o pico de sucesso que a extrema-direita atingiu em 2002, um pouco por toda a Europa, conquistando lugares no parlamento na França, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Itália, Noruega e Suíça. No caso francês, o contexto de forte fragmentação da oferta política é apontado como possível explicação do sucesso obtido nas presidenciais por Jean-Marie Le Pen (Front National) que, com 16,86 % dos votos, atingiu a segunda ronda. A campanha, baseada na insegurança dos franceses relativamente às taxas de desemprego e de crime, foi fortemente apoiada pelos media. Dados de um estudo do Romanian Journal of Political Science apontam, no entanto, a inconclusividade dos dados relativamente a estas taxas na explicação do sucesso de Le Pen.

O comportamento do centro-direita tradicional, dos considerados partidos mainstream, poderá também adquirir um forte papel no crescimento da base eleitoral da extrema-direita, pois poderá dar-­se o caso do seu discurso redundar na normalização e legitimação política da narrativa fascista.

Argumenta-­se que, não fora o discurso conservador da direita grega tradicional, fundado sobre ideais anti-comunistas e elementos de cariz autoritário, jamais a Aurora Dourada teria alcançado o sucesso eleitoral confirmado pelas últimas sondagens, realizadas a fevereiro deste ano, que apontam uma subida de 18 para 36 deputados. Isto é, foi a narrativa institucionalizada que, em larga parte, permitiu à crise a sua atuação catalisadora.

É apontado, aliás, o perigo desta ocupação parlamentar na mudança de paradigmas governamentais e acusa-se o poder instituído de se aproveitar deste sucesso da direita radical para legitimar a sua própria viragem.

Nas eleições de 2012, Sarkozy fez nova aposta na arriscada estratégia que lhe ganhou os votos da base eleitoral da Front National em 2007, baseando a sua campanha no inflamado discurso contra a ineficácia das políticas de integração provocada pelo excesso de imigrantes no país, cujos efeitos se fariam sentir nas altas taxas de desemprego e crime. Se em 2007 a tática obteve sucesso, a verdade é que os valores elevadíssimos que a taxa de desemprego atingiu durante o seu mandato provocaram o descontentamento do eleitorado radical. Demonstrada a incapacidade de Sarkozy cumprir as suas promessas, não só houve um retorno dos simpatizantes do FN às suas origens, como, pela redundância desta estratégia na legitimação e normalização do discurso nacionalista, se verificou até um alargamento desta base.

Na Hungria, o governo de direita Fidesz não raras vezes dá a entender que na batalha pela restauração nacional a extrema direita não se encontra sozinha: será apenas estratégia? Será a ascensão política do Jobbik o contexto ideal para fazer passar as suas próprias posições mais conservadoras? Será uma combinação das duas? Em abril de 2011, o partido de Viktor Orbán fez aprovar a chamada "Constituição de Páscoa", um documento cujo preâmbulo extravasa de sentimento nacionalista, e o qual, para além de elaborado em regime de opacidade e unilateralismo, espartilha as liberdades democráticas através de cláusulas que constrangem a oposição, garantindo ao partido uma acumulação e cristalização do seu poder, previsto estando até o cenário de perda de futuras eleições. No dia 11 de março foram, pela quarta vez no espaço de um ano, votadas alterações por imposição europeia. Ufana no uso do argumento da ultrapassagem definitiva do fantasma do comunismo na aprovação da nova constituição, esta direita, no seu discurso e na sua postura autoritária de asfixia democrática, em pouco ou nada se distingue da sua versão mais extrema, representada pelo Jobbik.

A elitizada base intelectual que sustenta estes partidos, permitindo assim uma preocupante influência política sobre a opinião pública, é um fator comum não só a esta vaga de popularidade, mas, em geral, a todo os partidos que advogam ideais fascistas fator pelo qual o combate aos mesmos deverá passar, entre outros, pela informação e educação, pelo debate público e reposição, no seu devido lugar, da memória coletiva. Onde a democracia não se faz acompanhar de formação cívica para a cidadania, jamais poderá ser plenamente participada e nestas condições, far-se-ão sempre sentir os populismos. Não é por acaso que o esforço de alargamento de bases por parte da extrema-direita se faz, na sua grande maioria, junto da população mais jovem.




Pesquisa adicional
"How to tackle the far right? Delusions and new Proposals" [em linha] Disponível em WWW:
<http://www.riskandforecast.com/post/europe/how­to­tackle­the­far­right­delusions­and­new­proposals_788.html>
"The Greek Left and the Rise of Neo­Fascism"[em linha] Disponível em WWW: <http://www.globalresearch.ca/the­greek­left­and­the­rise­of­neo­fascism/5312125>
"Right­Wing Extremism in France ­ Departmental Differences in the vote for the National
Front"[em linha] Disponível em WWW: <www.polisci.uconn.edu/people/grads/.../FN%20article.pdf>
Foto: Deputados do partido Aurora Dourada no Parlamento grego.

“O dia em que nasc[eu] morra e pereça” Versão para impressão
thathcerlegacyA muito tardia morte da Margareth Taetcher, que os nossos plumitivos situacionistas adoram chamar "Dama de Ferro" enquanto se babam, veio dar relevo à necessidade de  «interpretação autêntica», ou seja sustentada na realidade material da história e não nas inspirações ideológicas que a moldaram, dos anos em que governou de mão dada com o seu verdadeiro par, no outro lado do Atlântico, Ronald Reagan. Tal tem sido feito com grande profusão de textos de inegável qualidade.

Artigo de Mário Tomé
... "Não o queira jamais o tempo dar;/Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,/Eclipse nesse passo o Sol padeça/"
A muito tardia morte da Margareth Taetcher, que os nossos plumitivos situacionistas adoram chamar "Dama de Ferro" enquanto se babam, veio dar relevo à necessidade de  «interpretação autêntica», ou seja sustentada na realidade material da história e não nas inspirações ideológicas que a moldaram, dos anos em que governou de mão dada com o seu verdadeiro par, no outro lado do Atlântico, Ronald Reagan. Tal tem sido feito com grande profusão de textos de inegável qualidade.
Ao mesmo tempo os argumentadores ideológicos do mundo que nasceu, cresceu, medrou e se estampa - com danos colaterais absolutamente imprevisíveis e catastróficos - sob a orientação do neoliberalismo taetcheriano inspirado nas doutrinas que criaram as tragédias chilena (em setembro de 1973) e argentina (1976), estrebucham no alto do poder que Deus lhes deu e a custo mantém, para conseguirem convencer-nos que a realidade é criada pela força do mercado financeiro e dos exércitos e polícias dos Estados conglomerados no  G-8 ,na Trilateral,no clube de Bildeberg ou preparados no grupo dos «Scull and Bones» de Harvard.
Como diria Taetcher, aquelas personalidades responsáveis não devem ceder ao ulular da populaça que nem sequer percebe que a liberdade política só tem garantia jurídica, de resto tem de conformar-se à realidade imposta pelo capital esteja na sua pujança ou no seu estertor. A luta de classes, segundo Taetcher e os seus ex-súbditos, é uma monstruosa  deformação inventada para separar violentamente aquilo que nasceu para estar unido, os povos de cada nação, e no concerto das nações.
O Estado de Direito é  um operador interessante e respeitável, mas deverá estar sempre pronto a ceder à "realidade material", ou seja ao poder de facto, das forças do mercado, afinal e ainda, apesar do desprestígio actual do neoliberalismo, a "garantia última da democracia" como preconizaram Hayek e Freadman e se congratularam os nossos fantoches de serviço desde os anos oitenta.
O capital financeiro, já há muito divorciado totalmente das razões económicas da gestão da produção e da distribuição nas sociedades compostas por pessoas, por cidadãos e cidadãs a quem é teoricamente reconhecida a soberania primordial e a capacidade de decisão sobre os detinos da sociedade, desistiu de alardear a sua independência relativamente aos Estados (uma falsidade já que contava com eles para assegurar as privatizações – já só falta privatizar o ar, aliás - e a repressão )  para os subjugar de forma directa através da dívida chamada soberana.  .
Como todos sabem essa dívida tem sido o meio usado para  dinamizar os negócios, o mercado e tem sido nomeadamente a base de criação de  dinheiro mesmo que cada vez mais virtual e sem correspondência na economia. Daí também as contradiçõs surgidas entre os sectores capitalistas virados para a produção e a dinâmica da finança.
A crise actual, para quem não percbe nada de economia como é o meu caso, decorre da supremacia total e sem travão da especulação financeira, a economia de casino, arrasando tudo e estiolando tudo à sua passagem.
A maioria dos produtores de teoria económica fazem-no sob orientação , aliciamento, e pagamento dos grandes bancos. Basta ver o "Inside Jobs".
O ataque ao Tribunal Constitucional insere-se pois na programação ideológica de que a Constituição, ou seja a garantia do respeito da democracia pelo Estado, não pode opor-se à realidade, ou seja às ordens da finança. A democracia só é boa  se  tiver em conta a "realidade". É comovedor o materialismo destes macacos.
A Taetcher até confessou a Pinochet que tinha que fazer o que ele fez mas de forma mais lenta e cuidadosa, dado que os ingleses estavam habituados à democracia e o nazismo ainda era uma lembrança dolorosa em Inglaterra e não se podia agir à bruta; ou seja arrasar o movimento sindical inglês e os serviços públicos sem meter nisso o exército, só com a bestialidade policial. O exército, esse, era para os domingos sangrentos na Irlanda do Norte, onde a democracia se adaptou à realidade para assassinar Boby Sands e alguns dos seus companheiros em greves de fome que mostraram a convicção e firmeza de Taetcher.
A resposta do Bloco à ofensiva do Governo e da Merkel tem sido boa e tem respondido no essencial às propostas e exigências do movimento social.
Mas penso que é chegado o momento de ir além do que o protesto, a indignação e a revolta explícita impõem.
É tempo de lembrar que os democratas do sistema só se importam com o sofrimento do povo como alegação eleitoral. Quanto pior melhor. E sempre fazem figura, desde a abstenção violenta à não contemplação com mais austeridade, basta a que temos para mostrar como somos veementes no protesto, pensam eles. Aliás sempre foi assim
É tempo martelar e argumentar sistematicamente que o Governo não é incompetente, mas que a sua política obedece ardentemente ao programa de desarticulação social e de transferência nunca vista dos rendimentos do trabalho para o capital financeiro e de criar condições de dumping social equivalentes às da China. Para já não falar da Alemanha que permite que os imigrantes da Roménia e Hungria e Bulgária sejam tratados como escravos ao ponto de empresas polacas transferirem secções inteiras para a Alemanha para beneficiarem das condições medievais de trabalho consentidas pela senhora Merkel.
É tempo de dizer que se a democracia foi violada por Cavaco e Soares quando se exigia o referendo ao Tratado de Maastricht e por Cavaco e Sócrates quando se exigia o referendo ao Tratado de Lisboa, as consequências dessa violação grosseira do direito do povo exigem, nas actuais condições respostas à altura.  E que valia mais ter pago a multa de 160 milhões de euros e não ter aceite "a regra de ouro" do pacto orçamental que limitou drasticamente a já pouca soberania do estado português na UE.
Ou seja é tempo de deixar claro que a exigência da renegociação da dívida legítima é a proposta mínima que, se não for aceite, obrigará o povo português a assumir directamente a sua soberania se o Estado continuar a alijar a sua responsabilidade constitucional. Na União Europeia a relação entre Estados, para resolver a crise, deverá ser substituída na relação entre os povos e os trabalhadores, que imponham as regras da democracia e da boa gestão dos recursos materiais e financeiros, recuperando a credibilidade e a legitimidade dos Estados alienadas pelos que os assaltaram através da fraude e da mentira.
A soberania é dos povos. A dos Estados é delegada.
O dinheiro que o Governo extorque a quem trabalha para obedecer às mafias financeiras e pagar  a dívida que a banca e a especulação "offshoriana" consentida provocaram e que, em última racio é sua, faz falta para o povo português preservar a sua dignidade e o seu futuro.
Não é o povo que está em dívida, são os que estão a exigir o seu pagamento que estão em dívida para o povo.
Se não se colocar a crise nestes termos, creio que pouco vamos adiantar.
E a luta, mesmo a muito veemente e entusiástica, "dissolve-se no ar" se for para encanar a perna à rã. E não há nada como os democratóides e as terceiras vias para conseguir isso. Há batalhões de lacaios a trabalhar na propaganda do status quo, da inevitabilidade da obediência e da honestidade imanente do Estado.
Só o rugido da rua, que mostre que já percebemos tudo e não há mais ilusões nem contemplações, lhes incutirá o medo com que tentam paralisar-nos.
A Comuna

A guerra mundial da dívida

Os dados do Banco de Pagamentos Internacionais levam a duas grandes conclusões. A primeira, é que o ênfase que se põe habitualmente no perigo que acarreta a dívida pública (sem o desprezar) é uma cortina de fumo para ocultar o principal cancro que assola a economia capitalista e que é a dívida privada. E a segunda, que este cancro é tão grande que torna completamente insustentável o sistema. Artigo de Juan Torres López
Por Juan Torres López
No passado dia 18 de março de 2013, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS - Bank for International Settlements) atualizou séries históricas sobre a dívida privada de quarenta países. Os dados referem-se ao sector privado não financeiro que inclui empresas, famílias e instituições sem fins lucrativos e foram tomados a partir de diferentes anos de partida, segundo os casos, e após terem sido homogeneizadas as diferentes formas em que as dívidas foram geradas (a metodologia e os dados de todos os países em formato Excel podem ser acedidos em BIS, Long séries on credit to private non-financial sectors).
Surpreendentemente, estes dados têm passado muito despercebidos nos meios de comunicação apesar de provocarem calafrios e, pelo menos do meu ponto de vista, levam a duas grandes conclusões. A primeira, é que o ênfase que se põe habitualmente no perigo que acarreta a dívida pública (sem o desprezar) é uma cortina de fumo para ocultar o principal cancro que assola a economia capitalista e que é a dívida privada. E a segunda, que este cancro é tão grande que torna completamente insustentável o sistema, porque este não será capaz nem de amortizá-la nem de a fazer desaparecer graciosamente.
Dos dados que o Banco de Pagamentos Internacionais proporciona para os diferentes países podem extrair-se resultados como os seguintes:
- A dívida privada dos Estados Unidos (cujo PIB é de 16 biliões de dólares) era de 24,98 biliões de dólares (milhões de milhões) em 30 de setembro de 2012. Segundo os dados do BIS, este volume de dívida é duplo do que tinha há apenas nove anos.
- A dívida dos países da zona euro era de 15,70 biliões de euros (face a um PIB de 8,7 biliões) na mesma data, e também duplicou nos últimos nove anos. O Reino Unido, que tem uma dívida privada total de 3,1 biliões de libras (PIB de 1,4 biliões), só precisou de 7 anos para a duplicar.
Por outro lado, os dados mostram que a evolução da dívida na imensa maioria dos países apresenta algumas características comuns:
- A dívida privada em relação ao PIB tem aumentado extraordinariamente em quase todos os países, de cerca de 50% do PIB nos anos 60 ou 70 do século passado para 300% ou inclusive mais na atualidade.
- Ainda que a percentagem que representa o crédito que os bancos proporcionam sobre o total tenha diminuído muito, ao longo dos últimos anos, continua a ter um grande peso juntamente com o que proporcionam outro tipo de entidades financeiras não bancárias.
- Finalmente, os dados do BIS assinalam que o crédito às famílias, que tradicionalmente era bem mais baixo do que o que recebem as empresas, aumenta muito nos últimos anos, o que claramente reflete a perda continuada de poder de compra, o que faz com que o recurso ao crédito seja cada vez mais necessário em maior número de famílias de quase todos os países.
Mas, sem dúvida, o que merece uma menção especial é a magnitude da dívida que se está a acumular e que já é materialmente impagável. Isto é, não há nenhuma possibilidade de que o sistema a absorva na quantidade imensa que atingiu. Não pode haver rendimentos suficientes para a pagar sem que o sistema capitalista colapse.
Seguramente, muitas pessoas pensarão que não faz sentido que os bancos e as entidades financeiras em geral continuem a criar constantemente esses volumes tão grandes de dívida, que como temos visto duplicam a cada 7 ou 9 anos, sabendo que não a vão cobrar nunca. Mas faz sentido e é muito importante conhecê-lo.
O segredo consiste (como Vicenç Navarro e eu explicámos no nosso livro “Los años del mundo. Las armas del terrorismo financiero”, Espasa 2012)em que os bancos criam a dívida a partir do nada, realizando simplesmente meras anotações contabilísticas. Portanto, não lhes custa nada criá-las. E, no entanto, essa dívida está associada a juros (isto é, a uma retribuição que pagamos aos bancos por nos dar dinheiro que criam a partir do nada), de modo que os bancos têm sempre um retorno suficiente para obter juros impressionantes e converter-se nos donos do mundo sem necessidade de que lhes seja devolvida a totalidade da dívida que criaram. Só lhes basta emiti-la sem parar.
Graças aos juros, a dívida autoalimenta-se: necessita-se cada vez mais dívida para pagar a dívida anterior. De facto, a imensa maior parte da dívida gigantesca que os dados do BIS registam (como a de todos os países) é dívida que foi preciso subscrever para fazer frente à dívida prévia que foi criada pelos juros que foi preciso pagar por uma dívida criada pelos juros de dívidas anteriores… e assim sucessivamente, formando-se desse modo a espiral que condena a imensa maioria da humanidade ao empobrecimento.
Na antiguidade as dívidas eram uma das origens da escravatura. Hoje em dia achamos que já está abolida mas é mentira porque a dívida continua a converter centenas de milhões de pessoas e famílias em todo mundo numa espécie particular de escravos, escravos de facto. A dívida tira-lhes a liberdade e condena-os por toda a vida, amarra-nos e converte as sociedades em verdadeiras prisões.
A dívida é a forma da nova guerra mundial contra a imensa maioria da humanidade que a banca trava sem a ter declarado.
Há que acabar com isso. Há que abolir a escravatura da dívida e sabemos o que há que fazer para isso: principalmente, terminar com o privilégio irracional e imoral que permite aos bancos criar dinheiro a partir do nada, cada vez que dão um crédito. Isso é o que os leva, na sua procura constante do máximo lucro, a pressionar de mil formas para que o modo de produzir e a nossa forma de consumir dependa total e artificialmente do crédito, que é o seu negócio.
Artigo de Juan Torres López, publicado a 22 de março em Público.es e disponível em juantorreslopez.com. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

Sobre o/a autor/a

Juan Torres López
Catedrático de Economia Aplicada da Universidade de Málaga (Espanha). Conselho Científico de Attac-Espanha. A sua página web é: www.juantorreslopez.com

quarta-feira, abril 10, 2013

Hoje frente à entrada do Hospital do Barlavento. 
Administração do Hospital recuou.
Vale sempre a pena lutar!

Administração do Hospital do Barlavento suspende parqueamento pago para «repensar» (atualizada)

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio decidiu hoje, ao fim da manhã, suspender o pagamento nos parques de estacionamento da unidade de Portimão, disse ao Sul Informação uma fonte hospitalar.
A suspensão destina-se, segundo a mesma fonte, a «repensar» o que fazer com os acessos ao parqueamento pago, depois de esta manhã, e pelo segundo dia consecutivo, a medida que ontem entrou em vigor ter voltado a provocar filas de quilómetros à entrada de Portimão, causando mesmo sérios problemas ao acesso de ambulâncias e veículos de emergência.
O Conselho de Administração vai ainda «repensar» a situação dos funcionários do hospital, para os quais não chegam os locais de estacionamento disponibilizados, disse aquela fonte.
Numa nota de imprensa enviada quarta-feira ao final da tarde às redações, os responsáveis pelo CHBA revelaram que reuniram «de urgência com a Administração da empresa concessionária e foram analisadas as várias intercorrências, nomeadamente a morosidade no acesso aos locais de estacionamento por parte de utentes e trabalhadores e decidiu, de imediato e a título provisório, proceder à suspensão do processo de pagamento».
«O Conselho de Administração do CHBA, EPE recorda ainda que estes transtornos, causados no afluxo à Unidade de Portimão decorrem também de um problema, com os quais a Instituição se tem vindo a deparar desde a sua implementação no Sítio do Poço Seco: um único acesso à Instituição, assunto que está neste momento a ser debatido com a autarquia e entidades responsáveis com vista à sua resolução», lê-se no documento.
«A equipa de gestão demonstra a sua preocupação pelos acontecimentos dos passados dias 8 e 9 de Abril e lamenta transtornos e atrasos gerados, comprometendo-se a unir esforços no sentido de conciliar todos os interesses em causa», acrescentou o Conselho de Administração do CHBA.
(Atualizada às 18h20 com a posição veiculada em nota de imprensa pela administração do CHBA)

Bloco de Esquerda exige «demissão imediata» do Conselho de Administração do CHBA

O Bloco de Esquerda de Portimão exigiu hoje, em comunicado, a «demissão imediata» de todo o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, depois da confusão gerada ontem nos acessos ao hospital e à cidade, devido à imposição do parqueamento pago.
Além dessa medida, o BE portimonense considera como «situação inadmissível e ridícula» que a Administração do CHBA tenha alegadamente «dado instruções aos médicos para não demorarem mais que 10 minutos com os seus doentes», de modo a que os utentes não tenham que pagar muito no estacionamento. «Todos sabemos que isto é impossível de cumprir, pois cada caso é um caso», salienta o Bloco em comunicado assinado pelo seu coordenador concelhio João Vasconcelos.
O BE recorda que «o primeiro dia de estacionamento pago no Hospital do Barlavento, em Portimão, trouxe uma enorme confusão e o caos total nos acessos ao Hospital», acrescentando que também foi «muito perigoso ao colocar em perigo doentes e feridos com as viaturas do INEM e as ambulâncias a ficarem retidas nas filas de trânsito».
«As filas de trânsito chegaram a atingir quilómetros nas direções das Cardosas e do Malheiro. Muitas pessoas desistiram de ser atendidas no Hospital e muitos funcionários desta unidade hospitalar não conseguirem estacionar as suas viaturas nos parques grátis, ao contrário dos elementos da Administração que dispõem de lugares reservados no parque subterrâneo», salienta igualmente o Bloco de Esquerda de Portimão.
«Tudo isto é um escândalo e uma vergonha sem limites e o responsável por tal é o Conselho de Administração do CHBA que se encontra às ordens do governo PSD/CDS», denunciam os bloquistas.
A Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Portimão lembra que «já tinha denunciado publicamente o estacionamento a pagar no parque do Hospital» e vem «exigir a revogação desta medida discricionária, injusta e muito penalizadora dos utentes do Hospital, já de si muito sobrecarregados com as taxas moderadoras impostas pelo governo PSD/CDS. São mais taxas em cima de mais taxas e os utentes e outros cidadãos, mergulhados num grave retrocesso social já não aguentam mais roubos, como é o caso do pagamento do estacionamento do Hospital do Barlavento».

terça-feira, abril 09, 2013

Primeiro dia de estacionamento pago no Hospital de Portimão gera filas de quilómetros

Hoje é o primeiro dia de estacionamento pago no Hospital do Barlavento, em Portimão, situação que, desde a manhã, está a gerar filas e grande confusão nos acessos à unidade e à própria cidade.
Segundo apurou o Sul Informação no local, as filas chegaram a atingir dois quilómetros em ambos os sentidos a partir da rotunda do hospital, entupindo por completo aquela que é a principal entrada e saída em Portimão.
Quer no sentido do Malheiro, quer no da rotunda das Cardosas, as filas obrigaram à intervenção da PSP para regular o trânsito.
Mesmo as ambulâncias e outras viaturas de emergência tiveram, a dada altura, dificuldades extremas em entrar no recinto do hospital, ficando retidas nas filas.
A perturbar ainda mais a situação, e porque alguns dos parques de estacionamento agora condicionados se destinam apenas a funcionários hospitalares, o segurança à entrada do recinto parava todos os veículos para confirmar se se tratava de funcionários ou não, causando ainda mais atrasos nas filas.
O Sul Informação já pediu um comentário a esta situação à administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.
O início do parqueamento pago no Hospital do Barlavento, que estava inicialmente marcado para dia 1 de abril, depois foi adiado para 5, e finalmente para ontem, dia 8, acabou por ter lugar apenas hoje, dia 9.



domingo, abril 07, 2013

PSD e CDS-PP dramatizam acórdão do Tribunal Constitucional para justificar um segundo resgate

Numa conferência de imprensa que teve lugar este sábado, enquanto decorria a reunião da Mesa Nacional do Bloco, João Semedo acusou o PSD e o CDS-PP de promoverem uma campanha de dramatização do acórdão do TC “procurando usá-lo para renovar a sua política de austeridade” e de estarem a preparar um segundo resgate.
Foto de Paulete Matos.
O coordenador do Bloco de Esquerda frisou que, “nos últimos três dias, a crise política agravou-se”. “O governo está por um fio e quem segura esse fio é o Presidente da República”, afirmou o dirigente bloquista.
Segundo João Semedo, para o Bloco de Esquerda, “a crise política só tem uma saída: a demissão do Governo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas e a realização de eleições”.
“A decisão do Tribunal Constitucional (TC) é uma profunda derrota do Governo. Não apenas por ver recusadas, por serem inconstitucionais, importantes cláusulas do Orçamento do Estado de 2013, mas porque, na substância do acórdão do TC, está a condenação da estratégia central do coração da política de Pedro Passos Coelho”, salientou o deputado.
João Semedo lembrou que “esta derrota de 2013 começou com o acórdão do TC de 2012, que declarou inconstitucionais importantes normas do Orçamento do ano passado, sendo que essa fiscalização resultou de uma iniciativa do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, apoiada por um grupo de deputados do Partido Socialista”.
A decisão do TC é, conforme adiantou o coordenador do Bloco, não só “um cartão vermelho apresentado ao Governo mas também um cartão amarelo mostrado ao Presidente da República, que agiu tarde e muito aquém daquilo que lhe era pedido e exigido”.
João Semedo acusou ainda o PSD e o CDS-PP de promoverem uma campanha de dramatização do acórdão do TC, “procurando usá-lo para renovar a sua política de austeridade”, e de estarem a preparar um segundo resgate.
“Não foi o Tribunal Constitucional que originou a derrapagem do défice, que provocou o aumento da dívida e o aumento do desemprego, foi o Governo”, avançou o dirigente do Bloco, lembrando que “o buraco aberto nas contas de 2012 pela austeridade de Vítor Gaspar é três vezes superior ao valor que ficou em causa na sequência do acórdão do TC”.
Na Resolução aprovada este sábado pela Mesa Nacional, à qual pode aceder aqui, e na qual o Bloco defende que “a fonte de toda a crise social e governativa é a política do Memorando e da troika, de onde emana a falta de legitimidade de um governo que não tem mandato popular para esta devastação austeritária”, é anunciada a realização de uma conferência sobre o futuro do euro e da União Europeia. No plano nacional, será ainda apresentado um Programa de Emergência Social “para responder aos contornos de crise humanitária que a situação económica está a ganhar em amplos sectores sociais”, sendo que “o Bloco levará essas propostas a todo o país ao longo das próximas semanas”.
No documento, o Bloco comunica ainda a realização de um concerto de homenagem a Miguel Portas no dia 30 de abril, reafirma o seu empenho na sua afirmação nas autarquias e apela à participação em massa nas manifestações populares de 25 de Abril e do 1º de Maio.

20130406_mn_resolucaofinal.pdf91.69 KB

Esquerda.net

Reação do BE

"Não é um tempo de birras, é sim tempo de eleições"

por Sol
"Não é um tempo de birras, é sim tempo de eleições"
Fotografia © Rui Oliveira / Global Imagens
Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, considerou que as declarações do primeiro-ministro, esta tarde, "demonstram irresponsabilidade e falta de sentido de Estado" por querer culpar o TC da crise.
"É inaceitável que diga que respeita o Tribunal Constitucional e ao mesmo tempo tente culpar o Tribunal Constitucional pela crise que o país vive", afirmou Catarina Martins.
"Não foi o Tribunal Constitucional que provocou esta crise, não foi o Tribunal Constitucional que aprofundou a recessão, não foi o Tribunal Constitucional que gerou o desemprego que não para de crescer, e não foi o Tribunal Constitucional que fez aumentar a dívida e o défice", acrescentou a coordenadora do Bloco de Esquerda, para quem "a decisão do Tribunal Constitucional em nada fragiliza a situação do nosso país face às instituições internacionais".
Catarina Martins lembrou a discussão acerca do objetivo do Governo de cortar 4 mil milhões nas funções do Estado e de fazer despedimentos na função pública. "Dizer que é culpa do Tribunal Constitucional é uma mentira colossal que está aos olhos de todos", comentou.
A coordenadora do Bloco defendeu que este "é um governo que não tem soluções para o país e que aposta na chantagem e nas desculpas" e que, além disso, "tenta usar o Tribunal Constitucional para um segundo resgate que parece já estar a negociar".
Em remate, Catarina Martins considerou que "não é um tempo de birras e desculpas, é sim tempo de eleições".

quarta-feira, abril 03, 2013

Sexta-feira há protesto contra estacionamento a pagar no Hospital do Barlavento

A Comissão de Utentes do Hospital do Barlavento vai promover na próxima sexta-feira, 5 de Abril, às 10 horas, uma manifestação de «protesto e de repúdio», frente ao Hospital do Barlavento, em Portimão, contra o pagamento do parque de estacionamento deste hospital, que entra em vigor neste dia.

A Comissão considera que se trata de uma «medida arbitrária e injusta» tomada pela Administração do Hospital e que «mais não é do que legalizar mais um roubo aos utentes do SNS! Não bastam as taxas moderadoras, agora os utentes vão ter que pagar mais uma taxa!»

sexta-feira, março 29, 2013

Comissão de Utentes junta uma dezena de pessoas em protesto na ponte do Guadiana

29 de Março, 2013
Cerca de uma dezena de pessoas participou hoje no protesto realizado pela Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) junto à ponte internacional do Guadiana, onde, na quinta-feira, havia longas filas de automóveis estrangeiros para pagar portagens.Apesar da situação oposta verificada hoje sem as longas filas e sem os turistas espanhóis a criticarem o sistema instalado pela Estradas de Portugal para os automóveis estrangeiros pagarem as portagens electrónicas, a Comissão de Utentes destacou o carácter simbólico do protesto e assegurou que só parará quando o pagamento na A22 for suspenso.
João Vasconcelos, da Comissão de Utentes, disse que o protesto visou também pedir a "demissão do Governo para dar lugar a outro que suspenda as portagens", medida que "está a conduzir a uma catástrofe social e económica de dimensão tremendas no Algarve".
"E esta é mais uma acção nesse sentido, para fazer ver aos responsáveis políticos que as portagens não têm solução no Algarve. Foi um protesto surpresa, evidentemente relacionado com a vergonha que ontem [na quinta-feira] se verificou aqui", acrescentou, referindo-se às filas de turistas estrangeiros que quinta-feira se acumularam junto aos sistemas de aquisição de títulos para as portagens.
João Vasconcelos considerou que a acumulação de veículos estrangeiros foi "uma situação anómala que não deveria ter existido".
As pessoas de "entre 100 a 200 carros estrangeiros não tinham qualquer informação da Estradas de Portugal, era uma confusão tremenda, outros disseram que já não vinham mais ao Algarve, outros voltaram para trás", frisou.
O dirigente salientou ainda que "o Algarve vive do turismo e do comércio, que está a ter graves problemas neste momento e as portagens contribuíram para o aumento do desemprego, o aumento das falências de empresas e para impedir que mais estrangeiros visitassem o Algarve".
"Não vamos desistir, estamos há três anos nesta luta, iremos continuar a resistir até ao levantamento das portagens", garantiu, reiterando o pedido de demissão do Governo e deixando o repto ao próximo executivo central para que levante as portagens.
Hoje, a situação não apresentava filas de carros ou queixas de espanhóis, que contaram hoje com o apoio de três funcionários da empresa para comprarem títulos, situação que não se verificava cerca das 11:30, hora em que o número de automóveis foi maior.
Confrontada com esta situação, a Estradas de Portugal, empresa responsável pelos dispositivo que permite pagar portagens nas fronteiras servidas por antigas Scut, respondeu que "os sistemas colocados à disposição são suficientes", mas frisou que está a pôr o enfoque num sistema (Easy Toll), que representa "85% do total de adesões" e "é eficaz".
Lusa/ SOL



Portimão, 27 de março de 2013

À atenção da comunicação social


Assunto: Administração do CHBA legaliza mais um roubo aos utentes do Hospital

A Comissão Coordenadora Concelhia de Portimão do Bloco de Esquerda tem conhecimento que o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA) vai condicionar o acesso ao Parque de Estacionamento do Hospital do Barlavento, em Portimão, a partir do próximo dia 5 de abril. Este condicionamento tem a ver com a concessão de todos os parques de estacionamento dessa unidade hospitalar à Companhia de Parques de Estacionamento, S. A., implicando o seu pagamento pelos utentes que aí se desloquem. Trata-se de uma medida inadmissível e que o Bloco de Esquerda repudia veementemente!

Seria expectável e de bom senso que a Administração do CHBA não avançasse com o pagamento do parqueamento, numa altura de agravamento da crise social e que vai onerar os utentes do Hospital, quando já têm que pagar taxas moderadoras elevadas – impostas pelo governo PSD/CDS -nas suas deslocações às urgências, consultas externas e a outros serviços hospitalares. O pagamento do estacionamento será mais uma taxa acrescida. De um modo geral, os utentes esperam diversas horas para serem atendidos, agravando-se assim a taxa de estacionamento. Por outro lado, a posição da Administração é ainda mais estranha e condenável quando no ano passado, quando se soube dessa intenção, teve lugar um coro de protestos por parte da opinião pública e foi aprovada uma moção, apresentada pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Portimão, onde se “repudiava de forma inequívoca o pagamento do estacionamento no Hospital de Portimão”. Na prática, com tal medida a Administração do CHBA está a legalizar mais um roubo aos utentes do Hospital!

A situação é ainda mais grave quando não existe, praticamente, qualquer alternativa de estacionamento aos parques pagos, havendo no exterior apenas 38 lugares gratuitos, destinados a utentes e funcionários do Hospital. Estes lugares rapidamente ficarão lotados, pois até o maior parque de estacionamento no interior – o Parque 1, junto ao Heliporto – será também a pagar para todos os funcionários do Hospital, o que irá complicar igualmente a sua situação no acesso ao seu local de trabalho, pois muitos dispõem de viaturas. Por outro lado, a diminuição dos transportes “Vai Vem” vai levar a que mais utentes recorram a viaturas particulares, ficando obrigados ao estacionamento pago.

A concessão dos parques de estacionamento do Hospital visa, fundamentalmente, favorecer interesses privados à custa do interesse público e dos bolsos dos utentes de saúde. Se tem falta de verbas para o Hospital, a Administração deverá reclamar junto do governo e não castigar os mais desfavorecidos e os mais fragilizados – os utentes do Serviço Nacional de Saúde. O pagamento do estacionamento do Hospital de Portimão não é mais do que da mercantilização do estacionamento nos espaços do Serviço Nacional de Saúde, o qual funcionará como fonte de financiamento para entidades públicas e privadas, à custa da doença e da urgência dos doentes.

O Bloco de Esquerda apela a todos os utentes e demais população que protestem contra essa medida injusta, penalizadora e discricionária que é o pagamento do estacionamento do Hospital do Barlavento. O Bloco irá ainda levar a cabo um conjunto de medidas para que a Administração do CHBA retroceda nas suas intenções, nomeadamente entre outras, a apresentação de moções de repúdio nos órgãos autárquicos de Portimão e uma reunião com a Câmara Municipal desta cidade.

Desde já se agradece a divulgação deste comunicado de imprensa nos v/órgãos de comunicação social.

Com os nossos cumprimentos.

A Coordenadora Concelhia
Bloco de Esquerda/Portimão

terça-feira, março 26, 2013

Um Ministério cujo rumo é o de encontrar caminhos para poupar com os professores

A manhã da passada sexta-feira, 22 de março, foi preenchida por duas reuniões. A primeira com o ministro Crato, depois de seis meses de silêncio e de fuga ao debate com a FENPROF. A segunda, com o secretário de Estado Casanova Almeida e o diretor-geral da administração escolar, sobre a proposta de portaria para alterar o âmbito geográfico dos quadros de zona pedagógica (QZP).

Na primeira reunião, com o ministro, a FENPROF colocou diversas questões para as quais exigiu respostas políticas concretas, designadamente a marcação de reuniões temáticas.

O Secretário Geral da FENPROF criticou o facto de o ministro se recusar discutir, com a FENPROF, a situação grave que se vive na Educação, durante tanto tempo, num quadro em que existe uma enorme distância entre o discurso e uma prática que tem aprofundado a elitização do ensino e a perda de condições nas escolas para que tenham um funcionamento e uma resposta de qualidade. Mário Nogueira, neste âmbito, acusou o MEC de falta de respeito pela representatividade das organizações sindicais.
A FENPROF quis saber, também, se o MEC está ou não a trabalhar na alteração de regras para a contratualização do financiamento dos colégios privados e em que termos. Exigiu abertura de negociações sobre o despacho de organização do ano lectivo.

De entre o conjunto de questões colocadas, que pelo seu número justificam a necessidade de não haver tanto tempo de intervalo entre reuniões, a FENPROF abordou a situação grave decorrente dos mega-agrupamentos, de uma eventual municipalização do ensino, dos efeitos das alterações curriculares e de outras que o governo pretenda ainda fazer, de que não dá conta, da reestruturação da rede escolar do ensino superior (de que não se conhecem quaisquer contornos, mas que tem sido abordada a outros níveis do relacionamento institucional) e do sufoco financeiro por que passam.

Relativamente às intenções do governo, da reunião com o ministro fica claro: que o regime de mobilidade especial também vai aplicar-se aos professores; que os horários de trabalho (35 horas) não serão aumentados no atual ano letivo; o horário letivo também não terá qualquer aumento, este ano letivo; apenas garantiu que o despedimento de professores não se situará entre os 30.000 e os 50.000 despedimentos; as reduções do artigo 79.º não serão alteradas, neste ano letivo.

O ministro afirmou ser sua intenção: aumentar a mobilidade de professores, alargar o âmbito geográfico dos QZP, colocar professores noutros ministérios (como técnico) e colocar professores em ofertas educativas no IEFP.
Ficou decidido realizar as seguintes reuniões temáticas, com os diversos secretários de estado:
  • sobre ensino superior e ciência;
  • sobre ensino particular e cooperativo;
  • sobre educação especial;
  • sobre o despacho de organização do ano letivo, horários e concursos.

Em dois minutos MEC desdiz
o que disse imediatamente antes

Outra delegação (técnica) da FENPROF reuniu, logo de seguida, com a equipa negociadora do MEC sobre o projeto de portaria que visava alterar os QZP. Reunião que começou com a declaração de Casanova Almeida de que esta seria a última reunião relativamente a este processo negocial. Um absurdo e uma ilegalidade por várias razões: por desconhecimento prévio da FENPROF de qual o calendário negocial, por terem sido introduzidas matérias que não eram do conhecimento da FENPROF até à hora da reunião.

A FENPROF ficaria impedida de emitir parecer, de pedir dados concretos relativamente aos efeitos das novas matérias introduzidas, de consultar os professores, tendo em conta que decorre um período de interrupção letiva.

Por outro lado, o novo projeto de portaria entra em domínios que não pode tratar, já que visa criar condições de alteração da graduação profissional, matéria que na hierarquia das leis obrigaria à publicação de um decreto-lei. A reunião não durou 10 minutos e a comissão negociadora retirou-se, de imediato.
Perante isto, a FENPROF recusou abandonar o edifício do Ministério da Educação. Exigiu de novo encontrar-se com Crato, o que veio a realizar-se, passado algum tempo. Perante a insistência da FENPROF, o ministro aceitou tratar o problema de outra forma (tinha-se comprometido pouco tempo antes continuar as negociações) e informou que até às 17.00 horas de hoje será dada uma resposta quanto à marcação de nova reunião negocial.
Este é apenas mais um episódio do desnorte que reina entre ministro e secretários de Estado e da falta de respostas concretas para resolver os muitos problemas por que passa o setor. Também torna evidente que a vontade do MEC é reduzir a despesa à custa do desemprego, da precariedade e da instabilidade docente, o que levou Mário Nogueira a dizer a Nuno Crato que ou Portugal tem um Ministro da Educação ou então este terá um caminho, o da saída.
Fenprof