terça-feira, junho 18, 2013

Professores - A luta máxima é agora! Versão para impressão
lutaprofsfotopauletematosO estado social está a ser alvo do maior ataque desde o 25 de abril por parte do governo PSD/CDS às ordens da troika estrangeira. O fanatismo ideológico ultraliberal está a assestar, no momento presente, as suas baterias destrutivas sobre a Escola Pública, procurando reduzi-la a uma mera repartição com serviços mínimos.
Artigo de João Vasconcelos

O estado social está a ser alvo do maior ataque desde o 25 de abril por parte do governo PSD/CDS às ordens da troika estrangeira. O fanatismo ideológico ultraliberal está a assestar, no momento presente, as suas baterias destrutivas sobre a Escola Pública, procurando reduzi-la a uma mera repartição com serviços mínimos.
A constituição de mega-agrupamentos escolares, o aumento do número de alunos por turma, o alargamento do horário semanal para 40 horas e a imposição das direções de turma na componente não lectiva irá atirar, já no próximo ano letivo, 30 mil professores, no mínimo, para a mobilidade especial, ou seja para o desemprego. Será uma enorme tragédia social a crescer no seio da classe docente e a ampliar dramaticamente os níveis do desemprego no país que se situam acima de um milhão e meio de desempregados. E a Escola Pública, de degradação em degradação caminhará irreversivelmente para a completa ruína e destruição.
Mas os professores, mais uma vez, estão a protagonizar grandes e belos exemplos de luta! Respondendo às orientações e apelos, em particular, da FENPROF, de outras estruturas sindicais e até, de outras entidades e personalidades de diversos quadrantes políticos, souberam unir-se e estão a lutar com coragem, determinação e sem medo. Os professores sabem que se trata de uma luta – não é exagero dizê-lo – de vida ou de morte! E não obstante as mentiras, as ameaças e a arrogância de Crato e do seu ministério, assim como de Passos e dos seus correligionários, a luta dos professores está a ganhar a confiança do país, incluindo os próprios pais e encarregados de educação dos alunos. Além disso, os próprios professores também são pais e encarregados de educação e sabem que esta luta, se sair vencedora, não será prejudicial, antes pelo contrário, beneficiará e muito, os seus educandos.
A resposta dos professores à tirania dos (des)governantes Passos, Portas, Crato, Gaspar e C&, reles subservientes aos interesses da troika maldita, tem sido massiva: 95% de adesão à greve às reuniões de avaliação a nível nacional, desde o passado dia 7 e no dia 15 realizaram uma poderosa manifestação em Lisboa com a presença de cerca de 80 mil participantes! Desde os tempos de Maria de Lurdes, em 2008, que não se via uma mobilização assim. A unidade entre todas as estruturas sindicais tem sido fundamental para o êxito desta luta! E nesta segunda-feira, dia 17 de Junho, a resposta dos professores terá de continuar a ser avassaladora: greve total em todas as escolas do país! O governo, cobardemente escondido atrás do Júri Nacional de Exames, averbando derrotas sucessivas, de cabeça perdida e violando o direito à greve decretou a convocatória geral dos professores. Então estes devem responder com a greve total! Passos Coelho e Nuno Crato terão na greve total, em cada escola, a resposta que merecem!
A luta máxima dos professores é agora! Greve total dia 17, continuação da greve às avaliações e greve geral no dia 27 de Junho! Ou se luta agora, ou será demasiado tarde em Setembro. É preciso ter consciência que o governo está a aplicar religiosamente o que dita as imposições da troika e o relatório do FMI, encomendado pelo próprio governo e que veio a público há uns meses atrás. Diz o relatório a dado passo: "Mesmo uma reforma setorial pouco ambiciosa na educação que aproximasse o rácio estudante – professor da média da União Europeia para a educação básica e secundária implicaria que 50 – 60 000 empregados (professores e não professores) teriam de ser cortados". E mais à frente: "Tal como em 2011/12, a estratégia de redução adicional de 14 000 professores e funcionários administrativos [ainda em 2013] poderiam gerar poupanças adicionais em salários de 300 milhões de euros... Ao contrário do que acontece com as atuais opções de mobilidade voluntária para os professores, deve ser criado um sistema de mobilidade obrigatória para os professores considerados em excesso, desencadeando uma redução imediata dos seus níveis de remuneração". Como se sabe, o governo quer colocar já na mobilidade especial, este ano, 30 000 professores gerando uma poupança de quase 500 milhões de euros. E até final de 2015, se não for derrotado, irá atirar para o desemprego 100 000 funcionários públicos, onde se incluirão muitos milhares de docentes!
É possível derrotar este governo e as políticas cratistas/troikianas de destruição da Escola Pública. Para que tal aconteça devem os professores não afrouxar a luta! Antes, reforçá-la e até ampliá-la a outros setores, envolvendo pais, alunos e outros detores da população. Esta luta exige a presença de todos. Derrotar a devastação da escola pública é derrotar o governo da troika. Depois da greve total dos docentes neste dia 17, estes e todos os trabalhadores irão de novo estar unidos a 27 de Junho, para uma greve geral, envolvendo os sectores público e privado – Greve Geral já decretada pela CGTP e pela UGT. Todas as lutas com a mesma exigência – fim da austeridade e demissão do governo de desastre nacional!
Torna-se imperioso romper com a troika, abater a dívida e taxar o capital – só assim será possível construir o caminho da esquerda contra a austeridade – também com os professores.
In A Comuna

Greve às avaliações prossegue hoje com adesão a manter os níveis elevados

Os professores estão em greve ao serviço de avaliações a até ontem mantiveram o elevadíssimo nível de adesão que se verifica desde o dia 7, com 95% das reuniões não realizadas. Pelas informações que, ao longo da manhã, começaram a chegar à FENPROF, o nível de adesão a esta greve mantém se na ordem do verificado nos dias anteriores, o que reforça toda a luta que teve expressões igualmente elevadíssimas nos dias 15 e 17, com a forte participação dos docentes, respetivamente, na Manifestação Nacional e na Greve Geral dos Professores.
Entretanto, iniciou-se hoje, em todo o país, a auscultação dos professores com vista ao prosseguimento da luta. As reuniões de escola e/ou a consulta promovida pelo delegados sindicais culminarão com a realização, no dia 20, de plenários em todas as capitais de distrito, de acordo com informação que poderá ser consultada em www.fenprof.pt.
Dia 21, de manhã, reunirá o Secretariado Nacional da FENPROF e à tarde dirigentes desta Federação juntar-se-ão aos das demais organizações sindicais para, em conjunto, decidirem em relação ao futuro próximo da luta em curso.

GREVE DE DIA 17 FOI DAS MAIORES DE SEMPRE
 
E IMPÕE AO MEC UM PEDIDO DE DESCULPAS AOS ESTUDANTES E ÀS FAMÍLIAS
Confirmados os números, a FENPROF mantém a informação ontem divulgada: a Greve Geral dos Professores teve uma adesão superior a 90%, sendo essa a “leitura” que o MEC recusa fazer, refugiando-se nos 70% de alunos que fizeram exame e desvalorizando o facto de cerca de 20.000 não terem conseguido fazer. O que deverá merecer a atenção do MEC é que houve escolas onde, apesar de a realização de exames ter sido assegurada, a adesão atingiu os 95%. De salientar também que a greve não teve apenas expressão nas escolas públicas. Devido às pressões que os patrões dos colégios exercem sobre os professores que neles exercem atividade, por exemplo, no Colégio D. João V, do Louriçal (Pombal), sede social do grupo GPS, a adesão dos docentes atingiu os 60%, o que é verdadeiramente notável.
Ou seja, para os professores o mais importante foi mesmo protestar contra as políticas educativas e as medidas que o MEC pretende impor e não impedir os alunos de fazerem exame. Pelo facto de ser o único responsável pela quebra de equidade entre os estudantes (resultado da sua teimosia em não adiar o exame, na sequência da sugestão do colégio arbitral, acompanhada por quase toda a comunidade educativa), deverá o MEC, agora, encontrar uma solução que seja adequada, mas, antes de qualquer outra decisão, deverá pedir desculpa aos estudantes e suas famílias pelas consequências muito negativas da sua intransigência

HAVERÁ NOVA REUNIÃO NO MEC, MAS SÓ NO DIA 24
Entretanto, já hoje de manhã, a FENPROF recebeu informação do MEC de que haverá reunião de negociação suplementar sobre as mobilidades interna e especial no próximo dia 24, segunda-feira. Desconhece-se ainda a hora. Na resposta ao mail do MEC em que a FENPROF informa da sua disponibilidade para participar, é reiterado o pedido de envio, pelo Ministério, de cópia da gravação áudio da reunião realizada em 14 de junho, sexta-feira passada. Até este momento, sobre esse pedido, não houve qualquer resposta dos responsáveis do MEC.

FENPROF ENTREGA HOJE PRÉ-AVISO DE GREVE
PARA 27 DE JUNHO – GREVE GERAL
A FENPROF enviará hoje à tarde, ao MEC, o Pré-Aviso de greve para que, dia 27, os professores, educadores e investigadores se juntem à luta de todos os trabalhadores que são vítimas das políticas que estão a ser impostas pelo governo. Esta Greve Geral é muito importante, também para os professores, pelas razões que levaram as Confederações Sindicais, em convergência, a convocá-la, pelo facto de a troika estar em vias de regressar ao nosso país para continuar a ingerir na vida dos portugueses, pondo em causa a sua soberania, acrescendo agora o facto de, apenas 3 dias antes, haver reunião no MEC para discutir mobilidades e horário de trabalho.
O Secretariado Nacional da FENPROF
18/06/2013 

segunda-feira, junho 17, 2013

Uma grande greve de professores!

“Está a decorrer uma grande greve de professores”!
São palavras de Mário Nogueira, Secretário Geral da FENPROF, esta manhã na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, onde apresentou alguns dados de escolas onde muitos alunos não puderem realizar a prova, por teimosia e incompetência do MEC, que ao longo do processo negocial evidenciou arrogância e prepotência.

A percentagem de adesão a greve geral de professores «anda na ordem dos 90%» e está a ser marcada pelo encerramento de numerosos estabelecimentos de ensino. Às 17h00, em conferência de imprensa, em Lisboa, os sindicatos irão fazer o balanço desta luta.
Mário Nogueira referiu, a título de exemplo, os casos das escolas de Aljustrel, Alpiarça e Olhão, Seia e Matosinhos (João Gonçalves Zarco) - onde não se realizou nenhum exame - e a Escola Secundária da Quinta das Flores,Coimbra, onde, das 14 salas, em apenas três se realizaram os exames. Na Secundária Camões, em Lisboa, das 18 salas previstas, apenas 5 funcionaram.
"É lamentável a atuação do MEC", sublinhou Mário Nogueira, que, na Secundária Camões, explicou aos estudantes que não fizeram exame as razões desta luta.
O dirigente sindical denunciou também situações de irregularidade e ilegalidade, como na Secundária de Cinfães em que os alunos foram enviados para o refeitório para realizarem o exame.
Nogueira lembrou que o MEC não foi sensível às posições manifestadas por estruturas associativas de pais e encarregados de educação, nomeadamente de Lisboa, Setúbal, Algarve e Guarda, entre outras, que pediram a alteração da data do exame.
"Exigimos negociação!" - frisou Mário Nogueira, que sintetizou uma vez mais, no diálogo com a comunicação social, as profundas preocupações dos sindicatos face aos projetos do MEC de mobilidade especial, mobilidade geográfica e aumento do horário de trabalho para os professores.
A época oficial de exames de Ensino Secundário começou hoje com o exame nacional de Português, para o qual estão inscritos 74.407 alunos, realizando-se também provas de Latim (108 inscritos) e de Português Língua Não Materna (para imigrantes), com 136 alunos./ JPO
Ver dados por região:
Fenprof

domingo, junho 16, 2013

PROFESSORES UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
DIA 17 TODOS CONVOCADOS TODOS EM GREVE!






Professores unidos jamais serão vencidos!

A BATALHA FOI GANHA NO DIA 15 DE JUNHO!
DIA 17 TODOS CONVOCADOS, TODOS EM GREVE!
A LUTA CONTINUA!


Dezenas de milhares de professores manifestam-se em defesa da Escola Pública

Dezenas de milhares de docentes manifestam-se em Lisboa, neste sábado, em defesa da Escola Pública e do direito ao trabalho. O secretário-geral da Fenprof acusou o governo de pôr em risco os exames nacionais do secundário e afirmou que os professores vão continuar a luta. Em solidariedade com o protesto dos docentes, o coordenador do Bloco de Esquerda esteve presente e declarou o apoio à greve de dia 17, acusando Nuno Crato de provocar instabilidade nas escolas.
Dezenas de milhares de professores manifestam-se em Lisboa em defesa da Escola Pública - Foto de Paulete Matos
Muitos milhares de professoras e professores desfilaram pela Avenida da Liberdade em Lisboa para se manifestarem em defesa da Escola Pública. Os docentes protestaram também contra os despedimentos e a mobilidade especial, contra o aumento do horário de trabalho para as 40 horas, pela qualidade da educação e do ensino.
No final da manifestação, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou: "Ao contrário do que dizem, nós professores estamos unidos contra a política que este Governo leva contra a Educação. É uma luta difícil, mas exemplar pela qualidade do ensino e pela dignidade docente".
"O ministro é arrogante e politicamente desonesto. Ainda ontem fez um filme de ficção ao dizer o que não era verdade. Fez reuniões diferentes com os sindicatos e não disse o que tinha acontecido, mas o que queria que acontecesse", acusou Mário Nogueira e frisou: "Não temos Ministério da Educação, mas uma delegação das Finanças".
Mário Nogueira apelou ainda à greve de segunda-feira: "É preciso que a luta continue forte e que todos os professores façam greve na segunda-feira. Só assim poderão ceder naquilo que até agora o Governo se tem mostrado inflexível".
Em declarações à comunicação social, o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, afirmou a solidariedade do partido com as ações dos professores em defesa da Escola Pública, nomeadamente a manifestação deste sábado e a greve da próxima segunda-feira.
João Semedo declarou ainda que “a data da greve é da responsabilidade do governo e não dos sindicatos”, salientando que “quem escolheu o momento de decidir medidas tão graves para a escola pública foi o Governo, que decidiu e aprovou essas medidas na época dos exames, a greve inevitavelmente teria de ser feita neste período".
O coordenador do Bloco acusou também o ministro Nuno Crato de "usar a estabilidade dos estudantes como um escudo, tornando os estudantes reféns de uma política autoritária, prepotente".
João Semedo lembrou ainda: "O ministro Nuno Crato rasgou o programa de matemática, estamos a três meses do início do próximo ano escolar e Nuno Crato ainda não fez chegar às escolas o novo programa de matemática, um novo programa para um milhão e trezentos mil estudantes, isto é que gera instabilidade".
Também presente na manifestação dos professores, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou o governo de “pressões intimidatórias” sobre os professores ao ter convocado todos os docentes para as escolas na segunda-feira, dia de greve e de exames nacionais.
Veja fotogaleria. e vídeo.

quarta-feira, junho 12, 2013

Confirmam-se as intenções do Governo de afastar professores já no próximo ano letivo

Na reunião realizada (23/05/2013) com o governo, este manifestou-se inflexível em relação à manutenção da mobilidade especial, limitando-se a afirmar que este é um processo de adaptação aos docentes do que se encontra previsto no projeto de lei geral para esta matéria na administração pública.
Na verdade, a proposta do governo visa alterar o regime vigente, já de si inaceitável, agravando os seus efeitos mais negativos: reduzir o período de vigência da mobilidade especial, para 18 meses (sendo que o governo já admitiu encurtar ainda mais o período remunerado do regime), ampliar os cortes salariais para níveis insustentáveis, antecipar o momento de licença sem vencimento e acelerar os processos de rescisão contratual.
A FENPROF defendeu que, ao invés de procurar acelerar um “processo negocial” sobre esta matéria (que terá nova reunião a 6 de junho), o governo deveria, isso sim, apresentar dois documentos que permitirão conhecer as suas verdadeiras intenções: a listagem das atividades docentes que serão consideradas componente letiva, para efeitos de distribuição de serviço, e o projeto de despacho de organização do ano letivo.
Sobre esta matéria a delegação sindical reiterou a certeza de que o motivo para tão grande atraso na apresentação de uma proposta às organizações sindicais se prende com a inexistência, até há pouco tempo, de uma proposta que visa alterar os horários de trabalho na administração pública para 40 horas semanais, por isso, também, com efeitos na profissão docente. Medida que, a aplicar-se, corresponderá a um aumento do horário de trabalho em 14%, podendo, já em setembro, provocar uma redução de mais 12.000 postos de trabalho.
Relativamente ao ensino superior, o Secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, deixou claro que o tratamento a dar a este setor será o mesmo a adotar para qualquer outro serviço da administração pública, aplicando-se o regime geral que vier a ser aprovado.
No final, a FENPROF reafirmou existir uma enorme distância entre as intenções do MEC e as necessidades das escolas e, por isso, da posição desta Federação. Nesse sentido, declarou-se totalmente indisponível para contribuir para a criação de um regime que visa reduzir a despesa à custa da vida de milhares de professores, do seu emprego e das suas condições de vida e de trabalho, pondo em causa, ao mesmo tempo, as condições de funcionamento das escolas e a qualidade e diversidade das suas respostas.
Face às reuniões de hoje, confirmam-se os motivos das organizações sindicais para entregarem os seus pré-avisos de greve para o serviço de avaliações até 14 de junho e para todo o serviço no dia 17 de junho, os quais serão entregues no MEC, amanhã, 24 de maio, às 15H30, com a presença de dirigentes de diversos sindicatos.
O Secretariado Nacional da FENPROF

Greve é a única resposta à convocação geral dos professores

“Temos um governo que gostava de viver num país sem leis”, sublinhou Mário Nogueira na conferência de imprensa realizada ao fim da tarde, em Lisboa, num intervalo da reunião dos Sindicatos da FENPROF.
Este encontro com a comunicação social teve dois objetivos centrais: fazer o balanço de três dias de greve ao serviço de avaliações e manifestar a posição da FENPROF face à “tentativa absolutamente inaceitável de pressionar os professores”, nesta fase da sua luta firme e determinada.
Ao destacar que os Sindicatos da FENPROF decidiram requerer na próxima sexta-feira a reabertura do processo negocial relativo à mobilidade especial e à mobilidade geográfica, através do exercício do direito à negociação suplementar, Mário Nogueira explicou que, com esta atitude, pretende-se “dar ao MEC, no plano da negociação, a possibilidade de avançar com medidas capazes de resolver a situação, capazes de responder ao que provocou esta luta”.
O diploma de regulamentação da mobilidade, referiu, “não pode ser o mesmo que o MEC já apresentou” anteriormente às organizações representativas dos docentes. De igual forma, os professores rejeitam, também, e com toda a frontalidade, o aumento do seu horário de trabalho, o qual significa agravar ainda mais as condições de exercício da profissão docente e criar novas formas de aumentar o desemprego e a precariedade docente.
Uma saudação enorme
“A greve ao serviço de avaliações é um tremendo êxito. 98 por cento das reuniões de avaliação não se realizaram. Os professores e as professoras mereceram uma saudação enorme. Pela sua organização e pela sua determinação”, observou.
O Secretário Geral da FENPROF condenou as situações de irregularidade que surgiram nalgumas escolas, nomeadamente com a marcação de reuniões para as 7 horas da manhã e para as 23 horas, ou reuniões a cada meia hora , etc.
“Se os professores assim o entenderem, vamos avançar judicialmente contra essas situações”, revelou Mário Nogueira.
MEC escondido atrás do JNE…

O MEC quer agora ganhar na Secretaria o que perdeu em campo – foi assim que o dirigente sindical caracterizou a nota enviada pelo Júri Nacional de Exames (JNE), a convocar todos os professores e educadores de cada agrupamento/escola não agrupada para ficarem adstritos ao serviço de exames…
O MEC usa o JNE como escudo e avança para outra irregularidade.
“Hoje os professores têm uma certeza: não há serviços mínimos. Portanto, dia 17 todos podem e devem fazer greve; todos devem aderir à greve, em defesa da profissão, em defesa da escola pública, democrática, de qualidade!”
“No próximo sábado a luta, fortíssima, sairá das escolas para as ruas, e teremos em Lisboa uma grande manifestação. Dia 17, teremos uma grande greve, numa luta nobre e determinada”, salientou.
“Esta é a resposta que os docentes dão à política destruidora do MEC”, concluiu Mário Nogueira. / JPO e LL

segunda-feira, junho 10, 2013

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Crato revelou-se pérfido e ignorante

por
Santana CastilhoCrato foi ontem entrevistado pelo jornalista Paulo de Magalhães, na TVI 24. A má- fé, a perfídia e a ignorância exalaram do que disse. Tivera alguém informado a possibilidade de o contraditar no momento e o pavão do “Plano Inclinado” teria sido reduzido à sua circunstância: um espanador manhoso. Brevemente, fica algum antídoto ao veneno:
1. Crato, se fosse sério, falaria de “alguns sindicatos”, referindo-se aos que tomaram a iniciativa de convocar a greve, quando sabe que, entre eles, estão as duas maiores estruturas sindicais de professores, as quais, em conjunto, representam mais de 90% dos sindicalizados? Falaria tanto de diálogo e de abertura, cometendo do mesmo passo a grosseria de dizer que os professores fazem dos alunos seus reféns? Mostrar-se-ia, ontem, um menino do coro, tal era a disponibilidade para conversar com os professores, para hoje os ignorar como destinatários do despacho de lançamento do próximo ano-lectivo (foram os jornalistas que o disponibilizaram aos sindicatos)?
2. Crato, ministro de coisa nenhuma, desconhece que História e Geografia estão no mesmo “saco” no 2º ciclo do básico. Foi deprimente ouvi-lo dizer que as escolas podem dar mais tempo a uma ou a outra disciplina, como se houvesse duas.
3. Crato repetiu ad nauseam a expressão “no limite”. Só no “limite” é que serão enviados professores para a mobilidade especial, disse. Deu a entender à opinião pública que foi lançado o alarmismo e que, afinal, tudo ficará em paz excelsa. Ora a mobilidade especial aplica-se aos professores dos “quadros”. A questão que passou de fininho, sem pio, é o que acontecerá aos actuais 13.943 contratados. Que “limite” invocaria o espertalhão se a pergunta lhe tivesse sido feita?
4. Crato, magnânimo, lembrou ter vinculado 600 professores. Abjecta mentira. Os professores que concorreram aos QZP só estarão vinculados em Setembro … se arranjarem vaga numa escola. E tudo prenuncia que não a terão. Hoje estão contratados. Ontem, Crato disse-os vinculados. Veremos quantos estarão desempregados em Setembro. E Crato não disse, nem com tal foi confrontado, que, quando “vinculou” esses 600, … “desvinculou” … 12.000.
Quando Crato chegou tinha 139.837 professores. Hoje são 111.704. Já limpou 28.133.
5. A Crato parece normal enviar um professor para trabalhar a 200 Km da sua residência, mesmo desconhecendo o limite territorial das zonas pedagógicas. Crato reconheceu que os professores já trabalham mais que 40 horas (quando só lhes paga 35). Crato confessou que deve milhões, que deviam ser pagos como trabalho extraordinário. Mas não vai pagar. Crato não se incomoda com o tráfico negreiro da nova era.
6. Crato, ignorante, disse haver “jurisprudência” sobre serviços mínimos na educação. Não há coisa nenhuma. Houve decisões de tribunais, há anos, que não fizeram jurisprudência. Hoje podem ser diferentes. Pelos vistos, 1 milhão, 71 mil 995 euros e 42 cêntimos, que tem por mês para pagar estudos e pareceres, não chegam para pagar uns trocos a um estagiário de direito, que lhe explique o que é jurisprudência. Sugiro-lhe que se aconselhe com o seu ex-patrão, Isaltino Morais, jurista com tempo para lhe explicar a coisa, actualmente.
Entendamo-nos: se vierem a ser estabelecidos serviços mínimos (em manifesto atropelo à lei vigente, em meu entender) e os professores não os cumprirem, que pode acontecer? Nada! Ou melhor, requisição civil. E aí é que os professores a terão que cumprir. Mas já Crato, nessa altura, terá engolido a bazófia, porque os exames, naquela data, não se realizarão.

domingo, junho 09, 2013

João Vasconcelos quer acabar com clima «clientelar, sufocante e pantanoso» de Portimão

«Perante a desgraça que se abateu sobre este concelho, somos a única alternativa credível, a verdadeira esquerda socialista e popular e na qual os portimonenses podem confiar». É assim que se apresenta a candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Portimão, encabeçada por João Vasconcelos.
A apresentação oficial teve lugar na sexta-feira ao fim da tarde, na Casa Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, com a sala cheia e a presença de João Semedo, coordenador nacional do Bloco de Esquerda, e de Cecília Honório, deputada do BE eleita pelo círculo do Algarve.
João Vasconcelos salientou que a sua é uma candidatura de «esperança», por ser a «única alternativa credível» ao atual poder, e de «rutura», «porque visaremos romper o status quo existente, clientelar, sufocante e pantanoso que se vive há muito no concelho de Portimão».
«O PS governa esta cidade e este concelho há 37 anos de forma ininterrupta e os resultados estão à vista de todos: uma dívida astronómica de centenas de milhões, uma autarquia na falência, o desemprego, a pobreza e a exclusão social atingem os maiores índices, não só a nível do Algarve, mas também a nível nacional. A desertificação da cidade e a insegurança são uma triste realidade, o despesismo e o show off, ainda num passado muito recente, abundavam, as clientelas e o nepotismo alastraram como bola de neve», acusou o candidato bloquista.
Para tentar conter os problemas, grande parte das empresas municipais e SA que, sublinhou João Vasconcelos, nasceram «como cogumelos», foram agora fundidas numa só empresa, a Portimão Urbis. «Mas paradoxo dos paradoxos: a Portimão Urbis, transformada numa enorme SA, além de engolir muitas dezenas de milhões ao erário público e aos contribuintes, aos Portimonenses, sobrepôs-se à própria Câmara Municipal, usurpando praticamente quase todas as suas competências e que irá alargá-las muito em breve».
«Afinal o que sobra para a Câmara Municipal? Isto é uma vergonha e com a qual o Bloco de Esquerda não pactua, nem irá tolerar!», garantiu.

Bloco concorre também à AM e freguesias
O Bloco de Esquerda, pela boca de Vasconcelos, anunciou que vai concorrer a todos os órgãos autárquicos em Portimão – Pedro Mota, também presente no lançamento da candidatura, é o cabeça-de-lista à Assembleia Municipal, enquanto Miguel Madeira concorre à Assembleia de Freguesia de Portimão e Bruno Lourinho à Assembleia de Freguesia de Alvor. «Em tempo oportuno anunciaremos a 1ª ou o 1º candidato à Assembleia de Freguesia da Mexilhoeira Grande», acrescentou.
Depois de, nas últimas Eleições Legislativas, o Bloco ter conseguido, em Portimão, a sua maior percentagem a nível nacional, há agora a esperança de poder eleger pelo menos um vereador. «Sou candidato a Presidente da Câmara de Portimão e aceitarei, com humildade, qualquer outro cargo que os Portimonenses decidirem», garantiu Vasconcelos.
Com o seu habitual estilo contundente, João Vasconcelos não se coibiu de disparar em várias direções.
Quanto à candidata socialista Isilda Gomes, o cabeça-de-lista do Bloco sublinhou que ela «também tem uma grande quota parte de responsabilidade pela situação desastrosa em que Portimão mergulhou, pois fez parte de anteriores executivos camarários e da Assembleia Municipal, como membro da mesma força política que tem gerido os destinos do concelho».
Referindo-se à candidatura de José Pedro Caçorino, pelo CDS/PP, – em Portimão, dos partidos com maior representatividade, apenas o PSD e a CDU não apresentaram oficialmente os seus candidatos e, no caso dos comunistas, ainda nem sequer anunciaram um nome – Vasconcelos afirmou: «Outros candidatos mais à direita também se afirmam defensores das questões sociais no concelho e que têm “um projeto político inclusivo”. Mas como é isto possível, quando, para a apresentação pública da sua candidatura, é convidado um ministro, que faz parte de um governo ilegítimo e que está a praticar uma política terrorista contra o povo português e em particular contra os mais necessitados e carenciados? Esse ministro, Mota Soares, tem sido o responsável pela liquidação dos apoios sociais a milhares de famílias, tem sido um dos principais responsáveis pela destruição do estado social no país! O convite e a presença do ministro da Segurança Social significou uma afronta, senão a todos, pelo menos à esmagadora maioria dos Portimonenses».
O candidato autárquico do Bloco de Esquerda apresentou, a terminar, as suas cinco prioridades: «Responder à emergência social», «Criação de emprego e desenvolvimento local», «Direito à qualidade de vida e justiça fiscal», «Transparência e rigor na gestão autárquica» e ainda «Aprofundamento da democracia local/reforço da democracia participativa».

O «escândalo financeiro» da Câmara e o valor da persistência
A deputada Cecília Honório, por seu lado, começou por sublinhar o «escândalo financeiro desta autarquia de Portimão», que é «um poço do qual não se conhece o fundo».
A parlamentar eleita pelo Algarve avisou ainda que «a direita tem medo, muito medo, que as próximas eleições sejam um teste à maioria de direita». «Não alinhamos nessa hipocrisia de dizer que uma coisa é o Governo, outra são as autarquias», frisou.
Uma ideia que já João Vasconcelos tinha defendido, afirmando a necessidade de «derrotar» as candidaturas do PSD e do CDS, pois «não passam de extensões das políticas governamentais aplicadas à autarquia se saíssem vencedoras».
É que, sublinhou o candidato bloquista, «estas eleições autárquicas também têm uma leitura nacional. Todas as vitórias locais do PSD e do CDS representam um reforço da política de destruição do governo e da troika. A derrota das candidaturas do PSD e do CDS ajudam a derrotar o governo e as suas políticas troikianas de desastre nacional».
Mas Cecília Honório foi mais longe e, invocando o facto de o Algarve estar «asfixiado pelo poder central», defendeu que «estas eleições, e particularmente no Algarve, serão muito marcadas pelo grande eixo político que é a Regionalização».
Por seu lado, João Semedo, coordenador nacional do Bloco de Esquerda, depois de criticar o Orçamento Retificativo que, nessa mesma sexta-feira, dia 31 de maio, tinha sido apresentado pelo Governo, concentrou o seu discurso na candidatura de João Vasconcelos, brincando um pouco com algumas das suas mais conhecidas facetas.
«Sempre que ouvia falar nas lutas contra as portagens, sentava-me à espera de ver o João e o João aparecia sempre e não me desiludia», disse Semedo, arrancando uma gargalhada à assistência e um sorriso ao sempre contido candidato do Bloco de Esquerda.
É que, sublinhou o líder nacional do BE, «persistência, esforço, empenho» são caraterísticas essenciais da personalidade de João Vasconcelos.
«É claro que ele não fez tudo sozinho. Não é apenas o João, são também os outros ativistas, a Luísa, o Pedro, as outras luísas, pedros e joões», conclui João Semedo, para garantir: «eleger o João para vereador da Câmara de Portimão é uma boa solução para a população de Portimão».
A terminar o lançamento oficial da candidatura do Bloco de Esquerda aos diversos órgãos autárquicos de Portimão, houve música. João Capela, com a sua guitarra, interpretou dois temas de José Mário Branco e outro de Vitorino e pôs toda a gente a cantar.
Começou com «Qual é a tua, ó meu», cujo refrão foi entoado em coro até por João Semedo, Cecília Honório e…João Vasconcelos, seguiu-se «Maltês», poema de Manuel da Fonseca, de Vitorino, e terminou a falar da «outra palavra para o medo», com «Queixa das Almas Jovens Censuradas», um poema de Natália Correia.



Texto integral da apresentação de João Vasconcelos:

«Estimad@s amig@s e companheir@s,
Em primeiro lugar, os meus agradecimentos pela vossa presença neste espaço tão bonito e agradável, a Casa Manuel Teixeira Gomes, casa onde esta eminente personagem portimonense, escritor, político e Presidente da I República e que elevou esta terra a cidade, nasceu e viveu os primeiros tempos da sua vida. Naturalmente que estes agradecimentos são extensivos ao deputado João Semedo, Coordenador Nacional do Bloco de Esquerda, e à deputada Cecília Honório, eleita pelo Algarve, que com a sua presença, muito honram e dignificam esta candidatura.
Em segundo lugar, foi com muita honra que aceitei integrar as listas do Bloco de Esquerda às eleições autárquicas de 2013, em Portimão, listas que vão ser encabeçadas por mim à Câmara Municipal, pelo Pedro Mota à Assembleia Municipal, por Miguel Madeira à Assembleia de Freguesia de Portimão, por Bruno Lourinho à Assembleia de Freguesia de Alvor e em tempo oportuno anunciaremos a 1ª ou o 1º candidato à Assembleia de Freguesia da Mexilhoeira Grande. Listas que vão contar com muitas mais companheiras, companheiros e amigos – a todos, muitos dos quais se encontram neste espaço, os meus sinceros agradecimentos.
Antes de falar desta candidatura não queria deixar de saudar todas as outras que já se apresentaram e, até, quem já anunciou essa intenção. Independentemente das nossas diferenças políticas, todas as candidaturas fazem parte do debate democrático e o que se pede é o debate de ideias, a clareza e a igualdade para todos. Apesar da nossa candidatura assentar em torno de ideias concretas, propositivas, a favor dos que menos têm, dos mais desfavorecidos, dos injustiçados, não deixaremos de criticar tudo aquilo que, do nosso ponto de vista, está mal ou está errado. Portanto, não esperem que nos calemos! Levantaremos sempre a voz com coragem, determinação e sem medo!
A candidatura do Bloco de Esquerda em Portimão é uma candidatura de luta e de esperança, mas também de ruptura. De luta, porque não vergaremos, estaremos sempre ao lado das reivindicações dos cidadãos e das populações e apontaremos soluções para a satisfação dessas reivindicações. De esperança, porque perante a desgraça que se abateu sobre este concelho, somos a única alternativa credível, a verdadeira esquerda socialista e popular e na qual os portimonenses podem confiar. De ruptura, porque visaremos romper o satus quo existente, clientelar, sufocante e pantanoso que se vive há muito no concelho de Portimão. Esta candidatura será também um espaço de resistência e de rebeldia – perante os poderes locais e centrais, procurando responder à emergência social, resgatar a democracia local e afirmar uma alternativa de esquerda e de confiança.
Um dos objetivos centrais do Bloco de Esquerda em Portimão é contribuir para a derrota do governo PSD/CDS às ordens da troika estrangeira e que está a praticar uma política devastadora no país – desemprego, miséria e exclusão social. Ajudar a derrotar as candidaturas locais do PSD e do CDS, pois as mesmas não passam de extensões das políticas governamentais aplicadas à autarquia se saíssem vencedoras. Estas eleições autárquicas também têm uma leitura nacional. Todas as vitórias locais do PSD e do CDS representam um reforço da política de destruição do governo e da troika. A derrota das candidaturas do PSD e do CDS ajudam a derrotar o governo e as suas políticas troikianas de desastre nacional.
Um outro objectivo central é o de derrotar o poder absoluto do Partido Socialista em Portimão. Sou candidato a Presidente da Câmara de Portimão e aceitarei, com humildade, qualquer outro cargo que os Portimonenses assim o decidirem. O PS governa esta cidade e este concelho há 37 anos de forma ininterrupta e os resultados estão à vista de todos: uma dívida astronómica de centenas de milhões, uma autarquia na falência, o desemprego, a pobreza e a exclusão social atingem os maiores índices, não só a nível do Algarve, mas também a nível nacional. A desertificação da cidade e a insegurança são uma triste realidade, o despesismo e o show of, ainda num passado muito recente abundavam, as clientelas e o nepotismo alastraram como bola de neve. As Empresas Municipais e as S. A. iam nascendo como cogumelos: Emarp para as águas e resíduos; Mercado Municipal para as frutas e legumes; Expo-Arade para gerir o pavilhão Arena; Portimão Turismo para os eventos; Portimão Renovada para a reabilitação urbana; Pavilhão Arade para os concertos e a música clássica; Rio Adentro para a reabilitação da zona ribeirinha; uma pré-Fundação, muito difícil de criar, para gerir o Teatro Municipal!
Todo este despesismo sem controlo caminhava em direcção a uma catástrofe anunciada e com o agravar da crise o Executivo faz uma nova reestruturação empresarial: funde quase todas as empresas numa super Empresa Municipal de gestão e reabilitação urbana que, ao mesmo tempo, também é uma Sociedade Anónima – a Portimão Urbis! Mas paradoxo dos paradoxos: a Portimão Urbis transformada numa enorme S. A., além de engolir muitas dezenas de milhões ao erário público e aos contribuintes, aos Portimonenses, sobrepôs-se à própria Câmara Municipal, usurpando praticamente quase todas as suas competências e que irá alargá-las muito em breve. Vejamos algumas dessas competências:
- o direito de utilizar e administrar os espaços e os bens de domínio público municipal;
- o poder de protecção, demolição e posse de terrenos e instalações;
- o direito de cobrar e arrecadar receita proveniente de taxas e coimas;
- o poder de fiscalização e de gestão dos meios de publicidade;
- o poder de instaurar processos de contraordenação por infrações aos Regulamentos;
- a gestão ao nível dos transportes rodoviários urbanos;
- gerir os espaços de venda ambulante e decidir quem deve praticar esta actividade;
- o poder de gerir os espaços dos quiosques;
- os poderes de realizar contratos, acordos ou protocolos com o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
- a gestão dos parcómetros e dos parques subterrâneos;
- a elaboração de estudos e projectos de mobilidade e acessibilidade urbana;
- a gestão dos mercados municipais e dos eventos;
- o acesso a fundos comunitários;
- a celebração de contratos-programa com o governo;
- e todos os poderes administrativos e de autoridade necessários à prossecução do seu objecto social.
Estes são apenas alguns dos exemplos.
Afinal o que sobra para a Câmara Municipal? Isto é uma vergonha e com a qual o Bloco de Esquerda não pactua, nem irá tolerar! E há medo e muito descontentamento e revolta pelo que se está a passar em Portimão. Imagine-se – dos quase 140 milhões de empréstimo que o executivo camarário pediu ao Estado e à banca, no âmbito do PAEL, mais de 50 milhões serão para pagar dívidas que a Câmara contraiu com a Portimão Urbis! Extraordinário! Não iremos tolerar que interesses privados e obscuros se sobreponham ao bem público.
E que dizer das taxas municipais e dos valores do IMI que se praticam em Portimão? As taxas de publicidade e de ocupação dos espaços são uma exorbitância! O IMI encontra-se no valor mais alto! Muitos comerciantes como já não têm meios suficientes optaram por arrancar os toldos de publicidade, ou simplesmente pintaram os reclames publicitários! E muitos outros portimonenses já não conseguem dinheiro para pagar o IMI das suas habitações! Além de uma troika externa, temos uma outra troika, interna, que se abateu desgraçadamente sobre Portimão e os Portimonenses! E a candidata do partido Socialista sobre isto nada diz, nem um a linha, pois sabe que a sua política é mais do mesmo, os novos rumos que preconiza serão a evolução na continuidade e sempre para pior! Portimão, com uma gestão absoluta e desastrosa do Partido Socialista há muito que navega ao sabor do vento e sem rumo! É por tudo isto que Portimão precisa de mudar! Os Portimonenses não são números!
Companheiros e amigos,
Antes de avançar com algumas prioridades e compromissos da nossa candidatura, apenas algumas notas do que tem sido a atuação do Bloco de Esquerda, ao longo destes últimos 4 anos, por parte dos autarcas eleitos, com o apoio da concelhia local. Os elementos do Bloco têm feito uma oposição frontal, construtiva, têm apresentado alternativas credíveis e necessárias e denunciado o pretenso rumo que tem caracterizado a governação do PS no nosso concelho, muitas vezes com o apoio dos elementos do PSD e do CDS. Foram feitas muitas intervenções e apresentados dezenas de documentos, entre moções, requerimentos, recomendações e outras intervenções, muitas delas aprovadas, em defesa dos mais necessitados e por uma melhor qualidade de vida, em prol do concelho de Portimão e das suas populações.
As nossas propostas, que ainda se encontram em construção – estamos a reunir com diversas entidades para saber das suas necessidades e reivindicações – irão assentar em torno de dois pilares fundamentais, como se referiu: responder à emergência social e resgatar a democracia local.
São 5 prioridades/compromissos para mudar Portimão:
1. Responder à emergência social
Implementação de um Programa Contra a Exclusão criando para o efeito um Gabinete de Emergência Social adstrito a um vereador nesta área, tendo em conta a dramática situação em que se encontram muitos habitantes deste concelho. É necessário combater, com urgência e com toda a energia a situação de calamidade que se vive e que tem tendência a agravar-se. As medidas a implementar por este gabinete deverão contar com o apoio de muitas valências a nível de técnicos multidisciplinares a trabalharem nos serviços oficiais do concelho e em articulação com diversas entidades públicas – Câmara, Juntas de Freguesia, escolas, IPP’s e outras instituições que compõem as redes sociais do concelho. O combate à carência alimentar e à exclusão social deverá levar à criação de um Refeitório Social Municipal.
(Curiosamente todos os candidatos falam em reforçar os apoios sociais aos mais carenciados, quando os seus partidos são os responsáveis pela situação de miséria, de necessidade e de profundas dificuldades em que vivem muitos cidadãos e inúmeras micro e pequenas empresas. A candidata do PS também fala “em reforçar os apoios sociais aos mais carenciados”. Curioso! Mas só agora, quando se apresenta como candidata é que toma estas posições? É preciso não esquecer que esta candidata também tem uma grande quota parte de responsabilidade pela situação desastrosa em que mergulhou Portimão, pois fez parte de anteriores executivos camarários e da Assembleia Municipal como membro da mesma força política que tem gerido os destinos do concelho! E não há qualquer crítica à Câmara por esta ter retirado, já há alguns 3 ou 4 anos atrás, todos os apoios sociais a uma instituição de referência desta cidade, a CRACEP, que promove formação e integra mais de 50 jovens com deficiência e conta nas suas respostas sociais com várias valências, incluindo uma Cantina Social que fornece 100 refeições diárias aos mais necessitados. Enquanto isto, há cerca de um ano atrás, foi dispendido pelos cofres camarários cerca de meio milhão de euros para pagamento dos espectáculos do La Féria! É preciso atuar na hora certa! Tudo isto são questões de opção política).
(Outros candidatos mais à direita, também se afirmam defensores das questões sociais no concelho e que têm “um projecto político inclusivo”. Mas como é isto possível, quando para a apresentação pública da sua candidatura, é convidado um ministro, que faz parte de um governo ilegítimo e que está a praticar uma política terrorista contra o povo português e em particular contra os mais necessitados e carenciados? Esse ministro, Mota Soares, tem sido o responsável pela liquidação dos apoios sociais a milhares de famílias, tem sido um dos principais responsáveis pela destruição do estado social no país! O convite e a presença do ministro da Segurança Social significou uma afronta, senão a todos, pelo menos à esmagadora maioria dos Portimonenses).
Promover uma bolsa municipal de habitação para situações extremas (incumprimento de contratos, nova lei das rendas), e arrendamento a preços controlados.
Criação de uma bolsa de livros escolares (alimentada por empréstimos e doações).
Assegurar a todas as crianças e jovens necessitados o pequeno-almoço grátis nas escolas.
Alargar a criação de uma bolsa de terras (criação de hortas sociais para autoconsumo).
Proibição do corte de água e de energia às famílias que se encontrem em comprovada situação de pobreza).
Inclusão social das pessoas com deficiência, assegurando a todos o acesso à educação com qualidade, melhorando as acessibilidades (eliminação de barreiras físicas), e apoiar socialmente situações mais problemáticas de carências económicas e sociais.
2. Criação de emprego e desenvolvimento local
Apostar na reabilitação urbana, revitalizando o núcleo antigo da cidade e outros edifícios degradados.
Criação de um gabinete de apoio à economia local, às microempresas e PME’s, gerador de criação de emprego.
Apoiar a diversificação das atividades económicas – turismo alternativo, pequeno comércio, artesanato, agricultura e pescas.
Elaborar um plano de apoio à recuperação do pequeno comércio (em articulação com os comerciantes e as suas associações).
Criação de novos postos de atracação para a náutica de recreio e pesca no rio Arade, em coordenação com o porto de cruzeiros, visando a criação de novas empresas e emprego nesta área.
Requalificar o porto de cruzeiros, usufruindo e aproveitando as suas diversas valências.
3. Direito à qualidade de vida e justiça fiscal
Combate intransigente pela abolição das portagens na Via do Infante.
Defesa da Ria de Alvor exigindo a sua classificação como Área de Paisagem protegida.
Implementação de um Plano Verde e construção de ciclovias, parques, jardins e espaços verdes, numa perspectiva de equilíbrio ambiental e de ordenamento.
Desassoreamento do rio Arade, em articulação com as autarquias de Lagoa, Silves e Monchique.
Oposição à privatização da água e de outros serviços públicos.
Melhorar os serviços públicos do Vai – Vem.
Melhoria da Escola Pública e impedir a sua privatização, ou municipalização; oposição aos mega-agrupamentos escolares; alargamento da rede de creches e ATL; gestão direta pela Autarquia das Atividades de Enriquecimento Curricular.
Avançar, finalmente, com a construção de um terminal rodoviário.
Implementar políticas de apoio à juventude e às associações culturais, recreativas e desportivas do concelho; erguer a Casa da Juventude e requalificar o Parque da Juventude, entregando estes equipamentos às associações juvenis que farão uma gestão partilhada com a autarquia; concluir Pavilhão da Boavista e o Pavilhão Gimnodesportivo, devendo este estar aberto a toda a comunidade e às diversas associações, em pé de igualdade.
Valorizar e apoiar as associações desportivas do concelho, devendo a autarquia conceder espaços para a prática das diferentes modalidades, sempre que essas associações necessitem.
Lutar para impedir que o Hospital do Barlavento perca valências, serviços e qualidade, fruto da implementação do Centro Hospitalar do Algarve (repor e melhorar a situação anterior); combater novas tentativas de cobrança dos parques do Hospital.
Redução das taxas de IMI e de outras taxas municipais e taxar os ATM (multibancos) dos bancos.
4. Transparência e rigor na gestão autárquica
Reivindicar um Orçamento de base zero, extinguindo o PAEL (autêntico garrote sobre os Portimonenses) e anulando assim a dívida impagável.
Lutar por uma gestão autárquica pública transparente e rigorosa, combatendo a corrupção, a especulação e o desperdício.
Reestruturar o setor empresarial local, conduzindo à extinção da Portimão Urbis (autêntico sorvedouro dos dinheiros públicos e que muito contribuiu para o agravamento da crise local), com o retorno de todas as competências e serviços à autarquia e salvaguarda de todos os postos de trabalho. Eventualmente, manter esta empresa mas apenas com as competências de reabilitação urbana.
Concursos públicos transparentes, limitando os ajustes diretos.
Transparência na atribuição de subsídios e apoios às Coletividades e outras instituições (elaboração de um Regulamento).
Auditoria rigorosa e independente a todos os serviços camarários, incluindo as Empresas Municipais.
5. Aprofundamento da democracia local/reforço da democracia participativa
O recurso ao Referendo local sempre que estejam em causa matérias municipais de relevo.
Combate ao presidencialismo municipal e a todas as tentativas de imposição dos executivos monocolores.
Garantir um maior aceso da informação aos cidadãos.
Reforçar o Orçamento participativo, procurando envolver um número cada vez maior de cidadãos.
Defender a participação de todos na vida local e instituir o Conselho Consultivo da Cidade com a participação de representantes das forças vivas do concelho, onde serão discutidas e aprovadas diversas políticas e matérias de interesse municipal, a implementar pelo executivo camarário.
Implementar o Provedor do Munícipe, devendo este atuar como porta-voz das reivindicações dos Portimonenses junto dos órgãos autárquicos municipais.
Descentralizar as reuniões da Assembleia Municipal pelas diferentes Freguesias.
Estas algumas das propostas para Portimão da candidatura do Bloco de Esquerda.
Sabemos que esta é uma luta difícil, mas o Bloco de Esquerda não volta as costas às lutas difíceis, enfrenta-as e procura superá-las. É o que iremos fazer em Portimão.
Muito obrigado a todos».

sábado, junho 08, 2013

  FENPROF - Balanço do Primeiro Dia de Greve

Greve ao serviço de avaliações adiou quase todas as reuniões previstas

PRIMEIRO DIA DE GREVE FOI FORTÍSSIMO E DEVERÁ OBRIGAR GOVERNO E MAIORIA A OUVIREM REIVINDICAÇÕES DOS PROFESSORES


O primeiro dia da greve dos professores ao serviço de avaliações é um êxito e demonstra com enorme clareza que os professores estão contra as atuais políticas educativas e as medidas que o governo e maioria parlamentar pretendem impor também na Educação.
 
No dia seguinte a mais uma demonstração de intransigência por parte do MEC ­ que não recua na sua intenção de aumentar o horário semanal para 40 horas e de impor aos docentes o regime de mobilidade especial que os empurrará para o desemprego – e da aprovação, pelo governo, de uma proposta de lei, cujo prazo negocial ainda não se esgotou (o que torna ilegal a aprovação), os professores, de forma explícita e determinada, contestaram essas medidas e essas políticas anulando quase todas as reuniões de avaliação previstas para o primeiro dia de greve (Em baixo, divulgam-se dados já conhecidos. Na página web da FENPROF serão atualizados à medida que se tornarem conhecidos).
A FENPROF exorta os professores a manterem este nível elevadíssimo de adesão à luta nos dias que agora se seguem (11, 12, 13 e 14), pois só através de uma forte luta, como a que hoje se iniciou, será possível obrigar o governo e a maioria parlamentar que o apoia a alterarem as medidas que pretendem impor.

Recorda-se que a lei que poderá impor o aumento do horário de trabalho e/ou medidas como a mobilidade especial não é aprovada pelo governo, mas pela Assembleia da República, pelo que não se encontram esgotadas as instâncias de intervenção sindical, no sentido de serem alcançados os objetivos reivindicativos a que se propõem.
O Secretariado Nacional da FENPROF
7/06/2013
 

quinta-feira, junho 06, 2013

A LUTA EM JUNHO
GREVES/MANIF

Texto a Usar em Caso de Adiamento de Reunião de Avaliação 

"A reunião foi adiada, por se ter verificado a ausência imprevista da(o) docente da disciplina de ____________, o que, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 15.º do Despacho normativo n.º 24-A/2012 [para o Ensino Básico] / nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 19.º da Portaria n.º 243/2012, de 10 de agosto [para o Ensino Secundário], obriga ao adiamento da reunião e a uma nova convocatória da mesma no prazo máximo de 48 horas. Deste facto foi de imediato dado conhecimento à Direção / à Comissão Administrativa Provisória."

Observação: Recebido por parte do SPN (aderente da Fenprof).

Abraço

J. Vasconcelos

domingo, junho 02, 2013

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA CANDIDATURA AUTÁRQUICA DO BLOCO DE ESQUERDA EM PORTIMÃO - NA CASA MANUEL TEIXEIRA GOMES (com sala cheia)

Candidatura à Câmara de Portimão – 2013
Intervenção de João Vasconcelos

Estimad@s amig@s e companheir@s,

Em primeiro lugar, os meus agradecimentos pela vossa presença neste espaço tão bonito e agradável, a Casa Manuel Teixeira Gomes, casa onde esta eminente personagem portimonense, escritor, político e Presidente da I República e que elevou esta terra a cidade, nasceu e viveu os primeiros tempos da sua vida. Naturalmente que estes agradecimentos são extensivos ao deputado João Semedo, Coordenador Nacional do Bloco de Esquerda, e à deputada Cecília Honório, eleita pelo Algarve, que com a sua presença, muito honram e dignificam esta candidatura.

Em segundo lugar, foi com muita honra que aceitei integrar as listas do Bloco de Esquerda às eleições autárquicas de 2013, em Portimão, listas que vão ser encabeçadas por mim à Câmara Municipal, pelo Pedro Mota à Assembleia Municipal, por Miguel Madeira à Assembleia de Freguesia de Portimão, por Bruno Lourinho à Assembleia de Freguesia de Alvor e em tempo oportuno anunciaremos a 1ª ou o 1º candidato à Assembleia de Freguesia da Mexilhoeira Grande. Listas que vão contar com muitas mais companheiras, companheiros e amigos – a todos, muitos dos quais se encontram neste espaço, os meus sinceros agradecimentos.

Antes de falar desta candidatura não queria deixar de saudar todas as outras que já se apresentaram e, até, quem já anunciou essa intenção. Independentemente das nossas diferenças políticas, todas as candidaturas fazem parte do debate democrático e o que se pede é o debate de ideias, a clareza e a igualdade para todos. Apesar da nossa candidatura assentar em torno de ideias concretas, propositivas, a favor dos que menos têm, dos mais desfavorecidos, dos injustiçados, não deixaremos de criticar tudo aquilo que, do nosso ponto de vista, está mal ou está errado. Portanto, não esperem que nos calemos! Levantaremos sempre a voz com coragem, determinação e sem medo!

A candidatura do Bloco de Esquerda em Portimão é uma candidatura de luta e de esperança, mas também de ruptura. De luta, porque não vergaremos, estaremos sempre ao lado das reivindicações dos cidadãos e das populações e apontaremos soluções para a satisfação dessas reivindicações. De esperança, porque perante a desgraça que se abateu sobre este concelho, somos a única alternativa credível, a verdadeira esquerda socialista e popular e na qual os portimonenses podem confiar. De ruptura, porque visaremos romper o satus quo existente, clientelar, sufocante e pantanoso que se vive há muito no concelho de Portimão. Esta candidatura será também um espaço de resistência e de rebeldia – perante os poderes locais e centrais, procurando responder à emergência social, resgatar a democracia local e afirmar uma alternativa de esquerda e de confiança.

Um dos objetivos centrais do Bloco de Esquerda em Portimão é contribuir para a derrota do governo PSD/CDS às ordens da troika estrangeira e que está a praticar uma política devastadora no país – desemprego, miséria e exclusão social. Ajudar a derrotar as candidaturas locais do PSD e do CDS, pois as mesmas não passam de extensões das políticas governamentais aplicadas à autarquia se saíssem vencedoras. Estas eleições autárquicas também têm uma leitura nacional. Todas as vitórias locais do PSD e do CDS representam um reforço da política de destruição do governo e da troika. A derrota das candidaturas do PSD e do CDS ajudam a derrotar o governo e as suas políticas troikianas de desastre nacional.

Um outro objectivo central é o de derrotar o poder absoluto do Partido Socialista em Portimão. Sou candidato a Presidente da Câmara de Portimão e aceitarei, com humildade, qualquer outro cargo que os Portimonenses assim o decidirem. O PS governa esta cidade e este concelho há 37 anos de forma ininterrupta e os resultados estão à vista de todos: uma dívida astronómica de centenas de milhões, uma autarquia na falência, o desemprego, a pobreza e a exclusão social atingem os maiores índices, não só a nível do Algarve, mas também a nível nacional. A desertificação da cidade e a insegurança são uma triste realidade, o despesismo e o show of, ainda num passado muito recente abundavam, as clientelas e o nepotismo alastraram como bola de neve. As Empresas Municipais e as S. A. iam nascendo como cogumelos: Emarp para as águas e resíduos; Mercado Municipal para as frutas e legumes; Expo-Arade para gerir o pavilhão Arena; Portimão Turismo para os eventos; Portimão Renovada para a reabilitação urbana; Pavilhão Arade para os concertos e a música clássica; Rio Adentro para a reabilitação da zona ribeirinha; uma pré-Fundação, muito difícil de criar, para gerir o Teatro Municipal!

Todo este despesismo sem controlo caminhava em direcção a uma catástrofe anunciada e com o agravar da crise o Executivo faz uma nova reestruturação empresarial: funde quase todas as empresas numa super Empresa Municipal de gestão e reabilitação urbana que, ao mesmo tempo, também é uma Sociedade Anónima – a Portimão Urbis! Mas paradoxo dos paradoxos: a Portimão Urbis transformada numa enorme S. A., além de engolir muitas dezenas de milhões ao erário público e aos contribuintes, aos Portimonenses, sobrepôs-se à própria Câmara Municipal, usurpando praticamente quase todas as suas competências e que irá alargá-las muito em breve. Vejamos algumas dessas competências:
- o direito de utilizar e administrar os espaços e os bens de domínio público municipal;
- o poder de protecção, demolição e posse de terrenos e instalações;
- o direito de cobrar e arrecadar receita proveniente de taxas e coimas;
- o poder de fiscalização e de gestão dos meios de publicidade;
- o poder de instaurar processos de contraordenação por infrações aos Regulamentos;
- a gestão ao nível dos transportes rodoviários urbanos;
- gerir os espaços de venda ambulante e decidir quem deve praticar esta actividade;
- o poder de gerir os espaços dos quiosques;
- os poderes de realizar contratos, acordos ou protocolos com o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos;
- a gestão dos parcómetros e dos parques subterrâneos;
- a elaboração de estudos e projectos de mobilidade e acessibilidade urbana;
- a gestão dos mercados municipais e dos eventos;
- o acesso a fundos comunitários;
- a celebração de contratos-programa com o governo;
- e todos os poderes administrativos e de autoridade necessários à prossecução do seu objecto social.
Estes são apenas alguns dos exemplos.

Afinal o que sobra para a Câmara Municipal? Isto é uma vergonha e com a qual o Bloco de Esquerda não pactua, nem irá tolerar! E há medo e muito descontentamento e revolta pelo que se está a passar em Portimão. Imagine-se – dos quase 140 milhões de empréstimo que o executivo camarário pediu ao Estado e à banca, no âmbito do PAEL, mais de 50 milhões serão para pagar dívidas que a Câmara contraiu com a Portimão Urbis! Extraordinário! Não iremos tolerar que interesses privados e obscuros se sobreponham ao bem público.

E que dizer das taxas municipais e dos valores do IMI que se praticam em Portimão? As taxas de publicidade e de ocupação dos espaços são uma exorbitância! O IMI encontra-se no valor mais alto! Muitos comerciantes como já não têm meios suficientes optaram por arrancar os toldos de publicidade, ou simplesmente pintaram os reclames publicitários! E muitos outros portimonenses já não conseguem dinheiro para pagar o IMI das suas habitações! Além de uma troika externa, temos uma outra troika, interna, que se abateu desgraçadamente sobre Portimão e os Portimonenses! E a candidata do partido Socialista sobre isto nada diz, nem um a linha, pois sabe que a sua política é mais do mesmo, os novos rumos que preconiza serão a evolução na continuidade e sempre para pior! Portimão, com uma gestão absoluta e desastrosa do Partido Socialista há muito que navega ao sabor do vento e sem rumo! É por tudo isto que Portimão precisa de mudar! Os Portimonenses não são números!

Companheiros e amigos,

Antes de avançar com algumas prioridades e compromissos da nossa candidatura, apenas algumas notas do que tem sido a atuação do Bloco de Esquerda, ao longo destes últimos 4 anos, por parte dos autarcas eleitos, com o apoio da concelhia local. Os elementos do Bloco têm feito uma oposição frontal, construtiva, têm apresentado alternativas credíveis e necessárias e denunciado o pretenso rumo que tem caracterizado a governação do PS no nosso concelho, muitas vezes com o apoio dos elementos do PSD e do CDS. Foram feitas muitas intervenções e apresentados dezenas de documentos, entre moções, requerimentos, recomendações e outras intervenções, muitas delas aprovadas, em defesa dos mais necessitados e por uma melhor qualidade de vida, em prol do concelho de Portimão e das suas populações.

As nossas propostas, que ainda se encontram em construção – estamos a reunir com diversas entidades para saber das suas necessidades e reivindicações – irão assentar em torno de dois pilares fundamentais, como se referiu: responder à emergência social e resgatar a democracia local.

São 5 prioridades/compromissos para mudar Portimão:

1. Responder à emergência social
Implementação de um Programa Contra a Exclusão criando para o efeito um Gabinete de Emergência Social adstrito a um vereador nesta área, tendo em conta a dramática situação em que se encontram muitos habitantes deste concelho. É necessário combater, com urgência e com toda a energia a situação de calamidade que se vive e que tem tendência a agravar-se. As medidas a implementar por este gabinete deverão contar com o apoio de muitas valências a nível de técnicos multidisciplinares a trabalharem nos serviços oficiais do concelho e em articulação com diversas entidades públicas – Câmara, Juntas de Freguesia, escolas, IPP’s e outras instituições que compõem as redes sociais do concelho. O combate à carência alimentar e à exclusão social deverá levar à criação de um Refeitório Social Municipal.
(Curiosamente todos os candidatos falam em reforçar os apoios sociais aos mais carenciados, quando os seus partidos são os responsáveis pela situação de miséria, de necessidade e de profundas dificuldades em que vivem muitos cidadãos e inúmeras micro e pequenas empresas. A candidata do PS também fala “em reforçar os apoios sociais aos mais carenciados”. Curioso! Mas só agora, quando se apresenta como candidata é que toma estas posições? É preciso não esquecer que esta candidata também tem uma grande quota parte de responsabilidade pela situação desastrosa em que mergulhou Portimão, pois fez parte de anteriores executivos camarários e da Assembleia Municipal como membro da mesma força política que tem gerido os destinos do concelho! E não há qualquer crítica à Câmara por esta ter retirado, já há alguns 3 ou 4 anos atrás, todos os apoios sociais a uma instituição de referência desta cidade, a CRACEP, que promove formação e integra mais de 50 jovens com deficiência e conta nas suas respostas sociais com várias valências, incluindo uma Cantina Social que fornece 100 refeições diárias aos mais necessitados. Enquanto isto, há cerca de um ano atrás, foi dispendido pelos cofres camarários cerca de meio milhão de euros para pagamento dos espectáculos do La Féria! É preciso atuar na hora certa! Tudo isto são questões de opção política).
(Outros candidatos mais à direita, também se afirmam defensores das questões sociais no concelho e que têm “um projecto político inclusivo”. Mas como é isto possível, quando para a apresentação pública da sua candidatura, é convidado um ministro, que faz parte de um governo ilegítimo e que está a praticar uma política terrorista contra o povo português e em particular contra os mais necessitados e carenciados? Esse ministro, Mota Soares, tem sido o responsável pela liquidação dos apoios sociais a milhares de famílias, tem sido um dos principais responsáveis pela destruição do estado social no país! O convite e a presença do ministro da Segurança Social significou uma afronta, senão a todos, pelo menos à esmagadora maioria dos Portimonenses).
Promover uma bolsa municipal de habitação para situações extremas (incumprimento de contratos, nova lei das rendas), e arrendamento a preços controlados.
Criação de uma bolsa de livros escolares (alimentada por empréstimos e doações).
Assegurar a todas as crianças e jovens necessitados o pequeno-almoço grátis nas escolas.
Alargar a criação de uma bolsa de terras (criação de hortas sociais para autoconsumo).
Proibição do corte de água e de energia às famílias que se encontrem em comprovada situação de pobreza).
Inclusão social das pessoas com deficiência, assegurando a todos o acesso à educação com qualidade, melhorando as acessibilidades (eliminação de barreiras físicas), e apoiar socialmente situações mais problemáticas de carências económicas e sociais.

2. Criação de emprego e desenvolvimento local
Apostar na reabilitação urbana, revitalizando o núcleo antigo da cidade e outros edifícios degradados.
Criação de um gabinete de apoio à economia local, às microempresas e PME’s, gerador de criação de emprego.
Apoiar a diversificação das atividades económicas – turismo alternativo, pequeno comércio, artesanato, agricultura e pescas.
Elaborar um plano de apoio à recuperação do pequeno comércio (em articulação com os comerciantes e as suas associações).
Criação de novos postos de atracação para a náutica de recreio e pesca no rio Arade, em coordenação com o porto de cruzeiros, visando a criação de novas empresas e emprego nesta área.
Requalificar o porto de cruzeiros, usufruindo e aproveitando as suas diversas valências.

3. Direito à qualidade de vida e justiça fiscal
Combate intransigente pela abolição das portagens na Via do Infante.
Defesa da Ria de Alvor exigindo a sua classificação como Área de Paisagem protegida.
Implementação de um Plano Verde e construção de ciclovias, parques, jardins e espaços verdes, numa perspectiva de equilíbrio ambiental e de ordenamento.
Desassoreamento do rio Arade, em articulação com as autarquias de Lagoa, Silves e Monchique.
Oposição à privatização da água e de outros serviços públicos.
Melhorar os serviços públicos do Vai – Vem.
Melhoria da Escola Pública e impedir a sua privatização, ou municipalização; oposição aos mega-agrupamentos escolares; alargamento da rede de creches e ATL; gestão direta pela Autarquia das Atividades de Enriquecimento Curricular.
Avançar, finalmente, com a construção de um terminal rodoviário.
Implementar políticas de apoio à juventude e às associações culturais, recreativas e desportivas do concelho; erguer a Casa da Juventude e requalificar o Parque da Juventude, entregando estes equipamentos às associações juvenis que farão uma gestão partilhada com a autarquia; concluir Pavilhão da Boavista e o Pavilhão Gimnodesportivo, devendo este estar aberto a toda a comunidade e às diversas associações, em pé de igualdade.
Valorizar e apoiar as associações desportivas do concelho, devendo a autarquia conceder espaços para a prática das diferentes modalidades, sempre que essas associações necessitem.
Lutar para impedir que o Hospital do Barlavento perca valências, serviços e qualidade, fruto da implementação do Centro Hospitalar do Algarve (repor e melhorar a situação anterior); combater novas tentativas de cobrança dos parques do Hospital.
Redução das taxas de IMI e de outras taxas municipais e taxar os ATM (multibancos) dos bancos.

4. Transparência e rigor na gestão autárquica
Reivindicar um Orçamento de base zero, extinguindo o PAEL (autêntico garrote sobre os Portimonenses) e anulando assim a dívida impagável.
Lutar por uma gestão autárquica pública transparente e rigorosa, combatendo a corrupção, a especulação e o desperdício.
Reestruturar o setor empresarial local, conduzindo à extinção da Portimão Urbis (autêntico sorvedouro dos dinheiros públicos e que muito contribuiu para o agravamento da crise local), com o retorno de todas as competências e serviços à autarquia e salvaguarda de todos os postos de trabalho. Eventualmente, manter esta empresa mas apenas com as competências de reabilitação urbana.
Concursos públicos transparentes, limitando os ajustes diretos.
Transparência na atribuição de subsídios e apoios às Coletividades e outras instituições (elaboração de um Regulamento).
Auditoria rigorosa e independente a todos os serviços camarários, incluindo as Empresas Municipais.

5. Aprofundamento da democracia local/reforço da democracia participativa
O recurso ao Referendo local sempre que estejam em causa matérias municipais de relevo.
Combate ao presidencialismo municipal e a todas as tentativas de imposição dos executivos monocolores.
Garantir um maior aceso da informação aos cidadãos.
Reforçar o Orçamento participativo, procurando envolver um número cada vez maior de cidadãos.
Defender a participação de todos na vida local e instituir o Conselho Consultivo da Cidade com a participação de representantes das forças vivas do concelho, onde serão discutidas e aprovadas diversas políticas e matérias de interesse municipal, a implementar pelo executivo camarário.
Implementar o Provedor do Munícipe, devendo este atuar como porta-voz das reivindicações dos Portimonenses junto dos órgãos autárquicos municipais.
Descentralizar as reuniões da Assembleia Municipal pelas diferentes Freguesias.
Estas algumas das propostas para Portimão da candidatura do Bloco de Esquerda.
Sabemos que esta é uma luta difícil, mas o Bloco de Esquerda não volta as costas às lutas difíceis, enfrenta-as e procura superá-las.
É o que iremos fazer em Portimão.
Muito obrigado a todos.

CONVERGIR À ESQUERDA – UMA URGÊNCIA



A propósito da sessão pública “2 anos de troika – Libertar Portugal da Austeridade” que tem lugar esta noite na Aula Magna, o Prof. Boaventura Sousa Santos, director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra reflecte no Público de hoje sobre as razões do que se está a passar na sociedade portuguesa para que seja possível juntar “personalidades, actores políticos e organizações”, colocando de lado conhecidas e antigas divergências, no sentido de convergirem em acções de luta contra o Governo e as políticas de austeridade que estão a destruir o país.   


Um Manifesto de Mudança

Muitos se perguntam sobre o que se está a passar na sociedade portuguesa para que personalidades, actores políticos e organizações sociais estejam a pôr de lado as suas divergências para se juntarem em acções de luta contra o actual Governo e as suas políticas da austeridade. As razões são várias e os níveis de convergência são diversos, o que significa que a força desta convergência talvez resida em criar condições para redefinir as divergências democráticas num novo ciclo político que se aproxima. Eis algumas das razões.

O novo antifascismo. A democracia portuguesa está suspensa porque as decisões políticas que afectam mais decisivamente os cidadãos não decorrem de escolhas destes nem respeitam a Constituição. Estalou um conflito fundamental entre os direitos de cidadania e as exigências dos "mercados" financeiros, e esse conflito está a ser decidido a favor dos "mercados". As decisões formalmente democráticas são substantivamente imposições do capital financeiro internacional para garantir a rentabilidade dos seus investimentos, tendo para isso ao seu serviço as instituições financeiras multilaterais, o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, o euro e os Governos nacionais que se deixaram chantagear. Ao contrário do fascismo histórico, o actual fascismo financeiro, em vez de destruir a democracia, esvazia-a de qualquer força para lhe poder fazer frente e transforma-a numa monstruosidade política: um Governo de cidadãos que governa contra os cidadãos; o Governo legitimado pelos direitos dos cidadãos que se exerce violando e destruindo esses direitos. A defesa da democracia real exige uma união do tipo daquela que uniu as forças antifascistas que tanto lutaram pela democracia que tivemos até há pouco e que conquistámos há menos de 40 anos. Porque o fascismo é diferente, são também diferentes as formas de luta. Mas o que está em causa é o mesmo: construir uma democracia digna do nome.

Da alternância à alternativa. A crise financeira de 2008 significou o fim do que no pós-guerra se convencionou chamar "capitalismo democrático", uma convivência sempre tensa entre os interesses dos investidores em maximizar os seus lucros e os interesses dos trabalhadores em ter salários justos e trabalho com direitos. A convivência resultou de um pacto por via do qual os trabalhadores renunciaram às reivindicações mais radicais (o socialismo) em troca de concessões do capital (tributação e regulação) que tornaram possível o Estado social ou de bem-estar. Este pacto começou a entrar em crise logo nos anos setenta do século passado mas colapsou definitivamente com a crise de 2008, não só pelo modo como a crise ocorreu, mas pelo modo como foi "resolvida": a favor do capital financeiro que a tinha criado, o qual, em vez de punido e regulado, foi resgatado e libertado para repor rapidamente a sua rentabilidade e os bónus dos seus agentes. Os partidos políticos com vocação de governo distinguiram-se no pós-guerra pelo modo como geriram o pacto. Nisso consistiu a alternância. Desde 2008 tal pacto deixou de existir e por isso a alternância deixou de fazer sentido. Em Portugal, a assinatura do memorando da troika selou o fim do pacto e da alternância que fazia dele um pacto democrático. A partir de agora, em vez de alternância, é necessário buscar uma alternativa. As divergências no interior da coligação do Governo nada têm a ver com a alternativa e mostram que a alternância à alternância (com os mesmos partidos ou com algum deles e o PS) seria a reprodução, em forma de farsa, da tragédia que vivemos. A alternativa implica decidir entre a lógica do capitalismo financeiro e a lógica da política democrática. Neste momento, as duas lógicas são inconciliáveis. Os democratas portugueses convergem na ideia de que a democracia deve prevalecer e sabem que para que tal ocorra são necessários actos de desobediência às exigências dos "mercados", o que certamente vai envolver alguma turbulência social e política, cujos custos devem ser minimizados. Acima de tudo haverá que enfrentar a intimidação e a manipulação do medo, os drones com que os "mercados" destroem sem custos os direitos dos cidadãos. A desobediência pode assumir várias formas mas todas envolvem assumir que a dívida, tal como existe, é impagável; e injusta, porque não se pode liquidar um país para liquidar uma dívida. A opção pela democracia é a alternativa mas o modo de a levar à prática não é unívoco, tal como nada é unívoco em democracia. Ou seja, a alternativa contém em si alternativas. E aqui surgem as divergências que vão definir o novo ciclo político.

A Europa real e a Europa ideal.As divergências incidem em três temas: articular ou não a desobediência ao capital financeiro com a permanência no euro; centrar os esforços em renegociar a posição na UE ou em abrir a novos espaços e parceiros geopolíticos; dado que o fim desta UE é uma questão de tempo, lutar ou não por uma outra inequivocamente sujeita à lógica da democracia. Como é próprio de uma transição de paradigma, todas as posições envolvem riscos e nem sempre será fácil calculá-los. Mas mesmo nas divergências há alguma convergência: a actual UE está totalmente colonizada pela lógica dos "mercados"; o aprofundamento da integração em curso está a ser feito à custa das democracias da Europa do Sul; seria melhor que as posições de desobediência fossem tomadas por vários países articuladamente.

A luta política extra-institucional. Os partidos políticos de esquerda são os mais tímidos neste processo de convergência porque têm demasiados interesses investidos no actual ciclo político e temem pelo seu futuro. Têm dificuldade em admitir que, se não assumirem riscos, estão condenados a ser o verniz democrático das unhas do fascismo financeiro. O dilema que enfrentam é sério: se acompanharem o movimento social que aponta para um novo ciclo democrático, podem estar a cometer suicídio; se não o acompanharem, serão vistos como parte do problema que enfrentamos e não como parte da solução, correndo o risco de, no melhor dos casos, se tornarem irrelevantes, o que é outra forma de suicídio. Perante este dilema, que todos devemos compreender, os cidadãos e as cidadãs não têm outro remédio senão vir para a rua reclamar a queda do Governo e forçar os partidos de esquerda e centro-esquerda a assumir riscos, ajudando a minimizar os custos sociais e políticos da turbulência política que se aproxima sem olhar a cálculos partidários. Estamos talvez a entrar num momento forte de democracia participativa, servindo de fonte de revitalização da democracia representativa. Das instituições que sobrevivem à suspensão da democracia os democratas portugueses apenas têm alguma esperança no Tribunal Constitucional. Pelo respeito que lhes merece a instituição da Presidência da República, preferem nada dizer sobre o seu actual locatário.