terça-feira, março 24, 2015

Marilu Santana: «Só saio daqui morta ou com o meu dinheiro»

Marilu_protesto domingo_1Marilu Santana, a trabalhadora que na sexta-feira se acorrentou às escadas interiores do Clube Praia da Rocha exigindo o pagamento de salários em atraso, passou a sua terceira noite em protesto no local. Cá fora, do outro lado do vidro, continuam os seus colegas, em solidariedade.
Esta segunda-feira, ao meio dia, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve organiza uma concentração de apoio a Marilu e aos outros trabalhadores a quem a empresa que explora os apartamentos turísticos do Clube Praia da Rocha deve, no total, mais de 40 mil euros, referentes a dois meses e meio de salários em atraso, subsídios e compensações não pagas.
Esta noite, mais uma vez, Marilu Santana, de 52 anos, teve de ajeitar-se em cima de um degrau e de duas caixas de fruta, com almofadas e cobertores, para conseguir dormir, mantendo-se acorrentada às guardas metálicas de umas escadas interiores do resort da Praia da Rocha.
Apesar do desconforto de três dias e três noites no mesmo sítio, amarrada à volta da cintura por uma grossa corrente com cadeado, Marilu garante, em entrevista ao Sul Informação: «Estou muito bem, determinada, com força para continuar».
E continuar até quando? «Até o patrão abrir este cadeado. Ele é que tem a chave, que é o meu dinheiro e o dos meus colegas, que ele nos deve e não paga!», responde, determinada, a trabalhadora.
Cá fora, os colegas vão-se revezando no apoio
Cá fora, os colegas vão-se revezando no apoio
Marilu Santana assegura que não está ali apenas por sua causa e do seu filho, que, como ela, tem muito dinheiro a haver da empresa Green Stairs, que explora o Clube Praia da Rocha. «Sou porta-voz de todos os trabalhadores que estão a sofrer o mesmo que eu, aqui e noutras partes do Algarve e do país, e que não podem falar para não perder o trabalho».
«Faço isto pelo meu filho, pela minha filha, pelo meu neto que há-de vir, para que todos tenham um mundo melhor que este», acrescenta.
Marilu conta que, depois de ter trabalhado muitos anos como «empregada de escritório, em imobiliárias e empresas de condomínios», ficou desempregada. «Com a idade que eu tinha, 50 anos, já ninguém me queria dar trabalho, por isso aceitei o que me apareceu, que foi fazer limpezas aqui. Vim trabalhar para aqui, para os corredores. No total, trabalhei cá 18 meses. Mas vi que a empresa podia poupar mais de metade do dinheiro que gastava se, em vez de comprar bolos lá fora, os fizesse aqui. E fui propor isso ao patrão. Ele aceitou e transitei para o novo serviço. Fui boleira e pasteleira desta casa durante três meses. Mas acabei por nunca ver o ordenado desses três meses. Eu poupei dinheiro ao patrão, mas ele nem o ordenado me pagou».
Cá fora, através do vidro que dá para a frente do Clube Praia da Rocha (CPR), Marilu Santana vê os seus colegas, como ela também com salários em atraso, que se vão revezando no apoio e também dormem ali, ao relento, tapados com sacos cama e cobertores. «Já viu ao que a gente chegou? Parecemos uns sem abrigo… Mas nós não somos vagabundos, somos pessoas de trabalho! Apenas queremos aquilo que nos pertence, que são os nossos salários», reclama uma das colegas.
Marilu acena para os colegas que estão lá fora, a apoiá-la
Marilu acena para os colegas que estão lá fora, a apoiá-la
A Marilu e aos restantes trabalhadores, além  do Sindicato e da entreajuda, tem valido também a solidariedade dos proprietários de apartamentos no CPR, também eles há anos em luta contra as sucessivas administrações do complexo turístico.
Também a PSP de Portimão se tem mostrado compreensiva em relação ao protesto. Depois de, no primeiro dia, agentes da polícia terem tentado demover Marilu, nestes últimos dias limitam-se a passar lá de vez em quando, para saber se está tudo bem com a senhora e com os colegas.
Mas como os restantes trabalhadores, membros do sindicato e mesmo jornalistas estão proibidos de entrar no edifício, mesmo para levar água ou comida a Marilu, é graças aos proprietários que as coisas se têm resolvido, já que entram como seus convidados. Mas a solidariedade não fica por aqui, como faz questão de sublinhar a trabalhadora em luta: «eles têm sido incansáveis. Trazem-me café e chá, trazem-me bolachas, levam as minhas necessidades para despejar, carregam-me o telemóvel, vêm para aqui conversar comigo».
«Nós também andamos há anos em litígio com a administração, tem havido dezenas de processos em tribunal, mas, não se percebe porquê, eles conseguem sempre fazer o que querem, prejudicando tudo e todos. E isto arrasta-se há anos!», comenta um proprietário.
Marilu lá dentro, os colegas cá fora, preparados para passar mais uma noite
Marilu lá dentro, os colegas cá fora, preparados para passar mais uma noite
«Ainda agora voltámos a ter o problema de ter a água e a luz cortada, porque os apartamentos não têm contadores e eles cobram-nos o que querem. Fomos à Câmara de Portimão para uma reunião e o argumento usado pelo Sr. Paulo Martins, o administrador, foi: “não deixem isto fechado por causa dos trabalhadores”. E mais uma vez eles abriram. Bem se vê o que ele se preocupa com os trabalhadores…», acrescenta.
«Falta de dinheiro para nos pagar não é. Ainda agora estão a pintar os edifícios aqui do Clube e tiveram dinheiro para se reabastecer para abrir para a nova época. E o Sr. Paulo Martins continua a andar aí, para trás e para a frente, de BMW, enquanto nós nem temos dinheiro para pagar as nossas casas e dar de comer aos filhos. E ele anda a gozar com o nosso dinheiro! Sabe qual é o problema? É que estes trabalhadores foram mandados para o spam, para a seguir virem outros. E quem lhes garante que o patrão não lhes faz o mesmo?», contesta Marilu Santana.
Tiago Jacinto, coordenador do Sindicato da Hotelaria, que assiste à conversa sentado também nas escadas, faz questão de salientar que «ao contrário do que o administrador tem dito, ele nunca fez qualquer acordo com os trabalhadores, nem tem qualquer reunião marcada com o Sindicato. Ainda em Fevereiro, o Sindicato pediu uma reunião com urgência, mas ele diz que só está disponível a partir do dia 1 de Abril». «Isso é porque é o dia dele, o dia das mentiras», comenta de imediato Marilu.
A trabalhadora duvida que, depois deste seu protesto, consiga arranjar emprego noutro lado. «Fico conhecida como a sindicalista…mas eu queria criar o meu próprio posto de trabalho. Se o patrão tivesse pago os quase 5000 euros que me deve a mim e ao meu filho, eu criava o meu próprio trabalho, era esse o meu plano. Mas ele ficou com o que é meu e eu tenho que estar aqui…», diz, segurando na corrente que a prende às escadas.
Faixa na V6, a avenida frente ao Clube Praia da Rocha
Faixa na V6, a avenida frente ao Clube Praia da Rocha
Longe de perder o ânimo, Marilu diz estar cada vez «com mais força». Ela e os seus colegas, com os colchões e cobertores no chão, as placas e faixas com palavras de ordem, já despertam a atenção dos poucos turistas que estão a chegar ao Clube Praia da Rocha. Mas, como o aproximar da Páscoa, haverá mais turistas, em especial ingleses, irlandeses e espanhóis.
É por isso que Marilu diz que vai endurecer a sua luta, se entretanto a situação de falta de pagamento dos salários em atraso não for resolvida. «Quando vir as primeiras carrinhas de clientes a chegar do aeroporto de Faro, com os ingleses, deixo de comer, faço greve de fome. Só saio daqui morta ou com o meu dinheiro. Não é por mim, é pelos meus colegas, é pelos meus filhos, é por todos os trabalhadores de Portugal!»

Foi criada no Facebook uma página de apoio à luta de Marilu Santana e dos seus colegas, chamada «Acorrentados por uma Vida Melhor – Solidariedade Marilu Santana e Colegas».

Dirigente do CDS pede ao Esquerda.net para apagar “referências aos submarinos”

As notícias sobre corrupção no negócio dos submarinos “vão contra uma decisão judicial”, afirma Diogo Feio, eurodeputado do CDS, referindo-se ao polémico despacho de arquivamento do processo. O despacho descreve o papel de Paulo Portas em várias fases do negócio. Veja (ou reveja) o vídeo que há seis anos incomoda o CDS.
O dirigente do CDS Diogo Feio está preocupado com a "sanidade política" das referências aos submarinos no Esquerda.net
Num debate na SIC-Notícias, na semana passada, desviando-se inesperadamente do tema do debate, Diogo Feio disse a Catarina Martins que “a bem da sanidade política, seria bom que o site Esquerda.net retirasse as referências que lá tem, e vídeos em relação aos submarinos, que vão contra uma decisão judicial que foi tomada”. Na resposta, a porta-voz do Bloco sublinhou que “os tribunais da Alemanha declararam que houve corrupção”. O eurodeputado do CDS ripostou que estava a falar dos tribunais portugueses, e logo regressou ao tema dos indicadores económicos.
O vídeo que incomoda Diogo Feio foi publicado pelo portal esquerda.net em 2009. Trata-se de um resumo da passagem do CDS pelos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, marcada por suspeitas de corrupção investigadas pela justiça, pelos despachos emitidos nas últimas horas do governo e pela retirada de dezenas de milhares de fotocópias de documentos do Ministério da Defesa. Desde essa altura, já foi republicado por muitos utilizadores e é provavelmente o vídeo sobre o partido de Paulo Portas com mais visualizações nas redes sociais.
O vídeo que incomoda Diogo Feio foi publicado pelo portal esquerda.net em 2009. Trata-se de um resumo da passagem do CDS pelos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, marcada por suspeitas de corrupção investigadas pela justiça, pelos despachos emitidos nas últimas horas do governo e pela retirada de dezenas de milhares de fotocópias de documentos do Ministério da Defesa. Desde essa altura, já foi republicado por muitos utilizadores e é provavelmente o vídeo sobre o partido de Paulo Portas com mais visualizações nas redes sociais.
Segundo o entendimento de Diogo Feio, o arquivamento do processo dos submarinos pelo Ministério Público equivale à absolvição dos envolvidos no negócio milionário das comissões. Ao invés, o bloquista João Semedo, que integrou a comissão parlamentar de inquérito aos submarinos, sublinha que o despacho confirma precisamente que o atual vice-primeiro ministro “excedeu o mandato conferido pelo Conselho de Ministros em 2003, ao celebrar um contrato de compra diferente dos termos estabelecidos na adjudicação”. Além disso, Portas conduziu as negociações que alteraram a forma de cálculo do preço e das contrapartidas e trouxe o BES para o consórcio que financiou a compra. Foi ainda Paulo Portas quem negociou diretamente com Ricardo Salgado o aumento da margem de lucro para os bancos.
Também ficou provado o pagamento de 30 milhões de euros em comissões pagas pelos alemães à Escom, cuja distribuição foi parcialmente relatada nas gravações dos intervenientes das reuniões do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo. O que falta ainda conhecer é o destino final de pelo menos 3 milhões de euros desse pagamento.
No despacho, o Ministério Público diz que foi impedido de “percecionar o modo como se desenrolou o processo concursal que culminou com a celebração dos contratos de financiamento”, uma vez que os documentos desapareceram do ministério então ocupado por Paulo Portas.
Esquerda.net


Editora oferece livro de Rafael Marques para download gratuito

Mediante a perseguição ao ativista angolano e o início do seu julgamento em Angola, Bárbara Bulhosa, responsável da editora Tinta da China, disponibiliza o livro “Diamantes de Sangue” em formato digital “para que todos possam lê-lo e perceber o que está na base de um processo que pode vir a colocar o autor atrás das grades”.
Numa mensagem publicada no site Maka Angola, Bárbara Bulhosa, responsável da editora da Tinta da China, explica que publicou o livro “Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola” por acreditar que “o papel de um editor é também este: dar voz a quem ousa dizer a verdade em circunstâncias absolutamente adversas, com base em centenas de relatos de vítimas e familiares, todos - vítimas, testemunhas e jornalista - correndo risco de vida”.
Em vez de “atenuar a violência quotidiana nas zonas de exploração diamantífera em Angola”, tal como esperava Bárbara Bulhosa, a obra veio “desencadear uma perseguição ao seu autor” e a si própria.
Perante o início do julgamento de Rafael Marques em Angola, a responsável da editora da Tinta da China decidiu disponibilizar o livro "Diamantes de Sangue" em formato digital, “para que todos possam lê-lo e perceber o que está na base de um processo que pode vir a colocar o autor atrás das grades”.
O Esquerda.net transcreve, na íntegra, a mensagem de Bárbara Bulhosa, editora da Tinta da China, publicada no site Maka Angola:
Em 2011, publiquei o livro “Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola”, uma investigação do jornalista Rafael Marques, que considerei um dos mais importantes trabalhos para denunciar flagrantes crimes de violação dos direitos humanos nos nossos dias. Para mim, a questão não era se se passava em Angola, na China ou em Portugal. Acredito que o papel de um editor é também este: dar voz a quem ousa dizer a verdade em circunstâncias absolutamente adversas, com base em centenas de relatos de vítimas e familiares, todos - vítimas, testemunhas e jornalista - correndo risco de vida.
Na altura pensei, ingenuamente, que este livro serviria pelo menos para atenuar a violência quotidiana nas zonas de exploração diamantífera em Angola. Enganei-me. O livro serviu, ao invés, para desencadear uma perseguição ao seu autor. Passados dois anos, soube que eu própria era arguida num processo criminal. Fui submetida à medida de coação de termo de identidade e residência, justamente por ter publicado “Diamantes de Sangue”. Rafael Marques e eu fomos processados em Portugal por nove generais e duas empresas visadas na investigação. O processo foi arquivado pelo Ministério Público Português no mesmo ano.
Amanhã começa o julgamento de Rafael Marques em Angola. Estou naturalmente apreensiva quanto ao seu desfecho.
Enquanto responsável pela editora, a melhor forma que encontro para apoiar Rafael Marques na sua luta é disponibilizar, a partir de hoje, o livro em formato digital, para que todos possam lê-lo e perceber o que está na base de um processo que pode vir a colocar o autor atrás das grades.
Bárbara Bulhosa
Editora da Tinta da China
"Diamantes de Sangue” disponível em pdf:
http://www.makaangola.org/images/files/Diamantes%20de%20Sangue_Rafael%20Marques.pdf
Esquerda.net

quinta-feira, março 19, 2015

Fotogaleria: Passos Coelho alvo de protestos na sua visita ao Algarve

Pedro Passos Coelho foi o alvo de uma manifestação que juntou cerca de 50 pessoas, esta quarta-feira, junto ao Hotel Ria Park, em Vale do Lobo.
 
Os manifestantes pretendiam surpreender o primeiro ministro à chegada a esta unidade hoteleira, para participar na cerimónia de comemoração dos 45 anos da Região de Turismo do Algarve, mas acabaram por ser “fintados”, uma vez que o líder do Governo já lá se encontrava antes da chegada dos primeiros contestatários.
Ainda assim, o protesto foi feito, com cartazes, buzinas, apitos e palavras de ordem gritadas. As demolições nas ilhas-barreira foram o principal motivo de queixa, mas também não foram esquecidas outras matérias, como as portagens na Via do Infante, o atraso na requalificação da EN 125 e as políticas do Governo.

Um Coelho acossado em solo algarvio!

O chefe do governo de traição nacional Passos Coelho esteve esta 4ª feira numa sessão comemorativa dos 45 anos da Região de Turismo do Algarve, que ocorreu num hotel na zona de Vale de Lobo. À sua espera tinha uma recepção composta por várias dezenas de elementos do povo decididos a estragar-lhe a festa e o passeio turístico.


Manifestavam-se contra a decisão do governo persistir na imposição de portagens na Via do Infante e ter chancelado os despejos e demolições de habitações nas ilhas-barreira da Ria Formosa. Vieram exigir a execução das há muito prometidas obras de reparação e alargamento da EN 125 e empunhavam cartazes e gritavam palavras de ordem contra as políticas terroristas e fascistas do governo, exigindo a sua imediata demissão.
Mais preocupado em levar a cabo a pré-campanha eleitoral que salve os partidos da coligação governamental – PSD e CDS – e o seu tutor Cavaco de uma estrondosa derrota, ou que diminua o seu impacto, Coelho fugiu como o diabo da cruz de abordar os temas cuja solução os elementos do povo que se manifestavam frente ao portão da unidade hoteleira onde discursava exigiam.
De tal forma isolado está Coelho e quem com ele partilha o poder que nem se dignou, no seu discurso, em falar sobre o sector que era tema principal e nuclear da sessão comemorativa do aniversário da Região de Turismo do Algarve, isto é, o turismo, preferindo cantar loas à melhoria considerável que o sector da saúde tinha registado na região, chegando a afirmar que “nunca foram prestados tantos actos clínicos como agora”, contrariando de forma provocatória e mentirosa todas as denúncias em sentido contrário que a Ordem dos Médicos, directores clínicos de vários dos hospitais do Algarve e sindicatos têm abundantemente trazido a público.
Fugindo às reclamações e condenações, quer dos elementos do povo que se manifestavam cá fora, quer dos empresários e operadores turísticos que lá dentro se queixavam da “…  desvalorização a que a região tem sido votada ao longo de anos», bem como à falta de “investimento proporcional à importância da região”, utilizou o esburacado discurso do milagre económico e da melhoria da situação económica do país.
Fingindo não entender que mais ninguém, fora e dentro daquela sala, nenhum elemento do povo e dos trabalhadores portugueses, partilham o seu optimismo, nem em relação às perspectivas económicas futuras, nem em relação ao milagre económico em curso, Passos pode de uma coisa ter a certeza. O destino que lhe está reservado pelo povo e por quem trabalha é o mesmo que estes sempre reservaram a todos os traidores ao longo da história: o caixote do lixo! 
É hora de o povo português entender que, para além da denúncia, isolamento e demissão desta corja que governa o país, a sua luta terá de passar pela constituição de um Governo de Unidade Democrática e Patriótica. Governo esse que, para além de levar a cabo um programa de investimentos produtivos criteriosos, execute um plano que leve à saída de Portugal do euro, uma moeda forte para uma economia fraca que tem tido como consequência a total perda de soberania e independência nacional, a degradação e denegação da democracia e da liberdade.
In "Que o silêncio dos justos não mate os inocentes".

domingo, março 15, 2015

Esquerda Europeia quer ativar a solidariedade com a Grécia

Catarina Martins anuncia que o Conselho de presidentes do Partido da Esquerda Europeia (PEE), reunido em Atenas, decidiu lançar uma Aliança Anti-Austeridade “para resgatar a democracia e ter políticas de crescimento e de emprego”.
"Ficámos com a grande convicção de que muita coisa está a mudar na Europa", disse Catarina Martins
"Ficámos com a grande convicção de que muita coisa está a mudar na Europa", disse Catarina Martins
A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou este sábado que é preciso ativar a solidariedade com a Grécia, alvo de uma grande chantagem dos governos europeus que tentam provar ser "impossível uma alternativa" às medidas de austeridade.
No final da primeira reunião do conselho de presidentes do Partido da Esquerda Europeia (PEE) desde as eleições gregas, que decorreu em Atenas, Catarina Martins anunciou que o PEE está a lançar na Europa “aquilo a que chamamos uma Aliança Anti-Austeridade [Alliance Against Austerity], o triplo A dos povos contra o triplo A da finança, para resgatar a democracia, ter políticas de crescimento e de emprego, em vez de políticas de sucessivos cortes e de apoio ao sistema financeiro que temos tido até agora".
O ponto único da reunião era a situação das negociações entre a Grécia e as instituições europeias, e contou com a presença de responsáveis do governo de Atenas e do Syriza.
Parar com a política de austeridade
"Foi decidido na reunião do PEE a necessidade de se criarem alianças nos vários países, de todas as forças que querem uma alternativa na Europa. Ou seja, é preciso parar com uma política de austeridade, de redução de despesas, de ataque ao Estado social, e substituí-la por uma política de investimento, que crie emprego e permita produção e crescimento económico nos países da Europa", afirmou.
"Para isso é necessária uma reestruturação das dívidas públicas dos países da periferia da zona euro e também uma nova política a nível europeu que perceba a necessidade de relançar o investimento na Europa", acrescentou.
Concentração em Frankfurt
A dirigente do Bloco de Esquerda enumerou algumas iniciativas, como a presença em grandes concentrações que vão marcar a inauguração da nova sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt (Alemanha), na quarta-feira.
No final de maio, o PEE vai realizar um fórum sobre políticas alternativas na Europa, "um momento muito importante, alicerçado num grande debate de propostas políticas concretas", explicou.
"Ficámos com a grande convicção de que muita coisa está a mudar na Europa, que há muitas dificuldades, mas que é hoje possível o que se pensava há cinco anos que seria completamente impossível. Saímos desta reunião com uma série de reivindicações, medidas, encontros solidários, propostas políticas concretas para combater a austeridade", acrescentou a porta-voz do Bloco de Esquerda.

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sábado, março 14, 2015

Chomsky: A invasão do Iraque está na origem de grupos como o Estado Islâmico

Nesta entrevista ao Jacobin, Noam Chomsky explica as raízes do EI e por que os Estados Unidos e os seus aliados são responsáveis pelo surgimento do grupo. Em particular, argumenta que a invasão do Iraque de 2003 provocou as divisões sectárias que provocaram a desestabilização da sociedade iraquiana. O resultado foi um clima onde os radicais apoiados pelos sauditas prosperaram. Entrevista de David Barsamian.
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin
O Médio Oriente está em chamas, da Líbia ao Iraque. Há novos grupos jihadistas. As atenções focam-se no Estado Islâmico. Que pensa deste grupo e das suas origens?
Há uma entrevista interessante a Graham Fuller, publicada há dias. Trata-se de um ex-agente da CIA, um dos principais analistas do Médio Oriente. O título é “Os Estados Unidos criaram o Estado Islâmico”. Esta é uma das teorias da conspiração, das milhares que há no Médio Oriente.
Mas esta vem de outra fonte: do coração do establishment dos EUA. Fuller apressa-se a esclarecer que não quer dizer que os EUA decidiram dar existência ao EI e depois financiá-lo. O que ele sustenta – e eu acho uma opinião correta – é que os EUA criaram o ambiente do qual nasceu e se desenvolveu o EI. Em parte, a abordagem foi o padrão martelada: esmaga-se aquilo de que não se gosta.
Em 2003, o Reino Unido e os EUA invadiram o Iraque, um grande crime. Ainda esta noite, o Parlamento britânico concedeu ao governo a autoridade para bombardear o Iraque de novo. A invasão foi devastadora. O Iraque já tinha sido virtualmente destruído, em primeiro lugar pela guerra de dez anos contra o Irão, na qual, diga-se de passagem, o Iraque foi apoiado pelos EUA; e logo em seguida, pela década de sanções económicas.
Estas foram descritas como “genocidas” pelos respeitados diplomatas internacionais que as administraram, e ambos se demitiram em protesto. As sanções devastaram a sociedade civil, reforçaram o ditador, forçando a população a depender dele para sobreviver. Esse é provavelmente o motivo de não ter seguido o mesmo caminho de todo um grupo de ditadores que foram derrubados.
A invasão  do Iraque é comparada por muitos iraquianos à invasão mongol ocorrida mil anos antes.
Finalmente, os EUA decidiram atacar o país em 2003. O  ataque é comparado por muitos iraquianos à invasão mongol ocorrida mil anos antes.Terrivelmente destrutiva. Centenas de milhares de pessoas mortas, milhões de refugiados, milhões de outras pessoas deslocadas, destruição de riquezas arqueológicas do país dos tempos da Suméria.
Um dos efeitos da invasão foi imediatamente instituir divisões sectárias. Parte do fulgor da força de invasão e do seu diretor civil, Paul Bremer, foi separar as seitas, sunitas, xiitas, curdos e provocar os conflitos entre elas. Num par de anos, havia um enorme, brutal conflito sectário incitado pela invasão.
Para comprovar isto basta olhar para Bagdade. Se virmos um mapa de, digamos, 2002, trata-se de uma cidade misturada: sunitas e xiitas vivem nos mesmos bairros, por vezes nem se sabe quem é sunita ou xiita. É como saber se os seus amigos são de um grupo protestante ou de outro. Havia diferenças, mas não hostilidade.
De facto, durante alguns anos ambos os lados diziam: nunca haverá conflitos sunitas-xiitas. Estamos demasiado misturados na natureza das nossas vidas. Mas em 2006 já havia uma guerra enraivecida. Esse conflito espalhou-se a toda a região. Hoje, toda ela está dividida pelos conflitos sunitas-xiitas.
A dinâmica natural de um conflito como esse é que os elementos mais extremistas começam a ser predominantes. Tinham raízes. As raízes vêm do maior aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que tem sido o principal aliado dos EUA na região desde que Washington se envolveu seriamente, de facto desde a fundação do estado saudita. É uma espécie de ditadura familiar. O motivo é ter uma quantidade enorme de petróleo.
O Reino Unido, antes dos EUA, preferia habitualmente o islamismo radical ao nacionalismo laico. E quando os EUA assumiram o seu papel, na essência seguiram o mesmo padrão. O islamismo radical tem o centro na Arábia Saudita. É o mais extremista, radical estado islâmico do mundo. Faz o Irão parecer um país tolerante e moderno por comparação e, evidentemente, as partes laicas do Médio Oriente árabe ainda mais.
Não só é orientado por uma versão extremista do Islão, a versão salafista wahabista, como também é um estado missionário. Usa os seus enormes recursos do petróleo para promulgar estas doutrinas por toda a região. Cria escolas, mesquitas, clérigos por toda a parte, do Paquistão ao Norte de África.
A doutrina abraçada pelo Estado Islâmico é uma versão extremista do extremismo saudita.
A doutrina abraçada pelo Estado Islâmico é uma versão extremista do extremismo saudita. Cresceu ideologicamente da mais extremista forma do Islão, a versão saudita, e os conflitos que foram engendrados pelo martelo dos EUA que esmagou o Iraque espalhou-se agora para todo o lado. É o que Fuller quer dizer.
A Arábia Saudita não só fornece o núcleo ideológico que levou ao extemismo radical do EI, como também o financia. Não o governo saudita, mas os ricos sauditas e kuwaitianos e outros dão fundos e apoio ideológico a estes grupos jihadistas que florescem por todo o lado. O ataque à região levado a cabo por britânicos e os EUA é a fonte onde tudo isto tem origem. Foi o que Fuller quis dizer ao afirmar que os EUA criaram o EI.
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Isto é assim tanto nos bairros quanto nos assuntos internacionais. As dinâmicas são perfeitamente evidentes. É o que está a acontecer. É de onde vem o EI. Se conseguirem destruir o EI, terão de lidar com algo mais extremista.
E os média são obedientes. No discurso de 10 de setembro, Obama citou dois países como histórias de sucesso da estratégia de contra-insurgência dos EUA. Que países são esses? Somália e Iémene. Toda a gente devia estar de queixo caído, mas no dia seguinte o silêncio era total, não havia comentários sobre isto.
O caso da Somália é particularmente horrendo. O Iémene é mau demais. A Somália é um país extremamente pobre. Não vou falar da história toda. Mas um dos grandes sucessos da política de contraterror da administração Bush foi que conseguiram fechar uma instituição de caridade, a Barakat, que abastecia o terrorismo na Somália. Grande excitação na imprensa. Grande triunfo.
Uns meses depois, os factos começaram a ganhar a luz do dia. A instituição de caridade não tinha absolutamente nada a ver com o terrorismo na Somália. Tinha a ver sim com a banca, o comércio, os hospitais. Mantinha de certa forma viva a economia somali, profundamente empobrecida e abalada. Ao fechar a instituição, a administração Bush acabou com isto. Foi a contribuição para a contra-insurgência. Foram-lhe dedicadas umas poucas linhas, que podem ser lidas em livros sobre finanças internacionais. É o que foi feito à Somália.
Houve um momento em que os chamados Tribunais Islâmicos, uma organização islâmica, tinha conseguido uma espécie de paz na Somália. Não era um regime bonito, mas pelo menos era pacífico e o povo estava mais ou menos a aceitá-lo. Os EUA não o toleraram, e apoiaram uma invasão etíope para destruí-lo e fazer toda a região numa enorme confusão. Grande sucesso.
O Iémene tem também a sua história de terror.
Esta é a tradução de uma parte da entrevista publicada no site informativo Jacobin.
Traduzido por Luis Leiria para o Esquerda.net

terça-feira, março 10, 2015

Descobertas do baú: a origem da moral segundo Karl Marx

Karl Marx
Karl Marx: a moral é uma mentira inventada pelos poderosos
            Marx (1818-1883) não gostava da filosofia tradicional. Escreveu-o com toda a clareza: “Tudo o que os filósofos fizeram foi interpretar o mundo de diferentes maneiras, mas o que importa é transformá-lo.” Por aqui se pode ver que as suas preocupações eram essencialmente práticas. Não lhe interessava o homem abstracto de que falavam os filósofos, mas as pessoas concretas que ele pretendia ajudar. Toda a teoria marxista se orienta neste sentido: libertar os oprimidos, criar um mundo mais humano. A intenção, como se vê, não é nova; os meios preconizados para a realizar são, no entanto, francamente originais. Vejamos porquê.

            Dizemos muitas vezes que todos os homens são iguais. Mas se olharmos para a realidade com um pouco de atenção, verificamos que tal não acontece. Qual é a origem das desigualdades? Marx não tem dúvidas: a propriedade privada. Tudo mudou quando o primeiro homem disse: isto é meu! Nesse dia nasceram as classes sociais. O critério para classificar os homens passou a ser o “ter”. Possuir propriedade privada, no início a terra, depois essencialmente a indústria, passou a ser para o homem o objetivo principal. A história da humanidade é o palco desta “luta de classes” e o resultado, afirmou Marx baseando-se no seu tempo, é a profunda desigualdade existente entre uma minoria de poderosos, a burguesia, e a esmagadora legião de oprimidos, os trabalhadores.

            O raciocínio de Marx é o seguinte: se a origem das desigualdades é a propriedade privada, “corta-se o mal pela raiz” abolindo a propriedade privada. Ora, como os que a detêm não a vão dar “de mão beijada”, a única solução é a maioria unir-se e tomá-la pela força, ou seja, fazendo uma Revolução. Esta violência, não sendo desejável, era para Marx inevitável. Os fins justificam os meios, pensava ele, porque o fim a atingir é uma sociedade mais justa, sem pobres nem ricos, sem propriedade privada nem classes, em que as terras, as fábricas e todos os meios de produção sejam pertença comum de todos os homens. Numa palavra, o Comunismo.

            Mas, se isso é realmente assim, por que motivos os trabalhadores não fazem nada para alterar a situação? — poder-se-ia perguntar. É aqui que entra a questão da moral. As pessoas não fazem nada porque julgam que isso é errado. Como foram educadas no sentido de respeitar as normas morais vigentes, pensam que elas existem precisamente para serem respeitadas. Marx diz que isso é uma mentira, mas uma mentira tão bem “contada”, que até parece que é verdade. A isso chama ele ideologia. Na sua opinião, a moral surgiu como tentativa de legitimar a propriedade privada e o poder dela decorrente. Quem a inventou? Aqueles a quem as proibições morais são favoráveis: a classe dominante. Por exemplo: a quem convém a regra “não roubarás!” ? Aos que nada possuem não é de certeza...

            A moral surgiu, assim, como uma “arma ideológica” ao serviço da classe dominante. E para que as classes dominadas não se apercebessem da sua verdadeira função, a moral foi sendo apresentada como algo imparcial, válida para todos os homens e sancionada por Deus. Marx, que era ateu, via na religião um aliado poderoso da moral: a esperança na vida eterna “adormeceria” os trabalhadores, levá-los-ia a aceitar passivamente os costumes e as normas,  de tal modo que já não se importariam com a sua deplorável situação real. É esse o sentido da frase “a religião é o ópio do povo”.

            Em resumo, segundo Karl Marx, a moral não nasce com o homem: ela é uma invenção, e uma invenção enganadora. A sua função é negativa: serve para convencer os desfavorecidos de que a desigualdade social é uma coisa natural. Uma vez desmascarada, o seu carácter de classe vem ao de cima. Na sociedade sem classes por que lutou, este tipo de moral subjugadora seria substituída por valores humanistas, em que o ser humano valesse por aquilo que é e não por aquilo que tem ou deixa de ter.
            Assim pensava Karl Marx. Como é sabido, não foi exatamente isso que foi feito em nome do “Marxismo”...
Diego Rivera e Frida Kahlo diante de um mural do artista
            A par da economia e, naturalmente, da política, a arte foi um dos domínios da criação humana que foi fortemente influenciado pelas ideias de Marx. Escolhi um exemplo retirado da música (e um exemplo português) para ilustrar o carácter engagé (comprometido politicamente) de um estilo de música que, por esse motivo, é conhecido como “música de intervenção”.
            Chamo especialmente a atenção para a letra:
A paz, o pão 

habitação 

saúde, educação 

Só há liberdade a sério quando houver 

Liberdade de mudar e decidir 

quando pertencer ao povo o que o povo produzir
In "A filosofia vai ao cinema"
          

sábado, março 07, 2015

Catarina Martins Bloco exige que primeiro-ministro mostre contribuições

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, exigiu hoje ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que mostre o seu registo de contribuições para a Segurança Social e fiscal antes do debate quinzenal de quarta-feira na Assembleia da República.
Política
Bloco exige que primeiro-ministro mostre contribuições
Lusa
Ao discursar num almoço comício do Bloco de Esquerda (BE) em Pechão, no concelho de Olhão, distrito de Faro, Catarina Martins disse que se Pedro Passos Coelho não esclarecer as dúvidas que o partido tem sobre as contribuições que devia ter pago à Segurança Social entre 1999 e 2004, não tem condições para exercer o cargo.
PUB
Catarina Martins considerou que este assunto é "sério", disse estar "em causa o regime e a democracia" e defendeu que "Pedro Passos Coelho tem que responder", porque este é um assunto que "já se arrasta há tempo demais" e "há tempo demais que o primeiro-ministro dá explicações que nada explicam e que só contribuem para insultar o país".
"E portanto é bom que o senhor primeiro-ministro o faça e o faça antes de quarta-feira, quando há debate quinzenal na Assembleia da República. Porque não pode um primeiro-ministro que está sob suspeita de não respeitar as mais básicas obrigações como cidadão, estar a responder ao parlamento enquanto primeiro-ministro, sem ter explicado exatamente tudo o que fez e tudo o que pagou", afirmou a dirigente do Bloco.
Catarina Martins disse que hoje foram públicas na imprensa notícias que dão conta de que "dos 58 meses de calote que o senhor primeiro-ministro deu à Segurança Social quando ainda era só o Pedro, terá pagado apenas 32 meses".
"Ou seja, há 26 meses de calote na Segurança Social ainda", criticou, frisando que isto causa um "problema político" ao Governo, que tem tido ao longo destes anos "um discurso moralista sobre os portugueses" e os fez serem "fiscais uns dos outros", além de as suas primeiras habitações serem penhoradas caso tenham dívidas ao fisco.
Por isso, Catarina Martins disse que o Bloco vai apresentar um projeto de resolução no parlamento para proibir a penhora de primeiras residências a pessoas com dívidas ao fisco, que disse ser prática de um país que "não é sério e que respeite as pessoas".
"Não há nada que justifique que alguém fique sem teto para morar", defendeu.

domingo, março 01, 2015

Política

BE considera ‘grave’ que primeiro-ministro se esqueça de pagar Segurança Social

Catarina Martins disse não ser possível "viver com um regime em que há um primeiro-ministro que pode esquecer-se de pagar a Segurança Social"
Lusa
BE considera ‘grave’ que primeiro-ministro se esqueça de pagar Segurança Social
A porta-voz do BE, Catarina Martins, considerou ontem "grave" que um primeiro-ministro se esqueça de pagar a Segurança Social, "quando tantas pessoas no país vivem com dificuldades e não o podem fazer".
"Há pessoas neste país a trabalhar a recibos verdes, ou que tiveram quebras abruptas de vencimento, que não conseguiram pagar a Segurança Social, e que hoje vivem um calvário de dívidas"
O jornal Público noticiou ontem que, entre Outubro de 1999 e Setembro de 2004, Pedro Passos Coelho acumulou dívidas à Segurança Social, tendo decidido pagar voluntariamente este mês, num total de cerca de 4.000 euros. Em resposta ao diário, o chefe do Governo disse que nunca foi notificado da dívida, que prescreveu em 2009.
Contactada pela agência Lusa antes de uma intervenção num jantar com apoiantes na Cova da Piedade, em Almada, Catarina Martins declarou: "Eu lembro palavras do primeiro-ministro de que as dívidas têm de ser pagas e não podemos ser caloteiros".
"Há pessoas neste país a trabalhar a recibos verdes, ou que tiveram quebras abruptas de vencimento, que não conseguiram pagar a Segurança Social, e que hoje vivem um calvário de dívidas, e até viram o seu carro ou casa penhorados", apontou.
Catarina Martins disse não ser possível "viver com um regime em que há um primeiro-ministro que pode esquecer-se de pagar a Segurança Social, auferindo rendimentos tão mais elevados do que a maior parte da população".
O primeiro-ministro, na resposta ao Público, afirma que, em 2012, foi confrontado com dúvidas sobre a sua situação contributiva e que, nessa altura, o Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa lhe indicou que tinha em dívida 2880,26 euros, acrescidos de juros de mora e que essa dívida, apesar de prescrita, poderia ser paga "a título voluntário e a qualquer momento para efeito de constituição de direitos futuros".
Para o BE, esta notícia "só pode chocar o país" e "tem de haver uma certa perplexidade por se começar já a achar com uma certa normalidade casos destes com alguém que tem tantas responsabilidades".
Questionada também sobre as acusações feitas pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, de Portugal e Espanha quererem derrubar o Governo grego, Catarina Martins comentou que o BE tem visto a forma como o executivo português "tem colaborado em todas as pressões do Governo alemão para que a austeridade seja a política única na União Europeia".
"Quando se estava a discutir a situação grega, e o Governo grego exigia uma alternativa à austeridade, porque estava a matar o seu país, vimos como a ministra das Finanças de Portugal foi mostrada como bom exemplo por ser de um Governo submisso", criticou.
Para a porta-voz do BE, Portugal "tem muito mais em comum com Espanha e com a Grécia do que com a Alemanha, e deveria estar alinhado com os países que têm os mesmos interesses e não são os do Governo alemão ou dos mercados financeiros".
Lusa/SOL

Municipalização da Educação constitui "um perigo", defende Fenprof

Num comunicado publicado no seu site, a Federação Nacional dos Professores lembra que “a municipalização da Educação é hoje uma opção questionada em muitos países onde foi adotada”. O secretário-geral desta estrutura sindical, Mário Nogueira, alertou para as "potencialidades fortes para a privatização do ensino" e acusou o executivo de "falta de diálogo".
Foto de Paulete Matos.
“A municipalização da Educação é hoje uma opção questionada em muitos países onde foi adotada, pelos nefastos resultados decorrentes do acentuar de assimetrias entre escolas de diferentes municípios e do descomprometimento do Estado em termos de financiamento e de responsabilidade social, ao que se juntam um reforço do controlo sobre as escolas (sujeitas a uma espécie de centralismo local) e um aumento do clientelismo, do sentimento de insegurança e da desmotivação dos professores”, denuncia a Fenprof.
O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira, reafirmou entretanto este sábado que a municipalização da Educação constitui "um perigo" por ter "potencialidades fortes para a privatização do ensino".
"Quando dizemos que o processo de municipalização cria potencialidades fortes para a privatização do ensino, isto não é nem uma ficção nem estamos a falar de privatizar a cantina ou o bar. Estamos a falar da entrega dos alunos e das turmas aos operadores privados", defendeu Mário Nogueira à margem do debate sobre as questões da municipalização que decorreu na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Segundo o dirigente sindical, a medida "dá aos colégios privados o estatuto que, por exemplo em distribuição de rede, os equipara a escolas públicas".
"Isso quer dizer que, e olhando para a matriz de responsabilidades que está em vias de ser celebrada com as câmaras, podem as câmaras distribuir os alunos, gerir as matrículas pelos vários estabelecimentos, o que nada impede, tratando-se de um tratamento em pé de igualdade, da opção pelo colégio", avançou Mário Nogueira.
O secretário-geral da acautelou que existem municípios que não têm colégios privados, mas sublinhou, também, que "há outros em que a concentração é enorme", apontando os exemplos de Leiria, Aveiro, Coimbra, Pombal, Lisboa ou Porto.
"O que significa que, não necessariamente, mas que com essa competência uma câmara municipal pode fazer uma gestão de quase desvalorizar ou deixar para um segundo momento o preenchimento das escolas públicas", referiu o dirigente sindical.
"Do ponto de vista financeiro e economicista seria muito mais vantajoso para um Governo ou para o próprio município celebrar um contrato com um colégio e pagar um determinado financiamento do que estar a gerir carreiras, pessoal e edifícios", acrescentou.
Durante o seu discurso no encerramento do debate, Mário Nogueira esclareceu que a Fenprof "tem uma posição bem definida" sobre municipalização. "Somos contra (...). A Fenprof é favorável à descentralização e essa será provavelmente a principal razão pela qual nos opomos à municipalização", salientou.
"Há competências que não devem ser da exclusiva responsabilidade das câmaras ou não devem ser mesmo da responsabilidade das câmaras. Não é competência sua [de uma câmara] o que tem a ver com matéria pedagógica ou de professores. As escolas não precisam de novas tutelas. Do que necessitam é de condições para o exercício de uma verdadeira autonomia", defendeu.
Por outro lado, Mário Nogueira acusou o executivo PSD/CDS-PP de estar a conduzir este processo "num plano de enorme secretismo", ao "arredar os professores da discussão", destacando que nem diretores de escolas nem presidentes de conselhos gerais se substituem na discussão aos docentes.
Esquerda.net

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Eurogrupo acorda com a Grécia por quatro meses, governo grego considera uma “viragem”

Antes do Eurogrupo, houve acordo prévio entre Alemanha, Grécia, Comissão Europeia, BCE e FMI. Em documento oficioso, que publicamos na íntegra, o governo grego afirma: “O dia de hoje marca uma viragem para a Grécia”.
Eurogrupo aprovou acordo de 4 meses com a Grécia
O acordo foi possível graças a um acordo prévio entre Alemanha, Grécia, Comissão Europeia, BCE e FMI, que depois foi ratificado pelos restantes ministros das Finanças da zona euro.
O acordo prorroga por quatro meses o chamado programa de assistência financeira à Grécia. O acordo será aprovado pelos parlamentos nacionais que o têm de ratificar, como os parlamentos alemão e finlandês, dando tempo à aprovação da prorrogação antes do prazo final de 28 de fevereiro.
A declaração foi elaborada pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que negociou em separado com: os ministros das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, e da Alemanha, Wolfgang Schäuble; com o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, e com a diretora geral do FMI, Christine Lagarde. Quando o texto já estava fechado, os representantes da Alemanha, da Grécia e da troika realizaram uma última reunião para ratificá-lo.
O acordo estabelece que o governo grego pede uma extensão de quatro meses do programa de financiamento de 2012. Antes de 20 de Junho, a Grécia deverá chegar a um novo acordo com os credores e nos meses de julho e agosto deverá enfrentar pagamentos de 6,7 mil milhões de euros.
O governo grego, em documento que publicamos abaixo, afirma que “o dia de hoje marca uma viragem para a Grécia” e destaca que “o plano para encurralar o governo Grego até 28 de fevereiro foi derrubado”.
Documento oficioso distribuído pelo governo grego no fim da reunião do Eurogrupo
Comentário sobre o acordo na reunião de emergência do Eurogrupo
1. O dia de hoje marca uma viragem para a Grécia. Negociações significam dar luta sem recuar no mandato popular recebido. Ficou provado que podia ter acontecido uma negociação ao longo destes anos e que a Grécia não está isolada, não caminha em direção ao precipício e não continuará com o Memorando.
2. O plano para encurralar o governo Grego até 28 de fevereiro foi derrubado. O plano estratégico fundamental para este período temporal (4 meses), no quadro de um acordo intermédio que nos dará a possibilidade de negociar, foi bem sucedido.
3. As tentativas de chantagem das últimas 24 horas deram em nada. O pedido para uma extensão do acordo de empréstimo acabou por ser aceite em princípio, e constitui a base para as próximas decisões e para o que aconteça a seguir.
4. As medidas de recessão a que o anterior governo estava vinculado foram derrubadas (o email de Hardouvelis sobre os cortes nas pensões, aumentos de impostos, etc.), bem como os acordos sobre os excedentes primários exorbitantes.
5. O edifício extra-institucional da TROIKA, que estava a dar ordens e se tornou num superpoder, acabou.
6. O novo governo Grego apresentará a sua própria lista de reformas para a próxima fase intermédia, propondo aquelas que constituam um ponto de encontro.
7. O governo Grego e a Europa irão tomar o tempo necessário para que comece a negociação tendo em vista a transição final, de políticas de recessão, desemprego e insegurança social para políticas de crescimento, emprego e justiça social.
8. O governo Grego prosseguirá com lucidez a sua governação, tendo ao seu lado a sociedade Grega, e continuará a negociação até ao acordo final no verão.
Esquerda.net

Centena e meia de pessoas participaram, este domingo, nas concentrações de apoio à Grécia, promovidas em Faro e em Portimão.

Na capital algarvia, a concentração juntou perto de uma centena de pessoas e teve lugar no Jardim Bivar, junto à Doca, tendo por fundo músicas gregas e portuguesas. A assembleia informal que aí teve lugar analisou a situação europeia, a partir da questão da dívida dos seus países.
Foram aprovadas diversas propostas, umas respeitantes à situação atual da Grécia, outras de âmbito nacional e local, e outras relativas à Europa como um todo.
Em Portimão, a iniciativa reuniu cerca de cinco dezenas de pessoas. Foi feito um desfile desde o Largo 1º de Maio, frente à  Câmara, até à Praça Manuel Teixeira Gomes e aprovada uma moção, a ser enviada ao primeiro-ministro, ao Presidente da República, à presidente da Assembleia da Repúblicas, Grupos Parlamentares, e à Embaixada da Grécia em Portugal.
A moção salienta que «fica demonstrado que existem alternativas políticas à austeridade em doses mais ou menos duras. Na Grécia, como em Portugal, a austeridade gerou uma espiral recessiva, o aumento do desemprego e da própria dívida, por mais que seja maquilhada pela contabilidade criativa dos governos, das entidades reguladoras e agências de rating – as mesmas que encobriram até ao limite as bolhas financeiras e a falência de bancos como o Lehman Brothers, o BPN e o grupo BES/GES».
«As primeiras medidas anti-austeridade do novo governo grego – fim das privatizações e despedimentos na administração pública, reposição do salário mínimo anterior à entrada da Troika – e as propostas de renegociação das dívidas soberanas vão no bom sentido, ao apontarem um novo rumo para a Europa», continua a moção.
«O governo PSD/CDS insiste numa pose servil, “mais merkelista que a senhora Merkel” que envergonha Portugal e prejudica a própria recuperação económica europeia, em particular nos países do Sul; ao mesmo tempo que, de forma oportunista, antecipa o possível recuo dos seus tutores para salvaguardar os louros de uma eventual renegociação da dívida que sempre recusou», acrescenta ainda o documento.

Centena e meia apoiou a Grécia em Faro e Portimão

Centena e meia de pessoas participaram, este domingo, nas concentrações de apoio à Grécia, promovidas em Faro e em Portimão.
Na capital algarvia, a concentração juntou perto de uma centena de pessoas e teve lugar no Jardim Bivar, junto à Doca, tendo por fundo músicas gregas e portuguesas. A assembleia informal que aí teve lugar analisou a situação europeia, a partir da questão da dívida dos seus países.
Foram aprovadas diversas propostas, umas respeitantes à situação atual da Grécia, outras de âmbito nacional e local, e outras relativas à Europa como um todo.
Em Portimão, a iniciativa reuniu cerca de cinco dezenas de pessoas. Foi feito um desfile desde o Largo 1º de Maio, frente à  Câmara, até à Praça Manuel Teixeira Gomes e aprovada uma moção, a ser enviada ao primeiro-ministro, ao Presidente da República, à presidente da Assembleia da Repúblicas, Grupos Parlamentares, e à Embaixada da Grécia em Portugal.
A moção salienta que «fica demonstrado que existem alternativas políticas à austeridade em doses mais ou menos duras. Na Grécia, como em Portugal, a austeridade gerou uma espiral recessiva, o aumento do desemprego e da própria dívida, por mais que seja maquilhada pela contabilidade criativa dos governos, das entidades reguladoras e agências de rating – as mesmas que encobriram até ao limite as bolhas financeiras e a falência de bancos como o Lehman Brothers, o BPN e o grupo BES/GES».
«As primeiras medidas anti-austeridade do novo governo grego – fim das privatizações e despedimentos na administração pública, reposição do salário mínimo anterior à entrada da Troika – e as propostas de renegociação das dívidas soberanas vão no bom sentido, ao apontarem um novo rumo para a Europa», continua a moção.
«O governo PSD/CDS insiste numa pose servil, “mais merkelista que a senhora Merkel” que envergonha Portugal e prejudica a própria recuperação económica europeia, em particular nos países do Sul; ao mesmo tempo que, de forma oportunista, antecipa o possível recuo dos seus tutores para salvaguardar os louros de uma eventual renegociação da dívida que sempre recusou», acrescenta ainda o documento.

domingo, fevereiro 08, 2015

A luta anti-portagens na Ponte do Guadiana - contém 20 fotos -clicar)
https://plus.google.com/…/611345088955…/6113450893883764274…

Ativistas anti-portagens levaram protesto à Ponte do Guadiana

Cerca de cem pessoas, vindas de ambos os lados da fronteira, protestaram este sábado contra as portagens na Via do Infante com uma marcha sobre a Ponte Internacional do Guadiana. 
A «Marcha Internacional do Guadiana pela Livre Circulação na A22 – Portagens Fora!» foi convocada pela Plataforma Hispano-Portuguesa Contra as Portagens e juntou algumas dezenas de carros, que circularam em marcha lenta nos dois sentidos.
O protesto contou com a presença de representantes das várias entidades que compõem a plataforma ibérica, nomeadamente a Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), o Bloco de Esquerda, o movimento espanhol Podemos e a Izquierda Unida, também de Espanha, mas foi igualmente notada a presença de diversas personalidades ligadas ao PS, entre os quais os presidentes das Câmaras de Tavira e Loulé e o líder da Federação Algarvia dos socialistas.

No caso do louletano Vítor Aleixo, a presença em iniciativas de protesto contra as portagens convocadas pela CUVI está longe de ser novidade. Já Jorge Botelho, que representou a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, a que preside, não foi visto muitas vezes nos protestos dos ativistas anti-portagens, mas fez questão de se associar, desta vez.
«A EN 125 está uma desgraça, como toda a gente sabe, a sinistralidade tem aumentado e a economia tem sido prejudicada. Por isso, eu decidi vir cá manifestar o meu apoio. Este não é um movimento partidário, é de cidadãos que lutam para que haja uma diferenciação em relação à Via do Infante, que é uma estrada carissíma, que está a prejudicar, claramente, a região», considerou Jorge Botelho.
O edil tavirense diz continuar a defender aquilo que sempre defendeu, ou seja «a abolição das portagens na Via do Infante». Ainda assim, admite que o processo seja progressivo, através da diminuição dos preços, tendentes à suspensão das portagens.
Já Vítor Aleixo, congratulou-se por ver «cada vez mais pessoas ligadas ao partido socialista a comparecer nos protestos» anti-portagens e também exigiu a suspensão do pagamento de portagens.
Da parte da CUVI, é reforçado o discurso que tem motivado a luta do movimento, desde a introdução de portagens: as questões de falta de segurança na Via do Infante, o não avanço da requalificação da EN125 e os impactos económicos negativos que trouxeram tanto para o Algarve, como para a Andaluzia.
«Um estudo de um investigador espanhol revelou que, desde que há portagens na Via do Infante, há 50 por cento menos espanhóis a atravessar a fronteira para Portugal e menos 30 por cento de portugueses a fazer o caminho inverso», ilustrou o membro da CUVI João Vasconcelos.

sábado, fevereiro 07, 2015

Protesto ibérico contra portagens na Via do Infante sai à rua no dia 7 de fevereiro

ponte do guadianaEntidades do Algarve e de Espanha vão juntar-se num protesto contra as portagens na Via do Infante, marcado para o dia 7 de fevereiro, às 16 horas.
A Plataforma Hispano-Portuguesa Contra as Portagens na A22 agendou uma marcha de viaturas anti-portagens na  Ponte Internacional do Guadiana, que chama de «Marcha Internacional do Guadiana pela Livre Circulação na A22 – Portagens Fora!».
A marcha terá dois pontos de partida, um deles em Vila Real de Santo António, no parque do Mercado Municipal, o outro de Ayamonte, na rotunda de acesso ao polígono industrial. Em Espanha, o encontro será às 17 horas locais (16 horas em Portugal).
«A marcha de viaturas irá circular sobre a ponte duas vezes seguidas. Antes do percurso terá lugar uma conferência de imprensa conjunta, a realizar pelas 16h30 de Portugal/17h30 de Espanha, na ponte do Guadiana, direção Portugal – Espanha (parque ainda em Portugal)», revelou a Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), numa nota de imprensa.
Neste encontro com a comunicação social irão participar representantes das diferentes entidades que compõem a plataforma, entre as quais se encontram a CUVI, o Bloco de Esquerda, o movimento espanhol Podemos e a Izquierda Unida, também de Espanha.
Antes deste protesto, haverá outras ações anti-portagens, dinamizadas pela CUVI. No dia 4 de fevereiro, os utentes da Via do Infante terão uma reunião de trabalho com a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, em Faro, «com vista a discutir as consequências das portagens no Algarve e mobilização conjunta anti-portagens».
Ativistas-anti-Portagens-da-CUVIO movimento irá, ainda, «pedir uma reunião com o novo Secretário-Geral do Partido Socialista para discutir o mesmo assunto», lançar uma nova Petição anti-portagens dirigida à Assembleia da República e um Manifesto pela abolição das portagens no Algarve, «a ser subscrito por diversas personalidades, associações e outras entidades da região».
A CUVI justifica nova ação de protesto com números da sinistralidade nas demais estradas algarvias e com os impactos causados na economia. «Só no ano passado registaram-se 30 vítimas mortais e 23 acidentes por dia nas estradas algarvias – um verdadeiro estado de guerra na região», revelou a CUVI.
«As portagens na A22 acabaram também por revelar-se bastante prejudiciais na região espanhola da Andaluzia, pois só Ayamonte perdeu 30 por cento de visitantes portugueses em 2014, enquanto o Algarve perdeu 50% por cento de visitantes espanhóis», acrescentaram os ativistas anti-portagens na Via do Infante.

Plataforma Hispano-Portuguesa Contra as Portagens na A22 promove marcha sobre a Ponte Internacional do Guadiana

Plataforma Hispano-Portuguesa Contra as Portagens na A22 promove marcha sobre a Ponte Internacional do Guadiana

30-01-2015 - 15:19
A Comissão de Utentes da Via do Infante apela à participação na marcha internacional contra as portagens.
 
A luta pela abolição das portagens no Algarve vai intensificar-se nos próximos dias, em Dezembro passado, a Plataforma Hispano-Portuguesa Contra as Portagens na A22 (que engloba a CUVI, o Podemos, a Izquierda Unida e o BE), agendou para o próximo dia 7 de Fevereiro uma marcha de viaturas anti-portagens sobre a Ponte Internacional do Guadiana. 
 
Nas recentes reuniões preparatórias, realizadas no Algarve e na Andaluzia, a ação passou a denominar-se "Marcha Internacional do Guadiana pela Livre Circulação na A22 – Portagens Fora!" 
 
Haverá dois pontos de concentração e partida das viaturas, simultaneamente, de Vila Real de Santo António, no parque do Mercado Municipal, pelas 16h00, e de Ayamonte, rotunda de acesso ao polígono industrial, pelas 17h00 (hora espanhola). 
 
A marcha de viaturas irá circular sobre a ponte duas vezes seguidas. Antes do percurso terá lugar uma conferência de imprensa conjunta, a realizar pelas 16h30 de Portugal/17h30 de Espanha, na ponte do Guadiana, direção Portugal – Espanha (parque ainda em Portugal).
 
Além da marcha internacional pela abolição das portagens, a Comissão de Utentes da Via do Infante, informou hoje que irá desenvolver nos próximos dias diversas iniciativas, como uma reunião com a direção da AMAL, na sua sede em Faro, no próximo dia 4 de Fevereiro, "com vista a discutir as consequências das portagens no Algarve e mobilização conjunta anti-portagens"; solicitar uma reunião com o novo Secretário-Geral do Partido Socialista para discutir o mesmo assunto; lançar uma nova Petição anti-portagens dirigida à Assembleia da República; e lançar um Manifesto pela abolição das portagens no Algarve, a ser subscrito por diversas personalidades, associações e outras entidades da região.
 
 

Plataforma hispano-portuguesa contra portagens na A22 em protesto a 7 de fevereiro LUSA (Lusa) 

A plataforma hispano-portuguesa contra as portagens na Via do Infante, Algarve, anunciou para 7 de fevereiro uma "Marcha Internacional do Guadiana pela livre circulação na A22 - Portagens Fora", que atravessará duas vezes a ponte entre Portugal e Espanha. Imprimir A estrutura da plataforma é composta pela Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) e pelo Bloco de Esquerda (BE), do lado português, e pelo partidos "Podemos" e "Izquierda Unida", do lado espanhol, e a marcha visa "intensificar a luta" contra o pagamento introduzido a 08 de dezembro de 2011 na antiga autoestrada Sem Custos para o Utilizador (SCUT) do Algarve, conhecida como A22 ou Via do Infante, explicou a Plataforma num comunicado. Os integrantes da plataforma organizaram o protesto "em reuniões preparatórias realizadas no Algarve e na Andaluzia" e definiram "dois pontos simultâneos de concentração e partida das viaturas", um do lado português da fronteira, em Vila Real de Santo António, e outro em Espanha, à entrada da localidade de Ayamonte, acrescentou a Plataforma. Em Vila Real de Santo António, a concentração dos veículos será feita no parque de estacionamento do mercado municipal, às 16:00, enquanto do lado espanhol o ponto de encontro está marcado para a rotunda de acesso ao polígono industrial de Ayamonte, precisou. A plataforma referiu que as duas colunas de automóveis seguirão depois em marcha lenta em direção à ponte internacional do Guadiana, onde se vai realizar "uma conferência de imprensa conjunta, pelas 16:30 (17:30 em Espanha), no parque de estacionamento localizado em frente ao posto de cooperação transfronteiriça, no sentido Portugal--Espanha". A estrutura hispano-lusa contra as portagens na A22 tinha anunciado, no início do ano, após uma reunião realizada em Ayamonte, que iria realizar na quinta-feira passada uma conferência de imprensa para comunicar os detalhes do protesto, mas, na terça-feira, fonte da CUVI disse à Lusa que tinha sido anulado o encontro com os jornalistas e essa comunicação iria ser feita através de um comunicado, que hoje divulgou. Na ocasião, a plataforma anunciou ainda que iria pedir, através da CUVI, uma reunião com a direção da Comunidade Intermunicipal do Algarve para discutir as consequências das portagens no Algarve e uma eventual mobilização conjunta antiportagens, tendo hoje adiantado que o encontro foi agendado para a próxima quarta-feira. A CUVI anunciou que vai também solicitar uma reunião ao secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, para saber qual o seu posicionamento relativamente à cobrança de portagens na A22, "vai lançar uma nova Petição antiportagens dirigida à Assembleia da República" e fazer "um Manifesto pela abolição das portagens no Algarve, a ser subscrito por diversas personalidades, associações e outras entidades da região". A CUVI apelou aos utentes da A22 e à população algarvia e andaluz em geral para que participem na marcha internacional contra as portagens, que considerou fazer parte de uma "luta mais geral contra a austeridade" e as políticas dos Governos português e espanhol têm conduzido nos últimos anos.