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sábado, outubro 11, 2008

Mais de 1100 professores reformados só este mês.

No Diário de Notícias de 10/10/2008: "Só na última quarta-feira - o mesmo dia em que foi noticiado que perto de quatro mil professores já se tinham reformado este ano - foram publicadas em Diário da República mais 1106 aposentações, referentes a novos processos concluídos este mês. O balanço actual, segundo contas enviadas ao DN pelo Sindicato Independente e Democrático dos Professores (Sindep), já vai nas 5060 reformas. E é "cada vez mais previsível" que, até ao final de 2008, tenham duplicado as cerca de 3200 de 2007.

"Entre a publicação das aposentações e os pedidos há um desfasamento de alguns meses", disse ao DN Carlos Chagas, secretário-geral do Sindep. "Os casos de que estamos a falar referem-se a professores que pediram a reforma no Verão, numa altura em que já começavam a adivinhar o que os esperava", disse.
(...)
Carlos Chagas rejeitou a explicação, dada esta semana pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, de que o aumento de pedidos antecipados esteja relacionado com a passagem da idade da reforma para os 65 anos. "Essa conclusão é uma falácia, já que só em 2014 se vai chegar a esse limite", sustentou. "Actualmente, para um professor se aposentar sem penalizações bastam 61 anos e seis meses de vida e 33 de serviço".

"Este fenómeno é um reflexo das medidas", assegurou. "Aconteceu o mesmo há duas décadas no Reino Unido, com a senhora [Margareth] Thatcher. Acabaram a recrutar professores no estrangeiro. Como o nível de diplomados na Educação que temos hoje, que não cobre nem 1000 lugares por ano, se calhar também vamos acabar a importá-los".(...)"

Ver Artigo Completo (Diário de Notícias)

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Comentário: O problema é bem mais grave do que se poderia imaginar. É a debandada geral. O ensino perde muito, com a ausência "forçada" destes colegas. A experiência de alguns deles seria bem necessária para os tempos que se avizinham. Bem sei que muitos colegas andam a esfregar as mãos, mas não se esqueçam que a prova de acesso à docência é uma estratégia do Ministério da Educação, que ainda continua de "pé".
Professores Lusos

sexta-feira, outubro 10, 2008

Um dia na vida de um professor

7h00 - Murro no despertador;
7h15 - Correr para o duche;
7h45 - Beber um actimel de uma golada, pegar na pasta e sair;
8h15 - Chegada à escola. Corrida desenfreada para tentar apanhar uns dos 4 computadores da sala dos professores;
8h20 - Missão falhada. Tirar fotocópias de um teste diagnóstico para dar ao 10º ano;
8h30 - Sala dos DT's tirar faltas à Direcção de Turma;
9h15 - Analisar estatisticamente o inquérito feito aos alunos;
10h30 - Pausa. Uma aulinha de 12ºano para desanuviar.
12h00 - Preparar planificação anual, trimestral e aula-a-aula dos diferentes níveis, 7º, 8º, 10º, 12º;
13h00 - Comer uma sandocha de salchicha acompanhado de um copo de água;
13h10 - Aproveitando a distração dos seus 130 colegas consegue um dos PC's da Sala de Professores;
13h45 - Mais papelada....competências específicas para entregar sem falta até amanhã;
14h35 - A formatação da tabela não era a adequada...mais uma longa espera pelo Pc's;
16h10 - Finalmente conseguiu formatar a tabela. Correria até à reprografia para fotocopiar. 5 cópias...delegado de grupo, de departamento, PCT, portfólio e para uso pessoal;
16h30 - Mais uma aula para poder respirar. 45 minutos! Bem bom;
17h15 - Reunião do 8ºD. É necessário entregar as planificações, articulações e critérios de avaliação até ao final da semana;
18h30 - Corrida para o 3º piso. Reunião do 7ºD. A mesma história....desta vez também é necessário entregar toda a papelada em suporte digital;
19h45 - Passagem novamente pela sala dos DT's para organizar o Dossiê da Direcção de Turma;
20h00 - Reunião com os encarregados de educação;
21h00 - Final da reunião. Um pai exige falar em privado. A fome aperta...dissimuladamente mete à boca metade de uma bolacha Maria que encontrou no bolso do casaco;
21h45 - Acaba a reunião privada. Arrumar tudo para ir até casa;
22h20 - Chegada a casa. Preparar todo o material para o dia seguinte;
23h00 - Dois ovos estrelados, uma cagada, cama....
23h30 - Lembra-se das competências específicas que tem que entregar amanhã;
0h30 - Cama ....

7h00 - "#$%&/&%$#"#$%&/&%$#"$%&/&%$#"

O Cartel

quinta-feira, outubro 09, 2008

Têm doutoramento, 33 anos de serviço, estão no 10º escalão e aposentam-se com 1500 euros



António Pina é uma das vozes mais críticas das políticas conduzidas pelo Governo de Sócrates. Brinda-nos com excelentes crónicas no JN. Ontem, escreveu sobre a debandada geral dos professores, fartos de humilhações, papelada e reuniões para tratar de papelada e de avaliação burocrática de colegas. Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.

"Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável "pastiche" de Woody Allen "Para acabar de vez com o ensino", a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.

Os professores falam de "desmotivação", de "frustração", de "saturação", de "desconsideração cada vez maior relativamente à profissão", de "se sentirem a mais" em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da "escola de sucesso", do "passa agora de ano e paga depois", dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"

Manuel António Pina

ProfAvaliação

quinta-feira, setembro 25, 2008

Sem tempo para respirar: como eles destruiram a profissão docente


O colega Simeão Quedas analisa de forma notável a situação dramática de sobrecarga horária dos professores. E aponta os culpados: o Governo e os PCEs zelotas. Veja aqui o texto "Sem Tempo Para Respirar".


"São tantas e tão graves as medidas deste governo para degradar as condições de trabalho dos professores que se torna difícil escolher a pior de todas elas. Mas a mais odiosa de todas, tendo em conta o desprezo que revela pela dimensão reflexiva e criativa da actividade docente, é o aumento brutal do horário de trabalho dos professores, que ultrapassa largamente as 35 horas definidas na lei.
Todos sabemos que as aulas implicam um grande dispêndio de energia mental, afectiva e física. O trabalho docente começa antes e prolonga-se para lá de cada aula. Daí que um professor precise de um horário semanal pouco pesado que lhe permita investigar, planificar, produzir materiais de ensino, avaliar, repensar e redefinir o seu trabalho. Nada disto parece impressionar o Governo. Pelo contrário, em nome da pseudo ocupação plena dos alunos e do chamado aproveitamento racional dos recursos humanos, querem transformar a escola num armazém de criancinhas e os professores em máquinas para todo o serviço, que saibam de tudo um pouco e muito de coisa nenhuma, numa estratégia clara para diminuir ainda mais o seu reconhecimento social.
A sobrecarga e desregulamentação do horário de trabalho é uma consequência natural deste processo de desqualificação profissional e, simultaneamente, um factor do seu aprofundamento. Com efeito, passou a ser trivial o trabalho descontínuo, sem limite de furos, sem limite de turmas, sem limite de programas, muitas vezes repartido pelas três partes do dia, com reuniões a torto e a direito a propósito de tudo e de nada (71% das funções prescritas no art. 35º do ECD implicam a realização de reuniões), ao que se acrescentam fins de semana inteiramente ocupados na preparação de aulas, correcção de testes e satisfação de minudências burocráticas."
Simeão Quedas
ProfAvaliação