sábado, janeiro 03, 2015

Grécia: "A vitória do Syriza servirá como locomotiva para a esquerda radical na Europa"

O professor de filosofia política e membro do Comité Central do Syriza Stathis Kouvélakis, que afirma acreditar que o partido liderado por Alexis Tsipras vencerá as eleições de forma contundente, defendeu que o velho sistema político bipartidário "entrou em colapso”.
Numa entrevista conduzida por Mathieu Dejean, para o Les Inrocks, Stathis Kouvélakis frisou que, “para muitas pessoas, as eleições de 25 de janeiro terão uma dimensão continental”.
Segundo o professor de filosofia política, se as formações da esquerda radical europeia forem conquistando vitórias nacionais, poderá ter lugar uma mudança gradual na Europa.
“Esta é a aposta do Syriza!”, frisou Kouvélakis, sublinhando que o seu partido é “profundamente internacionalista, desenvolvendo laços estreitos com as forças políticas da esquerda radical, mas também com os movimentos sociais”.
“Estamos conscientes de que a vitória do Syriza servirá como locomotiva para a esquerda radical e os movimentos sociais na Europa, essa é a nossa razão de ser”, avançou.
O velho sistema político bipartidário entrou em colapso
Durante a entrevista, Kouvélakis defendeu que o crescimento do Syriza se deve a três fatores.
Por um lado, a violência da crise económica e social na Grécia e a sua evolução perante as políticas austeritárias impostas a partir de 2010, através do famoso memorando de entendimento firmado com a troika.
Como segundo fator, o professor de filosofia política apontou o facto de a crise económica e social, à semelhança do que acontece em Espanha, se ter transformado em mais uma crise política, sendo que o velho sistema político bipartidário "entrou em colapso”.
Para Kouvélakis, a ascensão do Syriza deve-se ainda à “mobilização popular”. “Não é por acaso que os dois países na Europa onde a esquerda radical está a registar um impulso são a Grécia e Espanha, ou seja, os países que registaram as maiores mobilizações populares durante os períodos recentes: em Espanha, o movimento Occupy, e, na Grécia, um movimento mais profundo e prolongado”, avançou o filósofo e dirigente político grego.
“O Syriza tem uma cultura unitária, uma abertura aos movimentos sociais, está em sintonia com as mudanças sociais e as novas experiências que surgem, o que não é o caso do Partido Comunista, que permaneceu fora dessa dinâmica”, acrescentou.
Kouvélakis acredita numa vitória contundente do Syriza
Stathis Kouvélakis afirmou acreditar numa vitória contundente do Syriza, lembrando que as sondagens lhe conferem 35% dos votos e que o sistema eleitoral grego atribui cinquenta lugares extra ao partido mais votado.
Por outro lado, o professor de filosofia referiu que o eleitorado grego poderá aperceber-se das inúmeras pressões a que o Syriza está sujeito, dando-lhe uma maioria clara por forma a garantir que o partido liderado por Alexis Tsipras possa cumprir o seu programa sem fazer qualquer tipo de concessões para formar uma maioria.
Acusando a Nova Democracia de não ter outro argumento que não a retórica do medo, Kouvélakis sublinhou que, caso o Syriza não ganhe as eleições, “a perspetiva iminente para o país será muito reacionária e autoritária”. O perigo do peso do Aurora Dourada neste contexto também foi mencionado pelo filósofo.
As prioridades do Syriza
Sobre as prioridades do Syriza, Kouvélakis salientou a necessidade de renegociar a dívida e reverter as medidas de austeridade.
 A resposta imediata à emergência social que se vive no país, o que implica a implementação de medidas como garantir o fornecimento de eletricidade a todas as famílias e refeições para todos os alunos nas cantinas, e assegurar o acesso ao sistema de Saúde, que exclui atualmente cerca de três milhões de gregos, faz parte dos planos do Syriza.
Também o aumento do salário mínimo, e a recuperação dos acordos coletivos e da legislação social existentes até 2010, são apontados por Kouvélakis como cruciais.
Para relançar é economia e lidar com o desemprego massivo é necessário investimento público, segundo defendeu o filósofo grego, que aposta uma recuperação “orientada para as necessidades sociais e ambientais”.
Esquerda.net

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