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domingo, janeiro 18, 2009

Gaza: Hamas declara cessar-fogo e exige retirada de Israel

Crianças palestinianas numa escola-abrigo da ONU. Foto EPA/MOHAMMED SABER
Um porta-voz do Hamas no Cairo anunciou que as facções palestinianas que actuam em Gaza decidiram declarar um cessar-fogo imediato, dando o prazo de uma semana às tropas israelitas para se retirarem totalmente do território. No sábado, Israel já decidira unilateralmente suspender os ataques, mas sem retirar as tropas. O Hamas manteve no sábado os disparos de rockets, para demonstrar que o principal objectivo de Israel na invasão não foi conseguido.
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Esquerda.net

sexta-feira, janeiro 16, 2009

FIM DOS MASSACRES EM GAZA

Dia 16 Janeiro, Sexta-Feira - 21:30h. CLUBE FARENSE (Rua de Stº António, 30)

Com a recente invasão de Gaza por parte do exército israelita perpetuando, assim, a opressão sobre o povo palestiniano e tentando impedi-lo de atingir o seu legítimo direito a um estado independente nas fronteiras definidas pela ONU, os abaixo-assinados, em consonância com a solidariedade internacional para com este povo, convidam todas as pessoas e instituições interessadas a participar na sessão pública:

Dia 16 Janeiro, Sexta-Feira - 21:30h. CLUBE FARENSE (Rua de Stº António, 30)

com a presença das seguintes organizações:
Associação da Cultura Islâmica do Algarve (Radhouan Ben-Hamadou)
Comité de Solidariedade com a Palestina (António Louçã)
Fórum pela Paz e Direitos Humanos (Vítor Garrido)
Moderadora (Eugénia Taveira)
Leitura de poemas por Afonso Dias

Promotores desta sessão:
Afonso Dias, António Branco, António Filhó, António Goulart, Augusto Taveira, Fernando Pessoa
Fernando Silva Grade, Francisco Leal Paiva, João Brandão, José da Luz dos Santos, Lurdes Ruivo, Manuel Dias, Maria Celeste Baeta, Maria José Ramos, Maria Odete Fernandes, Mendonça Neves, Paulo Sá, Pedro Bartiloti e Radhouan Ben-Hamadou .

terça-feira, janeiro 13, 2009

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Dossier Massacre de Gaza
Gaza bombardeada, foto de Amir Farshad Ebrahimi disponível em Flickr
Desde o início dos bombardeamentos de Israel a Gaza, a 27 de Dezembro, e até 11 de Janeiro morreram mais de 800 palestinianos.
Neste dossier, em actualização permanente, incluímos diversos textos sobre o massacre à população palestiniana e sobre a vida dramática na Faixa de Gaza.

Esquerda.net
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domingo, janeiro 11, 2009

"As pessoas habituaram-se ao medo", constatou Miguel Portas em Gaza

Palestinianos procuram abrigo no Norte de Gaza. Foto EPA/MOHAMMED SABER
Uma delegação do Parlamento europeu da qual fez parte o deputado português Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, conseguiu entrar durante hora e meia em Gaza, no período de trégua deste domingo, e constatou a situação humanitária desesperante que se vive no território, e que Israel não respeita nem a própria trégua. "Quatro bombas caíram perto de onde estávamos durante a trégua, uma das quais a menos de 500 metros", disse ao Esquerda.net, por telefone, Miguel Portas.
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Esquerda.net

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Novo Fórum Pela Paz apela ao fim dos massacres em Gaza

Os apelos ao fim dos massacres em Gaza dominaram o lançamento do novo Fórum Pela Paz
Um amplo grupo de personalidades das mais variadas áreas da sociedade lançaram esta terça à noite o "Fórum pela Paz e Direitos Humanos". A apresentação da iniciativa encheu a Associação 25 de Abril e contou com a presença de Vasco Lourenço, Fernando Nobre, D. Januário Torgal Ferreira, Miguel Portas, Maria Barroso, Domingos Lopes, entre muitos outros. O apelo ao cessar fogo em Gaza e a denúncia dos massacres protagonizados por Israel, que ontem matou dezenas de crianças ao atingir uma escola da ONU, dominaram a sessão.
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Esquerda.net

DO GUETO DE VARSÓVIA AO GUETO DE GAZA
Gueto de Varsóvia, 1943.
Em Abril de 1943 os judeus do Gueto de Varsóvia foram massacrados pela máquina militar do III Reich nazi. Em Dezembro de 2008 os palestinos do Gueto de Gaza são massacrados pela máquina militar do IV Reich nazi-sionista. Ambos os povos exerceram o seu direito inalienável à revolta contra a opressão.

É hipócrita e cínica a atitude do governo português a recomendar que cessem os ataques de ambos os lados. Com essa argumentação pretende-se comparar a resistência digna do povo palestino e a acção criminosa do invasor sionista que massacra a população civil e destrói a infraestrutura de Gaza, depois de sustentar durante meses um bloqueio total contra o seu povo.

Este genocídio só é possível porque o lobby judeu mundial concede-lhe o combustível necessário, porque os EUA dá cobertura política, economica e bélica ao agressor, porque a União Europeia lhe deu um sinal verde e porque grande parte da população israelense dá apoio à limpeza étnica promovida pelo governo nazi-sionista.

Só o levantamento generalizado no mundo árabe e a solidariedade internacional, com todo tipo de protestos por toda a parte, poderá deter essa acção criminosa. Neste momento é importante reiterar a solidariedade com o governo legítimo do Hamas e repudiar a posição cúmplice do actual presidente da Autoridade Nacional Palestina, sr. Mahmud Abbas. Este, apesar da carnificina em curso, optou por acusar o Hamas pelo que está a acontecer e de forma submissa procura negociar com os assassinos do seu povo.


DA RESPONSABILIDADE COLECTIVA DE UM POVO
As novas atrocidades cometidas pelo estado judeu colocam questões candentes. O bombardeamento indiscriminado da população de Gaza pelos caças F-16 da entidade sionista até agora já provocou quase 300 mortos e 900 feridos. Isto vem na sequência de um sitiamento prolongado, em que se priva aquela população de alimentos, combustíveis e medicamentos. A palavra genocídio tem razão de ser. Ele está a ser efectuado desde há anos. É um genocídio em câmara lenta. A cumplicidade/passividade da União Europeia e dos governos de muitos países árabes (a começar pelo do Egipto) é notória. Mas acima de tudo é notória a conivência de grande parte dos cidadãos de Israel.

Na década de 1930 o cidadão médio da Alemanha podia alegar desconhecimento dos crimes perpetrados pelo nazismo. O aparelho de propaganda hitleriano jamais mencionava o holocausto em curso. A existência dos campos de concentração e dos fornos crematórios era cuidadosamente escondida. Os media da Alemanha nazi nunca mencionavam a existência de tais infâmias.

E o que se passa hoje em Israel? Os crimes do estado sionista são bem conhecidos. A realidade do apartheid é evidente para todos, basta olhar as muralhas que esquartejam a Palestina. Os assassinatos das sinistras polícias políticas de Israel são (em parte) divulgados nos media. As 100 toneladas de bombas já despejadas sobre a população indefesa de Gaza são anunciadas nos jornais israelenses. As perseguições ao espoliado povo palestino (10 mil palestinos presos) são notórias. Por isso – ao contrário do povo alemão dos anos 30-40 – o povo de Israel não pode alegar ignorância. Assim, exceptuando as forças democráticas e progressistas (como o PCI, o Hadash e algumas personalidades dignas) deve-se colocar o problema da responsabilidade colectiva dos cidadãos israelenses que permanecem passivos ou dão apoio (inclusive com o seu voto) a um governo que comete tais atrocidades.

O repúdio à barbárie nazi-sionista deve ser universal. As manifestações contra o massacre já começaram nos EUA e em outros países. O apêlo ao boicote a Israel e ao desinvestimento deve transformar-se em realidade.
Resistir.info

ATITUDE DIGNA DO GOVERNO VENEZUELANO
O governo da República Bolivariana da Venezuela decidiu dia 6 expulsar o embaixador de Israel e parte do pessoal da Embaixada de Israel na Venezuela. O comunicado governamental "condena categoricamente as flagrantes violações do Direito Internacional nas quais incorreu o Estado de Israel e denuncia a sua utilização planificada do terrorismo de Estado, pela qual este país colocou-se à margem do concerto das Nações". O comunicado na íntegra encontra-se em http://www.abn.info.ve/noticia.php?articulo=164048&lee=1


ORIGENS DO TERRORISMO NO MÉDIO ORIENTE
Quem começou o terrorismo no conflito árabe-israelense?
  • Bombas em cafés: utilizadas pelos sionistas pela primeira vez na Palestina em 17/Março/1937, em Jaffa.
  • Bombas em autocarros: utiizadas primeiro pelos sionistas em 20/Agosto e 26/Setembro/1937.
  • Bombas em mercados: utilizadas primeiro pelos sionistas em 06/Julho/1938, em Haifa.
  • Bombas em hoteis: utilizadas primeiro pelos sionistas em 22/Julho/1946, em Jerusalém.
  • Bombas em embaixadas estrangeiras: utilizadas primeiro pelos sionistas em 01/Outubro/1946, em Roma (contra britânicos).
  • Minagem de ambulâncias: utilizadas primeiro pelos sionistas em 31/Outubro/1946, em Petah Tikvah.
  • Cartas bomba: utilizadas primeiro pelos sionistas em Junho/1947 contra alvos britânicos no Reino Unido.
    Para documentação, consulte-se The Arab Women's Information Committee e The Institute for Palestine Studies, Who Are the Terrorists? Aspects of Zionist and Israeli Terrorism, (Beirut: Institute for Palestine Studies, 1972).
    OUTRA INFORMAÇÃO SOBRE GAZA:
  • Gaza Today
  • Gaza Siege
  • Maan News Agency
  • Angry Arab
  • Palestinian Information Center
  • Uruknet
  • Apresentação Power Point: a_terra_prometida.pps (2551 kB). Clique com o botão direito do rato e faça "Save As..." para descarregar.
    PROTESTOS EM LISBOA E NO PORTO
    Dia 8, às 17h00, na Embaixada do Estado sionista.
    Acções de protesto contra o massacre da população de Gaza:
  • Dia 7 de Janeiro, 18h30, Sessão pública de esclarecimento do MPPM (R. da Palma, 248 - Lisboa)
  • Dia 8 de Janeiro, 18h00, Embaixada de Israel (R. Antonio Enes, 16 - Lisboa)
  • Dia 8 de Janeiro, Sessão pública no Púcaros Bar (R. de Miragaia, 55 - Porto, frente à Alfândega, debaixo das arcadas)

  • BRASIL PROTESTA CONTRA O MASSACRE DE GAZA
    Novo acto público de protesto no Rio de Janeiro, dia 8 de Janeiro, a partir das 15 horas, na Cinelândia. Ver http://somostodospalestinos.blogspot.com/
    Resistir.info

    segunda-feira, janeiro 05, 2009

    Gaza: Israel continua massacre, primeiro protesto em Lisboa

    Gaza sob bombardeamentos aéreos, navais e terrestres - Foto da Lusa
    Desde o início do ataque israelita a Gaza já morreram 531 palestinianos, 80 dos quais após o início da ofensiva terrestre. A situação humanitária é catastrófica. 75% da electricidade está cortada, pelo menos 500.000 pessoas não têm acesso a água corrente.
    Hoje realiza-se a primeira acção em Lisboa pelo fim do massacre a Gaza: Concentração a partir das 18h no Largo de S. Domingos, junto ao memorial às vítimas da intolerância.
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    Esquerda.net

    Professores repudiam ataque à Universidade Islâmica de Gaza

    Bombardeamento da Universidade Islâmica de GazaProfessores e investigadores, nomeadamente brasileiros e portugueses, estão a assinar uma petição de repúdio ao bombardeamento da Universidade Islâmica de Gaza.
    A petição é assinada entre outros por Boaventura de Sousa Santos, Eduardo Galeano, Emir Sader, Immanuel Wallerstein.
    A petição está disponível aqui
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    Esquerda.net

    sábado, janeiro 03, 2009

    Pimenta Negra

    Gaza: Milhares de europeus manifestam-se contra o massacre, Israel inicia ofensiva terrestre

    Manifestação em Londres, onde se vêem a cantora Annie Lennox e Bianca Jagger - Foto da Lusa/EPA
    Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se, neste Sábado, em diversas cidades da Europa contra o massacre israelita.
    Israel iniciou,entretanto, a ofensiva terrestre contra Gaza.
    Durante o dia de Sábado, a aviação israelita bombardeou mais uma mesquita, na hora da oração e onde estavam 200 pessoas: 11 morreram, mais de 50 ficaram feridas.

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    Esquerda.net

    sexta-feira, janeiro 02, 2009

    Gaza: ataque terrestre pode estar iminente

    Tanques israelitas junto à fronteira de Gaza. Foto EPA/PAVEL WOLBWERG
    Completada a concentração de tanques nas entradas da Faixa de Gaza, Israel anunciou que vai permitir a abertura da fronteira de Eretz apenas para deixar sair do território cerca de 400 cidadãos estrangeiros, o que foi interpretado como mais um sinal de que está iminente uma ofensiva terrestre. Até agora, a campanha aérea foi incapaz de cumprir o objectivo anunciado pelo governo israelita: parar com o lançamento de rockets de Gaza sobre cidades israelitas das vizinhanças. No 7º dia de ataques, já morreram 420 palestinianos e há 2.100 feridos. O Hamas apelou à realização de manifestações de protesto na Cisjordânia, com manifestações a partir da Esplanada das Mesquitas em Jerusalém e de todas as mesquitas do território.
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    Esquerda.net

    Ocupação da Palestina ( vídeo que traça a história e o drama do povo palestiniano desde a ocupação israelita em 1947)





    Como era a Palestina antes de 1947



    Documentário-vídeo Occupation 101
    ( sobre o ocupação da Palestina e o drama do povo palestiniano desde 1947)


    Parte 1


    Parte 2


    Parte 3


    Parte 4


    Parte 5


    Parte 6


    Parte 7


    Parte 8


    Parte 9


    Parte 10









    Outros videos, filmes e Documentários sobre a Palestina ocupada e o drama do povo palestiniano:

    Documentary: Occupation 101, Voices of the Silenced Majority
    Video: Shame of Ertas
    Audio: Crossing the Line interviews witness to killings of Palestinians by Lebanese Army
    Video: Fairuz, Bissan: A song to a destroyed village in Palestine
    Video: Balata Camp (Nablus): Incursion May 24
    A Bullet Journey by Osama Qashoo
    Houston Palestine Film Festival, May 11-20
    Film Review: "It's Not a Gun"
    Palestine Film Festival Review: Two Hands
    Nablus: Kids Used as Human Shields in Balata Refugee Camp
    Israeli Occupation of Palestine
    Nablus: Nightlife in Balata Refugee Camp
    Nablus: Operation "Hot Winter" - Interview with a Wounded
    Video: Interview with child taken as human shield in Nablus
    Musical comedy on West Bank wins Oscar for best live action short film
    The Alley - New Film from Palestine
    STOP THE CLEANSING: Stand with the Palestinian people and Stop Apartheid Israel NOW!
    Bilin: Pushing the barrier
    Stolen Freedom: Occupied Palestine
    Visit Palestine- A Documentary by Katie Barlow
    Video: massacre of Palestinian women and children
    Chicago Palestine Film Festival seeks new Palestinian films
    THE 10TH ANNUAL ARAB FILM FESTIVAL AT STANFORD
    Dreams of a Nation
    Massaker
    Be Quiet
    Palestine for Beginners
    "Paradise Now" wins Golden Globes
    Rachel: An American Conscience
    500 Dunam on the Moon
    Private
    If You Make it Possible
    2000 Terrorists
    Going Home
    Peace, Propaganda & The Promised Land
    Blanche's Homeland
    Water Wars: Struggle in the Holy Land
    Jeremy Hardly v The Israeli Army
    Writers on the Borders
    Arna's Children
    Jihad!
    Elias Chacour : Prophet in His Own Country
    Deluge
    Children of Ibda'a
    Arena's Children
    A Stone's Throw Away
    Salt of the Earth
    Rana's Wedding
    Mahmoud Darwich: As the Land Is the Language
    Tale of the Three Jewels
    Wedding In Galilee
    Hanan Ashrawi: a woman of her time
    Chronicle Of A Disappearance
    Frontiers of Dreams and Fears
    Checkpoint
    Jenin Jenin
    Al Nakba: The Palestinian Catastrophe 1948
    People and The Land. Director Tom Hayes.
    Diary of a Male Whore
    A Waiting For Saladin
    Al-Sabbar (Cactus)
    Gaza Strip (USA)
    The Making of Islam: Empire of Faith by Robert Gardner, Producer
    Jerusalem: An Occupation Set in Stone
    Jerusalem 1948:Yoom Ilak,Yoom Aleik
    Pimenta Negra

    Gandhi contra a ocupação da Palestina pelos israelitas

    Gandhi sempre disse que, segundo a Bíblia, a tal Terra Prometida não tem uma natureza geográfica, e muito menos requer um Estado como defende o sionismo, uma ideologia que defende a criação do Estado de Israel por motivos religiosos e que é considerada por muitos como mais uma forma de racismo.


    Reproduz-se a seguir um texto de Gandhi datado de 1938 a propósito das pretensões que então se faziam sentir da criação de um Estado de Israel na Palestina, à custa dos próprios palestinianos que lá viviam .


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    Gandhi, os judeus e a Palestina

    M. K. Gandhi
    Harijan, 26 de novembro de 1938

    Recebi muitas cartas solicitando a minha opinião sobre a questão judaico-palestina e sobre a perseguição aos judeus na Alemanha. Não é sem hesitação que ouso expor o meu ponto de vista.

    Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu conheci-os intimamente na África do Sul. Alguns deles tornaram-se grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os "intocáveis" do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os "intocáveis" dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.

    O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.
    Por quê eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?)
    A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.

    É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.
    O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.

    Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a ideia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?

    Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.

    E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um acto de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.

    Se houver sempre uma guerra justificável em nome da humanidade, a guerra contra a Alemanha para prevenir a perseguição desumana contra uma raça inteira seria totalmente justificável. Mas eu não acredito em guerra nenhuma. A discussão sobre a conveniência ou inconveniência de uma guerra está, portanto, fora do meu horizonte. Mas se não pode haver guerra contra a Alemanha, mesmo por crimes que estão sendo cometidos contra os judeus, certamente não pode haver aliança com a Alemanha. Como pode haver aliança entre duas nações que clamam por justiça e democracia e uma se declara inimiga da outra? Ou a Inglaterra está se inclinando para uma ditadura armada, e o que isso significa?

    A Alemanha está mostrando ao mundo como a violência pode ser eficientemente trabalhada quando não é dissimulada por nenhuma hipocrisia ou fraqueza mascarada de humanitarismo; está mostrando como é hediondo, terrível e assustador quando isso aparece às claras, sem disfarces. Os judeus podem resistir a esta organizada e desavergonhada perseguição? Existe uma maneira de preservar a sua auto-estima e não se sentirem indefesos, abandonados e infelizes? Eu acredito que sim. Ninguém que tenha fé em Deus precisa se sentir indefeso, ou infeliz. O Jeová dos judeus é um Deus mais pessoal que o Deus dos cristãos, muçulmanos ou hindus, embora realmente, em sua essência, Ele seja comum a todos. Mas como os judeus atribuem personalidade a Deus e acreditam que Ele regula cada acção deles, estes não se sentiriam desamparados.

    Se eu fosse judeu e tivesse nascido na Alemanha e merecido a minha subsistência lá, eu reivindicaria a Alemanha como o meu lar, do mesmo modo que um "genuíno" alemão o faria, e desafiaria qualquer um a me jogar na masmorra; eu me recusaria a ser expulso ou a sofrer discriminação. E fazendo isso, não deveria esperar por outros judeus me seguindo em uma resistência civil, mas teria confiança que no final estariam compelidos a seguir o meu exemplo.

    E agora uma palavra aos judeus na Palestina:
    Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um acto religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.

    Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.

    Eu não estou defendendo as reacções dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, correctamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.

    Deixemos os judeus, que clamam serem os Escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra.
    Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.
    Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização, de Cecil Roth. O livro nos dá uma ideia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.

    Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da acção da não-violência.

    Textos de Gandhi sobre o assunto: aqui

    Pimenta Negra

    quinta-feira, janeiro 01, 2009

    Israel rejeita trégua e prossegue ataques a Gaza

    Rapazes palestinianos olham o que resta das instalações do primeiro-ministro do Hamas. Foto LUSA/EPA

    O governo israelita rejeitou a proposta internacional para uma trégua de 48 horas e prosseguiu os bombardeamentos a Gaza, elevando para mais de 380 o total de mortos. Telavive diz que está a estudar outras propostas que comprometam o Hamas, mas a invasão terrestre continua na agenda enquanto a diplomacia ganha tempo. Na guerra da propaganda, o exército israelita acusou o Youtube de retirar do ar alguns vídeos dos bombardeamentos que colocou online.

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    Esquerda.net