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domingo, outubro 12, 2008

ESTOU FARTO!

Estamos REALMENTE fartos!
Boas,
enquanto responsável pela Edição do Site do SPN, senti-me no direito de recorrer à figura da defesa da honra, prevista na actividade parlamentar e que para este espaço convoco, na qualidade de cidadão e professor ofendido com as palavras do Senhor Secretário de Estado Valter Lemos.

O Jornal de Notícias trazia na sua edição de 4ª feira (8 de Outubro) uma reportagem sobre o facto de as aposentações entre os professores terem duplicado nos últimos tempos.
Na referida reportagem, estavam incluídas declarações de um Professor, um daqueles com P MESMO GRANDE. O Moreira é um daqueles professores que nos ficam na memória - fiz estágio em Rio Tinto (a minha terra!), na escola onde, entre outros grandes MESTRES, me foi possível aprender muito com o Moreira. Um Homem que deu tudo, que teve todos os cargos, todas as funções e que de forma frontal assume a dificuldade perante o desastre da situação actual.

“A partir do momento em que comecei a sentir a profissão como um fardo, em que comecei a pensar que estava a mais, com a desconsideração cada vez maior relativamente à profissão, com tudo o que se dizia sobre os professores, comecei a estudar seriamente a hipótese de pedir a reforma antecipada”

Todos sabemos que a reportagem e os números do JN podem estar errados. Mas por defeito!

O João Gobern (Pano para Mangas de 8 de Outubro) e o Manuel António Pina, na Antena 1 e no JN, respectivamente, abordam a situação de forma absolutamente fantástica:

Manuel António Pina escreve sobre “A Grande Evasão” e João Gobern fala sobre o “descansem em paz.”

Já o Senhor Secretário de Estado Valter Lemos vem a terreno com declarações que me ofendem. Ou antes, que nos ofendem.Diz o nosso superior hierárquico (e é apenas essa a qualidade que me obriga a manter o respeito por si!) que se trata apenas de uma manipulação dos números e somos todos uns mentirosos porque afinal de contas estamos motivados.

Pois bem, Sr. Lemos, nós não estamos motivados.
Os resultados não estão a melhorar e se estivessem isso não se deveria nem ao Senhor, nem ao Senhor Primeiro Ministro e, quero acreditar que não se deveriam a nós.

Porque a verdade é que os alunos não sabem mais e por isso não podemos ter melhores resultados.
O que acontece é que nós temos que os passar mais porque os Senhores a isso obrigam.

Também eu estou farto e não fosse o facto de ter só 34 anos (de idade e não de serviço, infelizmente!!!) e também eu estaria a contar os dias para me ir embora.
Como eu, outros tantos. Não conheço um único. Um que seja que diga que está motivado.

Estamos fartos, porque não conseguimos ensinar nada a ninguém. O drama é que, ao contrário das teorias, eles não aprendem sozinhos.
Estamos fartos, porque nos querem obrigar a viver divididos quando o que nos une é muito mais forte do que aquilo que supostamente nos separa.
Estamos fartos de ter horários impossíveis, onde são os alunos que ficam para trás. Substituições, reuniões, papeladas e relatórios. Temos que fazer tudo, menos trabalhar com alunos e para os alunos.
Estamos fartos, porque gostamos de usar os computadores com os nossos alunos, mas até nós ficamos enjoados com tantas mentiras e tanto foguetório à volta das TIC. Sem o “software docente” não há hardware que faça nada!
Estamos fartos, porque nos dizem que estamos a ser avaliados, quando todos já perceberam que estamos é a ser lixados (em bom português…).
Estamos fartos de nos dizerem para usar a Autonomia, quando até para respirar precisamos de uma autorização superior - do Ministério às Direcções Regionais, passando pelas equipas de apoio às escolas e até a alguns Executivos, anda tudo com uma mania de superioridade que nos dá vontade de fugir!
Estamos fartos, porque nos estão a cair em cima todas as responsabilidades sociais, quando a nossa capacidade e o nosso tempo está todo tomado para responder ao Processo Kafkiano do ME.

Estamos fartos… FARTOS… FARTOS!…

É claro que há meia dúzia de boys que, no poder da titularidade ou na ignorância da gestão, pensam que o caminho é este. E esses andam felizes e contentes no caminho do Senhor.
Mas, a história do presente mostra que o destino desses está guardado a sete chaves no cofre dos Bancos Hipotecários Americanos.

Se me permitem e para terminar - eu sei o que vou fazer agora e sempre: continuar a lutar!
Mas também sei o que vou fazer nas próximas eleições!

João Paulo Silva

Professor FARTO
Raiva Escondida

domingo, junho 29, 2008


Assembleia Municipal de Portimão

Portimão, 26 de Junho de 2008

Moção

Saudação aos Trabalhadores e às suas Lutas!

Considerando que um país é feito por pessoas. Pessoas concretas que, quotidianamente, sofrem na pele as consequências de uma política que as ostraciza e as trata como meros números estatísticos;

Considerando que há vários anos que se incrementa o fosso entre ricos e pobres, sendo já Portugal o país da União Europeia onde essa clivagem é maior;

Considerando que diariamente aumenta o número de famílias que não conseguem cumprir as suas obrigações com os encargos bancários, quer pela gritante perda do poder de compra, em consequência da inflação todos os anos engolir vorazmente os parcos aumentos, ou pela subida exponencial dos juros bancários;

Considerando que o desemprego, ao contrário do que propagandeia o governo, não tem parado de aumentar, afectando famílias inteiras, transformando o seus dramas individuais numa depressão colectiva;

Considerando que, segundo estudos da União Europeia, os portugueses são o povo mais pessimista quanto à sua situação futura;

Considerando que a convergência prometida com a média europeia tem divergido, mesmo após a entrada dos novos Estados membros que, num primeiro momento, fizeram descer essa média;

Considerando que o aumento dos produtos petrolíferos tem vindo a sufocar aqueles que menos têm, engordando, por outro lado as companhias que exploram esses produtos e o Estado que, como Judas, não intervém;

Considerando que as classes trabalhadoras estão à beira da ruptura e que este sentimento legitima as manifestações democráticas e pacíficas de vários sectores como a dos utentes de saúde em defesa do Serviço Nacional de Saúde, universal, público e gratuito; dos professores em defesa da Escola Pública de qualidade; dos pescadores pelo direito a ser pagos justamente pelo trabalho que exercem; dos agricultores, dos polícias, do funcionalismo público em geral;

Considerando ainda, que a força de um país está no povo que o constitui e que a indignação justa e espontânea desse povo deve ser ouvida e interpretada, pois é a forma mais nobre do étimo democracia.

Nesta conformidade,

a Assembleia Municipal, reunida em sessão ordinária de dia 26 de Junho de 2008, aprova uma saudação a todos os trabalhadores que se têm vindo a manifestar por todo o país, por melhores condições de vida e por novas políticas, solidarizando-se com as suas lutas.

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda

Luísa Penisga

José Vieira

Observação: Moção rejeitada por maioria, com 13 votos contra (PS) e 11 votos a favor (BE, PCP, CDS/PP, PSD e Independente). Alguns PS’s envergonhados votaram contra esta moção de saudação aos trabalhadores, pois lá tiveram de defender a “dama”. Ainda por cima professores! Uma vergonha!