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| 94 por cento! A maior greve de sempre dos professores portugueses! |
| Balanço de uma greve histórica em conferência de imprensa da Plataforma Sindical, realizada ao fim do dia, em Lisboa |
| "Queremos, desde já, dirigir uma saudação especial da Plataforma Sindical aos 132 000 educadores e professores que estiveram em greve neste 3 de Dezembro de 2008. Temos vincado orgulho em poder representar esta combativa classe profissional". São palavras de Mário Nogueira no arranque da conferência de imprensa que a Plataforma realizou ao fim do dia, numa unidade hoteleira da capital, para balanço da histórica acção de luta, que registou uma adesão de 94 por cento. "Tivemos mais docentes nesta greve do que na manifestação do passado dia 8 de Novembro", observou o secretário-geral da FENROF e porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, que sublinhou no diálogo com os jornalistas: "A disponibilidade dos Sindicatos para negociar é total, mas para negociar de forma séria. Se o ME não alterar a sua postura, os professores não abandonarão a sua luta. Esta quinta-feira já estaremos em vigília à porta do ME, na Av. 5 de Outubro". / JPO |
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Esta greve representa o património de luta adquirido, o capital de reivindicação construído e em acção e o potencial de exigência de uma classe pela sua dignificação. Não podemos deixar desmoronar o muro da respeitabilidade profissional que arduamente soubemos construir.
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A história do BPP é indecorosa. Importa ter em mente que o namoro, noivado e casamento entre Vítor Constâncio e o governo Sócrates tem sido fecundo. Aliás, fecundíssimo. Não há memória de intervenção pública do governador do Banco de Portugal que não seja consonante e concertada com as conveniências do governo PS. E não há, neste âmbito, medida do governo PS que não ampare e acarinhe os interesses das grandes dinastias financeiras.
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Esquerda.net
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Greve dos professores e educadores quase a 100% no Algarve | ||
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A adesão à greve de professores e educadores no Algarve atinge quase 100 por cento, havendo mesmo muitas escolas completamente encerradas, apurou o barlavento.online. A escola com mais baixa taxa de adesão, na ordem dos 72 por cento, é a Secundária Pinheiro e Rosa, de Faro, sendo mesmo, segundo o Sindicato dos Professores da Zona Sul, a única escola que está «minimamente a funcionar em todo o Algarve». 3 de Dezembro de 2008 | | ||
Setúbal não fugiu à regra…
Alguns professores de Setúbal e Palmela quiseram mesmo ir mais longe. Concentraram-se no largo da Misericórdia, por volta das 11 horas, já palco antigo nestas andanças. Representantes das várias escolas e agrupamento tiveram aí a oportunidade de expor a sua indignação e repúdio pela forma leviana e irresponsável com que o ensino público tem sido encarado por este Governo.
Unidos, venceremos…
Professores de Sintra em Greve exigem demissão da Ministra


A concentração iniciou-se pelas 11:30h na AV. Heliodoro Salgado, via pedonal onde docentes de uma dezena de estabelecimentos do município se foram reunindo, aproveitando para trocar impressões sobre a adesão à greve nas diferentes escolas e a luta de que têm sido protagonistas.
Seguiu-se um desfile até à Câmara Municipal, num ‘percurso de 600 metros onde o cortejo recebido incentivos de alguns dos transeuntes.
Já nos Paços do Concelho, e após largos minutos de espera à chuva, a concentração transformou-se num mini plenário onde foram transmitidas as conclusões do encontro de um grupo de representantes com o presidente da Câmara, tendo este relembrado que a autarquia não tem responsabilidades na gestão e avaliação de pessoal docente.
As razões da luta – valorização da escola pública, um estatuto da carreira docente digno e um sistema de avaliação justo – forma depois reafirmadas, tendo a manifestação terminado com e a exigência da demissão da ministra.
Esta iniciativa foi promovida pelos professores do agrupamento de Escolas D. Carlos I, em Sintra. No final do encontro, houve uma reunião com um representante de cada escola, a fim de se constituir uma comissão representativa.
Texto e fotos de André Beja
Movimento Escola Pública
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| As manobras do Ministério da Educação, à última da hora, não conseguiram confundir, desmotivar ou desmobilizar a participação na greve nacional dos professores e educadores, que decorre hoje em todo o País, num clima de grande responsabilidade cívica e também de unidade, firmeza e determinação. O resultado é uma greve histórica da classe docente. Mais de 90 por cento destes profissionais paralisam em todas as regiões e em todas as escolas do ensino não superior. Há concelhos inteiros em que todas as escolas fecharam. Mais professores envolvidos Ao longo do dia actualizaremos aqui toda a informação possível sobre este dia histórico dos professores e educadores portugueses. / JPO Fenprof |
“Maior greve de sempre ronda os 95% de adesão”
O “Jornal de Notícias” acompanhou a greve dos professores em várias escolas do país. Nos vários distritos onde passou, a situação foi calma, não houve manifestações de apoio ou repúdio, apenas o gáudio de muitos alunos com a confirmação de “um feriado” há muito anunciado. Os sindicatos falam em 95% de adesão à paralisação, decretada como protesto ao novo modelo de avaliação.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, estima que os números da greve rondem os 95% de adesão. “É um orgulho representar os professores. Podemos já dizer que é a maior greve de sempre”, disse, considerando “caricato e absurdo” o argumento do Governo de que a maioria das escolas está aberta.
O Secretário-Geral da Fenprof recusa a acusação de se negarem a negociar. “Queremos uma negociação aberta, não queremos é estar sujeitos à negociação do Governo”, disse Mário Nogueira, em declarações à SIC notícias.
Guarda perto dos 100%
Os dados apurados pelo JN, junto de fonte sindical, situam a greve no distrito da Guarda perto dos 100%. “É uma greve histórica”, disse Sofia Monteiro, coordenadora do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC). Das 29 escolas secundárias do distrito, 19 registavam entre 99 e 100% de adesão. Entre as outras 10, os professores em greve passavam os 95%.
Entre as escolas do 1º Ciclo, a adesão à greve situa-se entre os 98 e os 100%, sendo na maioria estará mesmo parada. A título de exemplo, na escola do Bonfim, na Guarda, o sindicato diz que há apenas um professor a leccionar.
Os alunos aproveitaram o “feriado” anunciado, para gozar a manhã sem aulas, sem manifestações ou confusões. Os Conselhos Executivos já haviam informado as transportadoras, que levaram de volta a casa os alunos que, diariamente, se deslocam de autocarro das várias aldeias para a sede do distrito.
Aveiro entre os 76 e os 100%
Em Aveiro, a adesão à greve varia entre um mínimo de 76 e um máximo de 100%, números apurados pelo JN junto de fonte sindical. Na preparatória João Afonso, não houve professores para dar aulas, o que também aconteceu nos jardins de infância e escolas do 1º ciclo do agrupamento de Aveiro, onde a greve teve uma adesão total. A secundária Homem Cristo registou, também, 100% de adesão ao protesto.
Na secundária José Estêvão, também em Aveiro, a greve situou-se nos 80%, um pouco acima dos 76% registado na Mário Sacramento. Entre uma e outra, na primária da Vera Cruz, só quatro dos 18 professores é que não aderiram à greve, o que redunda em cerca de 72% de adesão ao protesto. Em Ílhavo, a greve tocou os 100%, tanto na Escola Secundária como na EB 2,3.
Viseu entre acima dos 90%
No distrito de Viseu, a greve de professores registava, ao fim da manhã, o encerramento de 39 dos 65 agrupamentos de escolas no distrito de Viseu. Os restantes apresentavam índices de adesão que oscilavam entre os 72% (escola dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico de Penalva do Castelo) e os 99% (agrupamentos de escolas Ana de Castro Osório em Mangualde e S. João da Pesqueira.
Francisco Almeida, dirigente local do SPRC, considerava que no distrito de Viseu era“mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um professor a trabalhar”. O sindicalista sublinhou que, na prática, “não houve aulas em todas as escolas do distrito de Viseu”.“
“Em Mangualde, apenas uma professora a deu aulas. A adesão a greve é de 99%. Francisco Almeida lembra ainda que em Cinfães “os 83 professores do 1º ciclo do ensino básico estiveram todos em greve”.
Na EB 2,3 Infante D. Henrique, em Repeses, Viseu, a ministra da Educação teve direito a uma canção muito especial. Fernando Pereira, o seu autor, fez incidir sobre o refrão a ideia geral da melodia: “está na hora de a ministra ir embora”. O docente assume que se trata de uma forma de “intervenção e protesto”. Uma maneira de mostrar à tutela que “a Educação é a grande riqueza de um país”.
Braga ronda os 95% de adesão
Em vários concelhos do distrito de Braga, a adesão à greve ultrapassa os 95% e em várias escolas só apareceram ao serviço um ou dois professores. Alguns estabelecimentos de ensino tinham as portas abertas e os serviços mínimos a funcionar, mas por todo o distrito foram raras as aulas dadas, da parte da manhã.
Na capital de distrito, na EB 2,3 Carlos Amarante, apareceram dois docentes, enquanto na Alberto Sampaio alguns docentes, sobretudo os mais jovens, apareceram para leccionar mas para um número reduzido de alunos. Nesta escola, os elementos do Conselho Executivo também fizeram greve. No Liceu D. Maria II, o presidente do Conselho Executivo, Vasco Grilo, contabilizou 90% de professores faltosos.
Na EB 2,3 de Lamaçães, com 1500 alunos, só se apresentou um professor de espanhol, numa adesão massiva que deixou os pais com a vida mais complicada. “Compreendo a luta, mas tenho três filhos e não tenho onde os deixar. Vou faltar hoje ao trabalho”, disse ao JN uma mãe que se deslocou à escola para ver se havia aulas.
Parretas, Nogueira, Maximinos, Palmeira ou Nogueira são alguns dos locais da cidade onde também não houve aulas nos vários estabelecimentos escolares. Mesmo com o peso da greve em curso, o Conservatório Calouste Gulbenkian registou 100% de adesão ao nível do primeiro ciclo. No segundo e terceiro ciclos, bem como no secundário, dos 55 docentes, 45 fizeram greve, o que situa os números da adesão nos 81%.
Em Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho há inúmeras escolas fechadas, a maioria com 100% de professores em greve.
Professores foram para a praça da Liberdade, no Porto
Na cidade do Porto, a manhã começou negra, chuvosa e sem aulas nos estabelecimentos de ensino visitados pelo JN. Às 8h30, na Escola Carolina Michaelis, os alunos subiam as escadas para poucos minutos depois as descerem já com a notícia de que não teriam aulas. A alegria de uns contrastava com a desilusão de outros. “Adormeci, mas vim à pressa porque amanhã vou ter um exame de História e afinal foi tudo para nada”, afirmou Joana Patrícia. “E não me parece que a professora adie porque ela não é de adiar”, acrescentou. À porta da escola, alheios à forte chuva, muitos alunos reuniam-se e alegremente faziam planos para o resto do dia. “Vamos para o shopping passear”, dizia a grande parte.
Às 9h00, na Escola Secundária Filipa de Vilhena, o cenário era semelhante, com todos os professores do primeiro turno da manhã a aderirem à greve. Durante o tempo que o JN passou à porta da escola apenas um docente entrou nas instalações e fez questão de dizer que vinha mas que não ia dar aulas e estava em greve. Pouco antes, um pai, depois de avisado telefonicamente pelo filho, veio buscá-lo para p levar a casa. “Já sabia e por isso estava de prevenção. Como moro perto, não me custa muito vir cá buscá-lo. Agora, vai passar o dia comigo” afirmou Paulo Sousa, salientando que concorda com as reivindicações dos professores e que dá todo o apoio à greve.
A meio da manhã, cerca de uma centena de professores estava concentrada na praça da Liberdade, no centro do Porto, em sinal de protesto contra o modelo de avaliação.
Leiria com média perto dos 90%
Em Leiria, as duas maiores escolas secundárias do distrito registavam uma adesão de 90% (Rodrigues Lobo) e 91% (na Domingos Sequeira), com a greve a paralisar a EB de Marrazes, que encerrou. A Escola Secundária de Pombal registava 93% de adesão, enquanto a Calazans Duarte (87%), na Marinha Grande, parecia ser a que menos aderiu à paralisação.
“Sem dúvida que estamso perante a maior greve dos professores desde o 25 de Abril”, disse ao Jornal de Notícias uma fonte do Sindicato dos Professores da Região Centro.
Beja entre os 70 e os 99%
Em Beja, dados apurados directamente junto dos concelhos directivos, mostram alguma dispararidade na adesão à greve. O Agrupamento de Santa Marinha, com sete escolas, estava nos 99%, enquanto nas sete escolas do agrupamento Mário Beirão a greve se situava entre os 60 e os 70%. Pelo meio, 80% na secundária D. Manuel 1º, 86% na Diogo de Gouveia e 90% na Santiago Maior.
“Não faço greve porque sempre estive contra o modelo de avaliação. Mais agora, depois das alterações”, disse Conceição Casanova, uma das professoras da escola Santiago Maior que não aderiram à greve. Na de Santa Maria, Rogério Inácio também não aderiu à paralisação, simplesmente porque não podia: sendo um dos três professores do Curso de Educação e Formação, foi obrigado a leccionar.
Meio milhar nas ruas de Viana do Castelo
Em Viana do Castelo, cerca de 500 professores manifestaram-se na Praça da República. A chuva causou estragos na concentração, com os docentes algo espalhados pela praça, cartão de visita da cidade, mas não afectou a motivação.
“Queremos ser avaliados com seriedade” lia-se em alguns dos cartazes. Outros eram “Por uma escola de rigor e exigência”, com alguns professores a dirigirem os dizeres a Maria de Lurdes Rodrigues: “Senhora Ministra, queremos trabalhar com dignidade”.
A concentração começou às 10 horas na Praça da República, de onde saiu, uma hora depois, para o Governo Civil de Viana do Castelo. Em frente ao palácio, os professores acenaram com lenços brancos e pediram a demissão da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Segundo dados apurados pelo JN junto de fonte sindical, a greve situa-se bem acima dos 90%, perto mesmo dos 100%, em todo o distrito de Viana do Castelo.
terça-feira, dezembro 02, 2008
Professores: greve nacional deve ser a maior de sempre
![]() Os professores fazem amanhã uma greve nacional sob o lema "Vamos avaliar o Ministério de Educação fechando as escolas". A expectativa é que seja a maior e mais participada greve de professores de sempre. Sindicatos e movimentos divulgaram apelos para que a greve seja activa, e inúmeras concentrações estão a ser convocadas para a frente das escolas e para praças públicas. | |
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No dia 3 vou fazer greve, porque quero que a Escola Pública continue a formar cidadãos de corpo inteiro

Faço greve porque:
não aceito que se hierarquize a função docente, desvalorizando a pedagogia em favor da gestão;
não aceito que se confunda avaliação de desempenho com classificação de serviço;
não aceito que se confunda mérito com quotas;
Não vou fazer esta greve para:
não ser avaliado;
subir na carreira (sou titular e estou no 10º escalão);
ficar em casa a descansar;
Esta greve é apenas uma batalha, numa longa luta contra a imposição de uma política que visa desresponsabilizar o Estado pela Educação de Qualidade para Todos os Cidadãos.
Esta greve faz parte de um combate que não vai terminar no dia 3.
A luta que travamos é contra a empresarialização da Escola Pública; é contra a centralização das políticas educativas; é contra a asfixia que o governo e a 5 de Outubro impõem às escolas, através do controle apertado das DRE’s; é contra a partidarização, que se esconde nas intenções de municipalização da Escola Pública.
É por tudo isto que esta não é uma greve que vise corrigir detalhes técnicos na avaliação de desempenho, ou na gestão da escola, ou ainda no desenvolvimento da carreira.
Os problemas que estão em cima da mesa não são de ordem técnica, mas sim política. Encontrado o consenso político sobre o futuro da Escola Pública, as questões técnicas serão de fácil resolução.
Porque ao contrário do que o governo nos quer fazer crer, NÃO HÁ EDUCAÇÃO SEM POLÍTICA.
Texto de Francisco Santos, em (Re)Flexões
MEP
Amanhã, é o dia da maior greve de professores. No dia 6/12, a luta continua com o Encontro Nacional de Escolas em Luta
ProfAvaliação
PROmova apela a que, amanha, pelas 8:00, os docentes em greve de todo o país se concentrem à porta das escolas
ProfAvaliação
13 PERGUNTAS, 13 RESPOSTAS
13 perguntas e 13 respostas para desfazer equívocos
O Governo tem procurado fazer passar a ideia de que os Sindicatos não querem negociar e não têm qualquer proposta para a avaliação do desempenho docente, o que é falso. Ficam aqui 13 respostas a outras tantas questões que ajudam a esclarecer as dúvidas.
1. Os Sindicatos de Professores alguma vez apresentaram propostas para que se estabelecesse um regime de avaliação de desempenho dos professores?
R.: Por diversas vezes, as primeiras das quais já no final dos anos 80 quando se iniciou a negociação do primeiro Estatuto da Carreira Docente.
2. Mas ao actual Governo foram apresentadas propostas concretas?
R.: Sim, também por diversas vezes. As primeiras datam de Junho de 2006 e assumiam o carácter de contrapropostas às que o Ministério da Educação (ME) tinha apresentado. Prevêem a diferenciação na avaliação, admitem, em determinadas condições, componentes externas, centram-se na actividade docente e dão grande importância aos aspectos científico-pedagógicas.
3. E quando apresentou o ME as suas primeiras propostas?
R.: Em Maio de 2006. Apesar das diversas propostas apresentadas, num primeiro momento por cada organização sindical e, depois, pelo conjunto da Plataforma Sindical (em 11 e 25 de Outubro de 2006). A comparação entre o anteprojecto ministerial e o decreto final não deixa quaisquer dúvidas: contam-se pelos dedos de uma só mão as alterações introduzidas. Em relação às questões de fundo não há mesmo qualquer diferença significativa.
4. Mas não houve um processo negocial que se prolongou por 2 anos?
R.: Se juntarmos o processo de revisão do ECD com o de regulamentação da avaliação, esse foi o período negocial, mas tratou-se de uma negociação que se esgotou nos aspectos formais. Por exemplo, quando em 19 de Outubro os Sindicatos insistiam na necessidade de alterar aspectos significativos do ECD (modelo de avaliação, divisão da carreira, quotas...), foram ameaçados! Ou ajudavam "o barco a chegar a bom porto, ou, se ele afundasse, os seus dirigentes seriam os primeiros a afogarem-se". Foi este o tipo de negociação que, durante dois anos, decorreu.
5. A alteração do modelo de avaliação exige a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD)?
R.: Necessariamente… até pelo facto de o modelo se encontrar praticamente todo consagrado no ECD. Além disso, é também o ECD que estabelece a divisão dos professores em "professores" e "professores titulares", assim como as quotas de avaliação.
6: Os professores querem suspender a avaliação. Quererão, com isso, como afirmam alguns governantes, parar a avaliação?
R.: De forma alguma, daí terem afirmado que, da suspensão do modelo em vigor, não deverá decorrer qualquer vazio legal ou o recurso a actos administrativos. O modelo de avaliação imposto pelo ME é fonte de conflito nas escolas; é inadequado, incoerente, ineficaz, injusto e inaplicável. De tal ordem inaplicável que, de cada vez que se aplica, é necessário alterá-lo e simplificá-lo. Estas são razões fortes para que se exija a suspensão. E por cada dia em que se adie essa decisão é mais um dia em que a qualidade educativa, nas escolas públicas, se deteriora.
7. Mas não existia um acordo com o ME para que, este ano, a avaliação se desenvolvesse com normalidade?
R.: Não. Existe um entendimento que permitiu retirar das escolas todo este conflito no final do ano lectivo passado, que criou uma comissão paritária para acompanhamento da implementação do modelo e correcção de ilegalidades, na qual participavam os Sindicatos, e prevê um período para alteração do modelo de avaliação. Esse período é Junho e Julho de 2009, pois, em limite, o modelo de avaliação poderia desenvolver-se até esse momento. Só que a prática veio provar, mais cedo do que o ME previa, que o modelo era inaplicável devendo ser suspenso desde já. Essa é condição para que a tranquilidade regresse às escolas.
8. Porque saíram os sindicatos da comissão paritária?
R.: Porque esta acabou por não ter qualquer utilidade. Nessa comissão, o ME nunca reconheceu os problemas, tentou, quase sempre, justificar as situações anómalas que foram apresentadas e, por esse motivo, acabou por, com esse comportamento, não cumprir a sua parte no entendimento, deixando tudo por solucionar.
9. Segundo o Primeiro-Ministro, no ano anterior já foram avaliados professores por este modelo de avaliação. Isso corresponde à verdade?
R.: Não. Na verdade o modelo tinha sido suspenso, já no ano passado. Não foram avaliados cerca de 92% dos professores e os outros 8% foram-no por procedimentos tão simplificados que não se pode dizer que se lhes aplicou o modelo de avaliação.
10. A suspensão, este ano, faz sentido? Não se cairia no vazio?
R.: Faz todo o sentido, pois protege as escolas no seu funcionamento, não introduz focos de desestabilização no desempenho das funções docentes, logo não tem implicações negativas nas aprendizagens dos alunos. Não se cairia no vazio porque os sindicatos têm propostas de solução transitória para o ano em curso, evitando soluções administrativas. O ME, contudo, veta qualquer possibilidade de alteração e suspensão do actual modelo, inviabilizando a negociação das alternativas que os Sindicatos têm para lhe apresentar.
11. Por que razão os Sindicatos não entregaram essa proposta de solução transitória na reunião, no ME, no passado dia 28 de Novembro?
R.: Porque a ministra foi inflexível nas suas posições; repetiu que a suspensão estava fora de causa; reafirmou que o seu modelo era ajustável, mas não alterável; confirmou que as quotas e a divisão da carreira dos professores eram aspectos inegociáveis; em algumas reuniões, acusou os Sindicatos de não agirem de boa-fé e de não quererem qualquer avaliação; reiterou não haver escolas com a avaliação suspensa; afirmou que os Sindicatos não estavam a representar as posições dos professores...
12. Mas, segundo tem dito o ME, há disponibilidade para negociar. Haverá?
R.: Dificilmente. A "negociação" teve início no dia 28 de Novembro e, no entanto, desde 25 que o Ministério fez chegar às escolas informações sobre as medidas que adoptou, para além de reunir com órgãos de gestão e coordenadores de departamento para os instruir sobre essas medidas. Ou seja, são medidas que antes de o serem já o são…... Esta postura ministerial é lamentável, pois estão a ser dadas orientações ao arrepio das da lei.
13. Sendo assim, as Greves de Dezembro, designadamente a de 3 de Dezembro, terão uma grande importância?
R.: É verdade, uma importância máxima! Os professores têm procurado não prejudicar os alunos e protestam, de há dois anos a esta parte, sempre ao fim de semana ou ao fim do seu dia de trabalho, mas a sua voz parece não ter sido ouvida. O ME e o Governo não souberam interpretar, como deveria, as evidências da indignação dos professores, como não souberam ou não quiseram escutar as suas propostas. Hoje o conflito está muito mais agravado e obriga o Governo a criar condições para que se construa uma solução de consenso que tenha, como pressuposto, a suspensão do modelo de avaliação. A Greve de 3 de Dezembro será um grande momento de protesto e confirmação das posições dos professores!
MUP
segunda-feira, dezembro 01, 2008
GREVE NACIONAL DE PROFESSORES
DIA 3 DE DEZEMBRO
PORTIMÃO
8.30 h – Concentração à porta das Escolas
11.00 h – Concentração frente à Câmara Municipal
Com entrega de um Documento ao Executivo Camarário a explicar as razões da luta dos Docentes.
Em Frente Professores! Greve Total a 100%!
Todos à Concentração frente à Câmara!
Passar esta mensagem a todos
Texto (muito bom) retirado do blog de Ramiro Marques
Comentário
1. O PS elegeu o combate aos professores como a bandeira principal. As reuniões de Jorge Pedreira e da ministra com militantes socialistas são quase diárias. Ontem, no Largo do Rato, Jorge Pedreira tentou convencer, mais uma vez, os professores socialistas da "bondade" do simplex dois, atirando as culpas do desentendimento para os sindicatos.
2. Anda tudo numa roda-viva no PS. São so directores regionais a pressionarem os PCEs e coordenadores de departamento. Não têm mais nada que fazer? Onde é que, em 34 anos de democracia, se viu uma pouca vergonha tão grande? E se fizesssem as contas às milhares de horas gastas em propaganda, intimidação e pressões para pôr de pé um modelo de avaliação burocrática impraticável? E se fizessem as contas ao tempo perdido pelos PCEs, que em vez de estarem a cuidar da vida das escolas andam a ser sujeitos a lavagens ao cérebro dignas do KGB e da Gestapo?
3. Os órgãos distritrais do PS não têm feito outra coisa senão discutir e analisar os prejuízos eleitorais que a luta dos professores vai custar ao partido. Fazem-se contas aos lugares, vulgo tachos, que se vão perder. E os mais acintosos tentam convencer os outros de que os votos perdidos à esquerda vão ser compensados com ganhos ao centro-direita. Encomendam-se sondagens. Andam perdidos! Se a luta dos professores se mantiver acesa até às eleições, a vitória dos professores será uma realidade.
4. O que está em causa é muito. Se os professores recuarem, nunca mais poderão contestar o ECD, a divisão da profissão em duas categorias, as quotas e a avaliação burocrática em todo o seu "explendor". Se recuarem e o PS voltar a ganhar com maioria absoluta, só poderão esperar mais infortúnio, humihação e apoucamento. Esta gente do PS é vingativa e mesquinha. Gente má que chegou ao Governo do país e ao comando das instituições, bancos e empresas, não pelo mérito, mas através do polvo em que o partido se transformou.
5. É por tudo isto que a adesão total à greve do dia 3/12 é tão necessária.



