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terça-feira, janeiro 20, 2009

Debate sobre a Escola Pública a 31 de Janeiro


Escola: o que temos, o que queremos

Há mais escola para lá da avaliação de professores e do Estatuto da Carreira Docente. Que escola procuramos e defendemos?
A escola inclusiva é uma miragem?
O sucesso para todos é facilitismo?
A escola é prazer, esforço ou disciplina?
Professores: profissionais livres e responsáveis ou funcionários obedientes?
Alunos: aprender como e o quê?
É urgente.....Agir sobre o que conta!


31 de Janeiro, Auditório da Escola Secundária Camões, Lisboa (Metro Picoas)

15h: Debate - Escola: o que temos, o que queremos

Com:
Luíza Cortesão (docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Univ. do Porto, Presidente do Insitituto Paulo Freire – Portugal)
Manuel Sarmento (docente na Universidade do Minho)

Painel de comentadores:
Isabel Salavessa
(Associações de Pais e Encarregados de Educação das Escolas Inês de Castro e Avelar Brotero, de Coimbra)
Joaquim Raminhos (Director do Centro de Formação de Professores de Escolas do Barreiro e Moita)
Rosário Matos (Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Francisco Arruda, de Lisboa)

17h30: Sessão com representantes de movimentos e sindicatos de professores para debater futuras acções de luta

Iniciativa promovida pelo Movimento Escola Pública, Igualdade e Democracia
MEP

quarta-feira, outubro 01, 2008

E à quarta semana descansou


Na primeira semana o governo percorreu as escolas que tiveram a boa sorte de ter obras de reabilitação ou remodelação e maravilhou os portugueses com o renascimento de salas arejadas, funcionais, adaptadas às exigências da modernidade. O contentamento foi grande e até parecia mal lembrar-se a gente das escolas que ainda têm amianto, das salas onde os tectos são negros de humidade, as fichas de electricidade fazem curto-circuito e as cadeiras são bambas de tantas gerações de meninos e meninas que por lá passaram.

À segunda semana o governo voltou à escola para reconhecer o mérito de estudantes que mais se destacaram pela sua inteligência e vontade de aprender. Foi bonito ver o governo a reconhecer o valor destes jovens. Estranho é o montante do prometido prémio de 500 €. Quase parecia uma piada de mau gosto, se é que a alguma mente maldosa ocorresse imaginar que a Ministra da Educação pudesse algum dia ser dada a alguma forma de ironia, por perversa que seja. Na verdade estes são os jovens da geração 500€ que hão-de terminar cursos que os hão-de levar a empregos precários, a falsos contratos de prestação de serviços, quem sabe se para ensinar inglês às crianças do primeiro ciclo.

Mas a cerimónia foi bonita, apesar de tudo. Tão bonita que até parece um atrevimento lembrar-se a gente das crianças que saem de casa pela madrugada para apanhar um autocarro que os há-de levar a uma escola do lado de lá da geada do inverno e voltar a trazer à noitinha, lembrar-se a gente do desencanto das crianças que mal compreendem a língua que falam os professores, do cansaço das meninas e meninos derrotados diante da imensa tarefa de compreender uma escola que pertence a um mundo que não é o seu, do desnorte de rapazes e raparigas que não atinam que utilidade pode ter a escola que lhes dão.

À terceira semana o governo desceu de novo às escolas. Desta vez levava "Magalhães" para distribuir pelas crianças. E à quarta semana descansou, olhou para a sua criação a agradou-se da imagem que tinha dado de si mesmo.

Ficou bem distribuir computadores às crianças. Tudo o que possa corresponder a um reequilíbrio na desigualdade de oportunidades só pode merecer aplauso. Tudo o que sirva para apontar caminhos de inovação merece reconhecimento. Mas às vezes o deslumbramento é tanto que até parece mal, fica uma pessoa um bocado constrangida de se lembrar quanto pagaram a mais as famílias este ano por esses outros instrumentos arcaicos – os livros. Além da prestação da casa – os livros; além da prestação do carro – as mochilas, mais as canetas, o fato de treino, as sapatilhas…

Agora isso são miudezas da vida de cada um e cada uma, importa mesmo é que os "Magalhães" chegaram – e bem – às escolas e, com eles completa-se a trilogia constitutiva dessa ideia de que a escola reproduz a empresa: prémio de produção, edifício, equipamento. Esta ideia redutora de que a escola se mede pelo que produz em matéria de conhecimento é a que a coloca mais perto da ideia de escola empresa.

Na complexidade do processo educativo reside a sua extraordinária importância e não se pode reduzir a uma mera contabilidade de competências, também é isso mas é muito mais, é criatividade e inventividade, é mobilização de interacções sociais, é valorização dos equilíbrios com a natureza, é o reconhecimento da diferença de cada uma e cada um face aos outros, é percepção do mundo, é amor à arte na sua imensidade de expressões, é conhecimento e exploração de si mesmo do seu corpo, das suas limitações e excelências, é racionalidade e afecto. Sem afecto não há educação possível.

Crónica de Alda Macedo em EscolaInfo
Movimento Escola Pública

domingo, setembro 28, 2008

Somar energias para mudar a escola


O I Encontro do Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia juntou cerca de 50 professores de Lisboa, Porto, Coimbra, Castelo Branco, Setúbal, Viseu e Algarve. Desmontou-se a propaganda governamental em torno da educação, debateram-se formas de bloquear o actual sistema de avaliação de professores, e reafirmou-se a urgência de políticas que combatam a sério o insucesso escolar para lá de malabarismos estatísticos.

Em cima da mesa estiveram também as formas de consolidar em todo o país um Movimento com seis meses de existência. Foram constituídos dois grupos de trabalho (um sobre avaliação de professores e outro sobre o diploma de gestão) e assentámos em reunir núcleos regionais regularmente. Além disso, ficou também decidida a constituição do grupo promotor do Movimento Escola Pública que assegurará a sua coordenação a nível nacional.

1º Encontro Nacional do Movimento Escola Pública
Declaração

1) O governo vê a escola pública como um jogo de “lego” em que as peças vão caindo em cadeia para produzir resultados a qualquer custo: o ME cai sobre os directores, que caem sobre os coordenadores e titulares, que caem sobre os professores não titulares e, todos juntos, caem sobre os alunos que têm de ter sucesso custe o que custar.

2) Estas são exigências do mercado de educação europeu, é a lógica da empresarialização da escola pública: resultados a baixos custos, assentes em cadeias de comando afinadas.

3) Ao contrário do discurso e de algumas medidas mediáticas, esta estratégia esvazia a autonomia, reforça a governamentalização das escolas e a desresponsabilização do investimento e das políticas públicas.

4)Esta escola não é uma escola para e pelas pessoas, é a escola dos produtos. Para esta escola o sucesso é um produto, não é uma meta, nem um processo.

5) Não se estranha assim que as medidas frenéticas deste governo mais não tenham do que contribuído para: a desprotecção de crianças e jovens mais desfavorecidos; a liquidação de quaisquer resquícios de participação democrática; o aumento do horário de trabalho de professores (com redução real do tempo de preparação do trabalho para os alunos); a crescente precarização de todos os profissionais de educação em todos os níveis de ensino; uma avaliação de professores burocrática, auto-reguladora e incompetente.

6) O nosso compromisso assenta no combate pela igualdade, pela participação de pais, alunos e profissionais da educação, pela democracia, pela qualidade da escola pública.

Assumimos:
- colocar no centro das nossas preocupações o sucesso efectivo e a emancipação dos alunos, com uma cultura de participação e democracia dentro e fora da sala de aula- lutar por condições dignas nas escolas, humanas e materiais, que assegurem a aprendizagem real para todos/as os/as alunos/as e que entre outras coisas torne desnecessário o recurso a explicações privadas
- exigir a plena cobertura da rede pública do pré-escolar, a gratuitidade dos livros escolares, das refeições e dos transportes, a redução do número de alunos por turma, e a constituição de equipas multidisciplinares nas escolas e centros educativos.
- denunciar e combater todas as formas de discriminação das crianças e jovens: desde as turmas de nível que algumas escolas constituem, à desprotecção de milhares de crianças com necessidades educativas especiais
- denunciar as consequências altamente negativas para a escola pública que este modelo de avaliação de desempenho de professores está a produzir, e que justificam a sua revogação
- apostar numa cultura de participação democrática e decisão responsável, furando a tecnocracia

Concluindo:
- divulgaremos publicamente as decisões deste encontro
- realizaremos ainda em 2008 um fórum alargado, com professores e outros profissionais de educação, pais, alunos e demais interessados, subordinado à promoção da igualdade, do sucesso e do combate às discriminações na escola;
Movimento Escola Pública/ Igualdade e Democracia, 27/09/2008


Grupo Promotor do Movimento Escola Pública, Igualdade e Democracia

José João Lucas (Coimbra)
Cecília Honório (Lisboa)
Manuel Grilo (Lisboa)
Maria José Vitorino (Lisboa)
João Madeira (Sines)
Miguel Reis (Lisboa)
Fernanda Queiroz (Lisboa)
Jaime Pinho (Setúbal)
Beatriz Dias (Lisboa)
João Antunes (Porto)
Carlos Carujo (Algarve/contratado)
Vítor Sarmento (Lisboa)
Helena Dias (Lisboa)
Silvana Paulino (Setúbal)
Maria da Graça Pinto (Viseu)
José Manuel do Carmo (Algarve)
Florbela Gomes (Porto)
Artemisa Coimbra (Porto)
Movimento Escola Pública

quinta-feira, setembro 18, 2008

I Encontro do Movimento Escola Pública


I Encontro do Movimento Escola Pública/ Igualdade e Democracia

Sábado, dia 27 de Setembro, às 12h30 na Academia de Santo Amaro, em Lisboa (Alcântara)

O Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia leva pouco mais do que seis meses de existência. A sua sessão fundadora foi em Fevereiro de 2008, com o lançamento do Manifesto Escola Pública pela Igualdade e Democracia.

Estivémos presentes nas manifestações regionais e nacionais de professores que ocorreram no passado ano lectivo, apoiando a luta da classe docente contra a burocratização que este governo lhe quer impor. Recusámos sempre uma abordagem corporativa dos problemas da educação e continuamos a privilegiar a acção e o pensamento a favor de uma escola sem exclusões, democrática, e centrada nos direitos de alunos, pais e professores.Foi sempre esta a filosofia implícita nas diversas sessões que organizámos por todo o país, incentivando a discussão e a procura de propostas alternativas.

É assim que chegamos ao início de um novo ano lectivo. E queremos, de forma democrática, debater com todos os inscritos e simpatizantes do Movimento Escola Pública, estratégias para continuar uma luta que está longe de terminar. Além disso, é também urgente responsabilizarmos pessoas no seio deste movimento, conhecermos as caras de todos e todas, e encontrar as melhores formas de legitimar a acção pública quotidiana de um movimento que veio para ficar.

Por tudo isto, convidamos todos os interessados em participar no nosso primeiro encontro. O programa começa com um almoço/convívio às 12h30 em Lisboa e prossegue com uma reunião às 14h30, onde os pontos atrás referidos serão debatidos.

Logística:

Para almoçares connosco no dia 27, basta enviar um e-mail para movimentoescolapublica@gmail.com, referindo o nome completo, o contacto telefónico, e indicar se és vegetariano/a.

O preço da refeição completa são 12,5 euros e o prazo para inscrição é o dia 22 de Setembro.

Se não puderes vir almoçar connosco, poderás sempre participar na reunião com início às 14h30.

Local do almoço e do encontro:


Academia de Santo Amaro
Rua da Academia Recreativa de Santo Amaro, 9
1300-001 Lisboa
Movimento Escola Pública

quarta-feira, setembro 03, 2008

O ANO DE TODAS AS LUTAS

O ano lectivo que se aproxima vai pôr a escola pública a prémio e o cutelo sobre os professores, que são o seu rosto.

Assobiando para o lado aos principais problemas (quarenta mil professores no desemprego, abandono escolar, insucesso, condições deficientes de trabalho e de estudo, falta de recursos humanos especializados, programas e organização dos tempos na escola, défice de participação), o governo de Sócrates vai fazer de conta que é moderno à conta da avaliação e da gestão.

A escola sem pessoas e dos resultados a pontapé e à martelada é a avaliação moderna de Sócrates. A escola barata e refém dos poderzinhos locais é a sublime modernidade socrática.

Mas há escolas que resistiram e resistem. Há professores e professoras dentro de escolas alinhadas que resistem. Há professores e professoras que recusaram os novos poderes. Há outros que constituíram equipas fortes e que estarão nos conselhos gerais transitórios, certos de que esta é a sua aposta na resistência e na alternativa.

O Movimento Escola Pública solidariza-se com todos e todas os que resistiram e resistem e mantém as portas abertas à divulgação e à discussão de todas as formas de luta.

Sem a continuidade da resistência, do desmascarar da pantominice do modelo de avaliação, da procura de alternativas, o próximo ano lectivo pode representar uma machadada sem retorno na Escola Pública.

Quando cada professor ou professora for obrigad@ a preencher o quadradinho da percentagem de sucesso, ou o quadradinho da percentagem de alunos que não abandonaram a escola, e deixar que alguém lhe dê, pela percentagem, uma classificação, está a dizer ao governo, "mea culpa". Quando cada escola aceitar, ou fechar os olhos à pressão para o sucesso burocrático, está a dar uma boa razão ao PP e várias ao PS. Quando cada professor ou professora for obrigad@ a ser fiscalizad@ e classificad@ por colegas que, nem são mais competentes, nem tiveram direito a formação adequada e suficiente para o efeito, está a dizer aos seus alunos que a avaliação é uma fantochada.

Mas se Sócrates, sem gastar nada, e poupando muito, conseguir que cada professor(a) assuma individualmente que o insucesso e o abandono são problemas seus, e que apenas por si mesmo (a) os pode resolver, bem pode o Primeiro agarrar a Ministra, e pô-la a papaguear: é tudo culpa dos professores, faltosos e incompetentes.

2008-2009 vai ser o ano de todas as lutas, mas esta é a linha de fronteira entre a dignidade da Escola Pública e d@s professor@s e a total falta dela. Entre a confiança que todos(as) podemos e precisamos ter na Escola Pública e a falta de garantias dos poderes públicos na qualidade da educação a que toda a gente tem direito, pela Constituição que ainda vigora.
MUP

domingo, julho 27, 2008

Novo Código do Trabalho

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sábado, julho 19, 2008

Metade dos professores tem mais de 100 alunos


Caros autores do blogue Movimento Escola Pública Democracia e Igualdade,
Escrevo-lhes aproveitando o contacto do vosso blog Movimento Escola Pública, que se tem destacado como espaço de debate das questões de política educativa e do estado da educação.

Gostaria por isso de aproveitar para divulgar os resultados de Os Desafios da Escola Pública – Inquérito a educadores e professores sobre as condições de exercício da actividade docente, que o Bloco de Esquerda promoveu neste primeiro semestre, e que contou com a colaboração de mais de 3 mil docentes.

Envio-lhes, pois, o documento final (em anexo), bem como o link onde ele pode ser consultado: http://beparlamento.esquerda.net/media/inqescola.pdf


Os dados apurados permitem ter uma imagem bastante elucidativa do que são hoje as dificuldades actuais no exercício da docência: 5 em cada 10 professores tem a seu cargo mais 100 alunos; cerca de um quarto dos professores que responderam ao inquérito lecciona a três ou mais anos de escolaridade. Por outro lado, as respostas indicam que os professores gastam em média 46 horas semanais na sua actividade profissional – muito mais, portanto, do que as 35 horas “oficiais”.

Porque acreditamos que estes dados mostram dimensões centrais da vida quotidiana da escola pública que tendem a nunca ser abordadas no debate político, estamos a tentar divulgá-los, tanto quanto possível. Saber como trabalham hoje os professores da escola pública – conhecer as dificuldades e os estrangulamentos da organização do trabalho docente – pode e deve servir de base à discussão das diferentes soluções e propostas políticas. Aqui fica, pois, o convite para que, se assim entenderem, disponibilizem estes dados aos leitores do vosso blog.

Espero também as vossas sugestões, ou os comentários que este inquérito e o “estado da educação” lhes possam suscitar.

Grata pela vossa atenção,
Ana Drago
Deputada do Bloco de Esquerda
Movimento Escola Pública

quinta-feira, julho 10, 2008

Defesa da Escola Pública - Inquérito BE

Em boa hora o Bloco promoveu este inquérito sobre as condições de trabalho dos docentes na actualidade.
Todos os professores e educadores deverão conhecer este inquérito - um libelo acusador ao governo Sócrates que tão mal tem tratado os docentes e a Escola Pública (e não só).
Este inquérito era o elo que faltava. Mais uma poderosa razão para que nenhum docente vote na treta do PS, ou na cloaca do Sócrates/Maria de Lurdes.
Abram os olhos professores e votem naqueles que os defendem.
Para ter acesso ao inquérito basta clicar no site abaixo:

http://beparlamento.esquerda.net/media/inqescola.pdf


quinta-feira, julho 03, 2008

Os Desafios da Escola Pública – Inquérito a educadores e professores sobre as condições de exercício da actividade docente


Inquérito que o Bloco de Esquerda promoveu neste primeiro semestre, e que contou com a colaboração de mais de 3 mil docentes. Este inquérito poderá ser consultado no link abaixo.

http://beparlamento.esquerda.net/media/inqescola.pdf

Os dados apurados permitem ter uma imagem bastante elucidativa do que são hoje as dificuldades actuais no exercício da docência: 5 em cada 10 professores tem a seu cargo mais 100 alunos; cerca de um quarto dos professores que responderam ao inquérito lecciona a três ou mais anos de escolaridade. Por outro lado, as respostas indicam que os professores gastam em média 46 horas semanais na sua actividade profissional – muito mais, portanto, do que as 35 horas “oficiais”.

Porque se acredita que estes dados mostram dimensões centrais da vida quotidiana da escola pública que tendem a nunca ser abordadas no debate político, o Bloco está a tentar divulgá-los, tanto quanto possível. Saber como trabalham hoje os professores da escola pública – conhecer as dificuldades e os estrangulamentos da organização do trabalho docente – pode e deve servir de base à discussão das diferentes soluções e propostas políticas.

Esperamos sugestões, ou comentários que este inquérito e o “estado da educação” possam suscitar.

segunda-feira, junho 30, 2008

Contra a Escola Pública Retalhada, pela Qualidade na Escola Pública



Depois de uma reunião com a Direcção Regional de Educação, pais, mães e encarregados(as) de educação de Miraflores (Oeiras) não mandam dizer por ninguém, comunicam o que pensam e exigem, a pensar na qualidade da Escola Pública:

A passagem das responsabilidades do Ministério da Educação para os municípios deverá começar a entrar em curso no próximo ano, pelo que esta associação já requereu uma reunião com a Divisão de Educação da Câmara Municipal de Oeiras onde serão colocadas as mesmas dúvidas.
A APEE da EBI de Miraflores mostrou-se expectante e apreensiva face à forma como irão ser implementadas as novas leis a partir de Setembro e, como tal, adverte os pais para a importância de as conhecerem e de reflectirem sobre as suas consequências: Estatuto da Carreira Docente e Avaliação do Desempenho dos Docentes (processo de que fomos afastados nesta escola); Estatuto do Aluno e Decreto-Lei 3/2008 (NEE); Novo Modelo de Gestão e de Autonomia (Lei 75/2008) e Municipalização do Ensino, as quais causarão alterações em todos os regulamentos da escola e na forma como a escola passará a ser gerida por lideranças com poderes reforçados.
Em todo este processo saudamos os professores dos nossos filhos que, suportando esta sobrecarga de leis e reformulações, com o consequente acréscimo de trabalho, ainda assim conseguiram levar o ano lectivo até ao final.

Como Pais e encarregados de educação, não poderemos – em consciência – deixar de procurar todos os meios ao nosso alcance para garantir uma escola pública de qualidade para os nossos filhos.
E, por isso, continuaremos a exigir junto das entidades responsáveis:

-
Análise das placas de amianto, que cobrem o ginásio, assegurada pelo Ministério da Educação, de forma a obter a garantia que a saúde dos nossos filhos está acautelada;
- Turmas com um máximo de 20 alunos, desde que integrem uma criança com necessidades educativas especiais, tal como vigorava na lei que o Governo alterou;
- Manutenção das respostas educativas para todas as crianças, incluindo as que têm necessidades educativas especiais, respostas que deve integrar um psicólogo, dado que as dificuldades sociais e familiares se reflectem na vida emocional de muitas crianças, impondo-se um acompanhamento psicológico;
- Professores contratados, vinculados à escola, da responsabilidade do ME, para assumir todas as disciplinas do Programa nacional da nossa Escola Pública, incluindo as disciplinas de inglês, educação física, música e outras áreas de expressão, em
vez de professores itinerantes contratados por empresas;
- Não queremos uma escola retalhada entre o ME, a autarquia e empresas privadas;
- Uma gestão escolar assente em órgãos democraticamente eleitos.

Para podermos debater este caderno de requisitos para o funcionamento cabal da escola dos nossos filhos e vermos os passos que poderemos dar no sentido de conseguir a sua garantia, propomos que, logo no início do próximo ano lectivo, se realize uma assembleia-geral de pais.

APEE da EBI de Miraflores, Junho/2008

Comunicado integral

Movimento Escola Pública

terça-feira, junho 17, 2008

COLABORANDO... SEM PRECONCEITOS

CONVITE

Audição sobre Política Educativa: Desafios da Escola Pública

Lisboa – Sexta-feira, 27 de Junho – 16.30h

(Sala do Senado da Assembleia da República)


O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda convida-o(a) a participar na Audição Pública a realizar dia 27 de Junho, na Sala do Senado da Assembleia da República, em que se pretende promover uma discussão alargada sobre a Escola Pública e os desafios que se colocam à sua organização.

Neste âmbito, serão apresentados os resultados do Inquérito recentemente lançado pelo Bloco de Esquerda sobre as Condições do exercício da Actividade Docente, bem como dois Projectos de Lei, que visam respectivamente o Estabelecimento de princípios de organização da escola pública e a Criação de Equipas de combate ao abandono e insucesso escolar.

O debate inicial contará com a participação de:

Ana Drago (Deputada do Bloco de Esquerda)

Pedro Abrantes (CIES – Centro de Investigação e Estudos de Sociologia)

João Paulo Silva (Sindicato de Professores da Região Norte)

Esperando poder contar consigo, agradecemos a confirmação (se possível) da sua presença, bem como a divulgação deste evento.

Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago


Manifesto em defesa da Escola Pública


A Educação é um dos instrumentos fundamentais no combate à desigualdade, pois contribui, de modo decisivo, para a formação e a preservação de valores sociais, cívicos e culturais essenciais, e reveste-se de particular importância para a entrada e permanência das pessoas no mercado de trabalho e para o desenvolvimento da sua vida profissional.

Compete ao Governo mobilizar e garantir recursos necessários para que o Estado assegure Escolas Públicas com qualidade, que permitam o acesso a todas as crianças, jovens e cidadãos em igualdade de circunstâncias, independentemente das suas condições económicas e sociais.

As opções neoliberais do Governo estão a conduzir a uma escola menos pública, menos democrática, menos inclusiva, orientada para a certificação e o registo estatístico do sucesso, em detrimento do conhecimento e do saber, voltada para responder mais às necessidades dos grandes interesses económicos do que à importância da formação integral dos cidadãos.

Tem sido visível um progressivo desinvestimento na Educação, como prova o decréscimo real de verbas dos últimos anos, com impacto mais significativo nos orçamentos dos estabelecimentos públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico, Secundário e Superior. A dita reorganização do 1.º Ciclo do Ensino Básico está a levar ao encerramento de milhares de escolas e, em muitos casos, à entrega da iniciativa ao sector privado. A privatização de diversos serviços nas escolas básicas e secundárias, a abertura de linhas de privatização na promoção de actividades que se integram no âmbito das áreas curriculares, a criação de uma empresa para gerir as escolas secundárias, a profunda alteração da natureza pública das instituições de ensino superior ou o desenvolvimento das chamadas parcerias público/privado são apenas alguns exemplos do ataque que o Governo tem desferido contra a Escola Pública.

As alterações impostas à legislação sobre Educação Especial põem em causa o direito das crianças e jovens com necessidades educativas especiais a apoio específico especializado e os princípios essenciais da escola inclusiva, inscritos em recomendações internacionais subscritas pelo Estado Português.

A instrumentalização de indicadores referentes ao abandono e insucesso escolares, e muita da certificação de competências, têm sido usados pelo Governo com objectivos essencialmente de leitura estatística, postergando a imperiosa necessidade de alcançar níveis de aprendizagem e formação consolidados, que dotem os cidadãos dos instrumentos indispensáveis ao exercício de uma cidadania activa, à aprendizagem ao longo da vida e à adaptação permanente a um mundo em constante mudança, constituindo, desta forma, também uma perda irreparável de fundos comunitários e uma oportunidade mal aproveitada no sentido da indispensável qualificação dos portugueses.

Na mesma linha de orientação, o Governo burocratizou o exercício da profissão docente e almeja transformar os professores e educadores em profissionais acríticos e simples executores de tarefas, trabalhando em condições de crescente precariedade e amputados de direitos conquistados em mais de três décadas de regime democrático.

Em todos os sectores de educação e ensino, o Governo tenta pôr fim ao que resta da participação democrática na direcção e gestão das escolas, através de legislação que põe em causa princípios fundamentais da Lei de Bases do Sistema Educativo e mesmo da Constituição da República.

De impacto muito negativo para a qualidade da Escola Pública é, também, o ataque sem precedentes que está a ser desferido contra os profissionais da Educação, docentes e não docentes, com a liquidação de aspectos fundamentais das suas carreiras profissionais, a introdução de novos e mais graves focos de instabilidade, a par de uma campanha pública de desvalorização social da sua imagem, com consequências que estão, ainda, por apurar na íntegra, mas a que não é alheio o crescente número de situações de indisciplina e violência nas escolas.

É igualmente inaceitável que, para as famílias, os custos da Educação tenham aumentado mais de 30% nos últimos seis anos, ao mesmo tempo que a acção social escolar estagnou em níveis claramente insuficientes, incapazes de constituírem o factor de discriminação positiva que se exige num país marcado por taxas de desemprego, pobreza e precariedade muito elevadas, ao mesmo tempo que o nível dos salários dos trabalhadores portugueses se apresenta como um dos mais baixos da União Europeia a 15 membros.

Os portugueses têm razões para afirmar a sua oposição às políticas que o Governo assume na área da Educação.

Os cidadãos e entidades subscritores defendem uma Escola Pública democrática, de qualidade e para todos, pelo que exigem ao Governo e à Assembleia da República uma mudança de rumo na política educativa, no sentido de serem respeitados os preceitos constitucionais, a Lei de Bases do Sistema Educativo e de serem aprovados outros instrumentos legais que promovam a Escola Pública Portuguesa.

PARA SUBSCRIÇÃO INDIVIDUAL

NOME __________________________________________________________________________

LOCALIDADE _____________________________________________________________________

PARA SUBSCRIÇÃO DE ENTIDADE OU ORGANIZAÇÃO

Designação da Entidade ____________________________________________________________

Morada _______________________________________________________C. Postal ___________

Tlf. _________________ Fax _______________ E. mail ___________________ @ ____________

Assinatura e Carimbo

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Fenprof