terça-feira, setembro 13, 2011

Portagens na Via do Infante: “o tempo é de acção e não de resignação”

Promotores dos protestos contra a introdução de portagens na Via do Infante-Algarve anunciam, em comunicado de imprensa, nova iniciativa para 8 de Outubro. Grupo Parlamentar Izquierda Unida Los Verdes na Andaluzia apresenta proposta de lei contra introdução destas portagens.
Protesto contra as portagens na Via do Infante, no Algarve,que chegou a cortar a EN125. Foto Luís Forra/LUSA.
Protesto contra as portagens na Via do Infante, no Algarve,que chegou a cortar a EN125. Foto Luís Forra/LUSA.
Numa nota de imprensa assinada pelos movimentos CUVI – Comissão de Utentes da Via do Infante, Movimento [Facebook] Algarve – PORTAGENS NA A22 NÃO!, CFC – Movimento com Faro no Coração e Moto Clube de Faro, os promotores dos protestos contra a introdução de portagens na Via do Infante-Algarve sublinham que “as portagens irão mergulhar o Algarve na catástrofe, com mais falências e encerramentos de empresas, com um acréscimo de milhares de desempregados” e afirmam que “o tempo é de acção e não de resignação”.
Nesse sentido, os movimentos anunciam uma nova acção de protesto para dia 8 de Outubro, que consiste numa marcha lenta pela EN125, “envolvendo diversos tipos de viaturas, como veículos pesados, carros ligeiros e motos, terminando com uma concentração no final”.
Grupo Parlamentar Izquierda Unida Los Verdes na Andaluzia contesta portagens na A-22
O Grupo Parlamentar Izquierda Unida Los Verdes na Andaluzia apresentou uma proposta de lei na qual propõe que “o Parlamento da Andaluzia inste o Conselho de Governo para que por sua vez este inste o Governo espanhol para que utilize todas as vias de diálogo ao seu alcance para evitar a imposição de um sistema de portagens na denominada Auto-estrada do Algarve (A-22) pela sua repercussão negativa na economia e na província de Huelva”.
Este grupo parlamentar propõe ainda que “ o Parlamento da Andaluzia concorde em apresentar uma queixa à União europeia e propor uma reflexão ao Governo da República de Portugal sobre a sua pretensão de impor esta medida em momentos tão delicados para o emprego e o desenvolvimento económico tanto em Portugal como em Espanha, solicitando, em todo o caso, antes da sua entrada em funcionamento, que se estudem as consequências da mesma na economia dos territórios afectados em Portugal e Espanha”.
Esquerda.net

domingo, setembro 11, 2011

O Segundo Cavaquismo, como justa catarse do Primeiro

NATO resgata o euro na Líbia

– A intervenção da NATO é para resgatar bancos franceses e o euro

por Xander Meyer
Nestes últimos meses demasiados absurdos têm sido anunciados acerca da guerra "humanitária" da NATO contra a Líbia, chamada de necessária mas de facto escandalosa, na qual pereceram cerca de 50 mil pessoas. Assim, colocámos lado a lado alguns factos que mostram as razões reais para expulsar Kadafi. Elas nada têm a ver com o seu não existente "derramamento de sangue", mas tudo a ver com o resgate dos perturbados bancos franceses e com eles o euro. Veja como – mais uma vez – você foi terrivelmente enganado pelos políticos e os media.

É um facto que em relação a países como o Bahrain, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos não foram planeadas quaisquer intervenções para expulsar os ditadores que os dominam. Ao contrário: países europeus como a Alemanha oferecem a estes regimes conhecimento profissional e armas. Então, por que uma intervenção na Líbia?

Em Outubro de 2010, Nuri Mesmari, chefe do secretariado de Kadafi, foi interrogado em Paris pelos serviços secretos franceses. Em medias asiáticos, dentre outros, foi informado que Mesmari teria revelado segredos de estado líbios contra um importante pagamento. Para o presidente Sarkozy isto foi uma bofetada na cara, em particular porque Kadafi teria a intenção de retirar todos os milhares de milhões líbios da Europa. Estes activos estavam em especial com bancos franceses e seriam transferidos para a Ásia.

Medo do colapso de bancos franceses

Sarkozy temia que este passo teria consequências de longo alcance para os bancos franceses que de qualquer forma já estavam com perturbações e que não sobreviveriam à retirada dos milhares de milhões do petróleo líbio. E se bancos franceses entrassem em colapso, a França não seria capaz de participar mais nos Fundos de Resgate Europeus, os quais também fracassariam. Haveria uma cadeia de reacções que poriam em perigo a continuação do euro e toda a zona euro.

Também desempenhou um papel o facto de Kadafi ter anunciado que já não compraria o avião caça francês Rafale e de qualquer forma não encomendaria a construção de uma central nuclear líbia à França. A corporação francesa Total queria novos contratos de petróleo na Líbia, mas Kadafi concedeu-os à companhia italiana ENI (Kadafi e o primeiro-ministro italiano, Berlusconi, são bons amigos).

O resto passou-se aproximadamente como o golpe de estado no Irão em 1953. Então foi a CIA que o pôs de pé, agora foi a França que fez o mesmo na Líbia. No respeitado Asia Times está tudo descrito em pormenor. Primeiro a França assegurou-se do apoio da Arábia Saudit e do Bahrain com a promessa de deixar estes regimes em paz com as suas violações de direitos humanos. Ambos os regimes árabes arranjariam o apoio da Liga Árabe. "Naturalmente", os EUA, juntamente com alguns países europeus (dentre os quais a Holanda) também participaram para impedir o colapso dos bancos franceses.

Insurgência dos rebeldes organizada pela França

Bernard Henri-Lévy, filósofo francês e querido dos media, foi despachado para Bengazi a fim de se tornar o porta-voz do "movimento rebelde" que foi amalgamado pelos serviços secretos ocidentais. Na presença dos media a trombetearem, Henri-Lévy telefonou de Bengazi para Sarkozy e anunciou o início do movimento democrático líbio que destituiria Kadafi. A seguir, os saldos líbios na banca foram congelados e os bancos franceses foram – temporariamente – resgatados.

Todo o circo parecia bastante convincente para os povos do ocidente. Na Líbia, a rivalidade existente entre diferentes tribos foi explorada para fazer com que os media relatassem passo a passo acerca de conquistas fictícias de territórios. A fase seguinte também foi planeada previamente: o apoio a estes rebeldes por parte da NATO.

Há informações de que a CIA teria transferido 1500 caças do Afeganistão para a Líbia a fim de apoiar os rebeldes vieram de círculos governamentais paquistaneses, cujo relacionamento com a CIA esfriou abaixo do ponto de congelamento. Desde a eliminação de Osama bin Laden, o Paquistão, irritado, começou a difundir toda espécie de falsos rumores acerca da CIA. Um dos rumores foi a transferência de centenas de persas e uzbeques para a Líbia. Mas numerosos jornalistas na Líbia que estavam constantemente a acompanhar os rebeldes não encontraram ali um único persa ou uzbeque.

Acordo de petróleo em troca do apoio à insurgência

Retorno à França. Aqui os milhares de milhões do petróleo líbio permanecerão, quanto à parte principal, em mãos de bancos franceses. De provavelmente mais de €10 mil milhões, a França quer entregar no máximo €1,5 mil milhão ao novo governo líbio. E, a propósito, bancos em outros países da UE agora também se podem sentir aliviados. Além disso, em troca destes milhares de milhões eles podem vender um bocado de mercadorias à Líbia. Finalmente, o novo governo líbio terá de mostrar sua gratidão pela "libertação" do seu país. Os media anunciaram hoje (1/Setembro/2011) que a França na verdade fez um acordo petrolífero secreto com os rebeldes em troca do apoio francês à rebelião contra Kadafi. [3]

Logo se verificará se a Líbia ainda decidirá comprar os caças a jacto franceses, encomendar a construção de uma central nuclear aos franceses e conceder concessões petrolíferas à Total francesa. Além disso, os serviços secretos terão de descobrir como podem fornecer trabalho novo aos seus diferentes contactos. A dama holandesa proxeneta de Kadafi já foi interrogada pelo AIVD, o serviço de segurança e inteligência holandês. Ela havia fornecido as prostitutas necessárias ao regime e talvez possa fazer o mesmo para as novas pessoas no poder.

França distribui o botim de guerra

De modo que agora se sabe como o "democrático" movimento líbio de rebelião saiu cá para fora e o que estava por trás deles. Cerca de 50 mil pessoas deram as suas vidas para evitar o colapso de bancos franceses e adiar por algum tempo o colapso do euro. Hoje (01/Setembro/2011) há uma conferência da "reconstrução" em Paris, onde mais de €34 mil milhões que a Líbia tem em contas bancárias ocidentais serão "distribuídos". Sarkozy posicionou-se como o grande homem da reconstrução da Líbia. Dizendo isto de outro modo: ele manterá a maior parte do botim em França por meios de contratos de milhares de milhões de euros com os novos líbios no poder.

Sábado passado anunciámos que brigadas relacionadas com a Al Qaeda se tornaram as mestras de Tripoli. Ontem o presidente dos EUA, Obama, confirmou isto. [2] Em suma: as pessoas contra as quais o ocidente combate em países como Afeganistão e Iraque, a Al Qaeda, são os mesmos extremistas muçulmanos que a NATO colocou sobre a sela na Líbia. É mais uma prova de que os princípios do ocidente são de valor nulo desde que dinheiro (grande) esteja envolvido. As senhoras proxenetas reais encontram-se na elite do poder financeiro e político.

Médio Oriente em chamas e fogo?

Enquanto isso, o grande jogo (final) continua. Sarkozy já anunciou publicamente que a República Islâmica do Irão pode ser o próximo alvo. Também os preparativos turco-sauditas para intervenção militar na Síria estão encaminhados. Você verá que a próxima grande guerra, que pode atear fogo a todo o Médio Oriente – e talvez mesmo países de fora dele – será apresentada pelos media como uma "surpresa completa", exactamente como a revolução líbia planeada pela França. [1]
(1) KOPP
(2) DEBKA
(3) NU


O original (em holandês) encontra-se em http://xandernieuws.punt.nl/?id=639168&r=1&tbl_archief
A versão em inglês encontra-se em http://www.courtfool.info/en_NATO_rescues_euro_in_Libya.htm


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

POR FIM "LIVRES"
Cartoon de Vicman.


NÃO HÁ ALEGRIA E SIM TERROR
NÃO HÁ LIBERDADE E SIM OCUPAÇÃO ESTRANGEIRA

A agressão imperialista contra a Líbia consumou-se com a tomada de Tripoli.
Os bandos de "rebeldes" do Conselho Nacional de Transição, arvorando a bandeira da defunta monarquia líbia, serviram apenas como encobrimento da intervenção activa da NATO. Os seus bombardeamentos selvagens contra alvos civis e os seus helicópteros artilhados é que decidiram esta guerra não declarada.
Milhares de líbios morreram sob a agressão da NATO, mandatada pela ONU para "salvar vidas". Registe-se a bravura e coragem do governo Kadafi, que aguentou durante seis meses uma guerra impiedosa promovida pelas maiores potências do planeta. A ficção de que se tratava de uma guerra "civil" foi completamente desmentida pelos factos. Foram precisos 8000 raids de caças-bombardeiros da NATO para decidir esta guerra neocolonial.
O futuro próximo da Líbia é negro. As suas reservas monetárias e financeiras – depositadas em bancos ocidentais – foram roubadas pelas potências imperiais (tal como aconteceu com as do Iraque). E os abutres vão agora à caça dos despojos, à repartição do botim, aos contratos polpudos. Os bandos do CNT, uma vez findo o enquadramento de mercenários, podem começar digladiar-se entre si.
A desinformação sobre a Líbia foi e é gritante em todos os media ditos "de referência". Eles foram coniventes activos da agressão imperialista contra o povo líbio. Hoje, a generalidade dos media já não serve para o esclarecimento e sim para o encobrimento e a mistificação.
In Resistir.info

sábado, setembro 10, 2011

Apesar de não ter chegado a acordo, a FENPROF considera que o regime de avaliação que agora se estabelece integra disposições que melhoram a situação que vigora. São disso exemplo, uma efetiva desburocratização de procedimentos, o alargamento dos ciclos avaliativos ou diversas salvaguardas incluídas, tanto no projeto de diploma legal, como na ata negocial global.

ASPETOS QUE FICARÃO CONSAGRADOS NA ATA NEGOCIAL

TEXTO FINAL

Fenprof

NUNO CRATO NÃO SABE O QUE É UMA ESCOLA

"Nuno Crato não sabe o que é uma escola"!

É assim que, em entrevista ao Correio da Manhã de hoje, disponível em texto e em vídeo, o Professor Santana Castilho, que nos habitou a análises isentas e incisivas, se refere ao Ministro da Educação. O Professor não perdoa a Passos Coelho e a Nuno Crato não só a falta de palavra, como alguma impreparação governativa em geral, e na Educação em particular.

Uma entrevista a ler e/ou a ouvir.
In MUP

(DES)ACORDO SOBRE O MODELO DE AVALIAÇÃO

Continuamos a pensar que a versão do "novo" modelo de avaliação, agora subscrito por alguns sindicatos, de que se destaca a FNE, não é mais do que a "versão três" do modelo de Maria de Lurdes Rodrigues.

De acordo com o Público, a FNE ficou satisfeita com acordo assinado com o Ministério da Educação. O Correio da Manhã destaca o facto de a Fenprof apontar as quotas como motivo do desacordo

Tal como parecia adivinhar-se, tratou-se de um pseudo-acordo que terminou numa espécie de manta de retalhos.

Perdeu-se, assim, uma oportunidade para, a partir de uma suspensão prometida antes das eleições, criar um modelo adequado, sério, credível e que pusesse ponto final em anos de agitação.

Mais informação sobre o "acordo", pode ler-se no CM.
MUP

ADD: QUOTAS E DIRECTORES A AVALIAR PROFESSORES NO TOPO

ADD - A versão acordada

Ontem quando encerrei o "expediente", ainda pouco se sabia acerca de um eventual acordo. As primeiras notícias que foram surgindo indicavam a não assinatura de qualquer acordo. Acabei por ir para a cama com a convicção de que nada havia sido acordado. Hoje, 8 da manhã, ligo a televisão e voilá... A notícia do acordo com uma dúzia de sindicatos permite avançar com um novo modelo de avaliação. Fiquei sem palavras...

Ainda não tive tempo para digerir toda esta situação, no entanto, deixo-vos com o modelo de ADD entretanto acordado. Cliquem na imagem.


Onde anda o Super-ministro Álvaro?

Bloco promove discussão sobre “Os Novos Caminhos da Esquerda em Portugal”

A sessão de abertura do Fórum “Novas Ideias para a Esquerda – Socialismo 2011” foi subordinada ao tema “Os Novos Caminhos da Esquerda em Portugal” e contou com as intervenções dos dirigentes do Bloco José Manuel Pureza e Fernando Rosas e também com as de Alfredo Barroso e Manuel Carvalho da Silva.
Sessão de abertura do “Novas Ideias para a Esquerda – Socialismo 2011” subordinou-se ao tema “Os Novos Caminhos da Esquerda em Portugal”. Foto de esquerda.net.
Sessão de abertura do “Novas Ideias para a Esquerda – Socialismo 2011” subordinou-se ao tema “Os Novos Caminhos da Esquerda em Portugal”. Foto de esquerda.net.

José Manuel Pureza frisou o “tempo de esmagamento de várias tipologias de direitos” que estamos a viver actualmente, e que abrange não só os direitos sociais como também “os direitos civis e as liberdades básicas”, e a necessidade de responder à “radicalização deste retrocesso” pelas mãos da direita no poder.
O dirigente bloquista denunciou também “a estratégia de branqueamento das responsabilidades” de quem determinou a entrada em funções desta direita radical, que nos quer convencer que, afinal, deveríamos aceitar o “mal menor”.
Perante a descaracterização da democracia e a descaracterização do Estado Social, o Bloco pretende, com este fórum, e segundo esclareceu José Manuel Pureza, “criar todas as reflexões com vozes muito plurais, com encontros e desencontros de argumentos para criar condições de uma esquerda que reganhe iniciativa, reganhe capacidade de apresentar programa para transformar a vida das pessoas”.
A crise da social democracia
Alfredo Barroso falou sobre a crise da social democracia e sobre “a ausência de uma estratégia política e económica alternativa, genuinamente social democrata ou socialista”, por parte do Partido Socialista, no caso português, mas também da maioria, senão de todos os partidos sociais democratas, a nível europeu.
“A maioria dos partidos da internacional socialista foi-se tornando, paulatinamente, sobretudo a partir da última década do século passado, numa variante social democrata do neoliberalismo”, sublinhou Alfredo Barroso, acrescentando que a social democracia “contribuiu para a colonização da sociedade civil por uma espécie de senso comum neoliberal”, uma “hegemonia cultural que a direita conseguiu impor e consolidar para melhor exercer o poder político em democracia”.
Os partidos sociais democratas renderam-se, segundo Alfredo Barroso, ao centrismo, sendo que o centro do centro é o “território propício a todas as renúncias ideológicas e a todas as abdicações políticas”.
Para Alfredo Barroso a alavancagem para sair desta situação deve passar, entre outros, pelo aumento salarial, pela aplicação de impostos sobre os rendimentos e pela taxa Tobin sobre as transacções financeiras.
Portugal necessita de “reformas efectivas e rupturas inadiáveis”
O dirigente da intersindical CGTP, Carvalho da Silva, salientou a necessidade de levar a cabo um “esforço redobrado na construção de propostas e caminhos alternativos” para contrariar o “destino de retrocesso para onde estamos a ser conduzidos”, sendo que são necessárias, no nosso país, “reformas efectivas e rupturas inadiáveis”.
Carvalho da Silva lembrou o ataque feroz que tem sido perpetuado contra os sindicatos, e que é bem retratado nas recentes declarações de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas que se referiram àqueles que quereriam incendiar as ruas e aos perigos de uma “onda de greves sistemáticas”, respectivamente.
Carvalho da Silva aponta quatro grandes desafios para a esquerda. Um deles passa pela reconstrução do lugar do trabalho na economia e na sociedade, o que implica, entre outros, um combate implacável contra o desemprego, que constitui um poderoso instrumento usado para baixar os patamares sociais e civilizacionais.
Para o dirigente sindical, o segundo grande tema para as esquerdas será “o Estado Social associado a três coisas”: o Estado e a Economia; o conceito de serviço público e os direitos sociais; e a cidadania.
Outro desafio passará, segundo Carvalho da Silva, por um forte combate ideológico que aposte na desconstrução, reconstrução e criação de novos conceitos contra a manipulação levada a cabo pela direita.
Como quarto desafio, o líder da CGTP refere a resposta às grandes mudanças que se operam na sociedade. As esquerdas têm que saber responder ao aumento da esperança de vida, aos processos migratórios, à maior participação das mulheres em diversos sectores da sociedade, avança Carvalho da Silva.
É necessário um “sobressalto da esquerda”
Fernando Rosas fechou as intervenções referindo-se às características desta segunda crise histórica do Estado Liberal, marcada por uma profunda ofensiva contra os custos do trabalho, por uma evolução do capital produtivo para o capital especulativo, pela liquidação do Estado Social, pela privatização de sectores estratégicos da economia, pelo “relançamento de um novo colonialismo imperial através das guerras internacionais”.
Para atingir estes cinco objectivos, o dirigente bloquista afirma que é utilizado o recurso a uma “economia da violência”, que passa, a nível laboral, pelo esvaziamento dos sindicatos e a nível do Estado democrático parlamentar pela centralização anti democrática do poder.
Para contrariar esta contra revolução neoliberal e a ideologia da inevitabilidade que nos tem sido imposta, é necessário, segundo defende Fernando Rosas, um “sobressalto da esquerda”.
Para resistir e transformar, é necessário “ter a sabedoria, a humildade e a coragem de trabalhar” com várias forças de esquerda a nível nacional e internacional, sendo que “a esquerda hoje são todas as forças sociais que se opõem ao programa do neoliberalismo”, e o “divisor de águas em Portugal é o memorando da troika”.
Esquerda.net

quarta-feira, setembro 07, 2011

Debate sobre os caminhos da esquerda abre Fórum Socialismo 2011

Carvalho da Silva e Alfredo Barroso participarão no debate “Os caminhos da esquerda em Portugal”, juntamente com Fernando Rosas e José Manuel Pureza. O debate terá lugar sexta feira às 21.30h em Coimbra e dará início ao Fórum Novas Ideias para a Esquerda, que decorrerá de 9 a 11 de Setembro.
Plenário do Fórum Socialismo 2011 - Foto de Paulete Matos
Plenário do Fórum Socialismo 2011 - Foto de Paulete Matos
Nos próximos sexta, sábado e domingo (9 a 11 de Setembro) tem lugar em Coimbra, na Escola Secundária José Falcão, o Fórum Socialismo 2011. O fórum é um espaço aberto de discussão de ideias para a alternativa, com mais de 40 plenários, aulas e workshops sobre Economia, História, Cultura e Política (aceda ao programa completo).
A inscrição é gratuita e poderá ser feita enviando os dados para o e-mail socialismo2011@bloco.org. Existem refeições na cantina da escola para quem quiser participar e estão a ser organizados autocarros de Lisboa e Porto, mediante o numero de inscrições. A escola está geograficamente localizada a cerca de 400m do centro e a 50m da Pousada da Juventude. A iniciativa é gratuita, a entrada é livre, a participação também.

terça-feira, setembro 06, 2011

Portugal em Saldos.

Crescem temores de nova recessão global

Mini-crash das bolsas europeias é sintoma das perspectivas sombrias. “Lembra os dias que precederam o colapso do banco Lehman Brothers”, diz o presidente do Deutsche Bank. BCE duplica compra de títulos da dívida soberana, mas juros da dívida italiana sobem pelo 11º dia consecutivo.
Lagarde: "recessão iminente". Foto de World Economic Forum
O presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, disse numa entrevista à Der Spiegel que a actual volatilidade dos mercados “lembra os dias que precederam o colapso do banco Lehman Brothers”. O mini-crash das bolsas de valores europeias desta segunda-feira veio ilustrar a dita “volatilidade”: a bolsa de Frankfurt perdeu 5,28%, a de Londres 3,58%, a de Lisboa 2,82%. Os bancos foram particularmente castigados nas bolsas: as acções do Royal Bank of Scotland Group caítam 12%, as do Deutsche Bank perderam 8,9%, mesmo índice da queda das acções do Société Générale. O Barclays caiu 6,7% e o HSBC Holdings 3,8%.
As declarações durante o fim-de-semana de autoridades financeiras em nada contribuíram para desanuviar o horizonte de agravamento da crise.
No sábado, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciava que o mundo entrou numa “nova zona de perigo”. No domingo, foi a vez de a directora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertar para o risco de uma recessão global "iminente".
Sexta-feira, ficou-se a saber que a criação de novos empregos nos Estados Unidos em Agosto foi zero.
Itália na berlinda
Também a crise da dívida parece não dar tréguas. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, anunciou que na semana passada aquela instituição investiu 13.305 milhões de euros na aquisição de dívida soberana dos países da zona euro, duplicando a compra destes títulos em relação à semana anterior. Segundo analistas ouvidos pelo El País, as compras do BCE ter-se-iam centrado na aquisição de títulos das dívidas de Espanha e Itália.
Apesar disso, os títulos da dívida italiana voltaram a crescer pelo 11º dia consecutivo, negociando os bónus a dez anos a juros de 5,55%.
A chanceler alemã, Angela Merkel teria dito a deputados do seu partido que as situações da Grécia e de Itália são "extremamente frágeis". Já presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que "os mercados vêem que há problemas na aplicação dos planos de ajustamento na Grécia e Itália" e que, por isso, "a Europa deve aumentar a pressão para que levem a cabo as medidas que desenharam". Recorde-se que a Itália tem a 8ª maior economia do mundo.
Trichet, por seu lado, instou os países do euro a aplicar o quanto antes as medidas de ajuda aos Estados-membros com problemas de dívida, e pediu que avance a integração económica e que se incentive o crescimento e o emprego.
Só o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, manteve o tom optimista, afirmando que a zona Euro registará nos próximos meses um crescimento económico moderado: "Não antecipamos uma recessão na Europa", afirmou, na Austrália.

Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição

por MINREX
O Ministério das Relações Exteriores efectuou a retirada do seu pessoal diplomático na Líbia, onde a intervenção estrangeira e a agressão militar da NATO agudizaram o conflito e impediram o povo líbio de avançar para uma solução negociada e pacífica, no pleno exercício da sua autodeterminação.

A República de Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição nem nenhuma autoridade provisória e só dará o seu reconhecimento a um governo que se constitua nesse país de maneira legítima e sem intervenção estrangeira, mediante a vontade livre, soberana e único do povo irmão líbio.

O embaixador Víctor Ramírez Peña e o primeiro secretário Armando Pérez Suárez, acreditados em Tripoli, mantiveram uma conduta impecável, estritamente apegada ao seu estatuto diplomático, correram riscos e acompanharam o povo líbio nesta trágica situação. Foram testemunhas directas dos bombardeamentos da NATO sobre objectivos civis e da morte de pessoas inocentes.

Com o grosseiro pretexto da protecção de civis, a NATO assassinou milhares deles, desconheceu as iniciativas construtivas da União Africana e de outros países e, inclusive, violou as questionáveis resoluções impostas pelo Conselho de Segurança, em particular com o ataque a objectivos civis, o financiamento e fornecimento de armamento a uma parte, bem como a instalação de pessoal operacional e diplomático no terreno.

As Nações Unidas ignoraram o clamor da opinião pública internacional, em defesa da paz, e tornaram-se cúmplices de uma guerra de conquista. Os factos confirmam as advertências prévias do comandante em chefe Fidel Castro Ruz e as oportunas denúncias de Cuba na ONU. Agora sabe-se melhor para que serve a chamada "responsabilidade de proteger" nas mãos dos poderosos.

Cuba proclama que nada pode justificar o assassinato de pessoas inocentes.

O Ministério das Relações Exteriores reclama a cessação imediata dos bombardeamentos da NATO que continuam a ceifar vidas e reitera a urgência de que se permita ao povo líbio encontrar uma solução pacífica e negociada, sem intervenção estrangeira, no exercício do seu direito inalienável à independência e à autodeterminação, à soberania sobre os seus recursos naturais e à integridade territorial dessa nação irmã.

Cuba denuncia que a conduta da NATO destina-se a criar condições semelhantes para uma intervenção da Síria e reclama o fim da ingerência estrangeira nesse país árabe. Apela à comunidade internacional a impedir uma nova guerra, insta as Nações Unidas a cumprirem seu dever de salvaguardar a paz e proteger o direito do povo sírio à plena independência e autodeterminação.

Havana, 3 de Setembro de 2011.
O original encontra-se em www.cubadebate.cu/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, setembro 04, 2011

Conclusões do relatório do tribunal de contas acerca da Câmara Municipal de Portimão.

Link para o relatório completo: http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2011/2s/audit-dgtc-rel019-2011-2s.pdf

Conclusões do relatório do tribunal de contas acerca da Câmara Municipal de Portimão. Grave! Muito grave!


Foi tornado público o relatório do tribunal de contas sobre a situação financeira e orçamental de Portimão referente ao período de 2007 – 2009.

É um relatório com alguma extensão, pelo que vou publicar aqui as conclusões relativas a esta auditoria.

Chamo a vossa especial atenção para a gravidade das conclusões a que chegou o tribunal de contas.

Tomei a liberdade de por a negrito algumas frases particularmente graves.


Tribunal de Contas


Auditoria Orientada – Relações contratuais entre o Município de Portimão e SEL Página 5 de 43 Mod. TC 1999.001


1. CONCLUSÕES Atentas as observações expressas no presente documento, referentes à auditoria ao Município de Portimão orientada às relações contratuais com o sector empresarial local, extraem-se as seguintes
principais conclusões:
Situação financeira e orçamental (2007 – 2009)

(a) A situação líquida patrimonial do Município de Portimão (MP) degradou-se
significativamente entre os exercícios de 2007 e 2009, tendo os fundos próprios, excluindo
o valor contabilístico dos bens de domínio público, diminuído cerca de M€ 31,7 (21%) (vide
Ponto 5.2);

(b) Entre 2007 e 2009, a dívida a fornecedores cresceu mais de M€ 43,2 (346%) e representou, respectivamente, cerca de 41%, 57% e 60% do passivo1. Em igual sentido evoluíram as dívidas exigíveis a médio e longo prazo, decorrentes, exclusivamente, de empréstimos bancários, as quais se cifraram em cerca de M€ 15 em 2007, e ascendiam em 2009 a mais de M€ 29,3, reflectindo um crescimento de cerca de 94,6% (vide Ponto 5.2);

(c) Acresce que, no mesmo período, o município não dispôs de capacidade de cobertura do
serviço da dívida por via dos resultados operacionais, uma vez que estes foram
acentuadamente negativos (vide Ponto 5.2);

(d) O município apresenta uma incapacidade crescente em gerar activos que possibilitem a satisfação das obrigações exigíveis no curto prazo (vide Ponto 5.2);

(e) As taxas de execução orçamental são significativamente baixas, situação que se acentuou
ao longo do triénio, registando-se, em 2009, execuções orçamentais da despesa e da receita inferiores a 41% (vide Ponto 5.2);

(f) Em 31 de Dezembro de 2009, o MP apresentava um défice orçamental de €75.894.380,65 (vide Ponto 5.2);
1 Exceptuando as contas “provisões para riscos e encargos” e os “acréscimos e diferimentos”.
Auditoria Orientada – Relações contratuais entre o Município de Portimão e SEL Página 6 de 43 Mod. TC 1999.001



(g) No decorrer da execução do orçamento do ano de 2009, verificou-se a existência de um défice orçamental corrente, em desrespeito pelo princípio do equilíbrio previsto na al. e) do ponto 3.1.1 do POCAL.
A violação das normas sobre a elaboração e execução orçamental é susceptível de configurar eventual responsabilidade financeira sancionatória, nos termos da al. b) do n.º 1 do art. 65º da Lei n.º 98/97, de 26.08.
A responsabilidade recai sobre os membros da CMP que alteraram e executaram o orçamento de 2009 (vide Ponto 5.2);
(h) EM 2009 o MP ultrapassou em cerca de M€ 2,5 o limite legalmente estabelecido para os empréstimos de médio e longo prazo.
A ultrapassagem dos limites legais de endividamento é susceptível de configurar eventual responsabilidade financeira sancionatória,
nos termos da al. f) do n.º 1 do art. 65º da Lei n.º98/97, de 26.08.

A responsabilidade recai sobre os membros da CMP a quem incumbe a execução do orçamento (vide Ponto 5.3.3.2)

Relações financeiras com o SEL

(i) Em 05.03.2010, foi concretizado o processo de fusão de quatro empresas municipais numa
única sociedade anónima de capitais públicos integralmente subscritos pelo Município
(Portimão Urbis, SGRU, S.A., E.M.), mantendo-se em actividade a EMARP - Empresa
Municipal de Águas e Resíduos de Portimão, E.E.M. (vide Ponto 5.3.1);

(j) Em desrespeito pelo disposto no art. 16º do RJSEL, aprovado nos termos da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, a CMP não aprovou nem emitiu documentos contendo orientações estratégicas dirigidas às empresas do SEL (vide Ponto 5.3.1);

(k) O MP não celebrou quaisquer contratos de gestão com os gestores das empresas
municipais (vide Ponto 5.3.3.1);

(l) Da análise ao teor dos contratos-programa seleccionados, conclui-se que não foram
estabelecidos quaisquer indicadores de medição de realização dos mesmos, tal como não
foram objectivamente justificados os montantes da contribuição pública assumida pelo MP
(vide Ponto 5.3.3.1);

(m) Nos exercícios de 2008 e 2009 encontravam-se em vigor vários contratos de cessão de
créditos das empresas municipais sobre a autarquia, no valor global de M€ 28,8 (vide Ponto
5.3.4);

(n) As operações de cessão de créditos sobre o MP decorrentes do incumprimento sistemático das transferências previstas nos contratos-programa e de gestão são ilegais por não se subsumirem a nenhum dos instrumentos de crédito previstos na lei. Consubstanciam uma forma de contornar os limites de endividamento vigentes através de empresas municipais, contrariando, assim, o disposto no n.º 2 do art. 32º do RJSEL e os arts. 38º e seguintes da Lei de Finanças Locais.

A situação é passível de eventual responsabilidade financeira sancionatória, nos termos da al. b) do n.º 1 do art. 65º da Lei n.º 98/97, de 26.08, e recai sobre os responsáveis das empresas e da CMP que celebraram os contratos de factoring e os acordos de pagamentos e confissões de dívida conexas (vide Ponto 5.3.4).

(o) O MP não concilia periodicamente os saldos existentes com as empresas do SEL, nem
mesmo no âmbito dos procedimentos de encerramento de contas anuais. No âmbito do
exercício do princípio do contraditório, é alegado que foram entretanto instituídos
procedimentos de conciliação de saldos (vide Ponto 5.3.2);

(p) Apuram-se divergências não conciliadas relativamente aos saldos indicados pelas empresas Portimão Urbis, que apresentou um saldo credor sobre o município superior em € 100.000 no exercício de 2008, e EMARP que, relativamente aos anos de 2008 e 2009, indicou um saldo credor, também superior ao do MP em, respectivamente, € 44.853,51 e € 14.808,98
(vide Ponto 5.3.2);

(q) As DF do Município relativas aos exercícios de 2007, 2008 e 2009, não reflectem passivos
nos montantes de, respectivamente, €5.774, €243.750 e €419.485, os quais foram
reconhecidos contabilisticamente em exercícios subsequentes aos que respeitam,
contrariando, assim, o princípio da especialização (ou do acréscimo) previsto na al. d) do
ponto 3.2 do POCAL (vide Ponto 5.3.2);

(r) O montante global transferido para o SEL ao abrigo de contratos-programa e gestão,
aquisição de bens e serviços e cobertura de prejuízos nos termos do art. 31º do RJSEL
ascendeu, nos anos de 2008 e 2009, a cerca de €16,8 milhões, constituindo as
transferências ao abrigo de contratos-programa e de gestão a principal componente
(59,6%) (vide Ponto 5.3.3);

(s) O valor dos encargos assumidos pelo MP e não pagos às empresas municipais em 31.12.2009, ascende a cerca de M€ 22,3 – mais do triplo do registado a 31.12.2007 (cerca de M€ 7), evidenciando a incapacidade da autarquia para solver os compromissos assumidos com o SEL (vide Ponto 5.3.3);
Link para o relatório completo: http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2011/2s/audit-dgtc-rel019-2011-2s.pdf
In Portimão Sempre

Dívida da câmara triplica em 3 anos

Na consequência da publicação do relatório / auditoria, feito pelo tribunal de contas à Câmara Municipal de Portimão, temos hoje esta notícia no jornal "Correio da Manhã":



Dívida da câmara triplica em 3 anos
A dívida do município de Portimão a fornecedores mais do que triplicou entre 2007 e 2009, segundo as conclusões de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas (TC) às relações contratuais entre a autarquia e o sector empresarial local. No final de 2009, o défice orçamental do município ascendia a 75,8 milhões de euros.

De acordo com o TC, em três anos, a dívida a fornecedores aumentou mais de 43,2 milhões de euros, ou seja, 346%. O relatório da auditoria revela ainda que as dívidas exigíveis a médio e longo prazo, decorrentes, exclusivamente, de empréstimos bancários, cifraram-se "em cerca de 15 milhões de euros em 2007 e ascendiam em 2009 a mais de 29,3 milhões, reflectindo um crescimento de 94,6%".

O TC indica ainda que o município "apresenta uma incapacidade crescente em gerar activos que possibilitem a satisfação das obrigações exigíveis no curto prazo". E, no ano de 2009, verificou-se "um défice orçamental corrente", o que se traduz numa violação das normas vigentes e pode configurar eventual responsabilidade sancionatória financeira (multa) para os autarcas que alteraram e executaram o orçamento.

O TC realça ainda que, em 2009, o município "ultrapassou em cerca de 2,5 milhões o limite legalmente estabelecido para empréstimos de médio e longo prazo, o que também poderá configurar eventual responsabilidade financeira.

Em resposta ao TC, a autarquia refere que "o aumento do resultado líquido negativo se deveu, em grande medida, à evolução do ciclo económico conjuntural que se fez sentir no período da auditoria", bem como aos investimentos que efectuou no concelho. E frisa que foi por causa do défice orçamental que avançou com "uma operação de saneamento financeiro".

A autarquia nega, por outro lado, que tenha desrespeitado quaisquer normas legais.

ENDIVIDAMENTO CONTORNADO POR VIA DAS EMPRESAS

O TC revela que, em 2008 e 2009, existiam contratos de cessão de créditos das empresas municipais sobre a autarquia no valor de 28,8 milhões, e que a concessão de crédito dos bancos foi para amortizar dívidas da CMP resultantes do incumprimento das transferências, o que consubstancia uma forma de "contornar os limites de endividamento [...] através das empresas municipais". A autarquia alega ter feito planos de regularização de dívidas com os fornecedores e não com a Banca.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/divida-da-camara-triplica-em-3-anos


Quero destacar as seguintes passagens:



A dívida do município de Portimão a fornecedores mais do que triplicou entre 2007 e 2009.


De acordo com o TC, em três anos, a dívida a fornecedores aumentou mais de 43,2 milhões de euros, ou seja, 346%.


E, no ano de 2009, verificou-se "um défice orçamental corrente", o que se traduz numa violação das normas vigentes e pode configurar eventual responsabilidade sancionatória financeira (multa) para os autarcas que alteraram e executaram o orçamento.


O TC realça ainda que, em 2009, o município "ultrapassou em cerca de 2,5 milhões o limite legalmente estabelecido para empréstimos de médio e longo prazo, o que também poderá configurar eventual responsabilidade financeira.


O TC revela que, em 2008 e 2009, existiam contratos de cessão de créditos das empresas municipais (...) o que consubstancia uma forma de "contornar os limites de endividamento [...] através das empresas municipais".


Mas, alguém ainda tem dúvidas acerca da qualidade das pessoas responsáveis por isto?!
In Portimão Sempre

Professores na rua a 10 de Setembro

Mais informações aqui

quinta-feira, setembro 01, 2011

PROTESTO DE PROFESSORES DESEMPREGADOS

Este protesto está a ser organizado por um conjunto de professores, estando a inforção disponível no Facebook.

PROTESTO DOS PROFESSORES DESEMPREGADOS Sábado, 10 de Setembro · 15:00 - 18:00

Local Praça D.Pedro IV (Rossio), Lisboa

NÃO AO MAIOR DESPEDIMENTO DA HISTÓRIA DO ENSINO

Sem professores não há escola pública de qualidade. Dezenas de milhares de docentes vão ser afastados em Setembro devido aos cortes irresponsáveis impostos às escolas. As consequências serão turmas maiores e menos apoios educativos.

A redução radical do crédito de horas destinadas a projectos escolares e os cortes orçamentais ameaçam a qualidade da escola pública. Os professores que ...ficarem terão ainda mais trabalho e menos salário. Muitos de nós, contratados, que toda uma vida profissional saltámos de escola em escola, sempre deixados de fora da carreira, seremos empurrados da precariedade para o desemprego (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1849014). Este mega-despedimento ataca os nossos direitos mas também a escola pública como parte da democracia.

Dizem-nos que a culpa é da dívida. Mas não fomos nós - professores precários que se sacrificaram anos a fio – que fizemos essa dívida. Cabe a quem brincou com a economia do país e engordou com a crise assumir as suas responsabilidades. Nem os professores, nem a escola, nem os alunos devem pagar essa conta. Em vez de nos lançar na crise, é preciso investir na Escola para o país superar a crise.

Somos professores, somos precários. Em nome dos alunos e do seu sucesso, não baixamos os braços. Em Setembro, varridos das escolas, iremos para a rua. Aqui, solidários com cada escola amputada, estaremos em protesto.

RECUSAMOS O DESEMPREGO
SOMOS INDISPENSÁVEIS
VAMOS SALVAR A ESCOLA PÚBLICA

Professores indignados

Passos ataca imposto sobre grandes fortunas

O primeiro ministro disse em entrevista ao El Pais que taxar as grandes fortunas seria "encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza". Passos segue para Berlim para encontrar-se com Merkel. "Vai a despacho", acusa Miguel Portas.
Passos Coelho está em Berlim para repetir as promessas de austeridade sobre os trabalhadores portugueses.
Passos Coelho está em Berlim para repetir as promessas de austeridade sobre os trabalhadores portugueses. Foto EPA
Questionado pelo diário espanhol sobre o que fará o seu Governo para "reduzir a tremenda assimetria fiscal em Portugal, onde os rendimentos sobre o trabalho são taxados ao dobro dos rendimentos sobre o capital", Passos Coelho recusou a aprovação dum imposto sobre as grandes fortunas, "porque o que precisamos é de atrair fortunas".
Para o primeiro-ministro, "se tivéssemos decidido aumentar a pressão fiscal sobre o capital e as fortunas, teríamos um problema de financiamento da economia mais grave que o que temos". Passos Coelho acrescenta que isso seria "dar um sinal errado", ao "encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza".
Já sobre o papel das agências de rating, que podem descer de novo a classificação portuguesa, Passos Coelho assegurou à imprensa espanhola que "o governo português não vai arvorar nenhuma bandeira contra elas".
Depois do encontro com Zapatero e Rajoy, Passos Coelho encontra-se em Berlim esta quinta-feira com Angela Merkel. Para o eurodeputado bloquista Miguel Portas, Passos vai “convencido, e com algum realismo, que quem manda na UE é a senhora Merkel, e nenhum senhor Van Rompuy ou nenhum senhor Durão Barroso”, pelo que “vai a despacho”, para “receber instruções e apresentar a estratégia que o seu Governo está a seguir, que é de antecipar e reforçar o que Portugal acordou com a troika”.
Miguel Portas diz que haveria decerto temas mais importantes para colocar na agenda do encontro com a chanceler alemã, desde “a questão da valorização do euro face ao dólar, que só beneficia a Alemanha e prejudica países menos competitivos como Portugal” ou a “oposição obstinada da Alemanha à emissão de obrigações europeias”.

sábado, agosto 27, 2011

O capitalismo do desastre lança-se sobre a Líbia


por Pepe Escobar [*]
Cartoon de Victor Nieto. Pense da nova Líbia como o capítulo mais recente da série "Capitalismo do desastre". Ao invés de armas de destruição em massa, temos a R2P ("responsibility to protect"). Ao invés de neoconservadores, temos imperialistas humanitários.


Mas o objectivo é o mesmo: mudança de regime. E o projecto é o mesmo: desmantelar e privatizar completamente uma nação que não estava integrada no turbo-capitalismo; abrir uma outra (lucrativa) terra de oportunidade para o neoliberalismo com turbo-propulsor. A coisa toda é especialmente conveniente porque é um empurrão em meio a uma recessão quase global.


Levará algum tempo; o petróleo líbio não retornará totalmente ao mercado nos próximos 18 meses. Mas há a reconstrução de tudo o que a NATO bombardeou (bem, não muito do que o Pentágono bombardeou em 2003 foi reconstruído no Iraque...)


Seja como for – desde o petróleo à reconstrução – em tese assomam oportunidades de negócio sumarentas. O neo-napoleonico Nicolas Sarkozy, da França, e o britânico David da Arábia Cameron acreditam que estarão especialmente bem posicionados para lucrar com a vitória da NATO. Mas não há garantia que a nova fonte de riqueza líbia seja suficiente para erguer as duas antigas potências coloniais (neo-coloniais?) acima da recessão.


O presidente Sarkozy em particular extrairá as oportunidades de negócios para companhias francesas por tudo que elas valem – parte da sua ambiciosa agenda de "reposicionamento estratégico" da França no mundo árabe. Os complacentes media franceses exultantes dizem que esta foi a "sua" guerra – fiando-se em que ele decidiu armas os rebeldes no terreno com armamento francês, em estreita cooperação com o Qatar, incluindo uma unidade de comando chave rebelde que foi [enviada] por mar de Misrata para Tripoli no sábado passado, no princípio da "Operação Sirene".


Bem, ele certamente viu a oportunidade quando o chefe do protocolo de Muamar Kadafi desertou para Paris em Outubro de 2010. Foi quando o drama da mudança total de regime começou a ser incubado.


Bombas por petróleo


Como observado anteriormente (ver Welcome to Libya's 'democracy' , Asia Times Online, August 24) os abutres já estão a circular sobre Tripoli para agarrar (e monopolizar) os despojos. E, sim, a maior parte da acção tem a ver com negócios de petróleo, como se verifica nesta clara afirmação de Abdeljalil Mayouf, gestor de informação na "rebelde" Arabian Gulf Oil Company: "Nós não temos problemas com países ocidentais como as companhias italianas, francesas e britânicas. Mas podemos ter algumas questões políticas com a Rússia, a China e o Brasil".


Estes três acontece serem membros cruciais do grupo BRICS de economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), as quais estão realmente a crescer enquanto as economias atlantistas que fazem os bombardeamentos da NATO estão ou encravadas na estagnação ou em recessão. Acontece que os quatro principais BRICS também se abstiveram de aprovar a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, a fraude da zona de interdição de voo (no-fly) que se metamorfoseou na mudança de regime conduzida pela NATO. Eles viram correctamente desde o princípio.


Para tornar as coisas piores (para eles), apenas três dias antes de o Africom do Pentágono lançava seus primeiros 150 Tomahawks sobre a Líbia, o coronel Kadafi deu uma entrevista à TV alemã enfatizando que se o país fosse atacado, todos os contratos de energia seriam transferidos para companhias russas, indianas e chinesas.


Assim, os vencedores da mina petrolífera já estão designados: membros da NATO mais monarquias árabes. Dentre as companhias envolvidas, a British Petroleum (BP), a Total da França e a companhia nacional de petróleo do Qatar. Para o Qatar – o qual despachou caças a jacto e recrutadores para as linhas de frente, treinou "rebeldes" em técnicas de combate exaustivas e já administra vendas de petróleo na Líbia oriental – a guerra revelar-se-á uma decisão de investimento muito sábia.


Antes dos longos meses de crise que agora está na sua etapa final com os rebeldes na capital, Tripoli, a Líbia estava a produzir 1,6 milhão de barris por dia. Uma vez retomada a produção os novos dominadores de Tripoli colheriam uns US$50 mil milhões por ano. A maior parte das estimativas estabelece as reservas de petróleo da Líbia em 46,4 mil milhões de barris.


Os "rebeldes" da nova Líbia é melhor não se meterem com a China. Cinco meses atrás, a política oficial da China já era apelar a um cessar-fogo. Se isto tivesse acontecido, Kadafi ainda controlaria mais da metade da Líbia. Mas Pequim – que nunca foi adepta de mudanças de regime violentas – por enquanto está a exercer extrema contenção.


WenZhongliang, o vice-ministro do Comércio, observou deliberadamente: "A Líbia continuará a proteger os interesses e direitos de investidores chineses e esperamos continuar o investimento e a cooperação económica". Numerosas declarações oficiais estão a enfatizar a "cooperação económica mútua".


Na semana passada, Abdel Hafiz Ghoga, vice-presidente do duvidoso Conselho Nacional de Transição (CNT), disse à [agência] Xinhua que todos os negócios e contratos efectuados com o regime Kadafi seriam honrados – mas Pequim não quer correr riscos.


A Líbia forneceu mais de 3% das importações de petróleo da China em 2010. Angola é um fornecedor muito mais crucial. Mas a China ainda é o principal cliente da Líbia na Ásia. Além disso, a China poderia ser muito útil quanto à reconstrução da infraestrutura, o na exportação de tecnologia – não menos de 75 companhias chinesas com 36 mil empregados estavam já no terreno antes de estalar a guerra tribal/civil, rapidamente evacuados em menos de três dias.


Os russos – da Gazprom à Tafnet – tinham milhares de milhões de dólares investidos em projectos líbios, a petrolífera gigante brasileira Petrobrás e a companhia de construção Odebrecht também têm interesses ali. Ainda não está claro que lhes acontecerá. O director-geral do Russia-Libya Business Council, Aram Shegunts, está extremamente preocupado: "Nossas companhias perderão tudo porque a NATO as impedirá de fazerem negócios na Líbia".


A Itália parece ter aprovado a versão "rebelde" do "você ou está connosco ou sem nós". O gigante da energia ENI aparentemente não será afectado, pois o primeiro-ministro Silvio "Bunga Bunga" Berlusconi pragmaticamente jogou fora o seu anterior relacionamento muito estreito com Kadfi, no princípio da profusão de bombardeamentos Africom/NATO.


Directores da ENI estão confiantes em que os fluxos de petróleo e gás da Líbia para o Sul da Itália serão retomados antes do Inverno. E o embaixador líbio na Itália, Hafed Gaddur, reassegurou Roma de que todos os contratos da era Kadafi serão honrados. Por via das dúvidas, Berlusconi encontrará o primeiro-ministro do CNT, Mahmoud Jibril, nesta quinta-feira em Milão.


Bin Laden


O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu – da conhecida política "zero problemas com nossos vizinhos" – também tem estado a louvar os antigos "rebeldes" transformados em detentores do poder. Observando também as possibilidades de negócios pós Kadafi, Ancara – como flanco oriental da NATO – acabou por ajudar a impor um bloqueio naval ao regime de Kadafi, cultivou cuidadosamente o CNT e em Julho reconheceu-o formalmente como o governo da Líbia. Os "prémios" do negócio assomam.


E há ainda a questão crucial: como a Casa dos Saud vai lucrar por ter sido instrumental em estabelecer um regime amistoso na Líbia, possivelmente apimentado com notáveis Salafi. Uma das razões chave para o violento ataque saudita – o qual incluiu um voto falsificado na Liga Árabe – foi o rancor extremo entre Kadafi e o rei Abdullah desde os preparativos para guerra ao Iraque em 2002.


Nunca é demais enfatizar a hipocrisia cósmica de uma monarquia/teocracia medieval – a qual invadiu o Bahrain e reprimiu seus xiitas nativos – que saúda o que podia ser interpretado como um movimento pró-democracia na África do Norte.


Seja como for, é tempo de festa. Aguarda-se o Saudi Bin Laden Group para reconstruir tudo por toda a Líbia – eventualmente transformando o (saqueado) Bab al-Aziziyah num monstruoso e luxuoso Centro Comercial Tripolitania.
[*] Autor de 21 O Século Da Ásia (Nimble Books, 2009), Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) e Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge . Seu último livro é Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). Email: pepeasia@yahoo.com . Para acompanhar o seu artigos sobre a Grande Revolta Árabe, clique aqui .

O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MH25Ak02.html


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Matando a verdade
Mahdi Nazemroaya ameaçado pelos rebeldes ao serviço da NATO


por Michel Chossudovsky
Mahdi Darius Nazemroaya. Mahdi Darius Nazemroaya, juntamente com Thierry Meyssan estão agora isolados no centro de media do hotel Rixos, em Tripoli, em meio do combate do combate pesado que se verifica em torno.


Pedimos aos nossos leitores para reflectir sobre o que Mahdi estava a tentar conseguir no centro de media do Rixos: reportagem factual honesta, com preocupação pela vida humana, em solidariedade com os homens, mulheres e crianças líbios que perderam suas vidas em raids de bombardeamento sobre áreas residenciais, escolas e hospitais.


A vida de Mahdi está ameaçada por nos contar a verdade, por revelar crimes de guerra da NATO.


A "construção da democracia" na Líbia, dizem-nos, exige o bombardeamento extensivo de todo o país, sob o "Responsability to Protect" (R2P) da NATO.


Mas Mahdi questiona tal conceito. Ele desafia os próprios fundamentos da guerra de propaganda, a qual apoia um acto de guerra como esforço de pacificação.


Durante os últimos dias, todo o nosso tempo e energia tem sido dedicado a garantir a segurança de Mahdi, Thierry e vários outros jornalistas independentes aprisionados no Rixos Hotel.


A atmosfera dentro do centro de media do Rixos Hotel, em Tripoli, deve ser entendida.


Os media de referência (mainstream), incluindo a CNN e a BBC, têm ligações directas à NATO, ao Conselho de Transição e às forças rebeldes. Eles estão a servir os interesses da NATO de um modo directo através da maciça distorção dos media.


Ao mesmo tempo, aqueles no Centro de Media do Rixos que estão comprometidos com a verdade são o objecto de ameaças veladas. No caso de Mahdi, as ameaças foram muito explícitas.


Aqueles que dizem a verdade são ameaçados.


Aqueles que mentem e aceitam o consenso da NATO terão as suas vidas protegidas. As forças especiais da NATO a operarem dentro das fileiras rebeldes garantirão a sua segurança.


Neste ambiente repulsivo, romperam-se ligações pessoais. Os jornalistas dos media independentes, bem como aqueles de países não-NATO incluindo China, Irão, América Latina, são considerados "persona non grata" pelos grupos dos media de referência dentro do hotel.


Mahdi diz a verdade. Ele desafia directamente as mentiras dos media de referência.


As reportagens de Mahdi ameaçam o consenso dos media da NATO.


O que ele está a descrever é a destruição de todo um país, das suas instituições, da sua infraestrutura.


Esta matança e destruição, dizem-nos, é necessária para instaurar "democracia" sob a bandeira colonial do rei Idris.


Mentem-nos do modo mais desprezível. As vítimas da agressão da NATO são designadas como "criminosos de guerra", ao passo que os perpetradores da guerra são saudados como Libertadores.


A mentira tornou-se a verdade e é por isso que a vida de Mahdi está ameaçada.


A guerra torna-se paz, de acordo com o consenso da NATO.


A "comunidade internacional" carimbou a campanha de bombardeamento da NATO dizendo que Kadafi é um ditador.


Repetido ad nauseam, as pessoas finalmente aceitam o consenso. A matança é um esforço de pacificação.


Como poderia ser de outra forma: Todos os media, todos os noticiários, por toda a terra, gente no governo, intelectuais, todos aceitaram este consenso.


Realidades são voltadas de pernas para o ar. Pessoas já não são mais capazes de pensar.


Elas aceitam o consenso porque ele emana de uma autoridade superior a qual não ousam questionar.


Isto é de facto a própria base de uma doutrina inquisitorial.


Os suportes "humanitários" da "Responsability do Protect", contudo, superam em muito a Inquisição Espanhola.


O que estamos a tratar é de um dogma que ninguém pode questionar.


Mahdi Nazemroaya desafiou este consenso ao revelar as mentiras dos media de referência.


Uma vez rompido o consenso da NATO, a legitimidade instigadores da guerra entra em colapso como um castelo de cartas.


E é por isso que a vida de Mahdi Nazemroaya está ameaçada.


Isto é uma guerra do século XXI. É uma guerra que afirma não ser guerra.


Todos os protocolos e convenções referentes à guerra deixam de ser aplicados.


O Comité Internacional da Cruz Vermelha não se encontra no terreno. Eles não têm mandato porque oficialmente isto não é uma guerra.


Esta é a mais desprezível e imoral guerra da história, na medida em que mesmo activistas anti-guerra, políticos de esquerda e os chamados progressistas aplaudem-na. "Kadafi é o ditador, ele deve ir".


É uma blitzkrieg com os mais avançados sistemas de armas. Vinte mil raids desde 31 de Março, segundo estatísticas da NATO, cerca de 8000 raids de ataques.


Cada raid de ataque inclui vários alvos, a maior parte dos quais são civis.


Comparar isto com os bombardeamentos da II Guerra Mundial ou do Vietname...


Nossa determinação é trazer Mahdi de volta ao Canadá, garantir o seu retorno seguro.


Divulguem por toda a parte.
24/Agosto/2011/12.22am EDT
VIDEO

Programa da CBC News acerca de Mahdi Nazemroaya difundido hoje, terça-feira, 23 de Agosto de 2011:
http://www.cbc.ca/video/#/Shows/1221254309/ID=2103783289

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=26164


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Carnificina da NATO em Trípoli

por Thierry Meyssan
Sábado, 20 de Agosto, às 20 horas, ou seja, aquando do Iftar, o rompimento do jejum do Ramadan, a Aliança Atlântica lançou a "Operação Sirene".

As Sirenes são os alto-falantes das mesquitas que foram utilizados para lançar um apelo da Al Qaeda à revolta. Imediatamente células adormecidas de rebeldes entraram em acção. Tratava-se de pequenos grupos muito móveis, que multiplicaram os ataques. Os combates da noite fizeram 350 mortos e 3000 feridos.

A situação estabilizou-se na jornada de domingo.

Um barco da NATO atracou ao lado de Trípoli, entregando armas pesadas e desembarcando jihadistas da Al Qaeda, enquadrados por oficiais da Aliança.

Os combates reiniciaram-se à noite. Eles atingiram uma rara violência. Os drones e os aviões da NATO bombardeiam todos os azimutes. Os helicópteros metralham as pessoas nas ruas para abrir o caminho aos jihadistas.

À noite, um comboio de viaturas oficiais transportando personalidades de primeiro plano foi atacado. Ele refugiou-se no Hotel Rixos ou se hospeda a imprensa estrangeira. A NATO não ousou bombardeá-lo para não matar seus jornalistas. O hotel, no qual me encontro, está acossado sob tiro contínuo.

Às 23h30 o Ministério da Saúde não podia senão constatar que os hospitais estão saturados. Contavam-se neste princípio de noite 1300 mortos suplementares e 5000 feridos.

A NATO havia recebido do Conselho de Segurança a missão de proteger os civis. Na realidade, a França e o Reino Unido vêm reatar os massacres coloniais.

01h00 Khamis Kadafi vem pessoalmente trazer armas para defender o hotel. Ele partiu. Os combates em torno são muito duros.
22/Agosto/2011/00h35/Tripoli
O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/Carnage-de-l-OTAN-a-Tripoli

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

É a NATO que faz todo o trabalho militar, não os rebeldes

por Thierry Meyssan
Entrevistado por Silvia Cattori
Silvia Cattori: Aqui tem-se o sentimento de que Tripoli está em vias de colapso. Qual é a vossa opinião?

Thierry Meyssan: Estamos encerrados no Hotel Rixos. Não se pode dizer se tudo vai afundar ou não. Mas a situação é muito tensa. Ontem à noite, no momento da oração, várias mesquitas foram trancadas. De repente, alto-falantes lançaram o apelo à insurreição. Neste momento grupos armados começaram a percorrer a cidade e a atirar para todo lado. Soubemos que a NATO trouxe um barco até as proximidades de Tripoli, do qual foram desembarcadas armas e forças especiais. Desde então as coisas vão cada vez pior.

Silvia Cattori: Trata-se de "forças especiais" estrangeiras?

Thierry Meyssan: Pode-se supor, mas não estou em condições de verificar. Mesmo que estas "forças especiais" sejam formadas por líbios todo o seu enquadramento é estrangeiro.

Silvia Cattori: Qual é a nacionalidade destas "forças especiais"?

Thierry Meyssan: São franceses e britânicos! Desde o princípio, são eles que fazem tudo.

Silvia Cattori: Como é que tudo ruiu subitamente?

Thierry Meyssan: Em 21 de Agosto, no fim do dia, um comboio de viaturas com oficiais foi atacado subitamente. Para se porem ao abrigo dos bombardeamentos os membros deste cortejo refugiaram-se no hotel Rixos, onde reside a imprensa internacional e onde por acaso me encontro eu.

No Hotel Rixos. A partir deste momento o hotel Rixos está cercado. Toda a gente veste colete anti-balas e capacetes. Ouve-se atirar em todos os sentido em torno do hotel.

As forças entradas em Tripoli desde ontem não tomaram nenhum edifício em particular; elas atacaram alvos em certos lugares ao deslocarem-se. Neste momento não há nenhum edifício ocupado. A NATO bombardeia de maneira aleatória para aterrorizar sempre mais. É difícil dizer se o perigo é tão importante quanto parece. As ruas da cidade estão vazias. Toda a gente permanece encerrada na sua casa.

Estamos prisioneiros no hotel. Dito isto, há electricidade e água, não nos estamos a queixar. Os líbios sim. Agora há tiros em redor, uma batalha intensa; já há numerosos mortos e feridos em algumas horas. Mas nós somos preservados. Estamos todos reagrupados na mesquita do hotel. Você ouve tiros neste momento.

Silvia Cattori: Quantos assaltantes cercam vosso hotel neste momento?

Thierry Meyssan: Sou incapaz de dizer. É um perímetro bastante grande porque há um parque em torno do hotel. Penso que se não houvesse senão os assaltantes não seria tão simples tomar Tripoli. Mas se há outras tropas da NATO com eles sim, isso muda tudo, o perigo torna-se grande.

Silvia Cattori: Nas imagens difundidas pelas televisões daqui vê-se que ao longo destes seis meses são excitados que atiram para o ar e que não parecem profissionais...

Thierry Meyssan: Viu-se com efeito bandos que se agitam e que não são formados militarmente. É pura encenação, não é realidade. A realidade é que todos os combates são travados pela NATO; e quando seu objectivo é atingido as tropas da NATO retiram-se. Então chegam pequenos grupos – vê-se de cada vez uma vintena de pessoas – mas na realidade nunca são vistos em acção. A acção são as forças da NATO.

Foi assim que se passou sempre nas cidades que foram tomadas, perdias, retomadas, reperdidas, etc... E cada ocasião são as forças da NATO que chegam em helicópteros Apaches e metralham todo o mundo. Ninguém pode resistir, no terreno, face a helicópteros Apaches que bombardeiam; é impossível. Portanto não são os rebeldes que fazem o trabalho militar, isso é anedota! É a NATO que faz tudo. Depois de eles se retirarem, então vêm "os rebeldes" fazer a figuração. É isso que você vê difundido nas cadeias de TV.

Silvia Cattori: Sabe-se quantos "rebeldes" em armas entraram em Tripoli esta noite? E se células dormentes já estavam lá?

Thierry Meyssan: Sim, com certeza, há células dormentes em Tripoli; é uma cidade com um milhão e meio de habitantes. Que haja células combatentes no interior e perfeitamente provável. Quanto aos assaltantes, mais uma vez, não sei qual é a proporção do enquadramento pelas forças da NATO. A verdadeira questão é saber quantas forças especiais já foram colocadas.

Há agora forças militares do coronel Kadafi na cidade. Elas chegaram bastante tardiamente do exterior. Os assaltantes cercam o hotel. Penso que é impossível esta noite tentarem um assalto contra o hotel.

Silvia Cattori: Houve pânico entre as pessoas que residem no hotel?

Thierry Meyssan: Sim, jornalistas residentes aqui no hotel Rixos entraram completamente em pânico. É um pânico geral.

Silvia Cattori: E você como se sente?

Thierry Meyssan: Eu tento permanecer zen nestas situações!

Silvia Cattori: Quantos jornalistas estrangeiros estão entrincheirados no hotel?

Thierry Meyssan: Eu diria entre 40 e 50.

Silvia Cattori: As pessoas ignoram que onde há jornalistas que cobrem a guerra há sempre um bom número deles que faz informação, que são agentes duplos, espiões...

Thierry Meyssan: Há espiões por toda a parte; mas penso que eles não sabem tudo.

Silvia Cattori: Diz-se aqui que o plano para evacuar os estrangeiros está pronto. Eles vão poder sair...

Thierry Meyssan: A Organização de Emigração Internacional tem um barco que está prestes a atracar no porto de Tripoli para evacuar os estrangeiros, nomeadamente a imprensa, prioritárias neste caso.

Silvia Cattori: E você o que pensa fazer?

Thierry Meyssan: Por enquanto o barco está ao largo; ele não entrou no porto. É a NATO que o impede de atracar. Quando a NATO o autorizar será feita a evacuação.

Silvia Cattori: Esta evolução vos surpreende?

Thierry Meyssan: As coisas aceleraram-se quando chegou o barco da NATO. São combatentes pertencentes às forças especiais da NATO que estão aqui no terreno e é evidente que tudo pode cair rapidamente...

Silvia Cattori: Os citadinos estão todos munidos de fuzis se diz?

Thierry Meyssan: O governo distribuiu quase dois milhões de kalachnikovs no país para assegurar a defesa frente a uma invasão estrangeira. Em Tripoli, todos os cidadãos adultos receberam uma arma e munições. Houve um treino nestes últimos meses.

Silvia Cattori: Os líbios que quisessem não estão em condições de sair para manifestarem-se contra as forças da NATO?

Thierry Meyssan: As pessoas estão paralisadas pelo medo; atira-se de toda a parte; e além disso bombardeia-se.

Silvia Cattori: Vossa posição não é fácil. Entre os jornalistas você deve ter inimigos que querem a vossa pelo por ter contraditado suas versões dos factos!

Thierry Meyssan: Sim. Já fui ameaçado por jornalistas estado-unidenses que disserem que querem matar-me. Mas a seguir apresentaram as suas desculpas... Não tenho dúvida nenhuma sobre suas intenções.

Silvia Cattori: Eles proferiram esta ameaça diante de testemunha?

Thierry Meyssan: Sim, na presença de (...)
Entrevista realizada a partir de Tripoli em 21/Agosto/2011/23h00.

Ver também: TRIPOLI - Témoignage : les journalistes "non alignés" sont menacés de mort (Russia Today)

O original encontra-se em http://www.silviacattori.net/article1829.html


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