sábado, agosto 28, 2021

 

PROGRAMA DA CANDIDATURA BLOQUISTA "MELHOR QUALIDADE E MAIS DIGNIDADE PARA PORTIMÃO!" - IGUALDADE PLENA E DEFESA DAS MINORIAS
 
Um dos Compromissos do Programa da Candidatura Bloquista "Melhor Qualidade e Mais Dignidade para Portimão!" incide sobre a IGUALDADE PLENA E DEFESA DAS MINORIAS no concelho de Portimão e que passa pelas medidas seguintes:
 
- Tornar Portimão uma cidade solidária e inclusiva, combatendo qualquer tentativa de discriminação e protegendo todos sem exceção, incluindo as minorias e as pessoas e grupos mais débeis.
- Implementar e/ou melhorar Planos e Gabinetes Municipais para a Igualdade (no âmbito do apoio às vítimas de violência doméstica), LGBTI+ e para a integração de migrantes e de combate à discriminação, racismo e xenofobia.
- Apoiar o trabalho do Gabinete de Apoio à Vítima (APAV) de Portimão enquanto instituição que promove a proteção, o apoio e a informação de todas as vítimas de crime; promover a não tolerância da violência na comunidade, cooperando com a APAV e apoiando-a nos seus esforços de prevenção da violência e promoção da tolerância, pacificação e harmonia social; e defender uma comunidade sem vítimas de crime, desenvolvendo ações locais em conjunto com a APAV que lutem pela não discriminação e promoção de direitos de grupos mais vulneráveis, como as crianças e jovens, pessoas idosas e mulheres.
- Criação do Conselho Municipal de Imigrantes e Minorias Étnicas, que contribua para a sua legalização, trabalho com direitos, residência e agrupamento familiar, cultura e integração.
- Inclusão social das pessoas com deficiência:
 garantir a existência de parques infantis acessíveis para crianças com deficiência, permitindo assim a estas crianças o direito de brincar nos referidos parques;
 assegurar o acesso à educação, devendo o aluno manter-se no seu grupo de referência e na sua comunidade;
 garantir a acessibilidade/mobilidade executando e/ou melhorando planos municipais nesta área permitindo a eliminação de barreiras arquitetónicas;
 facilitar o acesso à habitação estabelecendo quotas de habitação nas habitações sociais e a custos controlados;
 adotar uma política de transporte e estacionamento, adaptando os transportes urbanos de equipamentos auxiliares de embarque, como rampas, elevadores ou sistemas de rebaixamento, e garantir estacionamento reservado e gratuito nos parques de estacionamento concessionado, junto de equipamentos de utilidade pública; rebaixar passeios e colocar rampas nas passadeiras;
 W.C. públicas adaptadas;
 sinal sonoro nos semáforos;
 corrimãos nos edifícios públicos e nos acessos à praia.
 

Pode ser uma imagem de 10 pessoas, incluindo Miguel Madeira, Joaquina Lourenço, Manuela Porfirio, João Vasconcelos, Pedro Mota, Marilu Batista, Inês Marreiros e Joao Barbara, pessoas em pé e texto que diz "AUTÁRQUICAS2021 VENCER A CRISE, COMBATER AS DESIGUALDADES MELHOR QUALIDADE E MAIS DIGNIDADE PARA PORTIMÃO! JOÃO VASCONCELOS CANDIDATOÀ CM PEDRO MOTA CANDIDATOÀAM VOTA BLOCO."

PLANO DE URBANIZAÇÃO DA UP3 MAIS CONHECIDA POR ZONA DE JOÃO DE ARENS - desafio aos outros candidatos!
 
Car@s munícipes,
 
Em setembro do ano passado a operação de loteamento da UP3 que previa a construção de três hotéis de 5 estrelas na Ponta João de Arens, entre a Praia do Vau e Alvor, voltou a ser alvo de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável por parte da comissão técnica avaliadora. Em maio de 2019 já tinha havido uma primeira declaração desfavorável por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR), o que obrigou os promotores a reformular o projeto e que não passou de uma reformulação de cosmética. Promotores onde se destaca o empresário Pais do Amaral, ex-dono da TVI.
 
Esses 3 hotéis iam ser construídos no único espaço considerado a última área selvagem da cidade junto à orla costeira - é o que deu a governação do PS no concelho de Portimão durante mais de 40 anos, enchendo de betão as nossas paisagens junto ao mar e não só.
O plano de construções foi aprovado em 2008 para a chamada UP3 como Plano Municipal de Ordenamento (Plano de Urbanização/Plano de Pormenor), expediente sem o qual nunca seria aprovado à luz do novo Plano Regional de Ordenamento do território/PROTAL, que proíbe construções a menos de 500 metros da linha da costa. Tratou-se de uma manigância por parte do executivo camarário, na altura, onde os interesses privados passaram a prevalecer sobre o interesse público.
 
Esses 3 hotéis seriam construídos praticamente em cima das arribas e falésias, a menos de 200 e 300 metros da linha da costa, numa zona altamente sensível e perigosa. Mas a gravidade ainda seria maior a avançar todas estas construções, incluindo as áreas complementares. Teríamos a destruição do último reduto natural ainda existente na costa de Portimão, com um inestimável valor social e natural. A sua cobertura vegetal assume características únicas, com coníferas, plantas exóticas e autóctones. Nesta zona encontra-se presente a Linaria Algarviana, assim como a muito rara Cynomorium coccineum. A avifauna também é abundante, numa área muito próxima da Ria de Alvor, integrada na Rede Natura 2000. Teríamos toda a zona descaracterizada, cheia de betão e seria eliminada "a última janela para o mar" no concelho de Portimão. O Plano de Urbanização aprovado em 2008 e revisto pela Câmara em 2012 insere-se parcialmente em Reserva Ecológica Nacional/REN e viola flagrantemente o PROTAL, logo seria ilegal.
 
E, já agora, é preciso relembrar o seguinte: quem apresentou e defendeu com "unhas e dentes" o plano inicial em 2008 (também esteve na sua revisão em 2012), foi o vice-presidente da Câmara Municipal, na altura, o candidato Luís Carito, que agora concorre por uma coligação de direita encabeçada pelo CDS que dá pelo nome de "Portimão mais feliz". Certamente que os portimonenses iriam regressar aos tais "tempos bem felizes" se este candidato voltasse novamente ao poder! João de Arens ficaria de novo ameaçado de destruição pelos interesses imobiliários.
 
Também é preciso relembrar que o Bloco de Esquerda (representado pela minha pessoa e pela camarada Luísa Penisga), como deputados municipais) foi a única força política a se opor frontalmente e a votar contra o projeto inicial apresentado na Assembleia Municipal em 2008 (também votou contra um membro independente). Todas as outras forças políticas votaram a favor do projeto apresentado pela Câmara PS. Depois dessa data o BE continuou a opor-se, pelas razões invocadas, contra o projeto imobiliário, incluindo o projeto "recauchutado".
 
Quem teve um papel decisivo no chumbo dos projetos foi o aguerrido movimento de cidadania denominado "A Última Janela para o Mar" que envolveu e mobilizou centenas, ou mesmo alguns milhares de portimonenses, que apenas pretendem a defesa do ambiente e da qualidade de vida no concelho. Os portimonenses não vão esquecer quem esteve do seu lado, do lado da defesa e preservação do património ambiental e natural ainda existente no concelho, do lado de uma melhor qualidade de vida das atuais e futuras gerações.
 
Depois da nova DIA desfavorável, a Presidente de Câmara e candidata pelo PS referiu que ia "deitar o plano abaixo". Só que nunca mais fez nada. Também não se percebe porque não anulou, não deitou abaixo o plano anteriormente. Tiveram que ser os cidadãos que, com a sua força da cidadania, contribuíram poderosamente para deitar o plano abaixo, como já tinham feito em 2014 com a ilegal Taxa Municipal de Proteção Civil. O que se impõe não é apenas deitar o plano abaixo, mas proceder à sua anulação definitiva.
 
A candidatura bloquista "Melhor Qualidade e Mais Dignidade para Portimão" apresenta no seu programa a "anulação definitiva do Plano de Urbanização da zona de João D’Arens e aquisição pela Câmara destes e de outros terrenos privados com valor ambiental, impedindo a sua betonização". Este é um dos compromissos que tenho com Portimão e que irei cumprir se for eleito Presidente da Câmara.
Assim, lanço um desafio a tod@s @s outr@ candidat@s à Câmara de Portimão: se estão na disposição de assumir a anulação definitiva do Plano de Urbanização da chamada UP3, conhecida como João de Arens e não permitir naquela zona qualquer tipo de projeto imobiliário no futuro.
 
Saudações a tod@s.
 

sexta-feira, agosto 13, 2021

 

Fórum Socialismo regressa a 28 e 29 de agosto, em Braga e Almada

O Bloco de Esquerda realiza a 14ª edição do Fórum Socialismo – Debates para a Alternativa em dois dias e locais diferentes. O Socialismo 2021 é um fórum de ideias, aberto e plural. A entrada é livre, a participação também.
Fórum Socialismo 2021.
Fórum Socialismo 2021.

O Fórum Socialismo é um espaço aberto de discussão e de ideias, que junta ativistas, militantes, investigadores e representantes de lutas diversas e causas centrais para o país e para o mundo. Repartidos entre Braga (dia 28) e Almada (dia 29), são dois dias de plenários e sessões sobre economia, história, serviços públicos, cultura e política. O Fórum Socialismo é organizado de forma a respeitar todas as regras de segurança sanitária. 

As aberturas do evento estarão a cargo das deputadas Alexandra Vieira (Braga) e Joana Mortágua (Almada), apresentando as propostas e programas para cidades que se mobilizem pelo direito à habitação, a justiça climática e uma urgente resposta à crise. 

Em Braga, na Escola Secundária D. Maria II, os trabalhos contarão com a participação, entre outros, da eurodeputada Marisa Matias, numa sessão sobre a atual política europeia, do médico psiquiatra e professor da Universidade do Minho, Pedro Morgado, que abordará os modelos públicos para o tratamento da saúde mental, e do ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga, Henrique Barreto Nunes, numa sessão dedicada à vida e obra do combatente antifascista Víctor de Sá. O dia encerra com uma sessão plenária intitulada “como nos preparamos para as novas pandemias”, que contará com a participação do deputado Moisés Ferreira e do médico epidemiologista e diretor do Instituto de Saúde Pública do Porto, Henrique Barros.

Os trabalhos prosseguem no domingo, em Almada, na Escola Secundária de Cacilhas-Tejo. A deputada Mariana Mortágua e o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, falarão, respectivamente, sobre as raízes da crise e as decisões necessárias para o combate ao crime de enriquecimento injustificado.  O tema dos direitos das pessoas com deficiência será abordado pela deputada Diana Santos e os 50 anos do 25 de abril animarão a sessão com os historiadores Fernando Rosas e Miguel Cardina. O investigador Rui Borges trará ao Fórum Socialismo uma parte da história sobre a relação entre a ciência e o marxismo.   

Neste último dia, a coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, fará o encerramento do Fórum Socialismo 2021, a partir das 17h30.

O Fórum Socialismo 2021 conta com intervenções de inúmeros outros dirigentes bloquistas, investigadores e ativistas, versando diversos temas, entre os quais: José Soeiro (como travar os despedimentos?), Mariana Carneiro (o que está a acontecer em Cabo Delgado?), Mafalda Araújo (trabalho reprodutivo), Isabel Pires e Ricardo Moreira (o futuro do clima decide-se nas ruas das cidades), Manuel Grilo e Deolinda Martin (desconstruir a municipalização das escolas), Maria José Araújo e Hugo Monteiro (uma educação emancipatória), Carolina Gomes e Beatriz Realinho (políticas para o interior), Nelson Peralta (lítio, o que fazer?), José Gusmão (plano de recuperação, para quê e para quem?), Fabíola Cardoso (lutas LGBTI+), José Maria Cardoso e Filipa Gonçalves (as autarquias na resposta à crise), Ricardo Vicente (política agrícolas e soberania alimentar), Luís Fazenda (mundo pós-trumpismo), Maria Manuel Rola e Vasco Barata (direito à habitação),  Francisco Louçã (é tempo de parar Zuckerberg), Luís Leiria (América Latina).

Consulta aqui o programa do Fórum Socialismo e inscreve-te aqui (link is external).

 

Parques de estacionamento na Praia da Torralta - os portimonenses foram enganados!
 
É inadmissível e vergonhoso o que se passa com os parques de estacionamento na Praia da Torralta. Havia o compromisso entre o grupo Pestana e a Câmara Municipal daquele ceder 2 parques de estacionamento gratuitos em troca da redução da rotunda junto à praia, um espaço nobre que permitia ter vista para o mar, alteração que nunca devia ter acontecido.
Mas o mais grave é que os ditos espaços de estacionamento não existem! Ou melhor, num, quem lá quiser colocar a viatura tem de pagar 2 euros, o outro encontra-se por limpar e fechado com correntes. E lá temos centenas de viaturas estacionadas ao longo dos passeios e quem quiser ir para a praia tem de circular em plena via, com os perigos daí decorrentes.
O Bloco de Esquerda já levantou esta situação inadmissível em reunião do Executivo e até hoje nada foi resolvido. Porque razão é esta Câmara PS tão forte com os fracos e tão fraca com os fortes?
Os portimonenses foram enganados! O que se exige é o cumprimento do acordo por parte do grupo Pestana! E a Câmara, o que está à espera, para que o acordado seja cumprido? Os portimonenses não estão nada a gostar desta situação!

sábado, novembro 09, 2019

Chile: 13ª jornada de levantamento popular: Piñera range

por Andrés Figueroa Cornejo
. No momento em que decorre a décima terceira jornada do levantamento popular no Chile, não existe agrupamento nem partido político capaz de liderar a mobilização. Só existem convocatórias viralizadas anonimamente ou assinadas com publicidade. Mas trata-se só de convocatórias, de anúncios de pontos de encontro. Ou seja, torna-se impossível em termos reais que alguma força em particular ou grupo de interesses, por bem intencionado que seja, possa arrogar-se o acaudilhamento de um movimento popular cuja força sustenta-se principalmente na juventude, em estudantes, trabalhadores com menos de 30 anos, em escolares feministas que arvoram a bandeira mapuche, em animalistas de 15 anos e eco-lutadores de 20. Naturalmente participam diversas gerações de povo empobrecido e de profissionais precários. Nesta nota só se salienta o sujeito social predominante. Aposentados na miséria também se congregam nas ruas do país.

A grande marcha em Santiago.
Neste 30 de Outubro, o ainda presidente Sebastián Piñera informou que os encontros internacionais da APEC (Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico) e COP25 (Conferência sobre as Alterações Climáticas, da ONU) já não terão o Chile como sede. Alguns governos haviam anunciado dias antes que não assistiriam àquelas cimeiras multinacionais devido aos protestos populares.

Do mesmo modo, o peso desvaloriza-se verticalmente em relação ao dólar e as acções das empresas cotadas nos casinos bolsistas despencam diariamente. O contestatário retorno do Chile à América Latina, em todos os sentidos, mas sobretudo financeiro e económico, adiantam o desenvolvimento da crise mundial em curso, cujo pico era prognosticado para o próximo ano. A imagem do país e sua atractividade para o investimento capitalista desapareceu em menos de duas semanas. A paz social exigida pelo grande empresariado para sua reprodução e lucro começa a extinguir-se. Piñera e sua administração torna-se um escolho para os grandes grupos económicos. Mas os ricos não têm amigos e sim interesses. Portanto, se Piñera, ainda que lhes pertencendo, põe em risco seu lucros, mudam-no.

Manifestação em Antofagasta. As causas da crise social e a exposição nítida da luta de classes situaram-se genericamente na desigualdade social e na ausência de direitos sociais e humanos garantidos. A respeito, o académico marxista argentino Rolando Astarita, num artigo recente assinala que "o crescimento capitalista no Chile gera riqueza e, em relação a essa riqueza, a pobreza aumentou. É que a pobreza se define em relação à riqueza geral da sociedade. E, em particular, em relação à riqueza concentrada na classe dominante".

No mesmo texto Astarista cita Marx quando o filósofo fala de períodos nos quais aumenta o capital produtivo: "Uma casa pode ser grande ou pequena e, enquanto as casas circundantes forem igualmente pequenas, a mesma satisfaz todos os requisitos sociais que se coloca a uma habitação. Mas se se ergue um palácio junto à casinha, esta se reduz até converter-se numa choça".

A explicação aplica-se a alguns segmentos médios da sociedade chilena que, certamente, não pagam o salário mínimo, nem a média nacional dos salários que é apenas um pouco superior ao mínimo. A respeito, devido ao liberalismo ortodoxo imposto desde a segunda parte do anos 70 do século XX, no Chile as mercadorias em forma de bens e serviços saturam todas as relações sociais existentes. Tudo tem valor de troca ou deve ser comprado ou vendido. Em consequência, é o próprio povo no seu auto-movimento quem deve conquistar esses direitos sociais, sem que tenham de ser custeados pelos salários ou rendimentos (a relação entre trabalho sob a relação de dependência e o trabalho informal é praticamente meio a meio), os quais já estão deprimidos significativamente pela dívida interna.

Carabineros. Sempre no campo das causas do levantamento popular e a hegemonia da juventude na mesma, ao menos convém deixar explícito que o regime capitalista específico do país, ao sustentar-se, tanto por feito como premeditadamente, sobre uma alienação e disciplinamento social altamente refinado e repressivo, produz a sua própria negação. A juventude observa-se a si própria carente de futuro, distópica, muito longe da épica que alimentou a geração de jovens que lutaram contra a ditadura. Desta vez trata-se de menores de 30 anos que chegaram à consciência em meio de uma crise civilizatória e de sentido de horizonte. Amanheceram existencialmente sequestrados pelo aquecimento global; pela guerra armamentista atómica e pela mais feroz incerteza; pelo seu tratamento como segmento de mercado; pela sua condição de super-explorado.

Por outro lado, para além de considerar que as assembleias constituintes são processos que se implementam a seguir à resolução do problema do poder (como ilustra a história, tanto na América Latina como no mundo), qualquer transformação estrutural para conquistar parcialmente o bem-estar das grandes maiorias tem como condição a queda do regime de Piñera.

Enquanto isso, a humanidade desarmada dos povo do Chile está convocada a procurar para si própria sua mais rápida auto-organização e auto-defesa racional básica.

É insuportável o cheiro do sangue de tanto pobre assassinado, torturado, violado, desaparecido, baleado, zarolho e mal ferido pelas munições do monopólio das armas do Estado.

A resistência continua e o final é aberto.
30/Outubro/2019
  • Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • FENPROF analisa programa de governo e anuncia estratégia de ação

    O Secretariado Nacional da FENPROF, órgão de direção desta Federação, reuniu durante os dias 7 e 8 de novembro para analisar o Programa do Governo para a Educação e nas matérias que têm relação direta com a profissão docente e de investigação.
    O Secretariado Nacional aprovou os Cadernos Reivindicativos finais, abrangendo todos os níveis de educação e ensino, dos setores público e privado e definiu as ações a tomar em defesa da Escola Pública e da carreira docente, o prosseguimento da luta em defesa da contagem integral do tempo e serviço e da aprovação de um regime específico de aposentação, pela resolução de problemas relacionados com a falta de pessoal docente [muita precariedade profissional e com muitas turmas que ainda não têm professor(es)], falta de pessoal não docente (com muitas escolas a viverem uma situação muito complicada quanto ao seu funcionamento), da existência de sinais preocupantes de indisciplina nas escolas, de falta de condições de trabalho (onde sobressaem a enorme sobrecarga de horário dos docentes e o excessivo número de alunos por turma).
    Este sábado, o Secretário-Geral da FENPROF, Mário Nogueira, apresentou as conclusões desta reunião aos jornalistas.

    quarta-feira, 6 de novembro de 2019

    600 DIAS SEM MARIELLE E ANDERSON



    Passaram mais de 600 dias desde o assassinato da vereadora e ativista social brasileira Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes.
    Não esquecemos. Exigimos respostas: quem mandou matar Marielle e Anderson?
    Publicado por Portimão Blokista

    Lula livre

    Esta sexta-feira, após 580 dias preso em Curitiba, Lula da Silva foi libertado. Logo de manhã, a sua defesa apresentou o pedido para a sua libertação, depois de o Supremo Triunal Federal ter barrado as prisões após condenação em segunda instância.
    Fotografia: página de Instagram de Lula

    Fotografia: página de Instagram de Lula
    Lula da Silva já foi libertado da prisão em Curitiba. Cá fora, milhares de apoiantes aguardavam-no perto do edifício da Polícia Federal para acompanhar o momento de libertação do ex-presidente. "O lado podre da política federal, da receita federal, do ministério público federal, tentou criminalizar a esquerda brasileira", começou por afirmar.
    Uma vez em liberdade, Lula começou um comício perante a multidão que entretanto se juntou a aguardar a sua saída. Pode acompanhar o seu discurso na página dos Jornalistas Livre:
    O advogado Cristiano Zanin afirmara já que, com o novo entendimento do STF, “o seu encarceramento não está fundamentado em nenhuma das hipóteses previstas” pelo Código Penal. “Lula não praticou qualquer ato ilícito e é vítima de ‘lawfare’, que, no caso do ex-presidente, consiste no uso estratégico do Direito para fins de perseguição política”, diz o comunicado da defesa do ex-presidente, congratulando-se pela decisão do STF. No seu entender, esta “reforça que o ex-presidente Lula está preso há 579 dias injustamente e de forma incompatível com a lei (CPP, art. 283) e com a Constituição da República (CF/88, art. 5º, LVII), como sempre dissemos”, afirmou ainda. Assim, a multidão teve tempo para se juntar enquanto aguardava a saída de Lula.
    Esquerda.net

    sábado, maio 19, 2018


    Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda responde à Presidente da Câmara Municipal de Portimão

    Portimão, 16 de maio de 2018
    Exm.ª Senhora Presidente
    da Câmara Municipal de Portimão

    A Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda/Portimão rejeitou, por unanimidade, as propostas apresentadas pela Sr.ª Presidente, no sentido de atribuir um pelouro, ou pelouros ao Bloco de Esquerda, passando esta força política a fazer parte do Executivo Permanente da Câmara Municipal de Portimão, com base na seguinte fundamentação:
    - trata-se de uma proposta surreal, anedótica e mesmo ridícula, pois como se sabe, além do PS deter maioria absoluta na Câmara e em todos os órgãos autárquicos do concelho, não necessitando do voto do Bloco para nada – os autarcas eleitos pelo Bloco não têm vocação para fazer de “jarra” -, é não conhecer a sua matriz e os seus princípios, assim como as resoluções e orientações dos seus órgãos. Tal proposta, só se poderá entender como uma tentativa para silenciar, ou domesticar as vozes incómodas do Bloco de Esquerda.
    - se foi o PS que ganhou as eleições autárquicas em Portimão e, ainda por cima com maioria absoluta, não obstante com mais de 60% de abstenção dos eleitores portimonenses, cabe-lhe governar o concelho. Ao Bloco de Esquerda caberá fazer oposição, sem prejuízo de, em diversas matérias, haver pontos de vista convergentes. O Bloco prima por uma oposição construtiva, embora determinada e sempre ao serviço do bem-estar e melhoria das condições de vida das populações.
    - por outro lado, as propostas políticas preconizadas pelo Bloco de Esquerda para o concelho de Portimão e de forma imediata, situam-se nos antípodas daquelas que defende o Partido Socialista. Só para dar alguns exemplos, defendemos:
    ·         a devolução aos Portimonenses dos valores cobrados, indevidamente, pela Taxa Municipal de Proteção Civil.
    Justificação: tratou-se de uma taxa, melhor dizendo, de um imposto inconstitucional e que é uma matéria reservada da Assembleia da República. Muitas outras taxas similares até já foram declaradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional, como em Lisboa e Vila Nova de Gaia, obrigando a devolver os seus valores a quem pagou, incluindo juros de mora.
    ·         a adoção de um Plano de construção de habitação social e implementação de uma bolsa municipal de habitação para arrendamento a preços controlados, destinado a jovens e pessoas necessitadas, assim como promover a requalificação do parque habitacional camarário degradado, alocando uma verba de 6 milhões de euros.
    Justificação: a falta de habitação é um grave problema que se faz sentir no Município e a Câmara Municipal há muito anos que não promove a construção de qualquer fogo. Há pessoas inscritas há muitos anos e não há perspetivas de adquirirem uma casa condigna tão cedo, um direito consagrado na Constituição da República. Por outro lado, o parque habitacional municipal encontra-se muito degradado, com reclamações frequentes dos seus residentes, necessitando de uma requalificação urgente.
    ·         o reforço dos apoios sociais às famílias em dificuldades, nomeadamente a nível alimentar, medicamentos e rendas de casa, alocando uma verba de 500 mil euros por meio de uma alteração orçamental e a empreender de forma urgente.
    Justificação: apesar da crise se ter atenuado e haver mais pessoas empregadas, ainda há muitas famílias em sérias dificuldades sociais e económicas no concelho de Portimão. O nível salarial e as aposentações em muitos casos continuam a ser baixos, o que acarreta dificuldades financeiras a muitas famílias.
    ·         a adoção de políticas de justiça fiscal municipal, através da redução do IMI de 0.45 (taxa máxima) para 0.35, isentar de derrama os pequenos empresários que apresentem um lucro tributável até 150 mil euros, e devolver aos munícipes 2,5% da participação variável no IRS. Isto só não é possível, porque impera sobre o Município um plano de ajustamento financeiro – por ação da Sr.ª Presidente e do PS - com recurso a empréstimos no âmbito do Fundo de Apoio Municipal, para pagar, principalmente aos bancos, a enorme dívida camarária contraída pelos anteriores executivos do PS, o que obriga a que as taxas e impostos municipais sejam aplicadas à taxa máxima sobre os munícipes.
    Justificação: não foram os Portimonenses, ou as empresas do concelho, responsáveis pela enorme dívida financeira contraída pelos executivos do PS. Perante tal facto, há anos a fio que continuam a pagar os impostos municipais à taxa máxima, agravando as suas dificuldades. O Governo atual continua a manter as condições gravosas do FAM e tem chumbado na Assembleia da República, com o apoio do PSD e CDS, todas as propostas apresentadas pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda para alterar essas condições.
    ·         impedir a betonização da zona ribeirinha entre o Convento de S. Francisco e a marina da Praia da Rocha, onde está previsto concretizar uma Operação de Loteamento nas Áreas Turísticas e Residenciais 2 e 3 (ATR 2 e 3) do Plano de Urbanização da Unidade de Planeamento 5 (UP5).
    Justificação: se esta nova frente urbana for concretizada, na zona ribeirinha da cidade, será mais um grave atentado ambiental e paisagístico, tal como os que têm ocorrido no passado sob a responsabilidade dos vários executivos PS. Teremos cerca de 70.000 m2 de construção com mais de 700 fogos e hotéis, para albergar quase 1.700 pessoas. Esta enorme massa de betão irá contribuir para uma maior descaracterização da cidade e iremos a assistir a um congestionamento caótico de toda a zona, particularmente durante o verão. Os serviços públicos e infraestruturas irão enfrentar sérios obstáculos para responder positivamente ao agravamento da pressão urbanística.
    ·         a eliminação dos parquímetros pagos à superfície na Praia da Rocha.
    Justificação: a implementação de parquímetros pagos à superfície na Praia da Rocha foi mais uma medida tomada pela Câmara Municipal e que tem lesado os munícipes, empresários, visitantes e trabalhadores da zona. Também serviu para correr com grande parte dos vendedores ambulantes e artesãos, que viram agravadas as suas dificuldades. Uma cidade inclusiva deve ter por missão proteger o “elo mais fraco”, o que não tem acontecido em Portimão.
    ·         a Câmara Municipal deve retomar a elaboração dos Planos de Pormenor que estão a ser executados por promotores privados, nomeadamente os Planos da Bemposta, da Praia de Alvor – Três Irmãos e da Quinta do Malheiro.
    Justificação: os instrumentos de gestão territorial municipais são da competência das Câmaras Municipais, não devendo os mesmos serem delegados em entidades privadas. Os Municípios têm a obrigação de zelar pelo bem público e não pode haver qualquer dúvida que tal não aconteça, correndo-se o risco de promiscuidade entre os interesses públicos e os interesses privados.
    Nesta conformidade, não se justifica a realização de qualquer reunião entre ambas as partes.
    Desde já, apresentamos à Sr.ª Presidente, os nossos melhores cumprimentos.

    A Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda/Portimão

    sábado, maio 05, 2018

    Por iniciativa do Bloco de Esquerda assistimos hoje a uma importante vitória para Portimão e o Algarve!
    Cabe agora ao Governo executar o que é aprovado na Assembleia da República.
    A Assembleia da República (AR) aprovou hoje, sexta-feira, 4 de maio, o projeto de resolução Nº 1491/XIII/3ª do Bloco de Esquerda (BE) que recomenda ao governo a…
    barlavento.pt

    quinta-feira, abril 26, 2018

    Bloco apresenta propostas para responder a situação de emergência e crise habitacional


           

    Nos quatro projetos de lei sobre arrendamento urbano apresentados esta quinta-feira, o Bloco propõe, por exemplo, contratos mínimos de 5 anos, limitar o aumento das rendas e benefícios fiscais para senhorios que optem por arrendamentos de duração indeterminada.


    Em conferência de imprensa na Assembleia da República, o deputado bloquista Pedro Soares assinalou o “desequilíbrio evidente no mercado de habitação”, que se tem vindo a traduzir numa onda de despejos e no aumento descontrolado das rendas.
    Ainda que a pressão imobiliária seja maior no centro das grandes cidades, Pedro Soares afirmou que a mesma começa a espalhar-se para as periferias e que é imperativo travar a precariedade e instabilidade que dominam o setor do arrendamento urbano.
    O dirigente do Bloco defendeu que "a atual situação de emergência e de crise habitacional justifica uma atenção especial" e que é urgente uma intervenção para regular o mercado, sendo "a única via possível a legislativa".
    Um dos projetos de lei apresentados pelo Bloco de Esquerda visa introduzir alterações à lei dos despejos de Assunção Cristas.
    As alterações ao Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU) preveem a estabilização dos contratos de arrendamento, que passariam a ter uma duração mínima de cinco anos.
    "Esta questão é de tal forma importante que os senhorios que optem pelo contrato indeterminado entram dentro de um sistema de benefícios fiscais", referiu Pedro Soares.
    O Bloco propõe alterar a taxa de IRS aplicável aos rendimentos decorrentes destes contratos, que deverá ser fixada em 14,5% (a taxa geral mínima de IRS) para os contratos de arrendamento habitacional de duração indeterminada cujo rendimento anual não exceda 4% do valor patrimonial do locado e de 23% (a segunda taxa geral mais baixa de IRS) para os demais contratos de arrendamento urbano para habitação de duração indeterminada, face à taxa especial genérica de 28% para os rendimentos prediais.
    De acordo com o deputado bloquista, é também prevista uma limitação do valor máximo de renda dos contratos habitacionais na transição para o Novo Regime do Arrendamento Urbano para um máximo de 4% do valor do locado.
    O Bloco quer ainda extinguir o "balcão de despejos" (balção nacional de arrendamento) e recuperar as normas vigentes anteriores ao NRAU.
    Em causa está ainda o reforço da proteção aos agregados familiares que incluam pessoas com mais de 65 anos e/ou incapacidade superior a 60%, independentemente de serem os titulares do contrato e, por outro lado, a criação de apoio para os senhorios abrangidos pelos artigos 35.º ou 36.º, com rendimentos familiares inferiores a cinco retribuições mínimas nacionais anuais (RMNA).
    Num segundo projeto de lei, o Bloco estipula o direito de preferência, nomeadamente para venda massiva de património, assegurando que os inquilinos possam exercer o direito de preferência em tempo razoável e desde que possuam um contrato de arrendamento, cabendo ao proprietário a constituição da propriedade em regime de propriedade horizontal para que a venda se possa efetivar.
    Das propostas bloquistas constam ainda duas medidas sobre o endividamento municipal. Por um lado, excecionam-se os investimentos em habitação municipal dos limites de endividamento municipal. Por outro, dilata-se de 20 para 30 anos o período para amortização dos empréstimos municipais a médio e longo prazo de verbas para operações de construção e reabilitação de habitação​.
    Num quarto projeto, o Bloco proíbe o comportamento indesejável do senhorio ou de quem o represente, que vise a criação de condições, por ação ou omissão dolosa, com vista a prejudicar ou diminuir a fruição do locado pelo inquilino, com o objetivo ou o efeito de o perturbar ou constranger, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, de perigo, humilhante ou desestabilizador.
    A par das medidas contempladas nestes quatro projetos de lei, o Bloco de Esquerda pretende propor, no âmbito das negociações para o próximo Orçamento do Estado, a alteração do regime de residentes não habituais e dos vistos Gold.


    In Esquerda.net