quarta-feira, agosto 27, 2014

Eduardo Galeano: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?" Versão para impressão
Eduardo Galeano - flickr.com.donostiakulturaO exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de "danos colaterais", segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez "danos colaterais", três são crianças

Artigo de Eduardo Galeano

Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.*
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinianos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda-chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelita, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de "danos colaterais", segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez "danos colaterais", três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinianos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atómicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irão foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada "comunidade internacional" existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinianos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão a pagar, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.
Eduardo Galeano
publicado orinalmente como "Operacion Plomo Impune" em Brecha 16/01/2009
traduzido por Katarina Peixoto para Carta Maior, adaptado para PT/PT por Bruno Góis para A Comuna
Nota do editor: artigo de Galeano sobre a Operação Chumbo Fundido (27 de dezembro de 2008–18 de janeiro de 2009), onde morreram 1.600 pessoas palestinianas e tres israelitas
Imagem: Eduardo Galeano - flickr.com/donostiakultura

terça-feira, agosto 26, 2014

“Execução orçamental demonstra um enorme fracasso no principal objetivo do governo”

José Gusmão dirigente do Bloco de Esquerda, numa declaração sobre o aumento do défice das contas públicas”, realçou também que “esse aumento do défice está associado a um aumento da dívida pública para 20 pontos percentuais acima daquilo que tinha sido prometido com a intervenção da troika”.
José Gusmão declarou: “Estes números da execução orçamental demonstram um enorme fracasso naquele que tem sido avançado como o principal objetivo do governo" - Foto de Paulete Matos
Foi divulgada nesta segunda-feira a síntese da execução orçamental até julho de 2014, pela Direção-Geral de Orçamento (DGO). Segundo esse dados, o défice foi de 5.823,4 milhões de euros, mais 389 milhões de euros do que em igual período de 2013. Este montante significa um défice de 3,4% do PIB (de acordo com a estimativa da CE para o PIB).
Os dados da execução orçamental apontam também que as receitas do Estado aumentaram para 19,9 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 735,1 milhões face a igual período de 2013. Para este aumento foi decisivo o crescimento em 400 milhões de euros da receita do IVA.
Comentando estes dados, José Gusmão declarou: “Estes números da execução orçamental demonstram um enorme fracasso naquele que tem sido avançado como o principal objetivo do governo: existe um aumento do défice, esse aumento do défice está associado a um aumento da dívida pública para 20 pontos percentuais acima daquilo que tinha sido prometido com a intervenção da ‘troika' e isto mostra o fracasso de toda uma estratégia”.
A bola de neve da dívida pública
O dirigente do Bloco de Esquerda salientou também que “o governo fala das decisões do Tribunal Constitucional (TC) para justificar a derrapagem na despesa, mas curiosamente não fala de outro aspeto da derrapagem na despesa, de enorme importância - 350 milhões de euros, que é a derrapagem dos juros e encargos da dívida, que mostra uma bola de neve que é a dívida pública e que está a esmagar a sustentabilidade das nossas contas públicas”.
José Gusmão realça a contradição na avaliação do governo, que culpa a decisão do TC pelo aumento da despesa, mas congratula-se “com o aumento da receita fiscal que decorre da retoma da atividade económica que só o TC tornou possível ao proteger os rendimentos das famílias”.
O dirigente do Bloco sublinhou que o aumento da receita fiscal está “intimamente associado” à melhoria dos indicadores económicos que o chumbo do TC ao corte nos salários tornou possível, salientando: “Isso é muito evidente quando se olha para os números e se verifica que o grosso do aumento da receita fiscal é em sede de IVA, que é um imposto que está obviamente relacionado com o poder de compra das famílias.”
Esquerda.net

domingo, agosto 24, 2014

Tribuna Pública em Faro, a luta pela defesa do SNS do Algarve.
A luta continua!
O MOVIMENTO DE CIDADÃOS PELA DEFESA DOS SERVIÇO PÚBLICOS DE SAÚDE DO ALGARVE 

Em Faro (22/08/2014) fazendo uma intervenção pela defesa do SNS e em nome do Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços Públicos de Saúde do Algarve.
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Outro aspeto da Tribuna Pública pela defesa do SNS do Algarve, no dia 22 de agosto de 2014.
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João Semedo, Coordenador do Bloco de Esquerda, em Faro, na Tribuna Pública, pela defesa do SNS.
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Outras fotos do protesto da CUVI no Pontal, a exigir a demissão do governo por manter as portagens na A22 e destruir o país.
GostoGosto · ·

sábado, agosto 23, 2014

Protesto da CUVI no Pontal - contra o governo de ladrões.

Mais fotos do protesto no Pontal enquanto dentro do recinto os safardanas se banqueteavam com os despojos do saque das portagens e dos roubos de salários e pensões.

Várias fotos do protesto da Comissão de Utentes no Pontal. No final mais de uma centena de pessoas vaiou Passos enquanto discursava e gritou pela demissão do governo. A luta é o caminho e governo para a rua!

Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) pede demissão do Governo no Pontal

Fonte: Agência Lusa
Quarteira, 15 ago (Lusa) -- Uma dezena de elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) exigiu hoje a demissão do Governo à entrada da festa do Pontal, em Quarteira, no Algarve, que assinala a reentrada política do PSD após as férias.
Os representantes dos utentes da antiga autoestrada Sem Custos para o Utilizador (SCUT) do Algarve instalaram-se no areal, ao lado dos apoiantes e militantes do PSD que aguardavam para entrar no recinto onde o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, irá discursar hoje, após ter gozado um período de férias no Algarve, em Manta Rota, concelho de Vila Real de Santo António.
"O que estamos aqui a fazer é simplesmente protestar. Enquanto o primeiro-ministro e todo o Governo estão aqui em festa, depois de terem roubado o país inteiro com cortes de salários de pensões, portagens, como no Algarve, nós preferimos lutar", afirmou o porta-voz da Comissão de Utentes da Via do Infante, João Vasconcelos.
O dirigente da Comissão de Utentes disse que "era bom que o Governo retirasse as portagens", mas frisou que o objetivo do protesto é também exigir a demissão do executivo de coligação PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho.
"Mas estamos aqui para exigir a sua demissão, chega de roubo", disse João Vasconcelos, que prometeu "protestar como no ano passado" durante o discurso do primeiro-ministro, porque "a Constituição no regime democrático dá esse direito" aos membros da Comissão.
João Vasconcelos espera que a voz da Comissão de Utentes "chegue de facto ao senhor primeiro-ministro e aos governantes que têm roubado a todos".
A introdução de portagens tem sido, segundo João Vasconcelos, muito "penalizadora" para o Algarve, porque a única alternativa que existe à A22 é a Estrada Nacional (EN) 125, via que está a ter taxas de sinistralidade rodoviária mais elevadas e cuja requalificação está suspensa desde 2012, embora a Estradas de Portugal tenha renegociado o contrato e anunciado o recomeço dos trabalhos em agosto.
"Em dois meses houve no Algarve 1.600 acidentes. Ou seja, há quase 800 acidentes por mês. Porquê? Porque temos portagens e a EN125 não representa qualquer alternativa", lamentou.
Quando o protesto se iniciou e um dos elementos começou a tocar um bombo junto à entrada do recinto instalado no calçadão de Quarteira, no concelho de Loulé, vários militantes do partido trocaram algumas palavras mais ásperas com os elementos da Comissão de Utentes, mas sem incidentes de maior.
"Agora vêm para aqui fazer isto. Não têm mais nada que fazer? Isto é uma festa do PSD e acho que deviam de ter vergonha de vir aqui para a porta", disse à Lusa um dos simpatizantes social-democratas que aguardavam a abertura das portas do recinto.
Luís Costa, que é do Porto e disse à Lusa ter vindo da localidade de Olhão, onde passava férias, para assistir ao discurso de Passos Coelho, afirmou não concordar com a forma e o local que a Comissão de Utentes escolheu para protestar, mas sublinhou que o regime democrático dá o direito à manifestação e "tem que ser respeitado".
MHC//CSJ
Lusa/fim

Mais polícia que manifestantes junto à casa de férias de Passos

Protesto contra o Governo no Algarve

  • Protesto junto à casa de férias de Passos (Lusa)
  • Protesto junto à casa de férias de Passos (Lusa)
  • Protesto junto à casa de férias de Passos (Lusa)
Um grupo de seis manifestantes reuniu-se este domingo perto da casa de férias do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para protestar contra as portagens na A22 e pedir a demissão do Governo.

À entrada da rua, na Manta Rota (Vila Real de Santo António), pelas 10:30, encontravam-se mais elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) do que manifestantes da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), que se juntaram para entoar gritos de protesto pela demissão do Governo recorrendo a um tambor e a canções como «Grândola, Vila Morena».

«Cuidado com as carteiras, Pedro Passos Coelho está nessa ruela», gritava repetidamente um dos manifestantes, seguindo-se uma intervenção do presidente da CUVI e membro do Bloco de Esquerda, João Vasconcelos, que afirmou que os protestos vão continuar, não importando se os participantes são «muitos ou poucos».

Na noite anterior, a CUVI voltou a protestar nas proximidades da casa de férias do Presidente da República, Cavaco Silva, em Albufeira, exigindo a abolição das portagens na A22 e denunciando o impacto da medida no Algarve.

A comitiva composta por sete carros e 11 elementos da CUVI fez-se acompanhar de um espantalho num carrinho de bebé com uma máscara com a cara do Presidente da República.
TVI 24

Protesto pela abolição de portagens no Algarve à porta da casa de Cavaco Silva

 
Protesto pela abolição de portagens no Algarve à porta da casa de Cavaco Silva
A Comissão de Utentes da Via do Infante voltou hoje a protestar nas proximidades da casa de férias do Presidente da República, em Albufeira, exigindo a abolição das portagens na A22 e denunciando o impacto da medida no Algarve.
"As portagens estão a dar prejuízo ao erário público. Já repararam que mesmo cobrando portagens temos um prejuízo de cerca de 40 milhões de euros? Para onde vai esse dinheiro?", vincou o presidente da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI), João Vasconcelos.
A comitiva composta por sete carros e onze elementos da  CUVI fez-se acompanhar de um espantalho num carrinho de bebé com uma máscara com a cara do Presidente da República.
João Martins, um dos manifestantes, explicou que o espantalho pretendia dar "uma certa ideia de um Presidente que assiste impávido e sereno à destruição de um país e não age".
"Três anos de Troika destruíram o país e o Algarve, e o Governo PSD/CDS é o grande responsável", disse João Vasconcelos à comunicação social, imputando responsabilidade também a Cavaco Silva.
A introdução de portagens tem retirado trânsito da A22 e concentrado o tráfego na Estrada Nacional 125 onde desde o início do ano já se registaram cerca de 20 mortes e 70 feridos graves e milhares de acidentes.
Aquela estrada nacional, que é a alternativa gratuita à A22, foi alvo de promessas que João Vasconcelos disse estarem longe de estar cumpridas, desde logo porque as portagens só deveriam ter sido introduzidas após a requalificação da EN 125, cujas obras estão paradas há quase três anos.
O reinício das obras de requalificação anunciadas recentemente, para o presente mês de Agosto, só vai contemplar algumas variantes daquela nacional, situação igualmente contestada pela CUVI.
O presidente da CUVI, João Vasconcelos, disse que a população em geral não foi convocada para a iniciativa e que por isso não estranha a falta de adesão ao protesto.
"Não fazendo nada é que conduz a nada, mas fazendo pode levar tempo mas naturalmente poderá ter um desfecho positivo", comentou lembrando outras acções de protesto que têm tido uma maior participação.
À semelhança dos dois anos anteriores, os manifestantes não conseguiram entregar a carta que prepararam para o Presidente da República, mas João Vasconcelos diz que vai enviar o documento para o Palácio de Belém.
Este domingo, a CUVI ruma até à porta da residência de férias do Primeiro-Ministro, em Manta Rota para dar conta dos seus protestos.
Lusa/SOL

quarta-feira, agosto 06, 2014

Coordenador do Bloco João Semedo vai estar nos comicíos de Verão do BE no Algarve

João SemedoO coordenador nacional do Bloco de Esquerda vai participar nos comícios de Verão que o partido vai promover na sexta-feira e no sábado, em Portimão e Monte Gordo, respetivamente. A visita do dirigente nacional do bloco à região contempla, ainda, visitas a entidades e estruturas do partido.
Na sexta-feira, às 17 horas João Semedo e Cecília Honório, deputada do BE eleita pelo círculo do Algarve, vão ser recebidos pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve, «onde farão uma visita às instalações para tomar conhecimento da atividade e a importância desta infraestrutura do setor empresarial do Estado como um ativo estratégico no contexto portuário nacional e europeu».
À noite, os deputados juntam-se à eurodeputada Marisa Matias e ao vereador do BE na Câmara de Portimão João Vasconcelos como oradoes do comício que irá decorrer, a partir das 21h30, na Praça Manuel Teixeira Gomes.
No dia seguinte, sábado, João Semedo vai participar, às 17 horas, na inauguração da nova sede do BE de Vila Real de Santo António onde marcarão presença membros do movimento «Podemos» Ayamonte.
Às 21h30, há novo comício, desta feita na Avenida Infante Dom Henrique, frente ao casino de Monte Gordo. Além do coordenador nacional do BE, estarão presentes nesta iniciativa as deputadas Helena Pinto, Mariana Mortágua.
«O Bloco de Esquerda vem à rua todos os verões, para prestar contas junto das populações daquilo que fez durante o ano legislativo e como o fez. Nos comícios de Verão do BE são deixados desafios para as grandes questões do dia-a-dia dos portugueses e são apresentados os compromissos que o BE assume a cada ano para com as pessoas e com o país», segundo o BE.

Comissão de Utentes da Via do Infante protesta à porta de Passos, Cavaco e Festa do Pontal

Ativistas-anti-Portagens-da-CUVIA Comissão de Utentes da Via do Infante promove nos próximos dias três ações de protesto contra as portagens à porta das residências de férias do primeiro-ministro, do Presidente da República e ainda junto à Festa do Pontal do PSD.
Assim, no sábado, dia 9 de agosto, a partir das 20h00, irá ter lugar uma vigília na Aldeia da Coelha, junto à residência de férias do Presidente Cavaco Silva.
No dia seguinte, domingo, haverá duas ações na Manta Rota – uma a partir das 10h00, junto à residência de férias do primeiro-ministro, e uma outra, às 16h30, na praia da Manta Rota.
Caso não seja recebida por Pedro Passos Coelho, no dia 15 de agosto, a Comissão de Utentes desloca-se à Festa do Pontal, em Quarteira, numa nova tentativa para ser recebida. A CUVI salienta que, nesta festa anual do PSD, estará presente o primeiro-ministro, bem como muitos «responsáveis pela introdução de portagens».
A Comissão de Utentes – que sublinha deslocar-se «aos locais indicados de forma pacífica» – espera, desta vez, «ser recebida pelos mais altos representantes deste país, procurando obter resposta às cartas que enviou, por diversas vezes, a Cavaco Silva e a Passos Coelho».
A Comissão também irá «pedir contas pelas consequências da introdução de portagens no Algarve».
Caso não sejam levantadas as portagens, a CUVI promete que «novas ações anti-portagens terão lugar durante este Verão, cujas datas e pormenores serão divulgados oportunamente».
Segundo a Comissão de Utentes, «os motivos para continuar a protestar pela abolição das portagens no Algarve continuam válidas e cada vez mais fortes, pois a região encontra-se de rastos e já a bater no fundo. As consequências da imposição das portagens pelo governo PSD/CDS, com o apoio do PS, encontram-se bem à vista de todos – centenas de falências e desemprego em massa, acidentes de viação quotidianos na EN 125, trânsito infernal (e falta e manutenção) nesta via, muito agravado durante o verão, prejuízo ao erário público e aos contribuintes de muitas dezenas de milhões de euros. Uma tragédia social e económica de dimensões nunca vistas».
Com a chegada do Verão, sublinha a CUVI, «os acidentes de viação no Algarve, a maioria na EN 125, subiram a pique». Segundo os últimos dados disponíveis pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, «só entre 15 de junho e 21 de julho (um mês e seis dias) ocorreram 1033 e desde o início do ano até 15 de junho tiveram lugar 3220 acidentes. Ainda desde o início do ano registaram-se quase duas dezenas de mortes e mais de 70 feridos graves».
Por outro lado, a Comissão defende que «o governo de Passos Coelho e Paulo Portas continua a favorecer interesses privados – já devia ter anulado a PPP ruinosa da A22, pois a concessionária continua a obter ganhos de elevada rendibilidade. O contrato da concessão apresenta cláusulas secretas, o que não é admissível em nome da transparência pública. Por certo, escondem favores de muitas dezenas de milhões de euros. Estes contratos, por conterem normas confidenciais (Anexo 16), devem ser declarados nulos e sem validade pelo governo e pelo Tribunal de Contas».
A CUVI classifica ainda como «escândalo» o que foi «declarado recentemente pela Estradas de Portugal, às ordens do governo».
É que, no âmbito das obras de requalificação da EN 125, «que, afinal, já não recomeçam em agosto, não só diversas variantes caíram e foram desafetados 150 quilómetros de estrada da concessão Rotas do Algarve Litoral, entre Olhão e Vila Real de Santo António, passando para a Estradas de Portugal, como esta entidade irá gastar, nos próximos 10 anos, quase 930 milhões nessas intervenções e na A22!»
E «só vão ser construídas as variantes de Faro, Lagos e de São Lourenço-Almancil, ficando as outras variantes previstas de fora, o que representa um elevado prejuízo para o Algarve e uma quebra muito grave do que foi prometido pelo governo».
«Tantos milhões esbanjados, a somar aos muitos milhares de milhões que a banca criminosa delapidou e que as PPP ruinosas sugam ao erário público (só este ano os encargos líquidos do Estado com as PPP atingem o valor de 1650 milhões, mais 86% do que no ano passado), e que os contribuintes são obrigados a pagar, davam para o Algarve e o resto do país viver sem portagens e todos terem direito a uma vida digna, no domínio da saúde, educação, justiça, melhoria das suas condições de vida e sem cortes nos salários e pensões. Por sua vez, os multimilionários aumentam», salienta a CUVI.
Mas, para a Comissão, não é só o governo que tem «culpas» na situação, o «Presidente da República também é responsável pela situação dramática que se vive no Algarve (e no país), pois dá cobertura a todos os desmandos e promulgou todas as leis a favor das portagens e persiste em manter um governo em funções, o que só tem desgraçado esta região e o país».

Profissionais acusam o governo de promover “a mais feroz luta ideológica contra o SNS”

Numa conferência de imprensa realizada esta quarta feira sobre os problemas vividos nos serviços públicos de saúde do Algarve, várias estruturas sindicais denunciaram a falta de profissionais, de materiais e de medicamentos e as suas consequências para os utentes. Os sindicatos acusaram ainda o executivo de privilegiar os privados. Greve de enfermeiros no IPO do Porto teve adesão de 100%.
Foto de Paulete Matos.
Num documento divulgado esta quarta feira, a União dos Sindicatos do Algarve, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores frisam que “este Governo desencadeou nos últimos três anos a mais feroz luta ideológica contra o SNS”.
As estruturas sindicais apontam alguns dos problemas mais prementes nos serviços de saúde públicos do Algarve, entre os quais a carência de profissionais - cerca de 350 enfermeiros, 300 médicos, 300 assistentes operacionais e 150 assistentes técnicos - e a falta de materiais e medicamentos, que têm levado a “falhas na resposta aos cidadãos”.
Tempos de espera demasiado longos para primeiras consultas de especialidades, o elevado número de algarvios sem médico de família (148 965), a falta de articulação entre hospitais e centros de saúde, atrasos na marcação de consultas para doentes crónicos, e dificuldades de acesso a ajudas técnicas são alguns dos problemas assinalados.
A degradação das condições laborais, mediante, por exemplo, a imposição de tempo, volume e ritmos de trabalho que levam à exaustão e a precarização dos vínculos contratuais também são alvo de critica por parte dos profissionais.
No documento é ainda denunciado o desinvestimento nos serviços públicos, em benefício dos privados.
As estruturas sindicais anunciam que, neste contexto, “irão realizar plenários com os trabalhadores, nos dias 8 no Hospital de Faro e 11 nos Hospitais de Lagos e Portimão e propor uma greve a realizar ainda em agosto”.
Serão ainda promovidas reuniões “com comissões de utentes, autarcas e outras organizações no sentido de, em conjunto, desenvolverem iniciativas em defesa do SNS, no Algarve”.
Greve de enfermeiros no IPO do Porto teve adesão de 100%
Esta quarta feira, os enfermeiros do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e do Centro Hospitalar do Alto Ave promoveram uma greve em defesa do SNS e pela admissão de mais profissionais.
No IPO do Porto a paralisação registou uma adesão de 100% no internamento, segundo adiantou fonte sindical à agência Lusa.
“Esta greve é o reflexo do descontentamento dos enfermeiros - não só do IPO, porque esta situação vive-se nos hospitais da região do Porto e em todo o país - quanto à grave carência de enfermeiros existente nos serviços hospitalares”, afirmou a presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Fátima Monteiro, em declarações aos jornalistas.
Segundo a dirigente sindical, “faltam cerca de 125 mil enfermeiros nas instituições de saúde em Portugal”.
“É incrível que o Governo invista na formação de profissionais altamente qualificados e, depois, não os admita e estes vão a custo zero para o estrangeiro”, criticou, apontando como “responsáveis” por esta situação o governo e o Ministério da Saúde.
A greve no IPO teve início às 8h, prolongando-se até às 24h. A partir das 10h30, os enfermeiros concentraram-se à porta do hospital. Já no Centro Hospitalar do Alto Ave, a paralisação mantém-se até às 24h de 7 de agosto.
Esquerda.net

"Banco de todos os regimes": Queda do Espírito Santo afunda família tradicional em Portugal

Em 2010, Ricardo Salgado declarou sobre o enriquecimento da família durante o Estado Novo: “O BES é um banco de todos os regimes”. É verdade: o grupo remonta a 1850, tendo passado pela monarquia, a ditadura e a democracia. Foi notória a amizade entre Ricardo Espírito Santo (avô de Ricardo Salgado) e Salazar. Parte do segredo do longevo poder familiar vem da inserção de quadros das empresas em lugares de topo dos governos. Artigo de Marana Borges, Opera Mundi.
Foto de Miguel A. Lopes, Lusa.
Nem o facto de o craque Cristiano Ronaldo participar na sua publicidade nem o invejável posto de primeiro banco a voltar aos mercados durante a crise económica em Portugal sem a ajuda do Estado foram suficientes para evitar a queda, agora, do Banco Espírito Santo (BES), imerso em suspeitas de crimes económicos e gestão duvidosa. O BES era o terceiro maior banco privado português e o ícone de uma das dinastias mais poderosas do país.
Na sequência das investigações por suspeitas de fraude, abuso de confiança e lavagem de dinheiro que envolvem Ricardo Salgado Espírito Santo, afastado no final de junho do cargo de presidente executivo da instituição, as ações caíram tanto que o banco, agora dividido em dois, acabou por ser temporariamente removido da Bolsa de Lisboa. Salgado está proibido de sair do país enquanto decorrem as investigações.
Com um rombo nas contas superior a 6 mil milhões de euros, o Grupo Espírito Santo (GES) ameaça colapsar o império familiar construído desde o século XIX e que abrange bancos comerciais e de investimento em diversos países, seguros e participações em empresas estratégicas como a Portugal Telecom (fundida com a brasileira Oi) e a gigante energética EDP. Algumas holdings do grupo já tinham solicitado proteção contra credores, mecanismo de insolvência controlada sob proteção da Justiça.
No último domingo (03/08), o presidente do Banco de Portugal, Carlos Costa, anunciou que pedirá empréstimo a fundo europeu para salvar o Espírito Santo, que foi dividido em dois: um, com os ativos tóxicos, e outro, com os de boa qualidade.
O “banco de todos os regimes”
Em 2010, Ricardo Salgado declarou sobre o enriquecimento da família durante o Estado Novo Português (1933-1974): “O BES é um banco de todos os regimes”. É verdade: o grupo remonta a 1850, tendo passado pela monarquia, a ditadura e a democracia. Ficou notória a amizade entre Ricardo Espírito Santo (avô de Ricardo Salgado) e o ditador Salazar. Aos domingos, o banqueiro o visitava para tratar de negócios, nomeações, ações diplomáticas e compra de obras de arte, segundo relata o pesquisador e jornalista Pedro Castro Jorge em “Salazar e os milionários” e “O ataque aos milionários”. Ao morrer, o banqueiro deixou ao ditador uma casa no Estoril e um quadro do flamengo Quentin Metsys. A casa não foi aceite.
A relação privilegiada de algumas famílias abastadas com membros do governo pôde notar-se na alta concentração financeira do país. Nos anos 1970, final da ditadura, dez famílias controlavam 50% da riqueza de Portugal. Com a queda do regime e durante a fase mais radical após a Revolução dos Cravos, diversos empresários foram presos (entre eles, membros da família Espírito Santo) e o setor bancário, nacionalizado. Um comentário deixado por sindicalistas no livro de honra do BES enfatizava “o dia (…) em que a banca foi restituída aos seus legítimos donos – o povo português”. Mas a privatização viria em 1992, anos depois do retorno da família aos negócios no país.
Parte do segredo do longevo poder familiar vem da inserção de quadros das empresas em lugares de topo dos governos. “Houve sempre pessoas do BES a ocupar cargos em diferentes governos, algumas das quais voltavam em seguida para o BES”, disseram ao Opera Mundi Maria João Babo e Maria João Gago, autoras de “O último banqueiro”, sobre a vida de Ricardo Salgado, que ficou 22 anos à frente do BES.
Há exemplos do lado conservador e socialista: o conservador José Manuel Durão Barroso, que este ano deixou a presidência da Comissão Europeia, foi consultor do BES antes de se tornar primeiro ministro de Portugal (2002-2004). Manuel Pinho foi ministro do socialista José Sócrates após passar pelos quadros administrativos do BES.
Outros nomes a circular entre empresas do GES e cargos políticos foram António Mexia, hoje presidente da EDP e antigo ministro de Obras Públicas, e Miguel Frasquilho, deputado do governante PSD (centro-direita).
Outros casos
Desde 2007, diversos bancos tem sido alvo de investigações por crimes económicos envolvend offshores e paraísos fiscais: o Millenium BCP, o maior banco privado em Portugal; os pequenos Banco Português de Negócios (BPN) e Banco Privado Português (BPP) – ambos acabariam por ser dissolvidos. Agora, é a vez do BES.
Apesar do pacote de austeridade e regulação financeira adotado pela troika, medidas eficazes para travar crimes económicos nunca saíram da gaveta: o fim dos offshores, de paraísos fiscais e de produtos altamente especulativos, além da separação entre bancos de investimento e bancos comerciais. Vale a pena lembrar que em 2013 o Banco Central Europeu ajudou a reforçar a liquidez do setor bancário português em 50 mil milhões de euros.
Artigo publicado em http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/37311/banco+de+todos+os+regimes+queda+do+espirito+santo+afunda+familia+tradicional+em+portugal.shtml

segunda-feira, julho 21, 2014

Professores recusam ser carrascos dos seus colegas porque uma profissão também se constrói com solidariedade!

A prova alegadamente destinada a avaliar conhecimentos e capacidades de docentes que reúnem os indispensáveis requisitos legais – científicos e profissionais – para exercerem a profissão está, de novo, no terreno, tal é a obstinação do governo em a impor aos docentes.

Esta prova foi criada para reduzir professores da profissão, mas anunciada como servindo para avaliar a sua adequação à mesma, argumento perfeitamente absurdo, não apenas tendo em conta o teor conhecido da prova já realizada, mas também pelo facto de pretender submeter à sua realização profissionais com um percurso académico positivo e que corresponde às exigências impostas pelo MEC para o exercício de funções docentes, para além de muitos deles já exercerem funções há muitos anos, tendo sido avaliados com menções de Bom, Muito Bom e Excelente.
Mas, como a obstinação é maior que o discernimento, o MEC avançou com a realização da prova de uma forma que releva um comportamento política e eticamente reprovável e inaceitável, para além de ilegal. Por exemplo:
- De acordo com o decreto regulamentar 3/2008, a data de publicitação da realização da prova deverá anteceder em 20 dias a sua primeira componente, o que não acontece;
- A prova tem duas componentes, sendo que a designada “componente específica a cada grupo de recrutamento” foi agora deixada cair pelo MEC o que reforça a opinião de quantos consideram que, afinal, o objetivo do ministério não é mesmo  avaliar o grau de conhecimentos dos docentes e a sua adequação à profissão;
- Afirma o despacho que esta prova se destina a docentes que comprovadamente por motivos alheios à sua vontade não a realizaram antes, esclarecendo que são esses docentes que constam das listas… onde estão as listas?
- Não existindo listas, como poderão os candidatos controlar o juízo da administração sobre os critérios utilizados para averiguar o cumprimento dos princípios da igualdade e imparcialidade?
- E qual o conceito de “comprovadamente”? Estende-se a quem estava doente ou em licença de parentalidade? À gravidez de risco? E quando se apresenta o “comprovativo”, à entrada para a prova? Hoje ou na segunda-feira?
Para a FENPROF, este procedimento do MEC viola claramente o princípio da boa-fé, pois de forma inesperada e sem justificação e objetivo atendível marcou a realização da prova para o período de férias dos docentes e apenas com 5 dias de antecedência. Ora, nos termos da lei, os 5 dias não são para anunciar a realização da prova (neste caso, são 20), mas apenas o local da sua realização.
Mas o desrespeito do MEC não foi apenas pelos professores que deverão sujeitar-se à prova, mas também pelos diretores e pelas escolas. Atente-se no facto de, ainda ontem, apesar de todo o trabalho que decorre nas escolas e envolve os seus diretores, o MEC decidiu, às 7 horas da manhã, convocar para Lisboa (Caparide) os diretores (ver convocatória) das escolas / agrupamentos em que a prova se realizará, estivessem eles em Lisboa, em Bragança ou em Faro.
Por fim, e caricato também, o MEC, para garantir que não seriam colocados em causa os prazos que decidiu adotar neste processo, publicou em 17 de julho o Despacho que fixa a data de realização da prova para 22 de julho (despacho 9316-A/2014, de 17-07) mas nele referindo que os efeitos seriam… à véspera de ser publicado, o que é extraordinário.
Como aconteceu em 18 de dezembro, os professores dos quadros não aceitam ser carrascos dos seus colegase naquela data os professores aderiram massivamente à greve então decretada – mais de 95% de adesão – e a prova realizou-se em parte, apesar da elevadíssima adesão à mesma, porque algumas escolas violaram os procedimentos estabelecidos, com as vigilâncias a serem feitas de forma irregular, os horários a não serem cumpridos, as turmas a serem fundidas e colocadas em grandes espaços… isto é, tudo valeu para conseguir que a prova se realizasse e, mesmo assim, metade dos professores não a realizou.
Em jeito de ameaça, o MEC apela agora aos professores dos quadros que vigiem os seus colegas porque se aqueles não realizarem a prova seriam, alegadamente, prejudicados. É falso. O MEC não poderá usar esta prova para os concursos que já decorrem e no próximo ano, felizmente, já a atual equipa ministerial foi posta fora levando consigo a sua prova. Recorda-se que todos os partidos da oposição, através dos seus secretários-gerais ou coordenadores (PS, PCP e BE) consideraram esta prova uma inutilidade manifestando a sua oposição à mesma.
Combatendo, mais uma vez a realização da PACC, a FENPROF, de forma autónoma ou em convergência com outras organizações sindicais (ASPL, SEPLEU, SINAPE, SIPE, SIPPEB e SPLIU), está a promover diversas ações. Assim, durante a manhã, já entraram nos tribunais providências cautelares, tendo a primeira sido apresentada logo às 7.45 horas. As providências foram apresentadas nos TAF de Porto, Coimbra, Lisboa e Beja. Entretanto, estão já a ser distribuídos flyers nas escolas em que a prova se realizará (conjunto das organizações sindicais), bem como as convocatórias para a realização de reuniões sindicais, nessas escolas, no próximo dia 22 de julho, a partir das 9.00 horas.
Tal como em dezembro, os professores que não têm de realizar a PACC recusam, por larga maioria, ser carrascos dos seus colegas. É assim, uma profissão também se constrói com solidariedade!
O Secretariado Nacional da FENPROF
18/07/2014 

segunda-feira, julho 14, 2014

BE Algarve vai a votos

A Comissão Coordenadora Distrital (CCD) de Faro do Bloco de Esquerda vai a votos.
Ao ato eleitoral, que terá lugar no próximo dia 19 de julho, sábado, apresentaram-se duas listas candidatas.
A lista A, com a moção "Uma alternativa radical e socialista para o Algarve", é encabeçada por João Vasconcelos, professor do ensino secundário, e conta com mais quinze elementos bloquistas. Com a moção "Mais Bloco, mais distrito, uma alternativa", apresenta-se a lista B, liderada por Pedro Tavares, também professor, e outros quatro membros.
A "implementação da Região Administrativa do Algarve, o que potenciará mais democracia e qualidade de vida para as populações" é uma das principais bandeiras da moção da lista A. Por seu turno, a lista B pretende "criar uma equipa para auscultar os aderentes do distrito acerca dos candidatos a apresentar às próximas legislativas".
Ressalva-se que em ambas as candidaturas à CCD de Faro se encontram questões transversais à política do BE para a região, tais como: requalificação da EN 125, suspensão imediata das portagens na Via do Infante - A22, modernização da linha ferroviária, combate à privatização da água e uma luta intransigente em defesa do Serviço Nacional de Saúde.
As listas candidatas e as moções apresentadas podem ser consultadas aqui e aqui.

sexta-feira, julho 11, 2014

Protesto contra fecho da maternidade do hospital de Portimão reuniu uma centena

grávidasAna Duarte, 34 anos, residente em Monchique, está grávida de seis meses e a sua é uma gravidez de risco, porque vai ter duas meninas gémeas. Já com uma barriga bem visível, ela e a sua colega Vera Duarte, 33 anos, grávida de sete meses, participaram no protesto que esta tarde reuniu uma centena de pessoas à porta do Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, contra o eventual fecho da sua maternidade.
Ana, abrigada à sombra para escapar aos mais de 35 graus que se faziam sentir, manifestou-se «indignada» com a intenção de fechar a maternidade portimonense, já admitida pelo presidente do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), devido a alegada falta de médicos para assegurar a manutenção do serviço.
«Tenho uma gravidez de risco, porque são gémeos, sou de Monchique, por isso levo mais de uma hora até Faro, o médico que está a tratar-me está aqui no hospital de Portimão, por isso não faz sentido ter que ir para Faro, para um apartamento que nem sei onde é, sabe-se lá com quem, longe da família», disse Ana ao Sul Informação.
«E a gente nem tem direito a apartamento em Faro, foi o que nos disseram. Só têm [as grávidas que residem] a partir dos 100 quilómetros [de distância do hospital de Faro] e Monchique fica a 90 de Faro. Mas demoramos mais de uma hora na estrada», acrescentou a sua colega Vera, também residente no concelho serrano.
«Isto tudo faz-nos ficar nervosas, com stress, não nos faz nada bem», comentou Ana Duarte.
protesto_3Por seu lado, Célia Silva cujo filho nasceu no antigo Hospital de Portimão, foi à manifestação com um carrinho de bebé que transportava um boneco com um cartaz onde se lia: «Obrigado mãe por me fazeres nascer em Portimão».
Para esta manifestante, o possível fecho da maternidade de Portimão acontece «porque temos aqui um ditador. Não quer dizer que ele [Pedro Nunes, presidente do concelho de administração do CHA) não receba ordens de lá de cima, do Governo, mas podia ser mais moderado. Portimão já tem aqui uma hospital com maternidade há tanto tempo, não há direito de nos tirarem isto». «Faro não chega para as grávidas de Odeceixe a Vila Real!», defendeu.
Margarida Tengarrinha, ex-deputada comunista portimonense e lutadora pelos direitos das mulheres, sublinhou que o encerramento do serviço de Obstetrícia em Portimão «resulta da política geral do Governo. Porque é que vão fechar as escolas? É por uma questão de economicismo. Na Saúde, o pessoal que se lixe!».
«Pergunte às grávidas de Odeceixe ou da outra ponta do Algarve quantos quilómetros é que têm de andar para ter os seus filhos. E pergunte quantos partos é que se vão dar, como já se estão a dar no interior do país, nas ambulâncias?», desafiou Margarida Tengarrinha.
«É isto que nós não queremos que aconteça em Portimão. Temos uma boa maternidade, que funciona bem, com serviços perfeitamente equilibrados. Vão fechá-la e depois vão mandar as mulheres, episodicamente, para uns apartamentos em Faro. Mas que apartamentos são esses?», interrogou.
protesto_1Entre os manifestantes que protestaram esta tarde sob um sol forte, estavam algumas grávidas, muitas mães cujos filhos nasceram no hospital de Portimão e diversas avós.
O protesto contou ainda com os líderes do Movimento de Cidadãos pela Defesa dos Serviços Públicos de Saúde do Algarve (João Vasconcelos) e da Comissão de Utentes do Serviço Nacional de Saúde (Damião Sequeira), com o presidente da União dos Sindicatos do Algarve (António Goulart de Medeiros), bem como com a presença fugaz de Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, e da vereadora Ana Figueiredo.
No final, do protesto foi submetida a votação e aprovada por unanimidade, pelos manifestantes, uma moção a exigir uma «maternidade continuamente aberta» e «a demissão do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve».
«Mães do Barlavento têm direito à maternidade», «Apartamentos para grávidas? Pedro Nunes está louco», «A Maternidade faz falta», «Não à destruição do SNS», eram algumas das palavras de ordem inscritas nos cartazes empunhados pelos manifestantes».

Vanda Duarte, grávida de risco, de Monchique: Isto tudo faz-nos ficar nervosas, com stress, não nos faz nada bem
Damião Sequeira, responsável pela Comissão de Utentes do Serviço Nacional de Saúde, defendeu que é «inadmissível» a proposta do diretor da Pediatria do Centro Hospitalar do Algarve para encerrar maternidade do Hospital de Portimão, argumentando com a falta de pediatras.
Por seu lado, João Vasconcelos, líder do Movimento de Cidadãos pela Defesa dos Serviços Públicos de Saúde do Algarve, disse temer que o encerramento temporário já admitido pelo presidente do CHA signifique, «na prática, o fecho definitivo da maternidade».
protesto_2O possível encerramento transitório daquele serviço, por falta de pediatras, anestesiologistas e obstetras, foi sugerido pelo diretor de Pediatria do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) em carta enviada a 2 de julho ao conselho de administração.
Aquele responsável sugeria o fecho temporário da maternidade durante a noite, no mês de julho, e no período diurno em oito dos 31 dias deste mês. O problema, argumentava, é que só existe um pediatra por cada período de 12 horas.
Pedro Nunes, presidente do Conselho de Administração do CHA, disse que não vai aceitar a proposta, mas admitiu a falta de pediatras, dizendo que a maternidade só se mantém aberta devido à «boa vontade» dos médicos de Portimão, que têm que trabalhar mais horas, e dos de Faro, que lá vão ajudar quando é necessário.
O Movimento de Cidadãos já classificou como «hipócritas» as declarações de Pedro Nunes, defendendo que esta posição «diz tudo sobre o pensamento» do administrador do CHA. «Ou seja, se a maternidade não encerra de uma maneira, encerrará de outra! Esta intenção esteve sempre na mira de Pedro Nunes. Como sabe que a sua ordem direta de encerramento seria alvo de uma enorme contestação, tanto por parte dos utentes, como da parte dos profissionais de saúde, tudo vai fazendo, tal como vai fazendo o governo, para que a maternidade “morra de morte natural”».

Clique aqui para ver mais fotos do protesto.

quinta-feira, julho 10, 2014

quinta-feira, julho 03, 2014

Utentes da Via do Infante voltam a protestar junto às casas de férias de Passos e Cavaco

A comissão adianta que deverá ser lançada em breve uma nova petição à Assembleia da República.

ENRIC VIVES-RUBIO

A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) anunciou nesta quarta-feira que vai repetir, este verão, acções de protesto na Festa do Pontal e junto às residências de férias de Passos Coelho, na Manta Rota, e de Cavaco Silva, na Praia da Coelha, Albufeira.
Em comunicado, a comissão sublinha que este é o terceiro ano consecutivo em que são organizados protestos junto às casas onde o primeiro-ministro e o Presidente da República habitualmente passam férias, na Manta Rota e na Praia da Coelha, Albufeira.
Os utentes afirmam que a intenção dos protestos, previstos para agosto, em data a designar, é pedir “contas” àqueles governantes pelas “consequências da imposição de portagens no Algarve”, antevendo que ambos continuem a passar férias na região.
“Embora sejam declaradas e consideradas ‘personas non gratas’, certamente que os principais responsáveis pelas portagens não irão fugir, continuando a passar as suas férias na região”, lê-se no comunicado.
Também no mês de agosto, a comissão de utentes estará presente, à semelhança do ano passado, na Festa do Pontal, que se realiza habitualmente em Quarteira e que marca a “rentrée” política do PSD.
Para este mês está prevista uma marcha lenta pela Estrada Nacional 125, no dia 12, entre Faro e Loulé, e a participação no desfile de encerramento da concentração internacional de motos de Faro, no dia 20.
A comissão adianta ainda que deverá ser lançada em breve uma nova petição à Assembleia da República para a suspensão imediata das portagens na Via do Infante (A22).
O calendário de protestos contra as portagens no Algarve agendados para o verão foi enviado para a Comunidade Intermunicipal do Algarve e outras entidades regionais, convidadas a aderir às iniciativas, concluem.
As portagens na Via do Infante foram introduzidas em Outubro de 2011.

A luta contra as portagens no Algarve continua no Verão de 2014

  02/07/2014

Depois de dois anos e meio da introdução de portagens na Via do Infante pelo atual governo e com a continuação da crise, o Algarve persiste em debater-se com um dos seus piores momentos em termos sociais e económicos e sem fim à vista - dezenas de milhares de desempregados, inúmeras falências de empresas, a fome e a miséria teima em alastrar como bola de neve e os acidentes de viação na EN 125 sucedem-se diariamente, diversos com feridos e vítimas mortais. Nestes primeiros meses do ano aumentou o número de acidentes no Algarve, registando-se em média 18 acidentes por dia, a maioria dos quais na EN 125. No Verão, com o grande aumento de tráfego, o número de acidentes dispara exponencialmente, o que perfaz mais de 600 acidentes por mês e mais de 7300 acidentes por ano! Um autêntico estado de guerra e uma verdadeira tragédia na região com, infelizmente, muitas famílias destroçadas! Tudo por culpa do governo PSD/CDS que teima em manter as portagens da desgraça e da morte na A22!
Por outro lado, a requalificação da EN 125 nunca mais recomeça, pese embora as muitas promessas dos responsáveis, verificando-se a última na campanha para as eleições europeias de que a requalificação iria reiniciar-se em breve. A Algarve está farto de promessas e quer ações concretas.
Também é do conhecimento público que a PPP da Via do Infante se encontra envolta em mistério e é deveras muito ruinosa para os contribuintes, mesmo com a cobrança de portagens, apresentando-se deficitária  em muitas dezenas de milhões de euros por ano. Não deixa de ser muito estranho e duvidoso, quando no contrato da Via do Infante o “Anexo 16 – Tarifas” é um carimbo, “CONFIDENCIAL”. Se a página se encontra em branco, o cenário deverá ser negro.
A opção que se apresenta ao Algarve é a continuação da luta pela suspensão das portagens. Essa luta vai intensificar-se neste Verão de 2014. Reunida em Loulé, a Comissão de Utentes da Via do Infante agendou um conjunto de ações anti-portagens a desenvolver durante os meses de Julho, Agosto e Setembro:
- no dia 12 de Julho uma marcha lenta de viaturas pela EN 125 entre Loulé e Faro, com partida junto ao Monumento Duarte Pacheco, em Loulé, pelas 17.30 h, passando pelo aeroporto de Faro.
- no dia 20 de Julho participação na concentração/desfile de motards em Faro, organizado pelo Moto Clube de Faro.
- em Agosto, em datas a confirmar, a Comissão de Utentes irá deslocar-se pelo terceiro ano consecutivo, às residências de férias de Passos Coelho, na Mantarrota, e de Cavaco Silva, na Aldeia da Coelha, pedir-lhes contas pelas consequências da imposição de portagens no Algarve. Embora sejam declaradas e consideradas personas non gratas, certamente que os principais responsáveis pelas portagens não irão fugir, continuando a passar as suas férias na região.
- ainda em Agosto, também em data a confirmar, a Comissão de Utentes fará mobilização e estará presente, tal como no ano anterior, na Festa do Pontal. As portagens no Algarve serão um bom tema para os responsáveis políticos presentes abordarem nos seus discursos.
- brevemente irá ser lançada uma nova Petição à Assembleia da República para a suspensão imediata das portagens na A22. Esta Petição irá incidir, fundamentalmente, sobre os aspetos ruinosos que envolvem a Parceria Público-Privada dessa via.
- a Comissão de Utentes irá informar oficialmente a AMAL e outras entidades regionais sobre o calendário de luta pela suspensão das portagens, convidando-as a aderir a essas iniciativas. O Fórum anti-portagens ocorrido em Loulé já vai há mais de três meses e o Algarve não pode esperar mais tempo. A CUVI continua totalmente disponível para a constituição de uma ampla plataforma regional anti-portagens e, apoiará, todas as ações a favor da anulação das portagens propostas pela AMAL, ou qualquer outra entidade. Acima de tudo estão os interesses do Algarve.
A Comissão de Utentes apela à participação dos utentes e outros cidadãos nas suas ações de luta contra as portagens.

Por Comissão de Utentes da Via do Infante