terça-feira, outubro 14, 2008

O day after. O que fazer a partir de hoje?

Há um tempo antes do dia 14/10 e um tempo depois. Hoje foi o dia em que terminaram as ilusões. O movimento espontâneo de desvinculação sindical começou no dia seguinte à assinatura do memorando de entendimento. Havia, contudo, alguns professores desejosos de darem uma segunda oportunidade aos sindicatos. Foi dada no dia 14/10 e os sindicatos não a aproveitaram e morderam a mão que lhes levava a solução para a reconciliação e a regeneração.
E agora? O que fazer?
Há várias hipóteses:
1. Criar um novo sindicato nacional de professores
2. Criar uma ordem..
3. Lutar dentro dos sindicatos existentes para os regenerar.
Nenhuma destas opções é viável. Vou explicar porquê.
Duvido que a criação de um sindicato o colocasse a salvo das investidas partidárias e dos interesses instalados. Seria bem provável que, daqui a uns anos, estivesse corroído pelos mesmos vícios dos sindicatos actuais.
Vejamos o caso da Ordem. Manifestei-me contra enquanto ainda julgava possível a regeneração dos actuais sindicatos. Se os enfermeiros e os biólogos foram capazes de criar uma ordem por que razão os professores não conseguirão? Receio, no entanto, que a ordem seja mais um sindicato. Não seria difícil criar um ordem de professores a partir das associações e movimentos independentes de professores já existentes. Duvido, no entanto, que valha a pena.
A opção de lutar dentro dos sindicatos em ordem à sua regeneração não me parece viável nem realista. Os sindicatos estão capturados pelos principais partidos. O dirigentes perpetuam-se no poder, à semelhança do que fazem os seus camaradas e companheiros presidentes das câmaras municipais. Há muitos anos fora das escolas, perderam o contacto com a realidade. Deixaram de ser professores. Estão numa posição semelhante aos PCEs que se instalaram anos a fio.
Restam os movimentos espontâneos e as associações de professores independentes de base territorial. Elas estão a nascer um pouco por todo o lado: no Sul, no Oeste e no Norte do país. São pequenas organizações, fluidas e informais, que juntam algumas centenas de professores de uma determinada região, que se encontram, convivem, fazem amizades, discutem, criam um cultura profissional e comunicam regularmente por email e nos blogs. Foram estas associações e não os sindicatos que tornaram possível a marcha de 8 de Março. Foram essas associações que prepararam as concentrações nas capitais de distrito em Fevereiro de 2008. Os sindicatos montaram onda e fizeram bem. Deviam ter feito o mesmo com a actual movimentação em ordem a mobilizar os professores para a marcha de 15/11. Agora dizem que talvez convoquem uma manifestação antes do dia 15/11. Está bem. Convoquem e mobilizem: eu estarei lá e apelarei a todos os professores que compareçam à chamada. Mas convoquem mesmo. Não andem a enganar os professores! Por mim, este capítulo está encerrado. Deixei de ter ilusões e não quero perder munições. Desejo guardá-las para combater o inimigo: o ME. Não voltarei a escrever sobre este assunto. Não quero ser acusado de estar a dividir os professores.
Outros posts sobre este assunto:

4 comentários:

Francisco d'Oliveira Raposo disse...

Caro João Vasconcelos
Li com atenção este teu post sobre sindicalismo.
Sou dirigente de um sindicato da Administração local e as questões que colocas são tema da minha reflexão.
Não estou de acordo com algumas conclusões que tiras mas, de momento, a minha condição de saúde não me garante a possibilidade imediata de te enviar um texto sobre o tema.
Contudo, creio que este é um dos debates que temos de fazer.
Na ultima reunião da direcção do meu Sindicato afirmei:
"a direcção central da CGTP está a ser incapaz, é-o há anos, de propor propostas que ajudem os sindicatos e os trabalhadores a resistirem efectivamente e a prepararem a ofensiva.
Mas o próprio desenvolvimento da crise social e as necessidades objectivas dos trabalhadores irão, certamente, criar novas propostas, novos programas e novas direcções. Espero sinceramente que os que aqui estão, nesses eventos, saibam estar do lado dos trabalhadores">


Com a certeza de que em breve, mas a saúde me o permita, te escreverei
Um abraço sindical e socialista revolucionário

PS. adicioneio teu blog aos links dos blogs em que o SR-CIT expressa as suas opiniões

Vasconcelos disse...

Olá colega Francisco, em primeiro lugar desejo-lhe as melhoras.Efectivamente hoje já não vivemos no século XX, a vida mudou e há que encontrar novas formas de mobilizar os trabalhadores o que, aliás, não é nada fácil. E muitos sindicatos encontram-se infelizmente desligados da realidade, empedernidos. O sindicalismo só terá futuro se conseguir aliar à luta de classes novas formas de organização e de mobilização.
Um abraço.

Carla Silva e Cunha disse...

Olá
gostava que fosse a:
arte-e-ponto.blogspot.com

Vasconcelos disse...

Olá, arte-e-ponto não consegue abrir o site. Lamento.