quinta-feira, janeiro 13, 2011

Cavaco esconde escritura da sua casa na aldeia BPN

Em Albufeira, há uma urbanização especial, onde têm casas Cavaco Silva, Oliveira Costa, Fernando Fantasia, da SLN, Eduardo Catroga. A escritura do lote do Presidente da República não se encontra na Conservatória de Albufeira. Cavaco diz que não se lembra de onde a assinou. Um seu colaborador disse à revista Visão que a propriedade foi adquirida “através de permuta com um construtor civil”.
Cavaco Silva - Foto de António Cotrim, Lusa (Arquivo)
Cavaco Silva - Foto de António Cotrim, Lusa (Arquivo)
Sendo impossível consultar a escritura pública da aquisição daquele lote da Urbanização da Coelha, o único interveniente deste processo que admite recordar-se da transacção é Teófilo Carapeto Dias, ex-adjunto de Cavaco e membro da Comissão de Honra da sua candidatura (tal como Fernando Fantasia): “a casa foi adquirida através de uma permuta de terrenos com um construtor civil.” Mas Carapeto Dias não sabe quem é o referido vendedor, apesar ter sido um dos proprietários daqueles terrenos.
A casa de Cavaco tem três pisos, seis quartos (cinco são duplos) e seis casas de banho, piscina e 1600 metros quadrados de área descoberta. O Presidente da República usa a casa desde o verão de 1999 e refere-a no registo que entregou no Tribunal Constitucional. Mas a matriz não consta nem dos registos da Conservatória, nem do cartório notarial de Albufeira.
Fantasia e Oliveira e Costa, boa vizinhança
Muito perto da casa de Cavaco fica a de Fernando Fantasia, administrador de empresas do grupo SLN, que adquiriu a sua casa através da Opi 92, envolvida na compra pela SLN dos terrenos de Rio Frio semanas antes da decisão sobre a localização do novo aeroporto na Ota.
O lote 8, na rua perpendicular à de Cavaco, está registado em nome de Maria Yolanda Oliveira e Costa, a esposa do criador do BPN, de quem este se divorciou para proteger os seus bens depois de conhecidos os primeiros contornos do escândalo BPN. Segundo a investigação judicial, o banqueiro terá pago a casa sem gastar nada de seu, recorrendo a verbas do próprio banco (via Banco Insular de Cabo Verde, um «veículo financeiro» por onde circulavam operações fictícias).
A urbanização do ex-assessor
Segundo a Visão, Teófilo Carapeto Dias, quando trabalhava no gabinete de Cavaco Silva, em São Bento, adquiriu com outros sócios duas empresas off-shore (Griffin Enterprises Limited e Longin Limited, sedeadas em Gibraltar) que controlavam a Galvana, empresa que promovia a Urbanização da Coelha.
O loteamento já estava em curso, promovido por dois dinamarqueses, que trabalhavam para uma empresa de Copenhaga que viria a falir. O investimento dos dinamarqueses estava afogado em dívidas e ameaça de penhora pelas finanças. Surge então uma sociedade, o Grupo Fonseca, que fica com os terrenos (alguns em fase adiantada de construção), em troca da salvaguarda de consequências criminais para os dinamarqueses endividados.
Teófilo Carapeto Dias admite que fez convites a potenciais interessados em lotes da Urbanização da Coelha. A sua intimidade com Cavaco esteve na origem do convite para adquirir um dos lotes.
Esta não foi a única transmissão de propriedade na Coelha. Teófilo Carapeto Dias, que comprou o seu lote em 1992, passou, em Dezembro do ano passado, a propriedade para a sua filha, celebrando simultaneamente com ela um contrato de “usufruto vitalício”. O mesmo fez Fernando Fantasia. Com uma diferença. A filha deste comprou o seu lote à empresa OPI 92 (que era detida pelo pai e pela SLN), em Dezembro de 2007. No mesmo dia, o pai contratualizou o “usufruto vitalício” com a filha.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Groundforce despede mais 200 trabalhadores

Despedimento de 336 trabalhadores da Groundforce, presidida por Luís correia da Silva, que integra direcção da actual campanha de Cavaco Silva, é “irreversível”. A empresa admite ainda dispensar mais 200 trabalhadores.
A redução de mais 200 trabalhadores resultará da "flexibilização do Acordo de Empresa (AE)” e terá maior impacto em Lisboa, no Aeroporto da Portela. Foto de Luís Forra/Lusa.
A redução de mais 200 trabalhadores resultará da "flexibilização do Acordo de Empresa (AE)” e terá maior impacto em Lisboa, no Aeroporto da Portela. Foto de Luís Forra/Lusa.
Fernando Melo, administrador-delegado da Groundforce, admitiu no Parlamento, onde foi ouvido a pedido do Bloco de Esquerda, que o despedimento dos 336 trabalhadores da empresa de Faro é definitivo e “irreversível”.
Este responsável assumiu ainda que poderão ainda reduzir mais "cerca de 200 trabalhadores em toda a empresa". Esta redução resultará da "flexibilização do Acordo de Empresa (AE)” e terá maior impacto em Lisboa, no Aeroporto da Portela.
O administrador-delegado da Grounforce defende que os despedimentos são necessários para, no mínimo, evitar os 10 milhões de euros de prejuízos previstos para este ano.
Fernando Melo deixou ainda um alerta aos sindicatos: "Temos dez milhões de euros de prejuízos previstos para o próximo ano e vamos ter que nos sentar à mesa com os sindicatos para viabilizar a empresa. Isto porque se a empresa não for viabilizada, no final de 2011 não vão ser atribuídas as licenças de handling à Groundforce".
Sindicato acusa administração de “incompetência”
André Teives, representante do sindicato dos trabalhadores do handling, afirmou à TSF que este anúnio contraria as contratações que têm vindo a ser promovidas ao longo dos últimos anos. O sindicalista lembra que, em 2008, passaram ao quadro 180 trabalhadores, mais 110 em 2009 e outros 80 até novembro de 2010 e que, portanto, não se percebe porque se anuncia agora a dispensa de 200 trabalhadores.
André Teives acusou ainda a administração da Groundforce de “incompetência”, de “não saber o que está a fazer», e de não estar aberta a quaisquer negociações. “Na mesa de negociações, não quer negociar nada e recusa tudo, inclusive quando aceitamos as propostas dele próprio. Não quer renegociar nada e junto dos trabalhadores não tem credibilidade nenhuma”, adiantou este sindicalista.
Presidente da Groundforce integra direcção de campanha de Cavaco
O presidente da Groundforce indicado pela TAP, Luís Correia da Silva, é da direcção da actual campanha de Cavaco Silva, pertencendo ao seu núcleo duro. Luís Correia da Silva já participara na anterior campanha de Cavaco Silva, sendo na altura responsável pelo marketing e eventos. 
Esquerda.net

terça-feira, janeiro 11, 2011

Vídeo em homenagem aos 140 anos da Comuna de Paris 

In A Chispa 

Comentário:

Nos dias que correm, em que os povos estão a proletarizar-se e a perder cada vez mais direitos sociais, a burguesia neo-liberal e contra-revolucionária precisa de apanhar um novo susto, desta vez a valer e a sério - a implantação de novas Comunas por toda a Europa, incluindo Portugal. Estamos a viver uma autêntica guerra do Capital contra o Trabalho e esta situação terá de inverter-se. Que uma centena de novas Comunas brotem em todos os países da Europa!

 

segunda-feira, janeiro 10, 2011

ESTÁ NA HORA! REBELEM-SE CIDADÃOS!

O grande capital, os banqueiros parasitas do BPN e outros (com Cavaco à mistura), os especuladores, o FMI, o famigerado Sócrates e o seu governo vende-pátrias, o centrão PS/PSD afundaram o país. Portugal está à beira do desastre, os ricos estão cada vez mais ricos e o povo, os trabalhadores, os cidadãos, estão no desemprego, na precariedade, na pobreza, na miséria e na exclusão! Está a chegar a hora de dizer basta! O povo, os cidadãos, os trabalhadores têm de se erguer e lutar! Lutar antes que seja tarde! Não têm nada a perder - apenas as suas grilhetas da opressão e exploração.
Em primeiro lugar temos de derrotar Cavaco e toda a direita e extrema - direita! Depois deitar abaixo este governo que só favorece os ricos e os poderosos e que mata o povo. Sócrates e Cavaco desgraçaram o país! Têm que ser enviados para o caixote do lixo da História. E quanto mais depressa melhor!
CIDADÃOS! ERGAM-SE E LUTEM! REBELEM-SE CIDADÃOS!

domingo, janeiro 09, 2011

Alegre contra pressões para a entrada do FMI em Portugal

Manuel Alegre diz que são inaceitáveis as pressões da Alemanha e da França para que Portugal recorra ao FMI e considera que o próximo Presidente da República “não pode lavar as mãos” sobre o assunto.
Manuel Alegre no almoço com sindicalistas em Palmela - Foto recolhida do site manuelalegre2011.pt
Manuel Alegre no almoço com sindicalistas em Palmela - Foto recolhida do site manuelalegre2011.pt
“Estamos a assistir a uma sobreposição de poderes ilegítimos sobre os Estados democráticos da União Europeia. Está em causa a soberania nacional, está em causa a autonomia nacional e, por isso, neste momento, não pode haver cálculos eleitoralistas”, disse Manuel Alegre, que defendeu que Portugal precisa de um chefe de Estado que não tenha uma posição “passiva” em relação aos mercados financeiros e aos “especuladores”.
O candidato presidencial fez estas declarações num comício realizado na Incrível Almadense, onde intervieram também as deputadas Ana Catarina Mendes do PS e Mariana Aiveca do Bloco de Esquerda.
Segundo a agência Lusa, Manuel Alegre denunciou que “há entre as forças conservadoras nacionais quem esteja interessado na entrada do FMI em Portugal” e acrescentou: “Esperam que o FMI faça aquilo que eles não ousam apresentar a votos, a desregulação completa da nossa sociedade e a destruição completa dos nossos direitos sociais”.
Alegre fez ainda um apelo “a todos os socialistas, comunistas, bloquistas, democratas qualquer que seja a sua filiação partidária, a todos os que se reclamam da doutrina social”, sublinhando:
“Eu sou a garantia de uma democracia com Estado social. Unam-se, mobilizem-se e não deixem que o poder económico domine por completo o poder político e não deixem que os grandes interesses se substituam ao poder democrático saído do povo”.
O candidato acusou ainda implicitamente Cavaco Silva de ter uma concepção de ordem moral característica de um “provincianismo mental”.
“Não é admissível que, em pleno século XXI, tenhamos um Presidente da República que fala da mulher como a fada do lar, que trata do orçamento familiar e dos filhos”, criticou Alegre que defende que “respeitar o que é diferente e combater todas as formas de discriminação é o que faz a grandeza de um país, e não uma visão pacóvia, uma visão fechada para dentro, ou do provincianismo mental tão criticada pelo grande Fernando Pessoa”.

Acções da SLN: Um negócio de favor para Cavaco

Cavaco Silva comprou as acções da SLN a um euro, quando quase todos os accionistas pagaram cerca de dois euros. Vendeu-as a 2,40, obtendo uma valorização de 140%, bem acima do que a SLN garantia na recompra das acções.
Visita do presidente Cavaco Silva à fábrica de plásticos Inapal, em Setúbal, em 21 de Julho de 2006, acompanhado por Dias Loureiro e José Oliveira e Costa – Foto de Manuel de Almeida/Lusa
Visita do presidente Cavaco Silva à fábrica de plásticos Inapal, em Setúbal, em 21 de Julho de 2006, acompanhado por Dias Loureiro e José Oliveira e Costa – Foto de Manuel de Almeida/Lusa
O jornal Expresso deste sábado confirma que Cavaco Silva comprou as acções que detinha da SLN, a um preço de favor: um euro cada, quando quase todos os accionistas pagaram entre 1,8 e 2,2 euros.
Quanto à venda a 2,40 euros, Marques Mendes, antigo ministro de Cavaco, veio dizer na passada quinta feira, que foi uma venda abaixo do preço que era praticado na altura. Em declarações à TSF, o presidente da SLN-Valor, Alberto Queiroga Figueiredo, que faz parte da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva, levantou a hipótese do Presidente da República ter tido acesso a informação privilegiada, que outros não tiveram, de que o BPN não andava bem.
“Para mim, ele [Cavaco Silva] talvez tenha tido um feedback de que as coisas não estavam a correr bem. É perfeitamente normal que [depois] as queira vender”, disse o membro da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco à TSF.
A compra a preço baixo e a venda antecipada, antes de haver problemas, garantiu a Cavaco Silva, um ganho excepcional de 147%, bem acima do que a SLN garantia a outros accionistas. Francisco Louçã distribuiu à Assembleia da República, na passada quinta feira durante o debate parlamentar sobre o Banco Português de Negócios agendado pelo Bloco de Esquerda, a cópia de um contrato de compra das acções, do mesmo tipo mas mais recente, em que a SLN garantia apenas 5% de valorização.
O coordenador da comissão política do Bloco assinalou então:
“Esse negócio foi um favor. Ora, um responsável político não faz favores nem recebe favores.”

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Algarvios entregaram petição no Parlamento

PS promete isenções na Via do Infante até EN 125 ficar pronta



Os representantes da Comissão de Utentes da Via do Infante viajaram ontem do Algarve até Lisboa para entregar ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, as 14 mil assinaturas que recolheram contra a introdução de portagens na A22. Os membros da comissão foram também recebidos pelos grupos parlamentares e regressaram a casa com uma promessa: o PS vai prolongar as isenções ao pagamento de portagens na A22, para residentes e empresas da região, até que terminem as obras na Estrada Nacional (EN) 125.

"Caso as obras de requalificação da Estrada Nacional 125 não terminem até Junho de 2012, como está previsto, tudo faremos para que a isenção seja prolongada", adiantou ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Freitas. Porém, assim que a empreitada termine, é "inevitável" a cobrança de portagens na A22, sem excepções, sublinha.

Apesar de satisfeito com a abertura manifestada pelo grupo parlamentar socialista, João Vasconcelos, representante da comissão, considera que a EN 125 não é uma alternativa "credível" à A22, já que, depois de requalificada, "ficará com 84 rotundas". Mas os argumentos da comissão contra as portagens não se resumem à falta de alternativas. João Caetano, outro representante, considera que a introdução de portagens na A22 é uma decisão "injusta e ilegal". "Grande parte da Via do Infante não foi construída para ser Scut [via sem custos para o utilizador]", sustenta, lembrando que mais de dois terços da via foram construídos e pagos com fundos comunitários.

A petição, que foi a primeira a chegar à Assembleia em 2011, foi bem acolhida por parte do Bloco de Esquerda, PCP e CDS. Todos estão "em sintonia com a nossa posição", diz João Vasconcelos. Mais difícil foi, porém, a conversa com os deputados do PS e do PSD, que "atiraram as responsabilidades um para o outro", afirma a mesma fonte.

O documento terá agora de ser discutido no Parlamento, mas a comissão promete não baixar os braços caso o Governo não volte atrás na decisão. "Vamos pedir a impugnação da introdução de portagens através de uma providência cautelar, que a breve trecho entrará nos tribunais administrativos e fiscais, e depois veremos o caminho a seguir", adianta João Caetano.

Este representante sublinha ainda que os utentes estão "preparados para agir contra qualquer iniciativa do Governo posterior à decisão dos tribunais".

Ainda este mês, a Comissão irá convocar a terceira marcha de protesto, desta vez sobre a ponte do Guadiana, para a qual conta com a participação de condutores espanhóis da Andaluzia. Os signatários da petição temem que os visitantes espanhóis, que habitualmente recorrem à A22 para chegar ao Algarve, se afastem com a introdução de portagens, "contribuindo para uma maior perda de competitividade e agravando a crise".

No Norte, também Viana do Castelo se esforça por manter ligação com os condutores espanhóis, tendo lançado esta semana, na Galiza, uma campanha de promoção da região. Viana diz que perdeu turistas desde a introdução de portagens na A28. 
Público


PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 302/XI/2.ª
 
SUSPENDE O PROCESSO DE INTRODUÇÃO DE
PORTAGENS NA VIA DO INFANTE
A Via do Infante constitui um eixo rodoviário fundamental na região do Algarve, cujo impacte ultrapassa largamente a região. Desenvolvendo-se transversalmente ao longo de todo o distrito de Faro, esta via articula as ligações Norte-Sul Nacionais do IP1 (A2) com a ligação a Espanha pela Andaluzia (A49).
A implementação de portagens na A22 redundará em perda de competitividade do Algarve, com danos incalculáveis para a economia regional e para a actividade turística. No plano da mobilidade regional, esta via constitui-se como um mecanismo fundamental no combate às assimetrias regionais, desertificação e carência de vias de comunicação.
A história deste eixo rodoviário começa em 1990, com as primeiras obras, que estabeleceram a ligação entre Guia e Vila Real de Santo António, sendo que apenas o troço final, entre Lagoa e Lagos, concluído já em 2003, foi construído após a criação do regime Sem Custos para os Utilizadores (SCUT).
Criado pelo Decreto-Lei nº 267/97, de 2 de Outubro, o regime de portagem sem cobrança aos utilizadores (SCUT) surgiu com o objectivo de «acelerar por novas formas a execução do plano rodoviário nacional de modo a permitir, até ao ano 2000, a conclusão da rede fundamental e de parte significativa da rede complementar». As concessões SCUT constituíam, assim, auto-estradas em que o Estado se substituía ao utilizador no pagamento da portagem, sendo o investimento suportado pelos impostos de todos os contribuintes.
Inicialmente traçada como Itinerário Complementar, a Via do Infante foi construída com recurso ao orçamento público durante os XI, XII e XIV Governos Constitucionais, assim como através de fundos comunitários, nomeadamente do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
A maior parte do financiamento, no valor de 132,9 milhões de euros, foi disponibilizada entre 1990 e 1993, durante o Quadro Comunitário de Apoio (QCA I), sendo que apenas o troço entre Guia e Alcantarilha foi financiado no período compreendido entre 2000 e 2006, no valor de 9,1 milhões de euros.
Em Julho de 2003, o então ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação do Governo de Durão Barroso (PSD), Carmona Rodrigues, defendeu a urgente revisão do modelo das auto-estradas sem custos para o utilizador, no sentido de as portajar.
Desde 2006, os Governos do Partido Socialista sustentaram que as condições de implementação de introdução de portagens nas Concessões SCUT deveriam obedecer a um conjunto de critérios, matéria enquadrada no sítio oficial do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Assim, em Outubro de 2006, o Governo justificou a decisão de introduzir portagens nas SCUT Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral com base na acumulação dos dois critérios de desenvolvimento económico (PIB per capita e Índice do Poder de Compra Concelhio) e da existência de vias alternativas consideradas como razoáveis. Estes critérios advêm do estudo, “O regime SCUT enquanto instrumento de correcção das assimetrias regionais – estudo de critérios para aplicação de portagens em auto-estradas SCUT”, efectuado pela F9 Consulting – Consultores Financeiros, SA, para Estradas de Portugal, EPE.
Não obstante a aprovação ministerial, nunca o Governo verteu os critérios de «desenvolvimento socioeconómico das regiões em causa» e as «alternativas de oferta no sistema rodoviário» para diploma legislativo. Recorde-se que nem mesmo o recente Decreto-Lei n.º 67-A/2010, de 14 de Junho, que identifica os lanços e sublanços de auto-estrada sujeitos ao regime de cobrança de taxas de portagem aos utilizadores, faz referência a quaisquer critérios para justificar a introdução de portagens nuns lanços e isentar noutros. Vingou, apenas, o critério financeiro.
Em Outubro de 2006, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações anunciou que, pese embora a região do Algarve cumprir os requisitos de desenvolvimento económico, o tempo de percurso da Estrada Nacional 125 ditava a ausência de alternativa rodoviária viável. De acordo com o relatório de, “Cálculo dos tempos de viagem nos corredores rodoviários associados às concessões SCUT e aos percursos alternativos”, no caso da concessão do Algarve, «o tempo de percursos através do itinerário alternativo é 1,4 vez (ou 140%) superior ao tempo de percurso através do corredor da SCUT». Assim, concluiu o Governo, aquela SCUT permaneceria sem portagens.
Em Maio de 2008, a tutela assumiu que «enquanto se mantiverem para o Algarve aqueles critérios, não está equacionada a implementação de portagens naquela auto-estrada».
Em Abril de 2009, o então Ministro das Obras Públicas admitiu que «o Governo de José Sócrates decidiu não cobrar portagens em auto-estradas em zonas desfavorecidas, pobres e em locais sem vias alternativas» e que «o Algarve não tem alternativa à Via do Infante» enquanto a requalificação da EN 125 não for uma realidade.
Em Dezembro de 2009, o Governo esclareceu que «as SCUT deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento socioeconómico das regiões em causa, quer no que diz respeito às alternativas de oferta no sistema rodoviário».
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 75/2010, de 9 de Setembro, verte a introdução de portagens reais nas concessões SCUT que, de acordo com os estudos técnicos efectuados, cumpram os critérios definidos para o efeito quanto ao desenvolvimento económico-social da região e à existência de alternativas. A RCM em apreço determina ainda a beneficiação do regime de discriminação positiva, sistema misto de isenções e descontos nas taxas de portagem, na SCUT do Algarve à população e às empresas dos concelhos inseridos na NUT III Algarve, em que uma qualquer parte do território dessa NUT diste menos de 20km da via rodoviária a portajar.
A Estrada Nacional 125 não constitui alternativa credível, sendo um dos eixos rodoviários mais perigosos da Europa e cuja requalificação está longe de estar concluída. O argumento de que há escolha é, por isso mesmo, absolutamente falso. Aliás, o estudo aprovado pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações em Outubro de 2006 confirma que aquela não é via alternativa, tendo concluído por essa ordem de razão a não introdução de portagens na A22.
Saliente-se que o traçado da EN 125 é caracterizado pelo atravessamento de povoações e localidades densamente povoadas, cruzamentos e sistema de semaforização, facto que resulta numa velocidade média de circulação de 50 km/h. A este facto acresce o impacto da sazonalidade, uma vez que, durante o período estival, aquela via rodoviária sofre um acréscimo de utilização muito significativo.
Por outro lado, o projecto de requalificação daquele eixo rodoviário inclui a criação de 84 rotundas, pelo que se compreende que as características daquele traçado implicam velocidades muito reduzidas e o atravessamento de inúmeras localidades, características manifestamente diferentes das encontradas na designada Via do Infante.
A situação da região não compactua com a introdução de portagens na A22: o Algarve apresenta uma das maiores taxas de desemprego do país, carecendo de medidas de urgência para a dinamização e diversificação da sua economia. Por outro, o peso actual do turismo na economia regional não suporta a introdução de mecanismos de desmotivação da procura, o que só agravaria o quadro de crise.
As estradas constituem um bem público colectivo, insusceptível de ser privatizado, que, enquanto instrumentos de uma política de acessibilidade, asseguram a livre circulação de pessoas e bens. É nesta medida que o Bloco de Esquerda repudia a aplicação do princípio do utilizador-pagador nas auto-estradas em regime de Sem Custos para os Utilizadores.
O contrato de confiança assumido com as populações menos desenvolvidas, para favorecer a acessibilidade territorial, não pode, nem deve, ser alterado, tanto mais quando as condições de atraso de desenvolvimento dessas localidades não foram superadas.
A introdução de portagens na A22 consubstancia uma medida intolerável que lesa gravemente a oferta turística, essencial para o produtor regional, lesa as populações, em particular os trabalhadores e as empresas, e que vêm apenas agudizar a situação de grave crise que se abateu na região.
Esta medida é tanto mais grave quando, nas suas bases programáticas para as Eleições Legislativas de 2009, o Partido Socialista assumiu o compromisso de «intervir na EN125, um investimento de quatrocentos milhões de euros, sem portagens na Via do Infante», pelo que a anunciada medida do Governo manifesta-se de inaceitável hipocrisia política.
É ainda de realçar o que o Programa de Governo do Partido Socialista para as eleições de Setembro de 2009 referia sobre as SCUT: «deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiveram as duas condições que justificaram, em nome da coesão territorial, a sua implementação: (i) localizarem-se em regiões cujos indicadores de desenvolvimento socioeconómico sejam inferiores à média nacional; e (ii) não existirem alternativas de oferta no sistema rodoviário» (página 32).
No final de Junho de 2010, em sede de debate quinzenal na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro assumiu que não deve haver portagens no Algarve «onde não há alternativa» à Via do Infante. Na sequência, o Bloco de Esquerda requereu ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações esclarecimentos face aos critérios em que se baseia para a introdução de portagens na A22, tendo em conta as consequências da crise na região e a ausência de outra opção rodoviária. Volvidos mais de três meses, o Governo ainda não respondeu à pergunta entregue, carecendo a decisão face ao Algarve de cabal explicação.
A instalação de portagens na Via do Infante é uma medida socialmente injusta e que não permite um combate eficaz às assimetrias socioeconómicas e regionais que caracterizam o país. Sem alternativa possível, os utentes passam a suportar directamente os custos de uma via construída maioritariamente por fundos comunitários, fora daquilo a que se viria a convergir nas vias SCUT mais tarde. Este princípio mina a coesão e solidariedade territorial e viola o contrato eleitoral do Partido Socialista, embora tenho o aplauso do PSD.
A alternativa defendida pelo Bloco de Esquerda assenta nos princípios da solidariedade e da defesa da coesão social e da promoção da melhoria das acessibilidades territoriais, quer em infra-estruturas, quer em meios de transporte, como instrumento essencial de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
Com esta iniciativa, o Bloco de Esquerda pretende promover a coerência legislativa com os princípios da coesão territorial e os direitos dos cidadãos.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que suspenda a introdução de um regime efectivo de cobrança de taxas de portagens na auto-estrada designada por SCUT Algarve, prevista até 15 de Abril de 2011, conforme o n.º 3 da Resolução do Conselho de Ministros n.º 75/2010, de 14 de Junho.

Assembleia da República, 28 de Outubro de 2010.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,

Comissão de Utentes da Via Infante entrega petição no Parlamento versão para impressão enviar por e-mail
Uma petição com 14 mil assinaturas contra as portagens na Via Infante de Sagres (A22) vai ser entregue esta quarta-feira no Parlamento
Comissão de Utentes da Via Infante entrega petição no ParlamentoA Comissão de Utentes da Via Infante é esta quarta-feira recebida pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a quem vai entregar uma petição com 14 mil assinaturas contra as portagens naquela estrada que une o Algarve.
Depois de entregar a petição, a comissão contra as portagens na Via Infante de Sagres (A22) vai ainda reunir-se com a Comissão de Obras Públicas e com os Grupos Parlamentares, conforme explicou Nuno Viana, um dos elementos da Comissão de Utentes, em declarações à agência Lusa.
De acordo com Nuno Viana, está agendado para este mês uma marcha de protesto contra as portagens a partir da Ponte do Guadiana, a qual vai contar com a colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia.
A Comissão de Utentes da Via Infante pretende ainda, a breve prazo, e antes da instalação dos pórticos na A22, avançar com a organização de um fórum-debate na região, subordinado ao tema “As portagens na Via Infante e o seu impacto no Algarve”, onde serão convidadas a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais.
A comissão anunciou ainda que está a também preparar um dossier sobre as portagens na Via Infante para ser enviado aos tribunais nacionais e europeus. Recorde-se que, com o lema “Não às portagens na Via do Infante, a Estrada Nacional 125 não é alternativa. O Algarve não paga”, a Comissão de Utentes da Via Infante já realizou nos últimos meses dois protestos na EN 125 com marchas lentas e buzinões.
Sol

Via do Infante

Primeira petição do ano entregou na AR 14 mil assinaturas contra portagens

A Comissão de Utentes da Via do Infante, no Algarve, entregou hoje na Assembleia da República a primeira petição popular de 2011, com cerca de 14 mil assinaturas contra a introdução portagens na A22.
Destak/Lusa | destak@destak.pt
O objectivo desta iniciativa é “sensibilizar os senhores deputados para a luta que a comissão trava desde há dois ou três meses”, disse João Vasconcelos, da Comissão, após ter entregue ao Presidente da AR, Jaime Gama, as cerca de 14 mil assinaturas.
“A ser ‘portajada’ a Via do Infante, isto representa um grave prejuízo para as pessoas e para as empresas, além de ser uma decisão injusta e ilegal, porque grande parte da Via do Infante não foi construída para ser SCUT [via sem custos para o utilizador]”, salientou João Vasconcelos, considerando que “a estrada nacional 125 não é alternativa credível” à A22, até porque “depois de ser requalificada ficará com 84 rotundas”.
Ainda hoje, a comissão terá reuniões com todos os grupos com assento parlamentar. No entanto, se os deputados não ficarem convencidos com as 14 mil assinaturas, os utentes não vão baixar os braços e admitem recorrer aos tribunais.
“Vamos pedir a impugnação da introdução de portagens através de uma providência cautelar, que a breve trecho entrará nos tribunais administrativos e fiscais, e depois veremos”, afirmou João Caetano, outro membro desta comissão, salientando que os utentes estão “preparados também para agir contra qualquer iniciativa do Governo posterior à decisão dos tribunais”.
A comissão vai realizar, em Fevereiro, um fórum sobre os impactos destas portagens no Algarve, com a participação de várias personalidades ligadas à região, e prevê uma outra marcha de protesto, desde a ponte do Guadiana, em que contam “com a participação de motoristas espanhóis”.
Destak

Comissão de Utentes da Via Infante entrega petição no Parlamento



Está ainda agendada, para este mês, uma marcha de protesto contra as portagens a partir da Ponte do Guadiana, que contará com a colaboração de condutores espanhóis.

A Comissão de Utentes da Via Infante é hoje recebida pelo presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a quem vai entregar uma petição com 14 mil assinaturas contra as portagens naquela estrada que une o Algarve.

Depois de entregar a documento, a comissão contra as portagens na Via Infante de Sagres (A22) vai também reunir-se com a Comissão de Obras Públicas e com os Grupos Parlamentares.

Está ainda agendada, para este mês, uma marcha de protesto contra as portagens a partir da Ponte do Guadiana e que contará com a colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia.

A Comissão de Utentes da Via Infante pretende ainda, a breve prazo, e antes da instalação dos pórticos na A22, avançar com a organização de um fórum-debate na região, subordinado ao tema – “As portagens na Via Infante e o seu impacto no Algarve”, onde serão convidados a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais.

Em preparação está também um dossier sobre as portagens na Via Infante para ser enviado aos tribunais nacionais e europeus.

Com o lema “Não às portagens na Via do Infante, a Estrada Nacional 125 não é alternativa. O Algarve não paga”, a Comissão de Utentes da Via Infante realizou nos últimos meses dois protestos na EN 125 com marchas lentas e buzinões.
Rádio Renascença

Primeira petição do ano entregou na AR 14 mil assinaturas contra portagens na Via do Infante

Portagens arrancam até Abril, segundo decisão do governo
A Comissão de Utentes da Via do Infante, no Algarve, entregou hoje na Assembleia da República a primeira petição popular de 2011, com cerca de 14 mil assinaturas contra a introdução portagens na A22.

O objetivo desta iniciativa é “sensibilizar os senhores deputados para a luta que a comissão trava desde há dois ou três meses”, disse João Vasconcelos, da Comissão, após ter entregue ao Presidente da AR, Jaime Gama, as cerca de 14 mil assinaturas.

“A ser ‘portajada’ a Via do Infante, isto representa um grave prejuízo para as pessoas e para as empresas, além de ser uma decisão injusta e ilegal, porque grande parte da Via do Infante não foi construída para ser SCUT [via sem custos para o utilizador]”, salientou João Vasconcelos, considerando que “a estrada nacional 125 não é alternativa credível” à A22, até porque “depois de ser requalificada ficará com 84 rotundas”.

Ainda hoje, a comissão terá reuniões com todos os grupos com assento parlamentar. No entanto, se os deputados não ficarem convencidos com as 14 mil assinaturas, os utentes não vão baixar os braços e admitem recorrer aos tribunais.

“Vamos pedir a impugnação da introdução de portagens através de uma providência cautelar, que a breve trecho entrará nos tribunais administrativos e fiscais, e depois veremos”, afirmou João Caetano, outro membro desta comissão, salientando que os utentes estão “preparados também para agir contra qualquer iniciativa do Governo posterior à decisão dos tribunais”.

A comissão vai realizar, em fevereiro, um fórum sobre os impactos destas portagens no Algarve, com a participação de várias personalidades ligadas à região, e prevê uma outra marcha de protesto, desde a ponte do Guadiana, em que contam “com a participação de motoristas espanhóis”. 
Diário Online

Portagens: Comissão de utentes da A22 entrega documento na AR

Petição reúne 14 mil

Um pedido de providência cautelar a pedir a impugnação da introdução de portagens na Via do Infante, uma marcha de protesto e um fórum-debate sobre os efeitos da implementação da medida no Algarve são as próximas acções da Comissão de Utentes da A22.
Por:João Mira Godinho

Isto depois de, ontem, representantes da comissão terem entregado, na Assembleia da República (AR), uma petição com 14 mil assinaturas contra a introdução de portagens na A22.
"Vamos continuar com a luta", assegurou ao CM João Vasconcelos, da comissão, no final das reuniões mantidas ao longo do dia na AR. "O Presidente da AR [a quem foi entregue a petição] disse-nos que ia agendar a análise do documento para breve", explicou João Vasconcelos. Já sobre as reuniões com os vários grupos parlamentares, o responsável da comissão afirmou que "correram bem".
Por um lado, BE, PCP e CDS-PP mostraram-se solidários com a comissão. BE e PCP têm mesmo resoluções contra as portagens na A22, que serão em breve discutidas na AR. Já o PS e o PSD "empurraram, um pouco, responsabilidades uns para os outros", referiu João Vasconcelos. "O PS diz que o PSD é que defende o princípio da igualdade, que estendeu as portagens à Via do Infante. O PSD diz que o PS é que fez a lei e colocou o País no estado em que está", acrescenta.
A introdução de portagens na Via do Infante está prevista para 15 de Abril. A Comissão de Utentes da A22 pretende que esta seja adiada, pelo menos, até à conclusão das obras de requalificação da Estrada Nacional 125.
Refira-se que o final desta obra estava previsto para Julho de 2012, mas o mais provável é que o prazo não seja cumprido, tendo em conta alguns atrasos, nomeadamente, no visto do Tribunal de Contas. 
Correio da Manhã

Portagens: Marcha de protesto na Ponte do Guadiana após entrega de petição na AR

A Comissão de utentes da Via do Infante entregou a 4 de janeiro, ao presidente da Assembleia da República Jaime Gama, a petição com 12 mil assinaturas contra a introdução de portagens na A22. E prepara já uma marcha lenta na ponte do Guadiana.
 
ponte-guadiana-transito.jpg
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Na Assembleia da República a comissão reuniu-se ainda com a Comissão de Obras Públicas da AR e com os Grupos Parlamentares dos partidos com assento na Assembleia da República.
De acordo com o comunicado distribuído por aquela comissão, entre diversas iniciativas previstas destaca-se, no início do ano, “a preparação e realização de um Fórum-debate na região, subordinado ao tema “As portagens na Via do Infante e o seu impacto no Algarve”.
A comissão de utentes da Via do Infante garante que para o evento “serão convidados a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais”.
Outra das iniciativas que também irá ser preparada no início do ano será “uma nova marcha de protesto contra as portagens, desta vez a partir da ponte do Guadiana e com forte impacto regional, que contará com a colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia”.
Esta nova ação de protesto, que ainda não tem data marcada “será divulgada oportunamente”.
Segundo o documento, está ainda a ser organizado “um dossier sobre as portagens na Via do Infante, a ser canalizado em devido tempo, para os tribunais nacionais e europeus”.
A contestação às portagens na Via do Infante foi protagonizada em diversas ações de protesto já realizadas, designadamente duas marchas lentas na EN 125 a 8 de Outubro e 26 de novembro, em Alcantarilha e Faro, respetivamente e uma ação surpresa, onde foi entregue ao Governo Civil, "enquanto representante do Governo central", um chip, simbolizando um presente de Natal «envenenado».
A comissão de utentes contesta a decisão do Governo de 9 de setembro de cobrar portagens nas vias sem custo para o utilizador (Scut), até aqui isentas, medida que já está em vigor no norte do país .
Recorde-se que posteriormente foi emitida uma portaria que isenta os moradores e empresas do Algarve do pagamento, mas apenas durante um ano.
Foi ainda definido pelo Governo que na Via do Infante, o pagamento será introduzido até ao dia 15 de abril, mas se as condições técnicas o permitirem, será antecipado.
Observatório do Algarve

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Contra o corte nos salários, FENPROF avança para os tribunais

Tal como em outros sectores da Administração Pública, na quarta-feira, dia 5 de Janeiro, os Sindicatos de Professores que integram a FENPROF interporão Providências Cautelares antecipatórias para tentarem suster a redução salarial dos docentes até que haja uma decisão sobre a sua legitimidade, legalidade e constitucionalidade.
Estas acções pretendem antecipar-se ao processamento dos salários pelas secretarias das escolas e agrupamentos, tendo lugar de acordo com o seguinte horário:
SP do Norte: Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAF) – 11.30 horas
SP da Região Centro: TAF de Coimbra – 10.30 horas
SP da Grande Lisboa: TAF de Lisboa – 11.30 horas
SP da Zona Sul: TAF de Beja – 10.30 horas
SP da Região Açores: TAF de Ponta Delgada – 10 horas
SP da Madeira: TAF do Funchal – (data a confirmar após publicação do Orçamento Regional)
O eventual decretamento provisório suspenderá o corte salarial que o Governo, unilateralmente, decidiu e, na Assembleia da República, PS e PSD viabilizaram. Um eventual não decretamento não significará a inexistência de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade no corte salarial, pois tal apenas se saberá após decisão sobre a acção principal que será interposta após a apresentação das providências cautelares.
Independentemente do curso das acções que serão agora desencadeadas, caso o salário de Janeiro (que será pago dia 21, pois 23 é domingo) contiver o corte previsto, no dia 25 de Janeiro os educadores de infância e os professores dos ensinos básico, secundário e superior apresentarão a adequada impugnação nos respectivos serviços processadores do seu vencimento.
Entretanto, serão desencadeados outros processos de denúncia e contestação, quer junto de instâncias nacionais, quer internacionais.
 NOTA FINAL: No dia 5, o Secretário-Geral da FENPROF acompanhará a Direcção do SPGL na entrega da providência cautelar, a entregar, às 11.30 horas, no TAF de Lisboa.
O Secretariado Nacional da FENPROF
3/01/2011

terça-feira, janeiro 04, 2011

SCUT: Comisão de Utentes da Via Infante entrega petição contra portagens quarta feira no Parlamento

A Comissão de Utentes da Via Infante vai ser recebida quarta-feira, dia 05, às 11:00, pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, para entrega de uma petição contendo 14 mil assinaturas contras as portagens.

A comissão contra as portagens na Via Infante de Sagres (A22) indica que depois de entregar a petição com cerca de 14 mil assinaturas contra as portagens no Algarve vai também reunir com a Comissão de Obras Públicas e com os Grupos Parlamentares, lê-se num comunicado enviado hoje à comunicação social.

A Comissão de Utentes da Via Infante informa também que no início deste ano vai avançar com uma “nova marcha de protesto contra as portagens a partir da Ponte do Guadiana", que contará com a "colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia".

A comissão adianta que está a preparar também um dossier sobre as portagens na Via do Infante para ser enviado aos tribunais nacionais e europeus e que vai realizar “fórum-debate na região, subordinado ao tema – “As portagens na Via do Infante e o seu impacto no Algarve”, onde serão convidados a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais. 
Diário Online

Comissão de Utentes da Via Infante entrega petição contra portagens no Parlamento

A Comissão de Utentes da Via Infante vai ser recebida quarta-feira, dia 05, às 11h00, pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, para entrega de uma petição contendo 14 mil assinaturas contras as portagens.
 
Comissão de Utentes da Via Infante entrega petição contra portagens na Assembleia da República
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A comissão contra as portagens na Via Infante de Sagres (A22) indica que depois de entregar a petição com cerca de 14 mil assinaturas contra as portagens no Algarve vai também reunir com a Comissão de Obras Públicas e com os Grupos Parlamentares, lê-se num comunicado enviado hoje à comunicação social.
A Comissão de Utentes da Via Infante informa também que no início deste ano vai avançar com uma "nova marcha de protesto contra as portagens a partir da Ponte do Guadiana", que contará com a "colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia".
A comissão adianta que está a preparar também um dossier sobre as portagens na Via do Infante para ser enviado aos tribunais nacionais e europeus e que vai realizar "fórum-debate na região, subordinado ao tema - "As portagens na Via do Infante e o seu impacto no Algarve", onde serão convidados a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais.
Observatório do Algarve

Petição contra portagens na Via do Infante chega amanhã à Assembleia da República

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Logótipo contra a introdução de portagens na Via do Infante

A Comissão de Utentes da Via do Infante vai entregar na quarta-feira, às 11 horas, ao presidente da Assembleia da República Jaime Gama, uma petição onde estão reunidas 14 mil assinaturas contra a introdução de portagens na A22.
Depois disso, a plataforma anti-portagens irá reunir-se com a Comissão de Obras Públicas e com os Grupos Parlamentares a quem foram pedidas audiências.

Tal como o líder da Comissão de Utentes – e primeiro signatário da petição – João Vasconcelos já tinha revelado ao barlavento.online, há muito que o limite mínimo (4000) de assinaturas para o documento ser apreciado na AR tinha sido alcançado.

De acordo com a lei, qualquer petição subscrita por um mínimo de 1000 cidadãos é, obrigatoriamente, publicada no Diário da Assembleia e, se for subscrita por mais de 4000 pessoas, será apreciada em Plenário da Assembleia.

Mas há mais novidades agendadas pela comissão para o ano que acaba de começar.

Uma dessas ações será a realização de uma marcha de protesto contra as portagens, desta vez a partir da ponte internacional do Guadiana.

A organização espera contar com a colaboração de condutores espanhóis da Andaluzia.

Da mesma forma, em comunicado enviado às redações, o movimento algarvio revela estar a preparar um dossiê para impugnar a introdução de portagens, ponderando mesmo o recurso aos tribunais nacionais e europeus.

Ainda no início deste ano, será realizado um fórum-debate na região subordinado ao tema «As portagens na Via do Infante e o seu impacto no Algarve», onde serão convidados a participar diversas personalidades e responsáveis políticos regionais.

Depois de meses de impasse, a decisão de cobrar de portagens nas vias sem custo para o utilizador (Scut) ainda isentas foi formalizada a 9 de Setembro, através de uma resolução do Conselho de Ministros.

Na Via do Infante, as portagens serão introduzidas até ao dia 15 de Abril de 2011, mas o Governo já fez saber que, caso existam condições técnicas, o pagamento será antecipado.

Durante um ano, estará em vigor um regime de isenções para as primeiras dez utilizações mensais.

Até ao momento, a Comissão de Utentes já organizou duas marchas lentas de protesto na EN125, em Alcantarilha e Faro.
4 de Janeiro de 2011 | 09:45
filipe antunes
Barlavento 

domingo, janeiro 02, 2011

Bloco acusa Cavaco de fugir à responsabilidade

Deputado bloquista acusa Presidente da República de “usar o velho truque de se referir aos decisores como se não fosse um deles", e de usar a mensagem de Ano Novo para fazer tempo de antena do candidato presidencial.
"Não se pode fazer apelos à coesão quando se apoiam medidas de austeridade que destroem essa coesão", sublinhou Jorge Costa
O Bloco de Esquerda reagiu à mensagem de Ano Novo do Presidente da República acusando Cavaco Silva de se referir aos decisores políticos responsáveis pela situação que vivemos como se não fosse um deles.
"Cavaco Silva é um dos políticos no activo com responsabilidades de governo há 30 anos e não é aceitável que se refira aos políticos como se não fosse um deles", disse o deputado Jorge Costa.
No discurso, o presidente afirma que "a partir do segundo semestre de 2010 já ninguém pôde negar que o País atravessa uma situação de grave crise económica e financeira, a qual tem efeitos negativos no plano social. Aquilo que para alguns era já uma evidência, para a qual na devida altura alertaram os Portugueses, foi finalmente reconhecido por todos, a começar pelos decisores políticos".
Para Jorge Costa, Cavaco Silva "voltou a fazer o velho truque de se referir aos decisores como se não fosse um deles" e com "as frases equívocas habituais mostrou de que lado está".
Cavaco Silva considerou ainda ser "essencial que 2011 fique marcado pela firmeza no combate ao desemprego e à pobreza", e defendeu que os sacrifícios têm de ser repartidos de uma forma justa por todos, "sem excepções ou privilégios". E acrescentou: "pretender fugir aos sacrifícios é uma atitude que não se coaduna nem com os mais elementares princípios da ética republicana nem com o valor fundamental da coesão social".
Na opinião do deputado bloquista, o presidente mostrou que "está do lado da receita da austeridade proposta por Bruxelas e aplicada pelo governo, agravando o ciclo da austeridade, do desemprego e da descida dos salários. Não se pode fazer apelos à coesão quando se apoiam medidas de austeridade que destroem essa coesão", sublinhou Jorge Costa, apontando para "o enorme risco de a mensagem do Presidente ser confundida com o tempo de antena do candidato presidencial".

sábado, janeiro 01, 2011

A Ciber-guerra da Wikileaks

A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas sim entre Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão ter a certeza de manter os seus cidadãos na ignorância das suas manobras. Por Manuel Castells
Como documentei no meu livro “Comunicação e Poder”, o poder reside no controlo da comunicação. A reacção histérica dos EUA e outros governos contra o Wikileaks confirma-o. Entramos numa nova fase da comunicação política. Não tanto por se revelar segredos ou fofocas, mas porque se difundem por um meio que escapa ao aparelho do poder. A fuga de confidências é a fonte do jornalismo de investigação com que sonha qualquer meio de comunicação em busca de novidades (scoops no original). Desde Bob Woodward e o seu 'Garganta Funda' no Washington Post até às campanhas de Pedro J. na política espanhola, a difusão de informação supostamente secreta é prática habitual protegida pela liberdade de imprensa.
A diferença é que os meios de comunicação estão inseridos num contexto empresarial e político susceptível a pressões quando as informações são comprometedoras. Daí que a discussão académica sobre se a comunicação pela Internet é um meio de comunicação, tem consequências práticas. Se o é (algo estabelecido na investigação) está protegida pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, e os meios e os jornalistas deveriam defender o Wikileaks porque um dia pode tocar-lhes a eles. E ninguém questiona a autenticidadade dos documentos filtrados. De facto, jornais mundiais importantes estão a publicar e comentar esses documentos para regozijo e educação dos cidadãos que recebem um curso acelerado sobre as misérias da política nos corredores do poder (pois, por que é que Zapatero está tão preocupado?).
O problema, diz-se, é a revelação de comunicações secretas que poderiam dificultas as relações entres Estados (aquilo sobre o perigo para as vidas humanas é uma patranha). Na realidade, deveria medir-se esse risco em relação à ocultação da verdade sobre as guerras aos cidadãos que as pagam e sofrem. Em qualquer caso, ninguém duvida de que se essas informações chegaram aos meios de comunicação, estes também as quiseram publicar (outras coisa é poder). Mais, uma vez difundidas na rede, estão publicadas. O que põe em causa é a o controlo dos governos directa ou indirectamente. Uma questão tão fundamental, que motivou uma reacção sem precedentes nos EUA, com apelos ao assassinato de Assange por líderes republicanos e até colunistas do Washington Post, e um alarme mundial generalizado desde Chávez até Berlusconi, com a honrosa excepção de Lula e a reacção significativa de Putin.
A esta cruzada para matar o mensageiro uniu-se a justiça sueca num história rocambolesca na qual o pseudo feminismo se aliou à repressão geopolítica. Acontece que as relações suecas de Julian Assange (alguém investiga a sua ligação aos serviços secretos?) denunciaram-nos porque em pleno acto (consentido) o preservativo rompeu-se, ela disse que não queria continuar e Assange não pode ou não quis interromper o coito e isto, segundo a lei sueca, poderia ser violação. O que não impediu que a violada organizasse, no dia seguinte, uma festa de despedida para Assange. Perante tamanho acto de terrorismo sexual, a Interpol emitiu o mandato de detenção europeu com o máximo nível de alerta, desmentindo que fosse por pressão dos EUA. E quando Assange se entregou em Londres, o juiz não aceitou o pagamento de fiança, talvez para enviá-lo para os EUA via Suécia.
Com o mensageiro sob rédeas, há que ir pela mensagem. Aqui começam as pressões que motivam a PayPal, a Visa, a Mastercard e o banco suíço do Wikileaks a fechar o cerco, que eliminam o domínio virtual e que a Amazon retire o servidor (o que não a impede de vender o conjunto completo dos documentos por 7 dólares). A contra ofensiva internauta não se fez esperar. Os ataques de serviços secretos contra ao site do Wikileaks fracassaram porque os servidores espelho proliferaram, ou seja, cópias imediatas dos sites existentes mas com outra direcção. Por esta altura, existem mais de mil em funcionamento (se quiser ver a lista, pesquise no Google 'wikileaks.mirror'). Em represália à tentativa de silenciar o Wikileaks, Anonymous, uma conhecida rede hacker, coordenou os ataques contra as empresas e instituições que o fizeram. Milhares de anónimos juntaram-se à festa utilizando o Facebook e o Twitter, ainda que com crescentes restrições. Os amigos do Wikileaks no Facebook ultrapassaram o milhão e aumentam em uma pessoa por segundo. O Wikileaks distribuiu a 100 mil usuários um documento encriptado com segredos falsamente mais perigosos para os poderosos cuja chave se difundiria se a perseguição se intensificar.
A segurança dos Estados não está em jogo (nada do que foi revelado coloca um perigo à paz mundial nem era ignorado nos círculos do poder). O que se debate é o direito de o cidadão saber o que fazem e pensam os seus governantes. E a liberdade de informação nas novas condições da era da Internet. Como dizia Hillary Clinton na sua declaração em Janeiro de 2010: “A Internet é a infra-estrutura icónica da nossa era... Como ocorria nas ditaduras do passado, existem governos que apontam contra os que pensam de forma independente utilizando estes instrumentos”. Esta mesma reflexão aplica-se agora?
O tema chave está em que os governos podem espiar, legal ou ilegalmente, os seus cidadãos. Mas estes não têm direitos à informação sobre quem actua em seu nome, exceptuando a versão mais censurada que os governos constroem. Neste grande debate, as empresas da Internet auto proclamadas plataformas de livre comunicação e os médios tradicionais tão ciosos da sua própria liberdade, vão contradizer-se. A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas sim entre Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão ter a certeza de manter os seus cidadãos na ignorância das suas manobras. Embora hajam pessoas dispostas a fazer leaks numa Internet povoada de wikis, surgirão novas gerações de wikileaks.
Publicado originalmente no La Vanguardia
Tradução de Sofia Gomes para o Esquerda.net