terça-feira, maio 19, 2009

Desempregados já são mais de 600 mil criar PDF versão para impressão enviar por e-mail

Durante o governo Sócrates o número de desempregados aumentou siginificativamente. Foto de Paulete Matos, 1 de Maio de 2009Os últimos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística revelam que existem em Portugal 496 mil desempregados (8,9%). No entanto, somando os inactivos disponíveis - pessoas efectivamente desempregadas mas que deixaram de procurar emprego - e todos aqueles que só trabalham umas horas por semana - obtém-se um número claramente superior, ou seja, mais de 600 mil desempregados.


São vários os estudos que indicam que a taxa de desemprego real é muito superior aos dados oficiais. Isto porque tanto asas contas do INE como do IEFP excluem todos os desempregados que não procuraram emprego nas últimas quatro semanas ou todos os que trabalham poucas horas por semana e declaram pretender trabalhar mais horas.

Segundo o economista Eugénio Rosa, em declarações ao jornal gratuito Destak, "se somarmos os inactivos disponíveis e o subemprego visível ao número oficial de desemprego (469 mil, segundo o IEFP) obtém-se 624,3mil, o que corresponde já a uma taxa efectiva de desemprego de 11,2% no 1º trimestre de 2009". Tendo em conta que apenas 300 mil desempregados se encontram a receber subsídio de desemprego, o economista assinala que mais de metade das pessoas em situação real de desemprego ou sub-emprego não recebe qualquer subsídio.

Note-se que as contas de Eugénio Rosa partem dos números do IEFP, que regista 469 mil desempregados oficiais, menos do que o INE, que contabiliza 496 mil pessoas sem trabalho. Esta divergência nos números prende-se com o facto de o IEFP registar apenas as pessoas que se inscrevem nos Centros de Emprego, ao contrário do INE, que contabiliza também os não inscritos mas que tentaram procurar trabalho nas últimas quatro semanas.

É por isso que a análise feita pelo Jornal de Negócios dá conta de um número ainda maior de desempregados. Aos 495,8 mil desempregados "oficiais" calculados pelo INE, somam-se 88,5 mil pessoas que não procuraram trabalho no último mês, atingindo-se o número de 584,5 mil pessoas efectivamente desempregadas. Se a este número se somar ainda as pessoas em situação de subemprego (61 mil) o número de desempregados ultrapassa as 640 mil pessoas, ou seja, 11,4% da população em idade activa.

A deputada Mariana Aiveca, do Bloco de Esquerda, já veio manifestar preocupação por estes dados e exige números certos por parte dos organismos do Estado.

"Esta é que é a verdade e o que exigimos são números claros e que não venham com justificações de falhas ou de outras coisas, que fique claro, tanto nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) como nas do IEFP, o número real dos desempregados, porque muitas são as pessoas que estão desempregadas e não contam para qualquer estatística, os inactivos não contam, as pessoas que apenas trabalham umas horas por semana não contam", defendeu a deputada do Bloco de Esquerda.

Recorde-se que, além de fazer as contas aos desempregados "por baixo", o IEFP "apagou" indevidamente 15 mil desempregados do sistema.

Precisamente sobre esta polémica, Francisco Louçã revelou que o Bloco vai apresentar documentos que comprovam que o ‘apagão' no número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego "não foi caso único". "O Bloco tem informação e divulgará amanhã (hoje) documentação que comprova que esta política já vem de 2008 e que já houve mais apagões", avançou Francisco Louçã, durante a apresentação dos candidatos do Bloco à Câmara e Assembleia Municipal da Maia.

Esquerda.net

1 comentários:

Pedro Ferreira disse...

Apenas uma precisão.

É necessário algum cuidado com o sub-emprego visível.

Alguém que não trabalha a tempo completo de forma involuntária é considerado um caso de sub-emprego. Mas isto é tão válido para quem trabalha 90% do tempo como para quem trabalha 10% do tempo. Dez pessoas na primeira situação prefazem um desempregado, enquanto que essas dez pessoas na segunda situação prefazem nove desempregados.

Está a decorrer um grupo de trabalho no Eurostat para propôr formas complementares de medir as ineficiências dos mercados de trabalho (como o caso do sub-emprego ou como o caso dos desencorajados).

Até lá, a taxa de desemprego actual, que mede apenas o desemprego em sentido estrito e portanto sub-avalia as ineficiências do mercado de trabalho, é aquela que permite de forma harmonizada comparar valores entre regiões e diferentes países dentro e fora da UE.