sexta-feira, novembro 14, 2008

Quem semeia ventos...Secretários de Estado da Educação recebidos com chuva de ovos na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa

O movimento estudantil não pára de crescer. Têm ocorrido incidentes um pouco por todo o lado. Esta tarde, a luta dos estudantes contra a política educativa do Governo e, em particular, contra o Estatuto do Aluno, teve o seu epicentro na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa. Os dois secretários de estado, Valter Lemos e Jorge Pedreira, foram mal recebidos pelos alunos que atiraram ovos e tomates contra os carros onde seguiam e contra as paredes da sala onde os dois governantes se reuniram com duas centenas de PCEs. Os dois secretários de estado deslocaram-se à escola secundária D. Dinis para uma reunião com duas centenas de PCEs para tratar de questões sobre a avaliação de desempenho. À hora em que escrevo este post, os dois secretários de estado encontram-se ainda retidos no interior do estabelecimento e os alunos permanecem no exterior do edifício depois de serem expulsos da escola pela PSP. Ao longo da tarde, houve várias tentativas dos estudantes invadirem a escola. Ao contrário do que afirma a ministra da educação, a confusão e a desmotivação reinam na maioria das escolas. Chegou-se ao ponto de a presença nas escolas da ministra e dos secretários de estados ser motivo de paralisação ou confusão generalizada. Não comento a metodologia usada pelos estudantes. Quem semeia ventos...Os 200 PCEs presentes na reunião perderam uma excelente oportunidade de pedirem, em bloco, a demissão dos seus cargos. Faltou-lhes coragem. Mais uma vez.
Os dois secretários de estado só saíram das instalações da Escola Secundária D. Dinis por volta das 19:00. Jorge Pedreira não quis responder às perguntas dos jornalistas sobre as conclusões da reunião. Elogiou os PCEs e afirmou, mais uma vez, que os professores não têm o direito de suspender o processo de avaliação. Deu ainda a entender que os manifestantes foram instrumentalizados por quem se opõe à política educativa do Governo. De registar o tom agressivo das respostas. No mesmo tom se pronunciou esta tarde a ministra da educação que se recusou a responder a perguntas de jornalistas sobre os incidentes na escola secundária D. Dinis. Andam visivelmente zangados com toda a gente. Elogios só para os PCEs. Por que razão será?
Como era de esperar os 200 PCEs presentes na reunião não aproveitaram a ocasião para pedir a demissão, nem sequer para exigirem a suspensão do processo. Os professores não podem contar com eles. Esqueceram-se que foram eleitos pelos professores. Merecem os elogios da ministra e do secretário de estado adjunto. Uns andam borrados de medo. Outros aplaudem, em surdina, o modelo burocrático de avaliação de desempenho. E há ainda os que se julgam directores e já começaram a intimidar os professores numa cópia perfeita dos chefes que os inspiram e procuram imitar. Perdido aqui e acolá, um ou outro raro PCE com coragem para se colocar do lado dos professores.
ProfAvaliação

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