quinta-feira, novembro 13, 2008

Sou contribuinte, não voto P$

Os valentes professores que ontem invadiram a baixa de Lisboa, gritaram em uníssono "sou professor, não voto PS".
Tinham eles toda a razão, na medida em que parece claro que, para aquele partido poder renovar a sua maioria absoluta, não deverá contar com a classe dos docentes.
Mas foi um slogan redutor, porque o partido do governo se identifica cada vez mais com um Robin dos Bosques à portuguesa, mas no sentido mais pejorativo do termo.
Tirar aos pobres para dar aos ricos, é o lema que melhor se adequa às políticas do governo.
Aqueles que ainda se conseguem manter no activo, são rotulados de privilegiados e esfolados até ao tutano, através da redução de efectivos até ao limite considerado suportável para poder transmitir a ilusão de que tudo está bem, e alguma coisa que não esteja só pode ser resultado de uma deficiente avaliação do desempenho individual.
E aqueles que se vêem atirados para o desemprego não têem ao seu alcance senão subsídios de sobrevivência que são incapazes de se converter em iniciativas geradoras de impostos.
Os contribuintes que auferem rendimentos do seu trabalho, sentem que são chamados a pagar tudo aquilo que deveria ser custeado pelo estado, e que serve de fundamento para a cobrança dos impostos. Descontam para a reforma, e vêem-se obrigados a custear uma reforma particular; descontam para a educação, e vêem-se obrigados a colocar os filhos em colégios; descontam para a segurança, mas necessitam de segurança privada. A saúde, justiça e tudo o mais idem, idem.
Os contribuintes que dependem da atribuição de subsídios, esses sentem que têem mais a ganhar se engendrarem esquemas destinados a subverter a lógica que determina a atribuição dos subsídios, do que se capitalizarem o recurso aos benefícios sociais em favor da procura de actividades de valorização económica.

Ferrão.org

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