quarta-feira, novembro 12, 2008

600 professores reúnem em Braga e tomam posição. Ministra cada vez mais isolada e esgotada



Breve rescaldo do plenário de Braga. Estiveram 600 ou mais pessoas de diferentes escolas do distrito. Vários representantes de sindicatos e comunicação social.Tomando o pulso a todas as posições, o que é possível apontar já é o seguinte:
1. todos estão revoltados, cada vez mais, e com desejo de intensificar a luta face ao ministério;
2. cada vez são mais as escolas a tomar posições contra a avaliação (recusa formal ou pedidos de suspensão... parece que quase nenhuma fica imune);
3. cresce a consciência que este acto é mais representativo que outra coisa... fica dentro de muros, o prejudicado é o professor e, por isso, ninguém quer saber... é o problema de uma clase, essa classe que o resolva;
4. daí a necessidade de, cada vez mais, alertar e puxar para o nosso lado pais e alunos;
5. daí a necessidade de partir para formas de lutas verdadeiramente eficazes: greve prolongada;
6. ainda pairou o fantasma da possível fraca adesão, mas o facto é que nunca antes se tinham mobilizado tantos professores para manifestações, daí que, forçosamente, uma greve terá maior repercussão que as anteriores;
7. claríssima foi a rejeição de uma greve a um único dia, já em Janeiro, e numa segunda. Um grande tiro no pé que apenas nos fará gastar dinheiro e não contribuirá para nada. Houve quem falasse em 3 dias (meio da semana) ou tempo indeterminado até à suspensão do modelo... nunca seria muito prolongada pela pressão dos pais (foi assinada uma moção nesse sentido, mas tem que ser corrigida em alguns pontos, por isso não a mando já);
8. foi também aprovada uma moção de apoio à organização, por parte dos movimentos, do Encontro Nacional de Escolas em Luta e incentivou-se a participação de dois representantes por escola (anexo a moção, lerão o resto);
9. também havia uma moção que apontava para o apoio à manifestação de 15 de Novembro, mas não foi aprovada. Este foi o pomo da discórdia: houve quem a defendesse, pelas razões habituais e, acima de tudo, creio que muitos porque, "agora que está convocada, vai ser mau estar pouca gente"; a maioria vê nesta acção um fracasso anunciado, porque se segue a uma gigantesca, o que vai evidenciar fraquezas e ser usada pela ministra contra nós. Pode ainda desacreditar os movimentos.
Pessoalmente, não tomei posição neste ponto... porque não o consigo fazer convictamente. Como já tive oportuindade de referir, a manif teve a sua grande vitória: desencadear a acção dos sindicatos, arrancá-los da sua letargia. Tivemos uma manifestação gigantesca, inédita, e como todos sabemos, as repercussões não foram "famosas", além da fraca cobertura da imprensa (a lei da mordaça voltou). Na prática, uma manif forçosamente menor, em termos nacionais, apenas vai conseguir um efeito contrário. Apesar de convocada, creio que ainda iriam a tempo de alterá-la para concentrações regionais com plenários. E aqueles que estão mobilizados em Lisboa e arredores podem fazer a manif na mesma, tal como os restantes colegas do resto do país, nas capitais dos seus distritos. Esta é a minha opinião.
Um abraço a todos,
Fátima Gomes

Comentário
A greve deve ser a última arma a usar. Antes do recurso à greve, há que esgotar as outras formas de luta: mais concentrações distritais, mais manifestações nacionais e mais pedidos de suspensão do processo de avaliação. Se a pressão no interior das escolas e nas ruas se intensificar, é provável que o primeiro-ministro deixe cair a ministra. Cada dia que MLR passa à frente do ME é um calvário para ela. Toda a gente já reparou como está esgotada, irritada, sem ânimo e sem rumo. O isolamento de MLR é total no PS. Chovem críticas de todo o lado ao estilo e às atitudes da ministra. Nunca se viu nada assim em 34 anos de democracia: um grupo profissional inteiro, composto por 140 mil cidadãos, todos contra a ministra da educação! A vitória dos professores não está ao virar da esquina. É uma prova de resistência. Uma maratona. Mas a meta está ao alcance de todos.
ProfAvaliação

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